Dama-da-noite

2 Capítulo 2 - Leila Marks


– Jenna, você está falando sério que a história desse maluco é real? – Paul falou bravo.

– Sim, eu trabalhei em outra cidade com um caso parecido, mas as mordidas foram no braço não no pescoço, e o mordomo tem a mordida no pescoço e está apavorado, não acredito que ele seja o culpado. – Falei.

– Tudo bem, mas quero que ele passe a noite aqui! – Paul ordenou.

– Com licença – Falou uma moça alta, loira, usando um terno, e óculos ao entrar na sala.

– Leila! Finalmente você chegou de viagem – Paul falou cumprimentando-a.

– Pelo visto você já me trocou por outra detetive – Leila falou olhando para mim.

– E quem seria você? – Perguntei desconfortável.

– Sou Leila Marks, a melhor detetive da cidade, claro, atrás de você – Ela respondeu rindo

– Eu recebi um chamado, tenho que ir, Jenna passe tudo para Leila desse caso, vocês trabalharão juntas – Paul falou saindo às pressas.

– Certo, estamos trabalhando com um caso de homicídio com damas-da-noite e famílias que não tem ligação alguma, eu anali...

– Eu já sei sobre o caso, fiquei a viagem para cá lendo sobre isso, e quero que você fique longe de mim, do meu caminho, e desse caso – Leila falou.

– Me desculpe, mas o que está acontecendo aqui? Eu não vou ficar longe desse caso, eu comecei e não vou perdê-lo novamente – Falei.

– Fique longe de mim – Leila gritou saindo da sala.

Eu não tinha ideia do que eu fiz para ela, mas não ia brigar com a minha mais nova colega de trabalho, olhei para frente e vi o mordomo Robert, sentado sozinho, olhei para o corredor e não havia ninguém, então sentei em frente a Robert:

– Oi – Falei.

– Não tenho mais nada a falar – Robert falou abaixando a cabeça.

– Escuta, eu sei como está se sentindo, mas precisa me ouvir, me conta tudo, detalhes que você viu, ou sentiu, qualquer coisa, o que eles fizeram com você?

– Por que eu deveria falar para você? Nem a conheço – Robert falou.

Ergui a manga esquerda da minha blusa, perto da veia havia uma mordida, como a de Robert, como a das outras vítimas:

– Quem fez isso com você? – Ele perguntou.

– Era um outro assassino, o nome dele era Cristopher, em outra cidade, ele ia me matar, se eu não tivesse conseguido fugir, ele ateou fogo na própria casa, achando que eu ainda estava lá, e se matou e acharam mais um corpo, de uma mulher, identificaram como a filha dele, Anne, e no porão acharam mais dois filhos, que estavam há dias sem comer, ou beber, que ainda estão soltos, acredito que vieram aqui pegar sua herança no banco local – Falei.

– Aqui? – Robert falou.

– O sobrenome deles era Blake, como Blake Ocean – Falei.

– E-eu, eu não vi um homem, lá no banheiro, era uma mulher, muito forte, aquilo não parecia humano, ela me arrastou para o corredor e falou para eu arrancar meus próprios dentes como meu dedo, e depois quebrou minha perna direita e falou para eu descer e ir para minha casa – Robert falou chorando.

– Você foi atendido por um médico né? E quanto a voz, você reconhece? — Perguntei.

– Sim, a polícia me acho e me deram assistência, a voz era falsa, ela sabia imitar outras vozes, eu não sei, ela usava uma máscara que abafava a voz, é tudo que eu sei, espero ajudar – Robert falou.

– Ajudou, obrigada – Falei saindo da sala.

Leila estava me esperando atrás da porta ouvindo a conversa, pegou meu braço e ergueu a manga, viu a cicatriz, jogou o braço e gritou:

– Você estava escondendo isso?

– Nunca mais faça isso, não te devo satisfação – Falei.

– Vou contar para o Paul – Ela gritou rindo.

Peguei meu celular e tentei falar com Beth, como ela não respondia resolvi voltar para casa. Eram 23:42 quando Paul me ligou pedindo para nos encontrar, Melissa Laurence estava morta.

Eu e Leila fomos a casa de Paul, que era pequena levando em conta o quanto ele ganhava:

– Leila me contou do caso de Riven Falls, olhei o caso, e Chistopher Blake teve três filhos, Anne que acreditamos que é o corpo que foi encontrado ao lado dele, Dylan Blake e Steve Blake, que estão na cidade, temos que acha-los e interroga-los – Paul falou.

– Eu não os culpou, Cristopher fazia cada coisa com eles, deixava cicatrizes, queimava, ele era louco – Falei.

Beth me ligou chorando, pedindo para que eu fosse até sua casa, quando cheguei lá a porta estava escancarada, havia móveis quebrados, e vidros para todo lado, Beth estava sentada no sofá, com as mãos no rosto chorando:

– O que aconteceu aqui? – Falei preocupada me sentando ao lado dela.

– Foi o Ryan, ele perdeu a cabeça de novo, eu não aguento mais Jenna – Ela falou.

– Ele te bateu de novo? – Perguntei.

– Como você sabe?

– No bar, você estava com um roxo no rosto, peça o divórcio! – Falei.

– Não da, não tenho dinheiro para ficar sozinha, ele pegaria tudo e até me ameaçaria – Ela falou.

– Eu vou dar um jeito, pega esse dinheiro e fique em um hotel até eu resolver – Falei dando um beijo em sua testa.

Estava saindo da casa de Beth, quando Leila me ligou:

– Achamos o Steve Blake, ele está morto, e faz algumas semanas, com damas-da-noite, como Melissa – Ela falou.