Dança Comigo?
6 Capítulo 6 - Feliz Natal!
Notas iniciais
Quatro dias haviam se passado desde que Eustass retornara em segurança para o reino. Lyra cuidava dele todos os dias, sempre tentando anima-lo, fazendo-o esquecer das dores e dias horripilantes que havia passado.
Faltavam apenas 3 dias para o natal, e todos estavam ansiosos. O rei estava voltando para Florence, e como informado chegaria hoje junto de Law. Os empregados já se mobilizavam para fazer a decoração natalina. Como a previsão de chegada do rei seria na hora do jantar, Sanji já ia preparando os pratos mais demorados, para que tudo desse certo.
Nami limpava o escritório e o quarto de Law. Zoro montava a árvore de natal e colocava luzes no jardim. Lyra estava no quarto de Kid alimentando-o já que estava mais debilitado devido aos ferimentos.
— Já está se sentindo melhor Kid? – perguntava Lyra alegre e com um leve tom de preocupação.
— Sim, já consigo andar sem as muletas.
— Então estará disposto para dançar no baile de natal! – ria animada com a festa.
— Com certeza. Você virá à comemoração?
— Virei a trabalho, então... Sim. – Kid faz uma feição de desgosto e torce sua boca fazendo “bico”, fingindo estar emburrado com a situação pela qual a morena viria à festa.
— Não fique assim, caso precise de conselhos para levar o relacionamento adiante eu vou estar bem perto para te ajudar. – aconselhou piscando apenas um olho e se retirando do quarto. O ruivo fica confuso e arqueia uma sobrancelha.
As horas se passam rápido, e quando se vê o céu já está lotado de estrelas brilhando com muita intensidade decorando a escuridão acima de todos. Shanks chega e mal conversa com ninguém, nem mesmo com seus filhos. Andando rápido e pisando forte, ele se dirige ao seu quarto e se tranca lá por horas. Law que chega logo atrás do ruivo enfurecido esboçando a todos um grande sorriso nos lábios.
O moreno passa por Nami fazendo um sinal discreto com os dedos, e segue para seu quarto. Assim que a ruiva chega, ele a pega no colo e gira pelo quarto sorrindo como um bobo.
— Mas o que diabos está fazendo? – falava Nami em um tom assustado e ao mesmo tempo brincalhão.
— A princesa Vivi da França recusou o casamento, dizendo que não queria se casar, mas manteria a aliança com Florence.
— Isso... – os olhos da garota brilhavam, estava contente, pois poderia ficar com seu amor. – Isso é incrível!
Law a joga na cama e deita a seu lado. Estavam um de frente para o outro. A ruiva se perdendo na imensidão que era a profundidade de seus olhos prateados como o luar. Sempre que o encarava se perdia em lembranças magnificas. O príncipe começa a acariciar suas bochechas se deliciando na maciez da pele da garota amada. Um beijo leve, carinhoso e apaixonado complementa aquele momento.
Depois de minutos eternos, Nami é puxada novamente para a realidade. O moreno sorri e diz que logo desceria para o jantar. A ruiva se retira falando:
— Vou estar lhe esperando!
(...)
Na manha seguinte, Shanks chama seus filhos mais velhos e decide fazer um agrado a eles.
— Nos chamou pai? – indagava Law.
— Entrem e fechem a porta. – ordenava. A expressão do rei era séria. Ele olhava pela janela em seu escritório, que no momento estava aberta e uma brisa fria de inverno soprava balançando seus cabelos. Seus olhos se fecham por um momento, e respirando o ar bem fundo, o homem toma coragem para se pronunciar.
Antes de seu pai começar a falar algo, os garotos estavam ansiosos e preocupados. Não tinham noção alguma do que ele iria dizer. Em seus pensamentos surgiam inúmeras possibilidades, desde “estamos em uma guerra” até “vocês estão casados”. Apenas possibilidades ruins brotavam em suas mentes turbulentas.
— Eu decidi... – os três engoliam em seco, o rei se engasgava com as palavras, e os príncipes se afogavam em pensamentos torturantes que lhe faziam tremer em pavor. – Bom... Eu decidi que libertarei vocês da tradição...
Ambos arquearam a sobrancelha. Logo o cenho de Kid é franzido e espera chegar a uma conclusão lógica para o sentido daquelas palavras.
— Então... – começava Kid.
— Quer dizer que... –completava o moreno.
— Nós podemos nos casar com quem quisermos? – incrédulos eles perguntavam em uníssono. Os garotos se entreolham surpresos pela decisão do pai, as únicas palavras que surgiam em suas cabeças agora vazias eram um grande e ecoado “Impossível”.
— Exato. Vocês estão livres para encontrarem um amor, e isso não está limitado apenas paras as classes mais ricas... – seu desgosto ao pronunciar tais palavras era evidente. Contudo, no fundo Shanks ficava feliz em deixar seus garotos livrem para aprenderem a viver por sua conta e risco.
— Obrigado pai! – agradeciam com sorrisos largos no rosto. O pai sorri em resposta aos seus filhos que se saem da sala com tremenda alegria.
No corredor próximo, estava escondida uma mulher de cabelos ruivos não naturais e maquiagem pesada. Com passos largos e apressados ela vai rumo ao quintal onde Nami estava conversando com Zoro e os observa de longe. Um sorriso maldoso e maquiavélico surge nos lábios de Elishya, que agora possuía um novo plano para dar chances em dobro a sua filha para conquistar o reino de Florence.
Na mesma noite Nami vai ao quarto de Law como tinha o costume de fazer quase todas as noites. Assim que chega é recebida com um beijo quente e emotivo. A garota sorri assim que se separa e pergunta:
— Qual o motivo de tanta alegria?
— Finalmente!
— Finalmente... – encoraja-o a continuar falando.
— Finalmente eu tenho permissão para me casar com você! – diz a beijando novamente, dessa vez com mais intensidade.
