Melliane despertou para a claridade, os olhos semicerrados. Sentia-se enregelada dos pés à cabeça. Levantou-se se apoiando na parede. Grudado em suas roupas havia sangue seco, e também em seus cabelos.

Saiu do beco para uma rua movimentada, onde o sol batia mais forte. Os transeuntes olhavam horrorizados para ela mas Melliane, entorpecida, mal os notava.

Minutos depois, ainda desnorteada, chegou à uma pracinha, na parte mais deserta do bairro. As nuvens haviam coberto o sol, e sob a luz mais fraca, Melliane piscou mais forte, como que acordando.

Seus olhos varreram o cenário, e pararam em uma mulher que cruzava a praça. Melliane foi atrás, sem precisar de se justificar em sua mente. Tinha que segui-la. Tinha.

Andava a alguns metros dela. Por um breve momento de lucidez, sentiu-se como que enquadrada em uma cena de filme, a desequilibrada perseguindo sua vítima, que logo ouvia o barulho às suas costas e apertava o passo, com medo. Mas a mulher à sua frente nada notava.

Melliane andava quase colada à parede, como se tentasse se dissolver nela, perseguindo sua presa, esperando aquele momento.

Sentia-se mais leve, porém enrijecida como ferro, e até mais disposta.

Então, flashes da noite anterior desfilaram pela sua mente, mas desaparecendo logo em seguida. Tinha que se concentrar na mulher.

Ela tinha deixado algo cair, e se abaixou para pegar.

Era o momento.

Melliane correu e agarrou-a, sem deixar tempo para a mulher sequer reagir. Com uma mão a levantando e com a outra prensando a mulher contra a parede, cobriu-lhe a boca e rasgou a blusa. Encostou seus lábios na pele perfumada.

Seus dentes entraram na mulher até encontrar o sangue. Melliane reviveu-se dele até a última gota.

Então, afrouxou seu aperto e a mulher foi ao chão.

De repente Melliane podia ver de fora a cena: a menina-mulher suja e desleixada, roupas rasgadas, sangue fresco escorrendo pelo canto dos lábios carnudos e os olhos paralisados em choque, ao lado de um cadáver.

Foi com esforço que ela piscou. Sua mente se recusava a trabalhar.

Olhou para o cadáver e depois para os dois lados da rua. Sem pensar, em movimentos mecânicos e sem vida, pegou um dos braços da mulher e começou a andar, arrastando o corpo, os olhos fixos à frente.

Como uma menininha arrastando sua boneca de trapos.

Com uma trilha de sangue atrás.

E o Sol ainda brilhava sorridente no topo do mundo.

Notas finais
Prestaaa? ;-;'
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.