Dança das Lâminas

2 Sentimentos Inalcançáveis


O dia havia amanhecido há poucas horas, ainda se podia sentir o cheiro do orvalho na grama da manhã e a brisa soprava carinhosamente. InuYasha havia se distanciado de seu lar para pescar enquanto seu pai caçava na floresta, mesmo que ele tivesse lhe dito para ficar e cuidar de sua irmã, ou a levasse junto. Inu no Taishou não suportava mais a ideia de deixar sua filha sozinha, havia deixado sua esposa e a perdeu, agora se certificava de que pelo menos Laura não sofresse com o mesmo destino que sua mãe havia tido. Ele confiava que seu filho seria capaz de proteger a pequena, ou pelo menos levá-la até locais seguros, se assim precisasse.

InuYasha gostava de pescar, mas o que o fazia feliz se tornou irritante ao longo do tempo em que foi forçado a levar sua irmã ou ficar em sua casa, sem fazer nada. A pequena hanyou era fraca, tímida e lenta e por esses fatos, InuYasha odiava ter que levá-la para as pescas e caças, pois Laura não fazia nada além de lhe observar. Para piorar, Laura era medrosa e tinha medo de tudo: corria das sombras, do som dos galhos das árvores, das folhas ao vento e até mesmo da água.

Há exatos 3 anos, Izayoi morreu devido à um grave ferimento dito por seu pai, porém, ele não disse nada além disso. Desde tal dia, ele cuidava sozinho de seus dois filhos e moravam em uma casa afastada das vilas humanas, no meio da floresta, mas InuYasha ficava irritado com sua irmã facilmente. No início, InuYasha via que sua irmã ficava quase sempre com seu pai, recebendo cuidados e carinho, do qual ele queria só para ele, mas conforme ela crescia e aprendia a andar, começava a querer ficar ao lado de InuYasha que, por outro lado, a evitava. Qualquer coisa que Laura fizesse o deixava irritado, e por qualquer coisa, ele já gritava com ela e a mandava se afastar, mas a pequena hanyou sempre lhe seguia, inocentemente.

InuYasha estava próximo à beira do rio, fundo o suficiente para os peixes poderem passar por onde estava. Ele já sentia alguns nadando próximo à suas pernas, preparava as mãos para pegá-los quando um som alto veio surgir atrás deste, era de algo que certamente caiu na água... ou pulou. Ao virar-se, InuYasha havia visto sua irmã dentro da água, estendia suas mãos enquanto mostrava uma tiara de flores ao qual parecia ter sido feito por ela própria. Apertara seu punho de raiva e, sem hesitar, empurrou a pequena hanyou: reclamava por ela ter assustado os peixes por causa de flores bobas. A hanyou olhou para as próprias mãos com seus olhos marejados, voltando a olhar para seu irmão e tentando entregá-las, sem dizer uma palavra sequer. Ela não sabia falar, mal sabia andar sem tropeçar e aquilo também o irritava. O jovem saíra do rio e rapidamente tomou o caminho até o centro da floresta, parecia tentar deixar sua irmã para trás, mas a mesma pelo menos era rápida o bastante para seguir seus passos, mesmo que tropeçasse vez ou outra.

Inu no Taishou já havia voltado de sua caça e estava prontamente com dois enormes javalis em uma fogueira na frente da casa. O homem virou a cabeça e deu uma olhada séria sobre o ombro ao ver que InuYasha e Laura estavam acabando de chegar.


— Onde estavam? – Perguntou o youkai, severamente. seu tom de voz havia feito InuYasha tremer, mas a pequena parecia estar acostumada com aquele tom.
— Eu estava... tentando pescar. – Respondeu InuYasha, desviando seu olhar do de seu pai. — Mas a chata da minha irmã espantou os peixes, como ela sempre faz! – Reclamou o hanyou, atraindo a atenção de seu pai. — Eu preciso realmente levar ela? Digo, ela não faz absolutamente NADA! Nem consegue falar. – Seu pai lhe olhou com desaprovação.
— Não diga isso, ela está tentando te ajudar e- – InuYasha o interrompeu, gritando como se estivesse ainda mais irritado.
— NÃO! Ela NÃO está tentando me ajudar! Ela só fica lá para me atrapalhar, ela não está tentando ajudar em nada além de ser fraca, chata e burra e foi por culpa dela que a mamãe morre- – Antes que InuYasha pudesse terminar sua ofensa, seu pai rapidamente se levantou e andou em sua direção, socando-lhe a cabeça agressivamente.
— Nunca mais, eu disse, nunca mais OUSE falar que sua mãe morreu por culpa de sua irmã, está me ouvindo?!