Devagar, Law vai empurrando Nami rumo à cama, até que ambos estão deitados, o moreno ficando então por cima da ruiva. O beijo que ele dava a ela era sedento, repleto de luxuria e desejos maliciosos. As mãos passeavam pelo corpo esculpido da ruiva, enquanto sua boca se ocupava em seu pescoço.
Uma de suas mãos desce para a barra do vestido que ela usava e vai levantando enquanto sua pele pode ser sentida de forma prazerosa e sensual. A ruiva vai aos poucos tirando a roupa do moreno até que ele fica sem camisa. Os corpos colados um no outro, a cada movimento uma sensação de prazer nova, mais anseio de se tornarem mais íntimos, e a cada minuto beijos sedentos por mais, imploravam que não parassem por nada, um instigando cada vez mais o outro a não parar.
Law desliga as luzes e se deita novamente com Nami, sussurrando em seu ouvido palavras de pura vontade e excitação. Seus desejos guardados e escondidos a sete chaves seriam escancarados e saciados naquela noite...
(...)
Na véspera de natal, Elishya se senta no jardim logo de manha. E vê Nami combinando a entrega dos presentes para todos do palácio durante a festa, a entrega seria uma surpresa para o rei e os príncipes, então apenas os funcionários saberiam do plano, e quem sabia esconder as coisas muito bem era Nami, mas para que tudo desse certo ela precisaria da ajuda do jardineiro Zoro.
Nami estava recostada em uma árvore e Zoro estava a sua frente. Ela falava baixo e com o rosto próximo ao do esverdeado para que ninguém ouvisse e estragasse seus planos.
— Mas, onde poderemos esconder os presentes? Eles são grandes e muitos...
— Talvez consigamos esconder atrás das roseiras da rainha... – respondia pensando em um bom lugar. – O jardim é grande, contudo para isso ele parece se tornar tão pequeno.
— Temos de escolher um lugar que seja fácil tira-los de lá.
— Assim fica ainda mais difícil achar um lugar. – brigava com a ruiva.
— Não tenho culpa!
Elishya via ambos conversando ao longe e logo adentra para o castelo novamente e sobe as escadas rumo ao quarto de Law. Antes de entrar ela bate na porta e recebe um “entre” como resposta:
— O que deseja? – indaga Law enquanto arrumava as mangas da camisa branca.
— Eu queria conselhos... – começa ela devagar e como se estivesse fingindo uma conversa.
— Conselhos para...? – a encoraja a continuar.
— Conselhos para minha filha... Sinto como se Eustass gostasse dela, mas ela não se interessa tanto por ele. Gostaria que ambos ficassem juntos... Mas ela gosta mesmo é de você!
O moreno fica confuso, sua expressão é notável e inconfundível. Suas sobrancelhas arqueadas e logo depois o cenho franzido mostravam completa aversão pelas palavras ditas segundos antes.
— E por que não pediu conselhos para meu pai?
— Porque vocês são jovens... Pensei que poderia me ajudar em algo. – a mulher caminhava de um lado para o outro do quarto. Quando para de frente para a janela e mostra uma pequena diferença na voz e comenta – Oh... Eu não sabia que a criada ruivinha namorava com o jardineiro.
O olhar de Law muda de uma forma drástica. Ele se dirige para a janela e também olha a tal cena. O jardineiro parecia bem próximo de Nami, e como a vista do terceiro andar do castelo é distante, eles pareciam um casal se beijando embaixo de uma árvore.
Os punhos do moreno cerram em força, e seus dentes são travados. O moreno tropeça nas palavras e com muita dificuldade pronuncia:
— Se retire Elishya!
— Tudo bem Alteza.
Assim que a porta do quarto é fechada pela mulher, Law soca a parede ardendo em fúria. Não sabia como reagir. Evidentemente, a relação de Nami e Law não era assumida, mas passar um ano juntos e depois simplesmente lhe trocar... Não fazia sentido.
(...)
— Eu já lhe falei que não posso colocar no jardim da frente Nami! – esbravejava Zoro em um tom um pouco mais alto.
— Fale mais baixo seu idiota ou todos irão ouvir! – alertava a ruiva puxando a orelha do jardineiro que gemia de dor.
— Não se preocupe até amanha nós conseguiremos arrumar o lugar para colocar os presentes. – afirmou voltando para seu trabalho. A garota fazia o mesmo, mas com uma cara emburrada de insatisfação.
(...)
Eustass estava lendo em sua cama, quando acaba o livro se levanta para ir rumo a sala de jantar. Todavia, ele pisa em falso no pano da cama que estava fora do lugar e acaba caindo, e debaixo de sua cama o ruivo consegue enxergar um pequeno brilho azulado. Com um pouco de dificuldade devido aos ferimentos, o ruivo se estica para pegar o objeto.
Era uma mascara preta com detalhes em branco e em seu canto inferior direito uma pedra azul cintilava. Os olhos do ruivo se arregalam imensuravelmente.
— E-Eu... Conheço essa máscara... – sussurrava para si mesmo gaguejando pela tamanha perplexidade.
Após se levantar ele guarda a máscara em uma gaveta da escrivaninha junto ao desenho que fizera da mulher misteriosa. Desde o dia em que a vira, ficara maravilhado com sua beleza. Sonhava em conhecê-la, contudo ela não fora encontrada em canto algum do reino.
Até hoje a lembrança de observar a mulher a luz do luar estava fresca em sua memória. Adorava imaginar como seria conhecê-la, ouvir o som de sua voz, e poder ver como é seu verdadeiro rosto. Apenas de imaginar o ruivo ficava animado e esperançoso...
(...)
— Nami! – gritava Lyra.
— O que quer Lyra? – gritava Nami em resposta. Logo a morena chega à biblioteca onde estava sua irmã.
— Você sabe onde minha máscara está?
— Não diga que a perdeu!!
— Eu havia deixado no quarto de Kid, mas não está mais lá. – murmurava a garota.
— E como ela era mesmo? – perguntava Nami colocando seu dedo indicador nos lábios tentando recordar como era a máscara.
