A figura encapuzada se aproximou e foi para luz. Assim que ele tirou o capuz, viram que usava uma mascara que cobria apenas seus olhos, que brilhava com um verde fluorescente, seu cabelo era castanho e penteado para trás. Nesse momento ele sorriu, o que fez Jason e Tom se arrepiarem, os dois estavam desarmados.

– Jason... – disse Bala Fantasma indo em direção a ele. Conforme ele ia se aproximando, Aedan notou algo no rosto daquela figura, algo que parecia uma tatuagem e então ele percebeu e gritou:

– Jason corra!

Jason se moveu rapidamente, pegou a espada e a empunhou. Mas assim que se virou, Bala Fantasma atirou um dardo em Jason que o fez cair duro como uma pedra no chão, mas ele ainda estava consciente. Com Aedan foi a mesma coisa, ele atirou outro dardo nele e da mesma forma caiu imóvel.

Os dois tentaram mover seus braços e pernas que estavam imóveis. Bala Fantasma agora olhava os dois de cima e disse:

– Que amizade ridícula – falou com uma voz fria – Um espadachim e um atirador. Eu poderia matá-los... Mas não vou, pelo menos hoje não.

– Então o que vai fazer Gangster da Noite? – perguntou Tom no chão com raiva nos olhos.

– Então você descobriu – disse Bala Fantasma tirando a mascara e revelando seu rosto. Parecia bem cuidado, seus olhos eram verdes normais, a parte incandescente tinha sumido, sua pele era branca com exceção de uma tatuagem na bochecha: um dragão mordendo a lua, num circulo azul-marinho.

– Tom... – disse Jason com dificuldade –, você conhece esse cara?

– Ele não – respondeu Tom – mas sei o que esses caras fazem. Ele faz parte de uma gangue de assassinos chamada Gângsters da Noite, que matam por prazer.

– O ruivinho tem razão – disse Bala Fantasma. Essa gangue era antiga e possuía cada vez mais seguidores. Pequenas comunidades eram obrigadas a serem escravos deles. Os governantes não ligavam para isso, já que a gangue matava criminosos perigosos também – Mas desta vez não vim matar, apenas pegar um item. – disse ele direcionando o olhar até Excalibur.

– Não toque nela – ordenou Jason tentando se mexer, mas sem sucesso.

– Você está paralisado – afirmou Bala Fantasma – Quem vai me impedir?

Ele caminhou lentamente até a espada, se agachou e pegou o cabo dela. Jason e Tom sentiram o som da espada cortando o ar com Bala Fantasma.

– Essa espada não é para você garoto – afirmou ele – É coisa de herói e não de monstro. Tecto Lefo Por Tevito.— depois um grande feixe de luz apareceu atrás dele e então, silêncio.

– Não! Excalibur! – gritou Jason conseguindo se mexer, ficando de pé e olhando em volta.

– Calma Jason – disse Tom acalmando-o – Vamos encontrá-lo.

Tom se levantou conseguindo se mexer novamente, a paralisia sumiu. Jason se ajoelhou na grama e começou a chorar. A espada era a única lembrança que tinha de seu pai adotivo e se sentiu um completo inútil. Mas então algo aconteceu: Tom lhe abraçou. O braço dele era quente e suave como o de uma mãe que nunca largaria seu filho e disse:

– Eu estou aqui... Amigo.

Tom achou melhor abraça-lo já que ele não encontrava as palavras certas para consolar Jason depois de perder algo especial.

– Eu sei – respondeu Jason com tristeza nas palavras.

O sol estava se pondo e Tom tomou a decisão dos dois acamparem na margem do lago para ir atrás do ladrão na manhã seguinte. Mas os dois não tinham idéia de onde começar.

– Vamos para a cidade – sugeriu Tom – Lá podemos arrumar suprimentos e...

– Estou desarmado – interviu Jason – Não tem como me proteger se algo me atacar – completou com a cabeça entre os joelhos.

– Talvez não – disse Tom tendo uma idéia. Foi até a bolsa e pegou o o cilindro do sabre de luz e entregou a Jason – Aqui. Sem desculpas.

Jason olhou o objeto na mão de Tom, sabia que se aceitasse Tom ficaria desarmado e em perigo.

– Você vai ficar desarmado – afirmou Jason.

– Bom – disse ele estendendo mais o objeto –, então me proteja.

Jason não sabia porque, mas Tom era a única pessoa que o fazia sorrir e lhe dar grandes desafios como aquele. Sempre protegeu a si mesmo e nunca protegeu outra pessoa.

– Sempre – disse Jason pegando o cilindro e acionando a luz do sabre – Bala Fantasma! Prepare-se! Eu vou te encontrar! – gritou ele para o céu estrelado.

– Saudades desse Jason – sussurrou Tom – Foram apenas por minutos, mas senti sua falta.