O homem olhara para sua filha, seus olhinhos dourados estavam cobertos de lágrimas ao ver aquela cena, o pequeno InuYasha estava realmente furioso. Seu pai chamou pela pequenina, pedindo que esta entregasse a coroa de flores que havia feito; InuYasha havia gritado com sua irmã, dizendo o quanto a odiava por causa da morte de sua mãe. O pequeno correu em direção até a floresta e adentrou esta, correndo pelas sombras até a parte mais densa. Laura parecia confusa, não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, mas havia visto que seu irmão foi para um lado e seu pai, apenas o olhou.

InuYasha estava irritado, mas se recusava a chorar por saber que aquilo era um sinal de fraqueza.


— Odeio ela, odeio tanto ela! – Repetia InuYasha quebrando galhos e arrancando as folhagens, com fúria. — Eu queria que ela desaparecesse... eu queria que fosse eu, a mamãe e o papai, sem ela para atrapalhar! – Comentou InuYasha. Um longo silêncio invadiu aquela parte da floresta, mas não durou mais que alguns minutos até o som de alguém partindo um galho ao pisá-lo quebrar aquele silêncio.

Ao virar-se, o jovem hanyou percebeu que sua irmã havia lhe seguido, mas ela estava chorando e balançava seus braços freneticamente como se tentasse dizer algo, mas nenhuma palavra saía de sua boca. Ela parecia estar o chamando, InuYasha imaginava que ela mostraria outro arranjo inútil de flores e a mandou ir embora, mas pequenina inflou as bochechas ainda com sua expressão triste e pegou em sua mão à força. Laura tentava o levar, mas seu irmão se recusou e novamente a empurrou, InuYasha não conseguia perceber que aquilo era urgente e apenas a ignorou.


— Ah, sai daqui sua irritante! – Gritou InuYasha, tentando a afastar. Laura, por outro lado, se mostrava realmente desesperada em chamá-lo e fazia de tudo para ter sua atenção.

InuYasha olhou para trás e percebeu que algo estava errado, ele sentia o cheiro de sangue ao qual nem mesmo parecia incomodar sua irmã, havia realmente algo acontecendo e o hanyou prestava atenção quando ouviu o som de lâminas ressoando. InuYasha percebeu que algo acontecia em sua casa e em um salto, correu em direção de seu lar, Laura o viu saltar rapidamente e tentou se aproximar, mas mesmo que fosse rápida para uma criança, ambas velocidades nem se comparavam.

O hanyou se afastava muito depressa, ela queria gritar para que ele lhe esperasse, sabia quais palavras deveria usar, mas não conseguia pronunciá-las. Tudo que restava agora eram árvores com seus sons assustadores, a pequena estava sozinha enquanto mergulhava em um tenebroso silêncio do qual a fazia quase ouvir as árvores crescendo, se não fosse pelo vento em suas folhas. Laura seguiu em um caminho único do qual InuYasha havia passado, mas o seu medo lhe forçou a olhar sem parar para sua volta, e foi observando o local que ela viu... uma sombra parada em baixo de uma árvore. Não era uma sombra qualquer, ela possuía forma e além disso, se aproximava quando percebeu que havia sido visto.

Laura se afastava lentamente enquanto aquilo aproximava, aquela sombra revelou ser um homem, talvez tão alto quanto seu próprio pai, um rosto cruel do qual ela só conseguia sentir medo e olhos que não paravam de lhe olhar, olhos dos quais eram brancos e vazio. A hanyou sequer sabia reconhecer, mas uma palavra da qual o descrevia era elegante, talvez pela forma que se vestia se imaginava que era o líder de algum clã poderoso. Aquele homem apenas olhou para a pequena e deu as costas, voltando ao local em que estava e desaparecendo, mas antes de ter sumido nas sombras, a pequena hanyou viu um desenho em suas costas, desenho ao qual insistia em se revelar por baixo do longo cabelo negro do homem. A marca de uma arma em formato de lua minguante.

Laura temia que ele voltasse e correu até o fim do caminho, cada vez mais percebendo o vermelho no fundo de uma trilha mergulhada em luz verde, e quando chegou ao local, percebeu que sua casa estava em chamas. Ali estava a casa em que vivia, em chamas das quais consumiam todas as partes, mas InuYasha não queria saber de sua casa, tudo que lhe importava era o seu pai.


— PAPAI!!!! PAPAAAAII!!! – Gritava InuYasha, subindo até mesmo em restos de madeira da qual já não queimavam mais.

Ele conseguia sentir o cheiro de seu pai por todo o canto, até mesmo reconhecia sinais de uma luta travada no local, certamente seu pai havia lutado com algum youkai e, pelos sinais, a luta havia sido bastante intensa.