Nesse momento o ruivo passa pela porta da biblioteca, e como o espaço era grande, o eco era maior ainda. As palavras eram claras e altas como em um teatro, cada letra podia ser ouvida com perfeição por qualquer um, mesmo que sua pronunciação fosse a tom brando.
— Bom... Ela era preta, com detalhes em espirais de cor branca na parte de cima. – detalhava o máximo possível na tentativa de que Nami se recordasse de como era o objeto. – E no canto inferior direito tinha uma pedrinha azul pendurada. Era um azul claro, bonito e cristalino.
O ruivo não permanece para ouvir a conversa, mas sabia muito bem que aquela descrição batia perfeitamente com a máscara da mulher misteriosa que tanto procurava.
— Bem... – murmurava Nami tendo vagas recordações da máscara. – Eu me lembro dela, todavia não possuo a mínima ideia de onde ela possa estar.
— Tudo bem então... – suspirava Lyra em desanimo. – Se conseguir encontra-la me avise.
A ruiva volta as suas tarefas e Lyra se dirige a sala de jantar para servir a refeição. Após todos saírem da mesa, as meia irmãs veem Zoro atônito, e de certa forma confuso...
— Zoro, o que houve? – perguntavam todos os funcionários que estavam presentes a cozinha.
— O príncipe me demitiu...
— O que?! – gritava Nami. – Por que ele fez isso? Ele não tinha motivos para te demitir.
— Pensando bem... Zoro nunca foi um mal funcionário... – Lyra comentava com uma das mãos no queixo.
— Mesmo que o cabeça de vento seja grosso, ele sempre cumpriu com o seu trabalho. – argumentava Sanji em defesa de seu “amigo”. O esverdeado simplesmente ignora o apelido lhe dado, e formula milhões de hipóteses pela sua demissão.
Nami rosna impaciente com todo o ocorrido e decide procurar Law para esclarecer tudo. Quando sai da cozinha o encontra com a princesa Tamina. Eles conversavam tranquilamente que sequer ouviam todo o barulho em que a cozinha estava. Onde a ruiva estava ouvir as palavras de ambos era impossível, em sua cabeça então a frase “Não se intrometa na conversa agora!” martelava e contradizia suas vontades de sair gritando em frustração pelo palácio. Mas respirando fundo com os olhos fechados, ela consegue se acalmar e voltar para a cozinha sem fazer alvoroço.
— Ainda sim seria muito vantajoso para meu país mantermos a aliança, Law. – complementava suas ideias para o príncipe moreno que escutava tudo com muita atenção.
— Uma aliança tripla faria muito bem para todos os países, ainda mais para a Índia, que se tornaria uma protegida da França.
— Espero que seu pai aprove nossa ideia.
— Creio que ele irá aprovar, com ou sem casamento. – assim que Law termina de falar, se retira desejando boa noite para a princesa.
(...)
No dia seguinte, o castelo ficara uma loucura. Todos os funcionários chegaram duas horas antes do horário normal. Os presentes estavam escondidos perto da estátua da rainha, já que lá havia muitas árvores. Todos faziam o que podiam para se mobilizarem e terminarem a decoração de natal. Escadas eram arrastadas de um lado para o outro, enfeites de natal pendurados nas portas, janelas e pilastras, novos tapetes eram colocados, a mesa era decorada com os mais variados tipos de comidas frescas, e seus cheiros se espalhavam por todos os cantos.
Quando todos acordam, ficam maravilhados com tudo. Os olhos de todos brilhavam ao ver o desempenho dos funcionários para arrumar tudo em um tempo tão pequeno e de uma forma tão bonita.
As horas iam se passando, mas ninguém estava livre do trabalho, ainda havia muitas coisas para se fazer, ainda mais ajudar na preparação do banquete do baile que haveria dali algumas horas.
O baile finalmente chega, os convidados vestidos a trajes finos e elegantes começavam a ocupar o salão do castelo. Desta vez o baile não era de máscaras, e como a quantidade de pessoas seria bem maior, nenhum funcionário foi dispensado. O tempo se passa e a hora da entrega dos presentes chega.
Lyra e Nami correm para pegar os presentes que seriam entregues a todos. Hancock entrega os presentes do rei, Perona presenteia Luffy com uma garrafa de suco e um livro repleto de figuras, o que o deixa ainda mais animado.
Nami corria em direção a Law para lhe entregar o seu. Ela daria dois a ele, um confeccionado por ela mesma e outro comprado por todos do castelo. O primeiro presente era um livro de medicina avançada, extremamente detalhado e atual. O segundo era uma pintura de ambos, Nami e Law, juntos sorrindo no jardim do castelo, e junto dele havia um chocolate caseiro. Assim que a ruiva entrega, o príncipe pega e se retira da presença da moça, deixando a ela um olhar fuzilante e ameaçador.
A garota bufa em ódio sem entender os motivos de suas ações grossas, seguindo para a mesa de bufê para cumprir sua tarefa de servir os convidados.
Lyra entrega o presente de Kid, que era um perfume masculino espanhol. O perfume era uma fortuna, e pertencia a uma marca muito famosa, principalmente na América. A morena logo se retira tendo que voltar ao trabalho.
A roupa dos funcionários era preta. As mulheres usavam um vestido formal pouco volumoso, preto e no pescoço um pano branco, na cintura um avental branco, e nas mangas o tecido era bem justo ao pulso.
O cabelo de Lyra estava solto, uma das poucas situações no qual deixara seus fios negros balançando conforme andava. Já Nami estava com o cabelo presto em um rabo de cavalo mal feito, dando volume e certo charme a sua aparência.
Todos se divertiam, inclusive o rei. Kid dançava com Tamina e conforme se movimentavam pelo salão eles conversavam. A princesa percebe um olhar entristecido da empregada morena assim que a mesma fita ambos dançando. Um aperto no coração é eminente, e logo Tamina se pronuncia:
— Kid... – chama ela inicialmente sem jeito para começar tal tipo de conversa.
