Dama De Preto
4 Desvendando o Caso.
Notas iniciais
Acordei com o celular tocando. Me surpreendi ao ver que eram 7 horas da manhã e Erika já estava me ligando. Havia mesmo gostado da história da Dama-De-Preto.
Atendi.
— Oi...
— Bom dia, Caça-Fantasma. Vamos tomar café da manhã juntos e ir a algum cartório procurando por Ryan Combs.
— Quanta animação. Te encontro as 8h.
— Okay. Eu passo ai. Até já.
Encerrei a ligação e enrolei um pouco mais na cama. Por fim, levantei as 7h30, tomei um banho e troquei de roupa. Cheguei à recepção 8h em ponto e lá estava Erika, com uma boina branca e um casaco de couro branco, debruçada no balcão, conversando animadamente com Mike. Me aproximei e logo ela me viu.
— Ah, ai está a Bela Adormecida.
— Estou no horário. Você que chegou adiantada.
— Bom, estamos indo, Mike. Até mais.
— Bom café pra vocês. E, Brett...
— Sim?
— Passe aqui umas 17h e eu posso te informar sobre o suposto hóspede.
— Obrigado, Mike.
Pedi um cappuccino e um pão de queijo e me demorei a tomar a bebida. Conversávamos sobre Jane e Erika me disse que encontrou algumas coisas na internet, mas queria ver num cartório, pois era mais exato.
— Encontrei 3 Ryans Combs. O mais provável é de ser o tataravô que foi pra guerra. Encontrei no site do exército, em uma lista de soldados que lutaram pelo país. — Ela se interrompeu para tomar um pouco de seu café com leite — Vamos ver, né.
Fomos em direção a um cartório, onde pedimos ajuda a um atendente e conseguimos acesso ao arquivo internacional depois de uma conversa. Encontramos um Ryan Combs que teria em média uns 127 anos. Outro havia nascido a 2 anos. Podia ser o filho perdido... na Suíça. E também havia um Ryan Combs que foi registrado na Indonésia.
Como seria possível ela estar procurando um desses Ryans? Que ligação ela poderia ter?
Perdemos a manhã inteira no cartório e na lanchonete. Saímos de lá para almoçar as 13h20 e logo depois fomos faze um tour. Fomos nos divertir um pouco também, então, fomos a um cinema.
Não, não foi um encontro.
Chegamos no hotel mais de 17h, mas Mike não estava na recepção. Esperamos por um tempo até que alguém chegou.
— Posso ajudar? — perguntou a mulher.
— Você sabe nos informar onde está Mike?
— Ah, sim. Ele saiu a um tempo. Foi para um café. Ele volta as 18h30.
— Obrigada. — Disse Erika. Então subimos para tentar encontrar Jane.
Batemos na porta de seu quarto e nada. Tentamos girar a maçaneta, mas a porta estava trancada. Erika suspirou e nós demos as costas, porém, a porta se abriu. Viramos animados para ver a loira melancólica, mas não havia ninguém na porta.
O quarto estava completamente arrumado, mas escuro. A janela fechada, a cama feita, uma penteadeira antiga em frente à cama. Entramos lentamente e acendemos a luz. Tudo estava empoeirado. Parecia que ninguém entrava lá a dias. Provavelmente, Jane não tinha ânimo para arrumar nada.
Mas... Onde estava Jane?
Andamos pelo quarto e só havia o silêncio. De repente, um flash invadiu o quarto. Olhamos para trás e nos assustamos ao ver ali, Mike, com uma câmera Polaroid na mão.
— Mike? O que foi? — Perguntei indo até ele enquanto ele sacudia a foto que acabara de sair.
— Tenho novidades. — Disse ele tremendo um pouco e arregalando os olhos quando viu a foto. Mas não nos deixou ver. — Podemos conversar no seu quarto, Brett?
— Claro...
Atormentado, abri a porta do quarto e todos entramos. Mike preferiu sentar-se no chão. Eu me juntei a ele, mas Jane sentou-se na cama.
— Bom, eu fucei os arquivos de alguns anos atrás e não achei nada. Mas quando fui conferir o arquivo que está no porão, em papéis, achei uma pasta com o nome "Combs". —
Ele fez uma pausa e olhou para trás. Olhou para nós e tirou de sua mochila uma pequena pasta antiga, com uma plaquinha com o sobrenome e me entregou. Jane se abaixou um pouco para que pudesse ver o conteúdo da pasta comigo.
— Ryan Combs se hospedou aqui por volta de 1910, quando foi para a guerra, pelo navio Olympic. Em abril de 1912, uma mulher chamada Jane Combs se hospedou aqui. Ali, no último quarto.
Erika arregalou os olhos. Eu não tirava os meus do papel que estava segurando. A foto que tinha, era Jane... Jane Combs... a loira...
— Por que você escolheu o nome Jane? — perguntei para Erika.
— Eu... Eu só falei a primeira coisa que veio na cabeça...
— Bom, não para por aí. Eu aproveitei minha folga pra pesquisar um pouco. Afinal, me interessei em saber o porquê de sempre ter um medo terrível daquela mulher. E porque só nesse andar falta força sempre. Pode ter alguma ligação com, tipo assim, um fantasma.
Olhamos chocados para Mike. Mas ele ainda não havia terminado.
— Bom, pelo que conta aqui, ela se enforcou naquele quarto no dia... — Ele se esticou tentando olhar o papel em minhas mãos.
— 15 de abril de 1912. — Completei a frase dele.
— Isso mesmo.
— É... aquilo que você tinha visto, Brett... a marca vermelha... — Erika começou.
Eu fiquei paralisado. Aquela marca no pescoço dela só podia ser da corda que a enforcou. Mas... meus pensamentos saíram alto.
— Mas por que ela se matou?
— Bom, ela era casada com Ryan e eu tomei a liberdade de procurar sobre ele. Tinha 27 anos. Ele foi pra guerra e... não, ele não morreu lá. Ele voltou para Nova York. Ou pelo menos, estava voltando.
— Como assim?
— Bom, digamos que ele teve uma carona muito famosa. — Ele abaixou a cabeça e ficou em silêncio.
Eu encarei Erika que também não estava entendendo. Então, Mike levantou um pouco a cabeça e nos olhou ainda com a cabeça pouco baixa.
— Já ouviram falar do Titanic?
Notas finais
UreshiiDangoKisu ;*
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