InuYasha continuava chamando quando percebeu que sua irmã havia enfim chegado, mas ela parecia assombrada com algo e olhou para a casa que pegava fogo. Ele não podia saber o que sua irmã via, mas Laura reparou em uma bandeira fincada ao solo, esta da qual estava erguida em meio à casa, estranhamente intacta. Aquela marca era a mesma da qual ela viu nas costas daquele homem na floresta, marca a qual havia sido posta como um domínio sobre o local. InuYasha a viu com os olhos coberto por lágrimas, mas sequer se preocupou em saber porque ela chorava, estava irritado porque o cheiro de sangue estava por todo o local, mas não era um sangue qualquer, era o sangue de seu pai.

InuYasha continuou a gritar por seu pai conforme as lágrimas rolavam por sua face, ele já imaginava que ele havia partido da mesma forma que sua mãe, e aquilo era algo do qual não conseguia se manter silencioso em seu peito. Novamente olhando para a pequena hanyou, a viu agachada chorando enquanto olhava algo na casa, novamente se enfureceu com seu medo por tudo, mas dessa vez, se aproximou e encheu seu peito de fúria. InuYasha deu um forte soco na cabeça da menina que se assustou e demostrou ter retornado a si, o encarando com tristeza e medo, enquanto alisava sua cabeça. A ira novamente inflou seu peito, levando InuYasha a culpá-la pela morte de ambos: Izayoi morrera por culpa de sua irmã ter nascido e seu pai havia morrido por ela não saber falar e pedir ajuda. InuYasha se virara em direção de sua irmã e lhe ofendera novamente.


— SUA BURRA!!! Papai morreu POR SUA culpa! Se você soubesse ao menos falar, poderia ter pedido minha ajuda e eu TERIA ajudado o papai, já que você não faz absolutamente NADA! – Gritara InuYasha, derramando inúmeras lágrimas pela morte de seu pai. Laura levantara e enxugou suas lágrimas com a manga de seu kimono, mas logo virou-se em direção à seu irmão.
— Por que.... por que você me odeia tanto, aniue?... – Perguntou a pequena. — Papai me dizia... que era porque você estava magoado... triste porque a mamãe partiu... mas você vive falando que é minha culpa... que tudo é por minha culpa...
— Agora você fala?! Depois que o MEU pai morreu, você decide falar?!

InuYasha se aproximou novamente, lhe batia o quão forte podia enquanto chorava, a hanyou não revidou, apenas se protegia com os braços. InuYasha dizia que lhe odiava, a golpeava e a forçava a recuar quando a pequena acabou tropeçando e caindo ao chão e o hanyou se aproveitara disso: Subiu sobre ela e a prendeu, golpeava seu pequeno corpo com fúria enquanto ela implorava para que ele parasse, chorava desesperadamente enquanto suplicava para que seu irmão parasse de lhe machucar, porém, ele apenas continuou.


— Eu queria que você morresse! Queria que nunca tivesse nascido!!! – InuYasha lhe feria a cada palavra que saía de sua boca. — Talvez assim o papai teria sido mais feliz, a mamãe poderia estar viva e poderíamos ser uma família, SEM VOCÊ PARA ATRAPALHAR!!!

O hanyou havia enfim parado, estava esgotado de tantos golpes e apenas se levantou, deixando o corpo de sua irmã largado no chão, Laura apenas chorava, talvez era tudo que ela conseguia fazer. InuYasha deu as costas e saiu daquele local, entrando cada vez mais na floresta enquanto esperava ansiosamente que sua irmã não lhe seguisse. A pequena hanyou não sabia o que fazer, apenas chorava inconsolavelmente por tudo que aconteceu. A pequenina voltou a se levantar após muito tempo em que esteve no chão, parou de chorar depois de todo o tempo em que esteve triste, olhava para aquela casa em chamas, estas quais estavam se apagando conforme a madeira se tornava cinzas. A pequena enxugou as lágrimas em sua manga e olhou para um ponto em específico de sua antiga casa, Laura via que havia algo brilhando no meio das cinzas e caminhou até o local.

Laura ainda chorava, embora tentasse engolir suas lágrimas e resistir a dor gritante de seus braços, todos resultados das manchas roxas escondidas pelas longas mangas de seu kimono. A hanyou remexia nas cinzas da casa quando sentiu que sua mão batera em algo duro que resistiu ao fogo, rapidamente agarrando aquilo e limpando toda a poeira que havia nele e revelando o que se mostrava ser um colar. Aquilo era um magatama que revelava um brilho intenso e dourado, ela nunca havia visto seu pai usando aquele colar, mas este tinha o cheiro que o homem possuía, Laura quase podia sentir a presença de seu pai, conseguia sentir que ele ainda estava com ela. A pequena não hesitou em colocá-lo em seu pescoço, ela não só sentia aquele desejo de usá-lo para sempre como ouvia o próprio colar desejando aquilo: Aquele magatama parecia querer lhe acompanhar da mesma maneira que ela desejava o carregar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.