Damage
2 School, and... Emily?
Notas iniciais
Mais tarde eu havia chegado em casa, e adivinha? Nada de Nick lá. Fui dormir tarde, por que tive de arrumar minhas coisas. Essa era a pior parte de me mudar, ter de arrumar tudo de novo, guardar as roupas, colar os posters na parede, guardar meus desenhos. Enfim, e estava um caco e ainda tinha escola nova no dia seguinte, o que seria uma bosta, afinal quem é que entra no meio do 1° Semestre de aula?
Eu acordei de manhã parecendo um zumbi, e o que eu podia fazer para disfarçar as orelhas? Passar lápis! Eu geralmente fico parecendo um panda, mas quem liga? Contornei os olhos com o lápis, peguei a primeira roupa que vi no guarda roupa e vesti. Peguei meus óculos e uma touca pra esconder meu cabeção.
( Quem quiser ver, http://www.polyvore.com/juliet/set?id=85635334 )
Desci para a cozinha e peguei uma maçã, 07h38min, é eu não estava atrasada por milagre. Em Nova York eu sempre me atrasava para a aula. Dei uma mordida na maçã e segui caminhando dali até o colégio, o tempo não estava frio. Estava fresco, agradável, provavelmente estavam beirando os 20° graus o que é considerado “ensolarado” em Nova York.
Cheguei à porta do colégio, ele era grande e velho, provavelmente foi construído no século XIX ou XX, não sei. Só sei que era velho. Primeira coisa a fazer ir à diretoria saber o número do meu armário e pegar meu horário, por que, né.
Caminhei pelo corredor que estava deserto, teria eu chegado atrasada? Não duvido. Logo vi a grande porta de algum tipo de imitação de madeira escura com uma plaquinha “Diretoria”. Bati na porta, três vezes como de costume, sou cismada com tudo. Tenho mania de contar as coisas. 235 dias para o meu aniversário, 152 para o do meu pai, 75 passos, 17 minutos de caminhada. Tudo o que eu puder contar, eu contarei, pode ter certeza, é um passatempo.
Um homem não muito alto e de cabelos grisalhos atendeu a porta. Ele me analisou por de trás das lentes meia-lua dos óculos que usava e falou:
- Você deve ser a Srta. Williams, entre, por favor. – E deu espaço para eu entrar. O lugar era simples, havia uma mesa com uma cadeira giratória atrás e duas poltronas na frente, estantes com livros cobriam as paredes e havia um garoto provavelmente da minha idade sentado num pufe preto no canto do local.
- Obrigada. – Respondi e me sentei na poltrona. Ele foi para trás da mesa, pegou um papel na gaveta e me entregou.
“Segunda: Matemática, Matemática, Física, Intervalo, Inglês, Inglês, História”.
Terça: Sociologia, Ciências, Inglês, Intervalo, Música, Inglês, Química.
Quarta: Educação Física, Educação Física, Química, Intervalo, História, Ciências, Horário Livre.
Quinta: Geografia, Geometria, Matemática, Intervalo, Espanhol, Francês, Francês.
Sexta: Geografia, Geografia, Inglês, Intervalo, Atividade Extra*, Atividade Extra*.
* O Colégio Estadual de San Diego oferece a todos os alunos uma atividade extra, deixando-os escolher uma de sua preferencia, entre elas: Balé, Artes Marciais, Coral, Clube de xadrez, Teatro e Robótica.”
Os horários eram bem específicos e eu gostei da ideia da atividade extra, com certeza eu não faria balé, poderia libertar meu lado nerd no clube de xadrez? Não. Artes marciais? Eu já faço escondida do meu pai. Coral? Nunca fui boa cantora, acabaria deixando alguém surdo. Robótica? É perigoso, eu posso criar uma arma, até que não é má ideia. Teatro? Bom, teatro... Teatro seria ótimo!
- E o meu armário, Senhor... — Li a plaquinha sobre a mesa, “Dominique” – Sr. Dominique?
- Ah, sim. – Ele se sentou na cadeira giratória e procurou nas gavetas. Tirou de lá uma pasta grande e começou a procurar. – Juliet Williams... Armário número 183. Anthony, já que está aqui mesmo, poderia acompanhar a Srta. Williams até o seu armário? – Ele falou para o garoto sentado e me entregou um pequeno pedaço de papel. “Armário 183, combinação: 07-24-56-95”, o garoto saiu da sombra e eu pude ver o seu rosto, ele tinha olhos grandes e castanhos, e um cabelo mal cortado também castanho que ele jogava para o lado em uma tentativa de afastá-lo dos olhos.
Ele abriu a porta e nós dois passamos, o bom do colégio era que não precisávamos usar uniforme. Eu sempre odiei uniforme.
- Juliet, certo? – Ele perguntou enquanto caminhávamos e eu afirmei com a cabeça, o que foi meio ridículo da minha parte. – Tony. – Falou, deveria ser apelido.
Nós passávamos em frente aos armários, 180, 181, 182... Parei de andar. 183, em frente ao meu armário havia um fantasma.
Era uma garota, com cabelos compridos que iam até a cintura ondulados e ruivos, seus olhos eram escuros e havia algumas sardas na região do nariz. Ela usava roupas chamativas. Short desfiado e vermelho, salto alto fino e uma bata soltinha branca que era escondida pelo colete jeans velho e cheio de tachas.
Tinha cara de ser a típica garota popular, a ignorei e abri o armário empurrando-a para o lado, ela me olhou com desprezo, fechou os punhos e apertou os lábios, demonstrando raiva. Ela grunhiu e disse:
- Então é por isso que estão me trocando? – E cruzou os braços sobre o peito. Tentei não bancar a louca e xingar ela de tudo o que é possível por quê Tony ainda estava ali e provavelmente acharia que eu era problemática. Então, eu apenas ignorei, joguei minhas coisas dentro do armário e o tranquei. Fui na direção de Tony e sussurrei um “vamos”, ele apenas assentiu e segurou em minha mão. – Vadia, já não basta roubar o armário tem que roubar o namorado também. – Isso pra mim foi a gota d’água, se tem uma coisa que eu não suporto é levar desaforo para casa. Virei para ela e arqueei as sobrancelhas.
- Tony se quiser ir sem mim, eu consigo me virar sozinha. – Falei para ele ainda observando ela. Que tinha um sorriso maroto estampado no rosto.
- Não, tudo bem. Eu espero, Emily gosta de caçar briga. – Respondeu, Emily? Ele também via a garota? Agora fiquei confusa. Sussurrei um “ótimo” pra ele e dei um gancho de direita no nariz da ruiva que com a força e o susto caiu de bunda no chão. Ela levou as mãos ao nariz e viu que estava sangrando, fantasmas se machucam, mas se curam rápido. O que é ótimo por que a gente bate neles que se curam, aí já podemos bater de novo.
Notas finais
Reviews me incentivam então já sabem. Obrigada a todas e, bom, é isso. Tchau!
Fale com o autor