— Diga.
— Eu não quero mais me casar com você.
— Como?! – indagava perplexo.
— Não posso me casar com alguém sabendo que vou magoar outra pessoa.
— Como?! – repetia o ruivo sem entender.
— O casamento não será feito. E... Tente prestar mais atenção a sua volta! – com um sorriso elegante no rosto a garota se curva agradecendo de maneira formal pela dança e se dirigindo para outro lado do salão.
Assim que todos os convidados aparentam estar mais calmos e satisfeitos, Lyra segue seu rumo para o jardim. Kid logo percebe e vai atrás da criada. Assim que param em frente a estatua da rainha o ruivo começa:
— Às vezes eu sinto falta dela...
— Creio que todos sintam. – pensava em voz alta. Lyra recebe como resposta apenas um aceno de leve com a cabeça para cima e para baixo.
— Tamina cancelou o casamento... – comentava
— E por que está me contando? – perguntava um pouco surpresa por saber de antemão das novidades.
— Eu não sei... Apenas achei que deveria lhe contar. – Kid estava com o hálito cheirando a álcool, apesar de não ser forte, era perceptível a certa distância. Seu rosto estava ruborizado e em sua nuca gotas de suor escorriam.
— O álcool deve estar fazendo efeito. – a morena comentava em tom extremamente baixo, um sussurro quase inaudível.
— O mais estranho foi o motivo pelo qual Tamina não quis se casar comigo.
— E qual foi?
— Ela disse que estaria magoando alguém se ficasse comigo e pediu para eu ser mais atento as coisas a minha volta. – o ruivo não tirava o olhar da estatueta da mãe, enquanto isso Lyra sentia seu rosto aquecer e o imaginava ficando vermelho como uma rosa. – Bom... Eu vou voltar lá para o salão, eu tenho que ficar com os convidados gostando ou não.
— Tudo bem. – ambos sorriam um para o outro.
As horas se passaram e o fim da festa se aproximou. Assim que o último convidado foi embora, os empregados exaustos juntaram a bagunça e a sujeira em excesso. O próprio rei havia dito que poderiam arrumar tudo no dia seguinte, e que não deveriam demorar a irem para casa já que também deviam descansar.
Quando Lyra vai recolhendo os copos, ela percebe que Eustass estava debruçado em uma mesa mais próxima da janela. Chegando perto ela vê que o rosto dele estava vermelho e mais úmido por causa do suor, já que o álcool aquecia o corpo, o ruivo deveria estar sentindo um calor infernal.
— Kid seria melhor se você fosse para seu quarto descansar. – sugeria a morena.
— Não, eu tenho preguiça, posso muito bem dormir aqui mesmo. – sua voz saia embargada e arrastada. Seu hálito fedia a álcool fortemente.
— Está completamente ébrio! – falava em tom mais alto. Ao mesmo tempo em que ela estava perplexa estava rindo por dentro, nunca havia pensado que veria um príncipe embriagado.
Com o embriagado andando em zigues-zagues, Lyra o ajuda a chegar em seu destino, o quarto. Em tal situação o lugar parecia estar a quilômetros de distância.
Chegando lá a garota o solta na cama. Respirando pesado pelo esforço a mais, ela põe as mãos na cintura e fecha os olhos direcionando a cabeça para cima. O ruivo logo tira a camisa para tentar se refrescar.
— Eu não tenho forças para carregar alguém. – alegava Lyra se recostando na parede. Sem que ela perceba Kid se levanta e vai cambaleando até sua escrivaninha e pega algo. Quando ele surpreende a morena a prendendo contra a parede. — KID?
Seu braço esquerdo a cercava enquanto suas pernas ajudavam a impedir alguma possibilidade de “fuga”.
— Tamina me contou que sabia que você estava nos observando quando eu a beijei. – seus rostos estavam tão próximos que a respiração quente do ruivo era sentida na face da criada.
(...)
— Ah... Mas ele vai ter que falar hoje, ou aquele idiota metido vai levar uns bons tapas naquela face exibida. – resmungava Nami no salão enquanto catava os papeis sujos espalhados por todas as mesas.
— Por que está tão nervosinha ruivinha? – perguntava o jardineiro curioso.
— Acontece que eu estava namorando o Law há algum tempo, e ele começou a ficar estranho comigo desde que a princesinha chegou. Eu estou quase enforcando aquele homem por estar agindo assim.
— Vocês estavam namorando???
— Sim!
— Mas ele estava agindo estranho? Como? – as intenções de Zoro não eram más, sua curiosidade não era apenas para sair espalhando ou nem mesmo caçoar com a ruiva, ele realmente queria ajudar.
— Eu não sei... É como se ele estivesse com raiva de mim... – em questão de segundos a raiva é transformada em tristeza. O arrependimento por algo que nem mesmo fizera cortava o coração de Nami em pedaços tão pequenos, que pareciam ser impossíveis de junta-los.
Zoro logo se retira do salão e vai o mais rápido que conseguia para o quarto de Law. Era seu último dia como funcionário do palácio, sendo assim receberia seu último salário e depois teria de ir rumo alguma outra profissão.
Quando o esverdeado chega ao quarto ele pega o príncipe pelo colarinho da blusa e o prensa na parede. Seus punhos cerrados com fúria faziam a camisa quase se rasgar. A raiva que sentia naquele momento era indescritível e incontrolável, não se importava com as consequências de seus atos naquele momento.
— Escute aqui seu principezinho de merda, não me importa o quão poderoso você é. Ninguém tem o direto de brincar com os sentimentos das pessoas.
— Como ousa proferir algo nesse tom com um príncipe? – uma veia salta na testa do moreno que já se enfurecia com as atitudes do ex-funcionário.
— Não me importo seu idiota. Mas escute, não brinque mais com os sentimentos da Nami, ouviu? Eu vou acabar com você caso faça isso novamente! – ameaçava entre dentes. Sua voz era feroz e firme, sem medo e com grande determinação ele encarava Law nos olhos. – Ela é como uma irmã para mim. Não vou permitir que você a magoe!
