Damnation

12 Chapter Eleven: War Against Darkness III


O chão começou a tremer; o lustre do teto caiu; os bancos tremiam tanto que se moveram para as paredes. A pequena taça em cima do altar se espatifou no chão. O grande crucifixo na parede caiu de pé no chão com um barulho estrondoso.

- Merda — exclamou Bill.

A porta da igreja, atrás do garoto, se fechou. Ele correu até ela e tentou abrir. Não conseguiu.

- AH, QUAL É — berrou ele, chutando a porta.

Um barulho de vidro se quebrando chegou aos seus ouvidos. As janelas, antes com imagens de santos, pareciam estar "descascando", dando lugar a outras imagens.

- Que merda é essa?

Eram eles. Bill, Dominique, David e Cindy nas janelas. Nas duas da direita, Dominique estava em uma das janelas e ele em outra. Nas da esquerda, Cindy e David. Dominique estava com as mãos na barriga, e parecia que cobria uma espécie de corte no baixo ventre. Cindy estava de joelhos, e do seu pescoço jorrava sangue. David estava com a cabeça abaixada e segurava uma espécie de punhal. E por fim, ele olhou a sua. Dos seus olhos saíam sangue e ele tinha uma espécie de lança que atravessava seu peito.

- Isso é doentio.

Repentinamente, chamas começaram a queimar o gigante crucifixo. Não eram chamas normais, eram negras. A visão era aterrorizante, e um medo incomum tomou conta do garoto, que começou a procurar um jeito de abrir a porta.

Não havia jeito, por mais que tentasse arrombar a porta, nada adiantava. O calor proveniente das chamas era infernal. Ele já estava com a boca seca e com dificuldade de respirar quando outro barulho chegou aos seus ouvidos. Uma pequena explosão de chamas ocorreu pela extensão do crucifixo, e a imagem mais terrível que ele já havia visto se formou. A imagem de Jesus, antes apenas uma estátua, começou a se mover. Primeiro foi a cabeça que começou a balançar horizontalmente. Depois, soltou as duas mãos dos pregos na cruz e por ultimo os dois pés, fazendo com que caísse no chão. O seu corpo ia mudando à medida que se levantava.

A gordura de seu corpo parecia diminuir, logo estava só pele e osso. A coroa de espinhos entrou em sua cabeça. As íris dos seus olhos sumiram. Sua expressão era de pura agonia. Em seu peito, um coração negro se tornou visível.

Bill não sabia o que fazer. O medo o tomara de um jeito que jamais o havia tomado. A criatura começou a andar em sua direção, foi então que uma lembrança tomou conta de sua mente.

- Mas pai, eu não quero ir na igreja. — falava ele, sentado no banco do passageiro.

- Você não tem que querer nada, eu sou seu pai. — seu tom de voz era de ameaça, enquanto fazia uma curva — Eu mando, você obedece

- Mas pai... se Deus fosse tão bom como o padre diz que ele é, ele teria levado a mamãe.

- Sua mãe não foi para o céu, moleque. Para o céu só vão as pessoas boas.

- Então eu não quero ir para o céu.

Chegaram no estacionamento da igreja. Antes de o garoto tirar o cinto de segurança, seu pai trancou as portas do carro.

- Muito bem moleque, se você não quer ir para o céu e nem para a igreja, não vá, mas hoje você vai me esperar aqui dentro desse carro, sem se mover ou ligar o rádio, até a missa acabar e pensar no que você disse.

- Pai...

Antes que ele pudesse terminar de falar, seu pai lhe deu um tapa no rosto.

- NÃO QUERO OUVIR NENHUMA PALAVRA SUA. JESUS NÃO GOSTA DE MENINOS DESOBEDIENTES. VOCÊ É QUE NEM SUA MÃE MESMO E COMO ELA VAI QUEIMAR NO INFERNO. FIQUE AQUI, IMPRESTÁVEL.

E saiu do carro, trancando o veículo.

Lágrimas dos olhos do garoto caíram e um ódio pelo seu pai queimou dentro de seu peito.

O ódio pela lembrança fez o medo desaparecer. Tremia de tanta raiva que sentia pelo seu pai naquele momento.

A criatura estava próxima dele agora. O garoto olhou para os lados procurando algo que pudesse usar contra ela. Nada.

"Tenho que sair desse lugar"

Reunindo coragem, ele começou a correr pela direita. A criatura tentou golpeá-lo com o braço, mas errou.

O garoto correu até perto do altar. O calor era ainda mais insuportável.

"Eu não vou conseguir enfrentar essa criatura aqui, vou desmaiar pelo calor. "

Foi então que se lembrou.

"O sinalizador"

Rapidamente, ele abriu sua mochila e tateou até encontrar o sinalizador. Havia um tiro no pente e uma recarga em sua mochila. Não iria matar a criatura, mas poderia atordoá-la por algum tempo.

O garoto mirou na criatura. Percebeu que era o coração negro em seu peito era a única coisa vulnerável. Ele ajustou a mira e atirou. O barulho característico encheu a sala e o tiro foi direto na criatura, porém, com um movimento do braço, ela o desviou. O tiro perfurou o vidro com a imagem de Dominique e explodiu em no céu lá fora.

"Merda. Eu deveria saber que não seria tão fácil. Só tenho mais um tiro."

A criatura parecia mais enraivecida e começara a andar mais rápido. O garoto raciocinou que não conseguiria acertar nenhum tiro nela daquela distância, mas era loucura tentar se aproximar dela.

"A porta! Eu posso arrombar a porta com um tiro desses"

Bill recarregou o sinalizador.

"Agora só tenho que achar uma brecha"

A criatura pegou um dos bancos com seu braço esquerdo e jogou contra o garoto, que se jogou para a direita para não ser atingido. A criatura pegou outro banco. Rapidamente, ele se levantou e atirou na porta.

"Isso!"

Porém, em vez da criatura arremessar o banco em sua direção, ela o jogou contra o tiro, que o desviou para uma das paredes.

- NÃO — berrou o garoto.

O tiro, acertou a parede e explodiu. O tremor dentro da igreja foi imenso. Enormes rachaduras pelas paredes e pelo teto começavam a se formar.
Do teto, pedaços do cimento começavam a cair. Um deles acertou o braço da criatura, que urrou. Bill percebeu que aonde o tiro havia acertado, uma abertura havia se formado, pela qual ele presumiu conseguir passar sem problemas.

"É a minha única chance"

Ele começou a correr na direção da abertura. O teto começava a ruir em várias partes. A criatura percebeu sua intenção e começou a correr em sua direção. Ele chegou na abertura, jogou sua mochila por ela e começou a passar o seu corpo.

- ARGH — exclamou de dor, quando sentiu um aperto em seu braço esquerdo. A criatura o segurava com força. Ela se preparava pra atacá-lo com o braço livre.

"É o meu fim"

O garoto fechou os olhos esperando o golpe mas um estrondo chegou aos seus ouvidos e o aperto em seu braço afrouxou. Ele abriu os olhos. Uma grande parte do teto havia caído em cima da criatura.

Ele conseguiu se livrar e passou pela abertura. Caiu sentado no chão ao lado de sua mochila olhando para a pequena igreja que ruía.

- Não acredito que estou vivo — falou o garoto, e sorriu de alívio.

Percebeu, que a mão da criatura se movia no chão.

"Droga, ela está viva ainda."

Levantou-se, pegou a mochila no chão e começou a correr em direção a rua.