Damnation
4 Chapter Three: In The Mist It's Standing
A viagem corria tranquilamente. David estava, como de costume, quieto, porém de bom humor. Cindy não parava de tagarelar com Dominique no banco de trás e Bill estava apenas olhando a paisagem que passava rápida diante de seus olhos.
- Então David – falou Bill finalmente – olhando para o amigo. Qual o nosso “plano de ação”?
- Abra o porta-luvas, tem um mapa da cidade aí dentro.
Bill abriu o porta-luvas e tirou o mapa de dentro dele. Dominique virou-se para frente, prestando atenção na conversa dos dois.
- Nossa como você conseguiu esse mapa?
- Internet – respondeu David, ríspido.
- Sério? – retrucou Bill, surpreso. – Porque eu pesquisei o mapa da cidade no Google Images e não achei nada.
- Talvez você não procurou direito – riu David.
Bill continuou olhando para David, franzindo a testa.
- Então David – começou Dominique – O que faremos quando chegarmos lá?
- Iremos para a Liquor Store em Toluca avenue – disse ele, apontando uma das mãos para o mapa – É o lugar mais próximo em SH aonde podemos encontrar bebidas.
- Ótimo – falou Dominique – Então chegamos, pegamos e caímos fora, certo?
- Sim.
Dominique ficou feliz por David já ter feito um “plano”, detestava a idéia de ter que ficar dentro da cidade por muito tempo.
Uma placa surgiu em meio a estrada.
- Silent Hill, 8 milhas. – leu Bill.
Dominque teve um arrepio.
- Está com frio, amiga? – perguntou Cindy.
- Ah – exclamou Dominique, envergonhada que Cindy tenha percebido seu calafrio – Não não, as vezes tenho arrepios assim, do nada.
Dominique olhou para o retrovisor. Deparou-se com David olhando-a por ele. David desviou o olhar quando percebeu que Dominique o viu olhando.
- Temos que pegar a rota alternativa. – falou David, e entrou em um caminho de estrada de chão, na floresta.
O clima parecia um pouco mais tenso agora dentro do carro. Na proporção que Silent Hill se aproximava os quatro iam ficando mais calados.
- Estamos quase chegando, pessoal – falou David, diminuindo a velocidade do carro.
- Puta merda, que névoa é essa? – surpreendeu-se Bill.
Uma névoa densa erguia-se diante deles.
- Vocês já tinham visto algo parecido com isso? – perguntou Bill aos outros.
Ninguém respondeu nada. O coração de Dominique pulsava rapidamente.
- David, diminua – falou Cindy ao namorado.
- Eu já diminuí – retrucou ele
- Ainda está rápido de mais, diminua mais um pouco.
- Eu sei o que estou fazendo.
- David, vá mais devagar por favor – falou Cindy, exasperada.
- Cindy – David virou sua cabeça para trás, olhando a namorada – Eu já disse que sei o que estou fazendo....
- DAVID, CUIDADO. – berrou Bill, ao lado do amigo.
David virou sua cabeça para estrada, espantado. Uma árvore estava tombada na estrada. David pisou o pé no freio, fritando os pneus. Conseguiu parar o carro a menos de um metro de distância da árvore tombada.
- Essa... foi por pouco... – falou Bill ofegante, com suas mãos grudadas no painel do carro.
Dominique suspirou de alívio, seu coração parecia saltar pela boca.
- VIU? – berrou Cindy – EU DISSE PARA VOCÊ IR MAIS DEVAGAR, QUASE NOS MATA...
David nada falou. Simplesmente abriu a porta e saiu do carro.
- O que esse idiota está fazendo agora? – perguntou Cindy aos demais, ainda zangada.
Bill também saiu do carro, assim como Dominique.
- Você vem? – perguntou Dominique à Cindy.
- Do que adianta ir lá fora? Não vamos conseguir tirar a árvore mesmo – retrucou Cindy, zangada.
- Okay – falou Dominique, indo em direção aonde David estava.
- O que foi, cara? – perguntou o amigo.
David nada falou, apenas observava a árvore caída. Dominique também a observava. Ela não parecia ter sido simplesmente cortada.
- O que uma árvore gigante como essa faz no meio da estrada.... – falou David finalmente.
- Não sei – disse Bill, se aproximando dela. Percorreu seus olhos por toda árvore.
- Meu Deus... aquilo são... as raízes dela?
David e Dominique olharam para onde Bill apontava. Definitivamente eram as raízes da árvore.
Dominique levou as mãos á boca.
David se aproximou das raízes, junto a Bill.
- Como? – perguntou David simplesmente.
- Ela foi.... arrancada pela raiz. – disse Bill, assombrado.
Os três se entreolharam, assustados.
- Vamos embora – falou Dominique
- Hey, calma – retrucou David.
- Ela tem razão David, não tem nem como o carro passar.
- Okay, vamos parar e pensar um pouco...