Os olhos do moreno arregalam assim que a palavra irmã é mencionada. O esverdeado solta brutalmente a gola da camisa e sai do quarto. O príncipe se senta na cama pensando em tudo o que havia acontecido nos dias anteriores passando as mãos nos cabelos, jogando todas as mechas para trás.
(...)
— Eu quero apenas lhe contar que foi um mero teste... – confessava Kid. Seu olhar expressava um pouco de tristeza e arrependimento. – Eu não sabia se sentia algo pela Tamina, então a beijei para tentar saber se poderia surgir algum sentimento a mais por ela... Mas a resposta foi absolutamente nada... Eu não senti nada por ela, e ainda não sinto.
Lyra permanecia calada. Seu coração batia forte, gritando para abraça-lo e não ter de solta-lo mais. Seu rosto estava um pouco corado, e sua respiração era ofegante, a posição em que estavam era tentadora e deliciosamente sedutora.
— No dia do baile de minha mãe e do aniversario de Florence, eu vi uma mulher desconhecida cantarolando na beira da estátua. Ela segurava uma flor branca e banhada a luz da lua ela estava magnífica. Eu acho que me apaixonei por ela e mandei que os guardas tentassem a encontrar. De certo modo eu temia que ela fosse uma princesa e sua personalidade fosse ruim, mas por outro lado eu queria que ela representasse uma realeza poderosa assim meus problemas acabariam.
A garota engolia em seco se recordando do baile em que havia participado. Kid tira uma máscara do bolso, sendo ela negra toda detalhada em branco e em um dos lados uma pedrinha azul repousava brilhando como o mar sob a luz do sol.
— Eu tive que ficar ébrio... – dizia ele colocando a máscara de modo delicado no rosto de Lyra. – Para perceber que essa garota estava bem do meu lado... E que ela é simplesmente incrível.
Se aproximando devagar, Kid vai juntando seus lábios com os de Lyra. Um beijo suave e profundo. O gosto de álcool se espalhava pela boca da morena, aquecendo seu corpo. Uma onda de calor atinge seu corpo e ao sentir a mão do ruivo escorregar por sua cintura, um arrepio lhe sobe a coluna, chegando a arquear as costas. Quando o beijo acaba Eustass beija a lateral da mandíbula da morena e logo se deita sorrindo como um bobo.
— Esse beijo foi diferente... – comentava o ruivo com o braço tampando os olhos.
— Diferente em qual sentido? – perguntava Lyra envergonhada e com o rosto tão vermelho quanto as cortinas do castelo.
— Do sentido bom. Diferente no sentido de que eu gostei e a cada segundo eu pude sentir cada vez mais desejo e paixão nele. – seu sorriso se alargou ainda mais. A garota toca os lábios e sorri largo também. O ruivo retira o braço do rosto e faz um gesto para que Lyra se deite com ele na cama. – Deite-se comigo.
Lyra logo se deita, apoiando sua cabeça no peito desnudo do ruivo, que a rodeava com os braços, deixando-a confortável e aconchegada. Em poucos segundos o ruivo adormece, sua expressão era serena, calma como a de uma criança. Sempre que dormia, ele expressava uma feição aliviada e contente, como se quando dormisse ele entrasse em um mundo perfeito, onde não precisaria lidar com nenhum tipo de problema.
A morena estava cansada, havia trabalho muito e por isso logo adormece também.
(...)
Nami estava sentada na cama de Law. Ambos não se atreviam a dizer uma palavra sequer. Temiam que uma pronunciação pudesse causar um estrago irreversível, todavia o silêncio estampava que a situação apenas pioraria caso não fosse resolvida.
O silêncio do lugar era tanto que os grilos no jardim no castelo eram ouvidos com perfeição, a cada segundo raiva, constrangimento e impaciência eram evidentes entre os dois, porém no fundo eles queriam que tudo aquilo acabasse.
— Me desculpe! – juntando toda a coragem que era possível, Law se desculpa, contudo ainda não conseguia encarar Nami, por isso mantinha seu olhar direcionado para o chão. O moreno estava com uma das mãos na nuca, e em expressão de vergonha e desaprovação de seus atos estúpidos, ele a esfregava ora passando apenas na nuca ora jogando suas madeixas negras para trás.
— Por que agiu assim? – indagava a ruiva, não importava a vergonha neste momento, a única pergunta que pairava sobre seus pensamentos e que ela exigiria uma resposta era o porquê de tudo aquilo.
— Dias atrás eu estava conversando com Elishya, e de repente ela encara algo do lado de fora da janela. E quando olho pela janela procurando o que a velhota olhava eu encontro você e o jardineiro se beijando... – seu descontentamento na voz era inegável, ele não conseguia fingir que não se importava, muito menos fingir que estava feliz.
— O que?! – a garota grita em desdém a sua explicação. – Law você acharia mesmo que eu beijaria o Zoro?
— Foi exatamente por isso que fiquei tão confuso. Depois de tudo o que passamos juntos, depois de termos ido para a cama juntos! Eu não queria acreditar que você havia me traído, ou apenas me trocado...
— Law. – chama ela, gentilmente colocando as mãos no rosto do príncipe e o mirando em sua direção. – Eu não estou com você por dinheiro, seria muito mais fácil para eu roubar o palácio do que passar todo esse tempo contigo. Não lhe trairia por nada nem com ninguém neste mundo.
— Eu acredito em você Nami. – dizia o moreno sorrindo.
— Agora devemos descobrir como tudo isso aconteceu, e o mais importante por que Elishya fez isso. – o príncipe apenas balança a cabeça em concordância a garota.
(...)
Horas e horas de limpeza, até que Lyra segue para o ultimo como que deveria limpar do dia, o escritório de Shanks. Durante alguns minutos o silencio reina, apesar de nenhum se sentir constrangido ou algo do tipo.
