Dames de La Nuit
1 Capítulo 1 - Uma
Ela deixava uma trilha de sangue na calçada, manchas negras sob a luz da noite. Seus braços formigavam, e os cortes fundos que havia em seus braços ardiam como se a faca ainda estivesse rasgando sua pele.
Melliane encontraria um beco para se largar, e ali morrer. O doce suicídio se metamorfoseava. Quando se encara a morte finalmente, toda a poesia se esvai.
E era mais do que dor física que ela sentia. Sua alma se dilacerava de raiva, pelas coisas fora de seu controle que haviam trazido ela até lá. Seu rosto contorcido procurava um túmulo entre as vielas desertas.
Encontrou.
Onde estava o alívio do descanso final?
Não haveria. Apenas a morte fria, crua. Nada parecia tão glamuroso agora.
Melliane virou e entrou em um beco, onde ele a esperava.
Era uma visão inesperada. Melliane nunca sonharia em encontrar ele ali. De fato, nem mesmo o conhecia.
Ouviu passos, risos e vozes se sobrepondo, vindo da rua. Enquanto tentava focalizar a figura, ela se aproximou.
— Boa noite – disse ele, sua voz rouca e profunda.
Melliane encarou-o sem responder.
— Talvez não tão boa – pausa – Eu poderia ajudá-la. – ele se aproximava – gostaria?
Com a proximidade do homem, sua vertigem aumentava.
— Quem é você? – murmurou Melliane.
— Se você quiser, serei seu salvador.
— Meu salvador... Você é a Morte? – algo em sua voz estava irreal. Algo em sua mente tentava avisar que ela estava vendo coisas.
O canto da boca do homem se curvou em um sorriso afetado.
— Se quiser me chamar assim... apenas se quiser...
— Me leve – pediu Melliane, em uma súplica que soou insana até para si mesma
— Não vai lamentar? Não há nada para terminar, para começar? Alguém para amar?
— Não, ninguém me ama – respondeu secamente.
O homem circundou-a.
Às suas costas, sentia a respiração dele se aproximar. Mãos de tecido afastaram delicadamente seus cabelos de ébano. O toque delicado dos lábios entre seu pescoço e seu ombro derreteu-a, e o sangue gotejou.
Tremeu em dor e prazer.
Os lábios dele se separaram de sua pele.
Melliane virou-se, mas o homem estava já a um metro de distância, de costas, olhando para o céu.
Ela deu um passo e caiu sobre seu próprio sangue, seus braços feridos ainda sangravam em dor aguda, mais não importava.
Do chão, ela perguntou em um fio de voz:
— E você,... já amou ... ?
E desmaiou antes de poder ouvir a resposta.
Notas finais
Quem disser "crespusculo" morre. u.u
Mais mesmo xingando mandem review, por favor *-*
No próximo capítulo vem a história da outra menina...
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