- Não tem o que pensar, David!
- É cara, ela tem razão....
- CALEM A BOCA – berrou David, com a voz grave.
Todos se silenciaram e olharam para ele. Era a primeira vez que viam David berrar assim.
- Não adianta de nada ficarmos discutindo, assim não vamos chegar a lugar nenhum.
Bill e Dominique continuavam calados.
- Vamos voltar pro carro e conversar lá dentro, até chegarmos num acordo.
David começou a andar em direção do carro. Bill e Dominique se entreolharam sem dizer nada.
Dominique se virou e começou a andar em direção ao Maverick de David, até que....
- Esperem – exclamou ela – Aonde está Cindy?
A namorada de David não estava no banco de trás do carro.
- O que? – exasperou-se David, e correu até o carro. Bill e Dominique também correram.
- MAS QUE MERDA. – berrou David.
- Mas... ela estava aqui... faz 2 minutos...
- Ela deve ter saído – sugeriu Bill.
- Mas como? – perguntou Dominique ao namorado – A gente ouviria ela saindo do carro, ou pelo menos os passos dela...
Bill deu de ombros.
- E isso não é tudo – falou David.
- O que foi?
- A chave do carro não está na ignição.
- COMO É QUE É? – berrou Bill, e olhou para a ignição.
- Você tem certeza que deixou ela aí? – perguntou Dominique.
- Sim – falou David, colocando as mãos na cintura e abaixando a cabeça – Quando saí do carro deixei ela na ignição.
Bill colocou as mãos na cabeça, Dominique ficou sem palavras e David parecia abatido.
- DROGA CINDY – berrou Bill – ISSO NÃO TEM GRAÇA.
- O que você está insinuando? – questionou Dominique.
- Ora, não é óbvio Domi? – respondeu Bill, bravo – A Cindy saiu do carro e levou a chave junto.
- O que? Mas isso é... um absurdo, ela não faria isso.
- Ah claro, então ela e a chave desapareceram por mágica. – falou Bill, sarcástico.
- Não precisa falar assim também – retrucou a namorada.
- Domi, você só não achou isso porque ela é sua amiga e você está defendendo ela, mas não há outro motivo lógico a não ser esse. Nós não ouvimos ninguém se aproximando e levando ela a força, até porque ouviríamos ela gritando. E não ouvimos ela saindo, isso quer dizer que ela saiu bem lentamente pra nós não a ouvirmos.
- Mas...
- E ela estava irritada com o David antes de nós pararmos o carro, com certeza quer dar “uma lição” nele por causa disso.
- Okay, isso seria muito estúpido da parte dela.
- Sua amiga nunca teve um intelecto notável mesmo.
Antes de Dominique retrucar de novo, David interveio:
- Já chega. Não vamos lugar a chegar nenhum. Temos que encontrar Cindy e a chave do meu carro.
- Certo, mas por onde começamos? Pra onde você acha que ela foi, David?
- Não faço a mínima idéia.
- Talvez ela se escondeu nessa florestas que temos ao redor – falou Bill, olhando ao seu redor.
- Podemos procurar – sugeriu Dominique.
- Nós ouviríamos os passos delas pelas folhas – falou David, apontando as folhas no chão. – E não há nenhum rastro pelas folhas também.
Bill e Dominique nada falaram. Ficaram calados, pensando.
- Das duas uma: ou ela voltou pela estrada ou ela foi até Silent Hill.
Dominique apenas olhou para Bill. David olhou para o chão novamente.
”Meu Deus Cindy, o que deu em você””, pensou Dominique.
- Só há um jeito de saber – disse David, entrando no carro e abrindo o porta-luvas. Estava vazio.
- MALDITA – berrou Bill.
- O quê? – espantou-se Dominique.
- O mapa sumiu – suspirou David.
Dominique levou a mão a boca, não conseguia acreditar...
- Isso é o suficiente pra você, Domi? – perguntou Bill, irado.
Dominique não conseguiu responder, estava chocada.
- Okay, então se a Cindy pegou a chave e o mapa, ele definitivamente foi a Silent Hill, concordam? – perguntou David aos outros.
- Sim – respondeu Bill, e olhou para Dominique.
Derrotada, a garota balançou a cabeça positivamente.
David então pegou algo embaixo do seu banco, um pé-de-cabra.
- Porque você está pegando isso? – perguntou Dominique, assustada.
- Temos que abrir o porta-malas para pegarmos nossas mochilas, não? – respondeu David, indo até o porta-malas, Bill o acompanhou.
Com o pé-de-cabra, David conseguiu abrir o porta-malas. Cada um pegou a sua mochila e colocou nas costas.
- E a da Cindy? – perguntou Dominique aos outros.
Os dois ficaram quietos, até que David pegou a mochila e colocou nas costas também.
Ele fechou o porta-malas, olhou para os dois e falou:
- Vamos. Silent Hill nos espera.
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