Se lembrando do dia em que achara a foto que lhe tirara o sono por dias, a garota toma coragem para perguntar sobre tal assunto.
— Vossa Majestade... – chama ela calma e devagar.
— Sim?
— Enquanto viajava, eu limpei sua sala, e acabei achando dentre os livros uma fotografia.
— E o que há de tão intrigante em tal fotografia?
No instante em que Lyra ia responder o estrondo da porta se chocando contra a parede a interrompe, e de imediato Law começa a falar adentrando no cômodo junto de Nami.
— Pai, nós temos muito que conversar, e esse assunto é urgente!
— O que é tão urgente?
— Chame a princesa Tamina. – ordenava o moreno antes de iniciar a conversa com seu pai – Elishya está se tronando perigosa, temos que dar um jeito de para-la.
— O que quer dizer com isso? Está a acusando de algo?
— Estou.
— E com quais provas?
— Sou uma testemunha, ela tentou me enganar para que eu me casasse com Tamina. O que aquela mulher quer não é um casamento e sim o poder de Florence.
— Porque ela iria querer colocar as mãos no trono de Florence?
— Ela quer a aliança que fizemos com a França, e através disso juntar a Índia e Florence para formar um reino forte e protegido da França.
— Com tal situação ela iria conseguir ter muito poder e riquezas. – Nami complementava.
— Mandaram me chamar? – indagava Tamina.
— Sim, precisamos conversar sobre sua mãe.
— Oh céus, o que minha mãe aprontou novamente?
— Quer dizer que você estava ciente dos planos de golpe de sua mãe? – Shanks perguntava enfurecido.
— Sim, contudo não concordava.
Todos conversavam em voz alta, mas nada conseguia ser entendido em meio a tanto barulho. Atônita a morena olhava todos e tentava falar sem exaltar a voz:
— Mas... Eu tinha que resolver algumas coisas com o rei também... – sem sucesso.
— Posso conversar com o rei agora? — novamente sem sucesso.
Kid chega a sala e vê toda aquela confusão, em questão de minutos já estava dentro de todo aquele alvoroço.
— CHEGA! – grita Lyra sem paciência. Todos a olham incrédulos, seus olhos transmitindo espanto e de certa forma uma pequena vergonha. – Shanks, eu encontrei uma foto de meus pais junto de você e com a rainha. Pode me explicar qual a ligação que você tem com meus pais?
O rei engole em seco. Uma gota de suor escorre por sua testa e depois de um suspiro que mostrava um beco sem saída, ele começa a falar:
— Há muito tempo, eu e Robin fomos a Espanha. Lá nós conhecemos um casal simpático, de família nobre. Ficamos hospedados na mansão deles, e depois de todo o tempo que passamos juntos nos tornamos amigos. Depois de um tempo, Robin engravida de nosso primeiro filho. Contamos a novidade através de cartas para esse casal.
Lyra ouvia tudo com atenção.
— Eles pediram para que quando a criança fizesse um ano, nós voltássemos para a Espanha e comemorássemos todos juntos. Mas as coisas se complicaram e acabamos comemorando todos juntos apenas o segundo aniversario de nosso filho. Quando formos para lá, eles tinham acabado de ter uma menina. Este casal eram seus pais Lyra. Essa menina que tiveram passou perto de encarar a morte, em seu parto complicações surgiram e em seu pescoço acabou ficando uma cicatriz em forma de risco para provar que ela não era fraca.
Eustass discretamente olha para o pescoço de Lyra e vê a cicatriz em forma de risco do lado direito.
— Pouco tempo depois a guerra começou, e para tentar manter a aliança com a Espanha eu enviei soldados para lá, na esperança de ajudar as pessoas a fugir de tal monstruosidade que é a guerra. Mas meus soldados começaram a morrer em uma quantidade assustadora. E com medo do que pudesse acontecer eu mandei meus soldados recuarem e rompi a aliança com a Espanha. Proibi a entrada de qualquer imigrante que quisesse entrar, não queria que a guerra viesse para cá.
A morena respira cada vez mais fundo, lagrimas involuntárias rolam árduas por suas bochechas e sentindo seu corpo tremer a garota cerra os punhos. A cada segundo sua raiva crescia mais, e sua fúria era incontrolável.
— Você... Os deixou lá para morrer... – murmurava de modo triste.
— Eu fiz o que era melhor para o meu povo. – afirmou em sua defesa.
— Você o que era melhor para você. – em passos duros ela sai da sala apressada.
— Demitam-na mais tarde, agora temos que voltar ao assunto do golpe de Estado de Elishya.
— Demiti-la?! – gritava Kid enfurecido com a decisão tomada apenas por desgosto. – Ela é uma excelente funcionaria, não pode demiti-la.
— Ela não faz mais do que apenas o trabalho dela.
— Se não fosse por ela eu sequer estaria vivo, velhote. – esbravejava Kid em defesa da morena amada. Após dizer tal ‘ameaça’ o ruivo mais novo se retira da sala indo em busca da garota.
— Como? – indaga sem reação o rei.
— Você não sabia pai? Foi Lyra quem ordenou o resgate de Kid. Se não fosse por ela, provavelmente ele estaria morto agora.
— Não me fora informado desta maneira.
— Não me diga que minha mãe lhe informou que ela ordenou o resgate do príncipe...
— Exatamente.
— Minha mãe passou dos limites, temos que dar um jeito de tirar o poder das mãos dela, agora! – vociferava Tamina sem paciência para os atos estúpidos da mãe.
(...)
Eustass procura Lyra por todo canto do castelo, quando, em um dos corredores, ele escuta o som de um piano. A melodia era melancólica, como quem carregava a culpa da uma morte. Aquele som o fazia se lembrar de todas as noites que subia no telhado do castelo e chorava pela falta de sua mãe, enquanto procurava conforto no brilho das estrelas.
Ele entra no quarto cheio de instrumentos musicais e de longe observa a garota debruçada sobre as teclas amareladas do piano negro.
