Damnation
1 Prologue
Aos seus 16 anos, Dominique levava uma vida normal em Brahms. Estudava no maior colégio da cidade, sendo líder de torcida lá. Namorava fazia três meses com o Quarterback do time de Futebol Americano da escola, Bill. Com boas notas e sendo popular, Dominique não tinha do que se queixar da escola, algo que não acontecia em casa.
Já fazia um tempo que o relacionamento de Dominique com a mãe, Simone, não ia bem. As duas brigavam constantemente, principalmente pelo fato de sua mãe tomar medicamentos fortes para a depressão, que em vez de ajudá-la, só piorava seu estado.
Tudo havia ficado pior depois da separação entre Simone e seu ex-marido, Chase, que não suportou mais as crises de Simone. Desde a separação, Simone descontava tudo em Dominique, que não falava mais com sua mãe, sendo praticamente duas estranhas morando no mesmo teto.
Porém Dominique não tinha do que reclamar, já que Bill, sempre esteve junto a ela, consolando-a e ajudando-a a passar por esse relacionamento horrível que ela tinha com a mãe. Porém, ultimamente, mesmo tendo Bill ao seu lado, Dominique estava sentindo falta de seu pai(ou de simplesmente ter um pai).
Seu pai, Bronsky, havia sumido há 8 anos. Seu carro fora encontrado pela polícia na entrada oeste de Silent Hill, porém nada havia dentro além de uma foto de Bronsky e ela, Dominique, com 6 anos. A polícia procurou pela cidade por Bornsky, mas ele não foi encontrado. Desde então Dominique nunca mais ouviu falar sobre o pai. Sua mãe se recusava a responder perguntas que Dominique fazia sobre ele, sempre tentando mudar de assunto ou berrando para ela esquecer o pai.
A garota tinha poucas lembranças pelo pai, sendo elas as de quando ela tinha 6 ou 7 anos. Ela não se lembrava de coisas específicas, mas sim de momentos comuns, como ir tomar sorvete com o pai, ou ser levada a escola por ele. O único momento especial que ela se lembrava claramente dele, era quando ia dormir. Dominique se lembrava que Bronsky cantava uma canção de ninar que os dois haviam feito juntos. Ela não se lembrava mais da letra, apenas da melodia.
Entretanto, toda vez que ela se lembrava de seu pai ela não poderia deixar de se lembrar da cidade em que ele desapareceu, Silent Hill. A cidade que ficava a poucos quilômetros de Brahms era cheia de casos de desaparecimento e mortes, sendo vários destes casos, até então, não resolvidos pela polícia. Desde o desaparecimento de Bronsky até agora, 32 casos de desaparecimento ocorreram de pessoas que passaram por Silent Hill e nunca mais foram vistas. A polícia, simplesmente sem ter o que fazer, vasculhou a cidade a cada um dos casos, e encontrou o corpo de 23 pessoas espalhados pela cidade. O mais bizarro disso tudo foi que os peritos descobriram que eles não foram mortos por alguém, e sim, todos eles, se suicidaram, alguns se cortando com uma faca ou objeto pontiagudo, outros se jogando do terraço do algum prédio e alguns foram encontrados boiando no rio, sem sinal de afogamento.
Porém, das outras nove pessoas que desapareceram e que não foram encontrados corpos, a polícia conseguiu resgatar uma na cidade, Anna Halfax.
Anna era uma mulher sozinha que vivia em Brahms a mais de 20 anos. Todos a achavam um pouco louca, principalmente pelo fato de pouco sair de casa e deixá-la totalmente fechada quando estava sozinha nela. Mesmo vivendo tanto tempo em Brahms ela não nasceu ali, e sim em Silent Hill, porém sua mãe morreu na hora do parto, sendo então criada no orfanato em Silent Hill, já que nunca soube quem era o seu pai. Quando atingiu a maioridade, Anna saiu do orfanato e se mudou para Brahms.
Quando a polícia encontrou Anna no centro de Silent Hill, ela estava em estado de choque, e não disse uma palavra sobre o que aconteceu com ela. Ela não estava seriamente machucada, tendo apenas um corte no baixo ventre. A policia a trouxe de volta para Brahms e ela foi posta em um hospital psiquiátrico, tendo em vista que estava em um grande choque emocional. Depois de dias que passou no hospital sem falar, em certa noite, começou a berrar histérica dentro do quarto. Quando os enfermeiros chegaram no quarto, encontraram todos os móveis jogados e revirados e Anna gritando. Entre os gritos, podiam se escutar frases como: “EU SEI, FOI TUDO MINHA CULPA, MAS PERDOE-ME...”, “ME DEIXE IR, EU NÃO QUERO FAZER PARTE DISSO, JÁ TIVE MINHA PUNIÇÃO”, “VOCÊ É UM MONSTRO, VOCÊ É UM MONSTRO”. Depois de tranqüilizarem-na, o médico responsável por Anna a perguntou sobre o que ela gritava. Tudo que obteve em resposta foi: “Ele está lá, esperando”. Anna, depois disso, voltou ao seu estado de silêncio absoluto.
Depois do acontecimento com Anna, a policia interditou as três entradas para SIlent Hill, criando uma rota alternativa para os viajantes que tivessem que passar pela cidade de carro. Mesmo assim, muitos jovens iam até a cidade “investigar” a cidade. Alguns desses jovens retornaram contando que não acharam nada, porém alguns ficaram como “vítimas” da cidade.
Entretanto, não eram essas histórias que incomodavam Dominique, e sim o fato de seu pai ter desaparecido ali. Odiava a cidade mais do que tudo, e a culpava por ter que crescer sem o pai, mesmo sabendo que a cidade nada poderia ter feito. Ela é inanimada, simplesmente abandonada e recheada de “fantasmas” criados pelas pessoas. Apenas mais uma cidade sem vida.
Ou será que não?
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