Damned Blood - A lua de sangue.
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Peguei um táxi, como sempre, pra voltar pra casa, os ônibus passavam muito longe do meu prédio e a corrida não era longa, não custava muito. Quando eu abri a porta, sentadas na sala estavam minha mãe e minha avó, Marleny, sorrindo enquanto decoravam tudo com balões, enfeites e um belo bolo de aniversário fazia destaque na mesa de jantar. Elas me olharam, assustadas, como se não esperassem minha presença em casa tão cedo, mas antes de explicar eu levantei a sobrancelha, perguntando sobre o porquê de tudo aquilo sem dizer em voz alta.
– Ammy! — minha avó sorriu e me abraçou.
– Nossa.
– O que faz em casa a essa hora?
– Os professores liberaram mais cedo por causa de uma reunião.
– Querida, sua mãe não deveria ter posto você nessa escola, são todos desorganizados e incoerentes. — eu olhei pra minha mãe como que dizendo "viu?", mas ela apenas revirou os olhos.
– Não, ela tinha aprender a lição por dirigir bêbada e acabar com a traseira do meu carro, quase matou uma pessoa. Isso não é nada! — ela voltou a enfeitar a sala.
A parte que eu não contei é que na noite do acidente com o carro da minha mãe eu tinha bebido demais com os meus amigos e, como não haviam muitas pessoas dirigindo ali e eu estava sem dinheiro pro táxi, voltei alcolizada assim mesmo. E quase matei todos que estavam no banco de trás. Mas isso ainda não é motivo pra me botar em um inferno como a LHS. Foi a primeira vez que bebi e me arrependi pra sempre.
– O que é tudo isso? — perguntei, jogando a bolsa em um canto e olhando ao redor.
– Ah. — minha avó respondeu, contente — É seu aniversário, querida!
Ual, eu realmente era muito desligada de tudo, eu esqueci meu próprio aniversário! Pensei nas coisas que aconteceram nos últimos três dias e meu esquecimento não fora à toa, eu estivera bem confusa por vários motivos. Mas agora iria esquecer de tudo isso e comemorar que hoje completo 17 anos. Nossa...
Passei a mão pelos cabelos e caminhei devagar pela sala, a decoração era simples, havia um cartaz de feliz aniversário por cima da televisão, alguns balões pendurados nos cantos das paredes e o bolo com cobertura de creme estava bem enfeitado. Tirei um pouco com o dedo e lambi. Delicioso!
Me virei para aquelas duas senhoras e sorri, agradecida.
– Obrigada. — disse — Mas eu queria que mais gente estivesse aqui.
– Como eu?
Virei rapidamente a cabeça ao escutar essa voz e fui correndo para os braços de Mike que me recebeu rindo de minha reação.
– Esse é o sorriso que eu queria ver ontem. — ele me soltou, ainda rindo, seus olhos azuis bem vívidos.
– Não tem que trabalhar? — perguntei.
– Tenho, mas larguei mais cedo hoje por causa da data especial. Feliz aniversário!
– Obrigada. — sorri sem mostrar os dentes. Estreitei os olhos quando vi um corte superficial, apesar de longo, na testa de Mike — O que é isso? — apontei pra lá.
– Um acidente com papéis. — ele explicou, rindo sem graça e eu soube na hora que estava mentindo, mas resolvi deixá-lo.
– Bem, — nossa mãe disse — vamos devorar esse bolo?
A luz do sol entrava por uma pequena janela perto do teto e iluminava de um jeito que nenhuma artificial poderia fazê-lo. Mamãe parecia sentir prazer apenas em servir comida para os únicos convidados da festa, no caso eu, Mike e a vovó. Mike sorria, já completamente lambuzado pelo creme do bolo, vovó estava meio desordenada com a quantidade de guloseimas que lhe eram servidas, mas ela se recusava a fazer desfeita. Minha mãe, depois de pôr todos os salgadinhos, doces e bebidas em cima da mesa, se juntou a nós, deliciando-se com a própria obra de arte.
Eu sei que não era muito e com o que meu pai ganha com certeza eles poderiam ter feito algo melhor. Mas não pra mim. Eu era o tipo de garota que preferia passar os
momentos assim, na simplicidade e brincadeira, era bem melhor do que convidar muita gente pra dar boas impressões, sendo que tenho apenas uma amiga e depois todos só viriam por causa da comida e não por mim. Eu estava feliz assim, só devorando tudo sem formalidades ou tradições e com as pessoas que eu mais amava no mundo inteiro.
Liguei pra Alison depois que cantamos parabéns e ela me xingou por não ter dito que dia era meu aniversário, mas que ainda hoje compraria algo pra não passar em branco, mesmo eu insistindo que não era necessário.
Depois de tudo, que retiramos a mesa, o Mike e a mamãe me deram os presentes, um celular novo e um diário com cadeado. A vovó tinha algo mais... Precioso para me dar.
Ela retirou da bolsa uma caixa marrom, enlaçada com uma fita vermelha e alguns símbolos estranhos gravados na tampa. Vovó sorriu pra mim e tirou da caixa um colár prateado, com um cristal brilhante e muito lindo. Eu nunca gostei muito de jóias, mas me encantei com aquele colár.
– Essa relíquia está na nossa família há séculos. — ela disse ainda sorrindo — Minha avó me deu e agora eu quero dar a você — se aproximou de mim e prendeu-o em meu pescoço — para que um dia você passe para a sua neta.
Eu toquei o cristal, sorrindo, ele era muito lindo. Estava fascinada. Mike me olhava com satisfação, eu peguei ele piscando rapidamente para a vovó como se tivessem combinado o presente, mas resolvi esquecer isso, a festa tinha sido incrível e eu não poderia pedir coisa melhor.
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