— Sinto muito que seus pais tenham morrido de uma forma tão... Dolorosa. – lamentava o ruivo.
— Eu também.
Ele se senta ao lado dela e diz o que aconteceu depois de ela ter se retirado. Logo em seguida pergunta:
— Você pretende ficar?
— Sabe... Quando eu era pequena, minha mãe me contava histórias. Não me lembro da maioria, mas uma me marcou porque eu nunca consegui entende-la. Eu acabei achando essa historia no meio dos livros da biblioteca e o reli varias vezes e ainda não o conseguia entender... Até agora.
— Como era essa história? – perguntava interessado.
— Num vilarejo distante, uma mulher nascera com uma anomalia. Seus cabelos eram brancos e seus olhos roxeados como uma ametista. Ela se exilou porque os moradores da vila a maltratavam, contudo mesmo depois de muitos anos de seu exilio as pessoas continuavam indo até a parte mais funda da floresta onde se escondia a mulher, apenas para machucarem-na e assim terem certeza de que ela não faria mal a ninguém. Um dia, uma criança morreu adoecida pela peste negra, e todos os cidadãos do vilarejo culparam a bruxa, dizendo que era uma terrível maldição. Então, sentenciaram a bruxa a morte e na mesma noite eles a esfaquearam varias vezes e depois queimaram-na viva, para que não voltasse a vida nunca. Em seus últimos minutos de vida a bruxa diz “Sei que nunca me ouvirão, mas não os culpo, pois seja o céu ou o inferno meu lugar a me esperar, nunca vou uma lágrima de tristeza derramar. E aqui meu perdão ficará assim como meu sorriso nas estrelas junto com outros sempre brilhará.”
— O que a historia quer dizer?
— A bruxa não culpava os moradores da vila por nada, mesmo que eles a tenham maltratado e queimado na viva. Ela diz “E aqui meu perdão ficará” ela da seu perdão para as pessoas, pois ela sabia que eles faziam tudo aquilo por medo, e não por diversão, “assim como meu sorriso nas estrelas junto com outros sempre brilhará” é uma menção as lendas de que quando as pessoas morrem elas viram estrelas e passam a brilhar todas as noites nos vigiando lá de cima.
— Então você fará igual a bruxa? Deixará seu perdão ficar? – Lyra apenas balança a cabeça em assentimento dando um leve sorriso para o ruivo que retribui.
(...)
Dois dias se passam. A hora do almoço chega e todos estavam em silêncio. Um silêncio esmagador, no qual qualquer movimento podia ser escutado. Ninguém ali ousava proferir sequer uma palavra. Após a situação constrangedora Lyra segue para o quarto do ruivo e lá eles conversam por alguns minutos, até que um tremor é sentido em todo o castelo.
Um estrondo ecoa por todas as paredes do lugar, abalando cada batimento cardíaco lá dentro. Durante alguns segundos, o ruivo não entende o que estava acontecendo, quando seus olhos arregalam e ele agarra a garota pelo braço a empurrando para dentro do armário.
Passos fortes são ouvidos por todos os corredores, sons de portas sendo quebradas e gritos por toda a parte aterrorizavam a todos. Dentro do armário Kid faz um sinal de silêncio para ela, e apenas com o balançar de sua cabeça ela consente.
Soldados holandeses entram no quarto do ruivo procurando por algo ou alguém, quatro dos cinco soldados se retiram para fazer a varredura nos outros cômodos.
— Quando der você corre para a porta, tente fugir dos soldados e chegar a cozinha. Lá se esconda e espere por alguém que você conheça. Promete que vai fazer isso? – sussurra o ruivo no ouvido de Lyra. Sua expressão era séria e amedrontadora. A garota apenas diz que sim com a cabeça. E alguns segundos depois, o rapaz pula nas costas do soldado.
Kid o segura o máximo para que Lyra pudesse correr, mas o homem atira nas costelas do ruivo e ao ouvir tal som a morena não se segura, volta correndo para o quarto e pega um vaso quebrando-o na cabeça do soldado, fazendo-o desmaiar.
— Temos que fugir agora! – dizia o ruivo.
Mesmo com dores fortes ambos correm até a cozinha. Lá encontram um soldado de confiança, que os guia até um abrigo. Law, Luffy e Nami são avistados no mesmo abrigo, alguns também feridos.
Horas e horas se passam, porém ninguém ali podia dizer quanto tempo exatamente havia se passado. Depois de tanto esperar a porta do abrigo se abre e um soldado Florence diz:
— Já podem sair. Todos os soldados que invadiram Florence já estão mortos.
Um suspiro de alivio escapa da boca de todos, contudo a cena que encontram pelo lugar era devastadora. Sangue escorria pelas paredes do castelo, corpos estirados e mutilados estavam ao chão. O palácio agora parecia uma ruína.
Lyra sente seu corpo gelar e sua cabeça tontear. Tal cena há remetia o dia que perdera seus pais. Suas pernas bambeiam e tudo o que conseguia sentir era algo a segurando com firmeza.
— Lyra! – grita o ruivo em desespero.
— Eu estou tonta. – diz ela colocando as mãos na testa, em uma tentativa falha em colocar a cabeça em ordem. – Mas vou ficar bem, não se preocupe.
Nami se senta perto de Lyra, enquanto os príncipes discutiam as situações com os soldados, e Lyra diz:
— Lembra que meu sonho era me tornar uma grande dançarina?
— Seu sonho mudou em tão pouco tempo? – a ruiva perguntava carinhosamente com um olhar curioso e atento. Nessa hora Eustass passa a prestar atenção na conversa de ambas, já que eles estavam a alguns metros de distância.
— Não, ele não mudou... Mas, creio que depois de tudo o que aconteceu, eu não vou conseguir me tornar uma dançarina.
— De certa forma eu lhe entendo.
-Acho que meu sonho cresceu e agora... Ele é grande demais para eu conseguir cumpri-lo. – um suspiro pesado é solto. – Eu pensava em ir embora...
— E o que lhe prende aqui, então? – questiona, fazendo sua irmã olhar o vazio para se questionar o que a fazia ficar e desistir de tudo.
O aperto no coração que Kid sentia nesse momento era de culpa. De algum modo ele pensava que se Lyra continuasse com ele, presa aquele castelo ela nunca teria o que queria. Assim que a conversa com os soldados acaba, ele segue de cabeça baixa para o jardim. Sua tristeza não passar despercebida pela morena.
— Algum problema Kid?
— Você vai embora?! – seu olhar era vazio, mas sua tristeza era transmitida por sua voz trêmula e chorosa.
Se sentando igual a ele, com os braços rodeando as pernas que estavam a altura do peito, ela engole em seco e responde:
— Não mais.
— Por que?
— Se você ouviu minha conversa deveria saber... Tem algo, mais especificamente, alguém que me prende aqui. – o ruivo em resposta apenas apoia sua testa em seus braços. – E meu sonho cresceu... Mas no meu estado eu não consigo cumpri-lo.
— O quão grande seu sonho se tornou?
— Eu queria fazer o mesmo que sua mãe fez. Trazer algo que alegrasse esse país. Mas eu não consigo... – ela se levanta para ir embora quando é parada pela voz do ruivo.
— E o que lhe prende aqui?
-Você. – sem olhar para trás ela responde e logo segue seu caminho.
No dia seguinte os príncipes recebem a noticia de que um novo rei surgiria...
— Não pode ser... – Law estava atônito, incrédulo.
— Conseguiram achar o corpo? – Kid perguntava.
— Apenas algumas partes Vossa Majestade.
— Ele não teve uma morte pacifica, não é? – Luffy perguntava soluçando de tanto chorar.
— Sinto lhe dizer que não. – alguns segundos de silêncio até o soldado pronunciar algo. – Quando será o enterro?
— Amanhã de manhã. Informe a todos. – ordenava o ruivo.
Uma manhã chuvosa e um enterro. A cidade havia parado completamente com a morte do rei. Law e Luffy não se continham em segurar as lágrimas, enquanto que Kid apenas esboçava uma expressão séria.
POV’S Lyra
Após o funeral de Shanks vejo Kid se afastar dos outros, como sempre faço o sigo e tento conversar com ele. Sua expressão era de tristeza, consigo perceber por seus punhos cerrados que ele segurava a tristeza com todas as forças.
— Kid? – pergunto colocando minha mão em seu ombro.
— Nunca quis que nada disso acontecesse.
— A culpa não é sua.
— Não é, mas quando for coroado rei passará a ser...
— Sei que posso não ser de muita ajuda, mas pelo menos me deixe tentar lhe ajudar. – me aproximo dele e logo ele me abraça encaixando sua cabeça em ombro. Sinto lágrimas silenciosas escorrerem, e suas mãos se fecharem com força agarrando meu vestido por trás. Ele transmitia medo. Medo de ser lavado por algo, ou mesmo de perder mais alguma coisa importante.
— Não vá embora, Lyra! Eu lhe imploro. – seu choro saia tropeçado em meio aos soluços.
— Eu já lhe disse. Você me prende aqui, não posso ir embora. – não consigo me segurar e deixo minhas lágrimas rolarem também.
Eustass levanta seu rosto e me beija com paixão, um carinho imensurável era passado para mim naquele momento. Nada mais existia, ao nosso redor tudo se reduzira a nada. Os sons que escutava era apenas o da chuva molhando a grama, levando contigo todas as tristezas daqueles que embaixo de ti estavam.
(...)
Um ano depois...
Cerca de um mês depois do falecimento de seu pai, Kid fora coroado o novo rei de Florence. Law se casou com Nami, e ambos viviam no palácio, ajudando o ruivo com as negociações de paz com os países vizinhos. O tempo se passa rápido e logo já é Natal.
— Feliz Natal, Lyra! – o rei dizia para mim me dando um beijo na bochecha.
— Mas o Natal é amanhã – eu comentava sorrindo.
— Então feliz véspera de Natal. – estávamos deitados, ele abraçado por trás, seus braços rodeando minha cintura, e seu rosto recostava na minha bochecha. Há algum tempo eu havia me mudado para o palácio, e deixara de ser uma empregada, novas pessoas haviam sido contratadas para tais funções, então eu não tinha muito que fazer além de cuidar dos eventos festivos do palácio.
A tarde se passa com Eustass ocupado com suas negociações de sempre e eu ocupada em terminar as decorações da festa de Natal do dia seguinte. E para a pergunta de todos vocês... Não, eu não me casei com Kid.
POV’S Lyra end
No baile de Natal, como em todos os anos anteriores a decoração era impecável. O Bufê era degustado por todos, e todas as classes ali presentes aproveitavam a festa como nunca. As horas se passam e Lyra sequer avistara Kid naquela noite.
— O que aquele desgraçado foi fazer? – já impaciente ela resmungava para si mesma.
Quando de repente o ruivo chega para a morena que estava na pista de dança e lhe pergunta:
— Com licença senhorita, você me concederia a honra desta dança? – ele se curvava como um cumprimento, esticando a mão, onde nela repousava um anel dourado com uma pedrinha azulada.
— Kid... – sem palavras a garota põe as mãos na boca e reponde – Sim, a honra é toda minha.
O ruivo pega o anel e coloca no dedo molar da mãos esquerda da garota amada, e educadamente ele a conduz para uma dança onde apenas os dois participariam.
— Esse foi o único meio que eu encontrei de você realmente não ir embora e mesmo ficando aqui você tendo uma possibilidade de cumprir seu sonho de ser uma dançarina. – dizia ele sorrindo largo. – A partir de hoje, você será minha rainha.
— Como queira, meu rei. – ria ela em tom um pouco envergonhado.
POV’S Lyra
A partir daquele momento eu sabia que não importava o que acontecesse tudo valeria apena desde que eu estivesse com ele, Eustass Kid.
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