Dama Da Noite

41 Trabalhe, Summers!


Notas iniciais
Introduzindo aqui mais alguns personagens e como eu não vou aguentar ficar sem falar de pelo menos um, devo dizer que gosto muito da Sra. Blackwood, ela pra mim é uma daquelas chefes sacanas, chatas, mas muito sensatas. E só pra constar, eu não dei um nome á ela, só a chamo de Sra. Blackwood mesmo.

–Que lugar estranho. –Sebastian sussurra, logo depois de eu lhe mostrar onde trabalho. Afinal, prometi á Andy, então não pude deixar de passar ali.

–É isso que acha?

–Não sei, parece esquisito, meio medieval. Não consigo explicar. É uma construção antiga e bem imponente.

–Dizem que existem fantasmas ali. Espíritos de gente morta.

–Ah. –Sufocou muito mal uma risada.

–Qual é a graça?

–Você diz isso quase como se... Como se fosse capaz de ter espíritos de pessoas vivas. Afinal, se estão vivas, como vão...

–Depois de tudo pelo que passei, acho que pode muito bem ter essas coisas aí.- Cortei ele, rápido. –Nunca vi nenhum, mas impossível não é.

–Certo, certo. Acredito em você.

–É bom que acredite mesmo... –Resmunguei, zangada por ele rir de mim.

–Tudo bem. -Sebastian sorri, começando a me beijar. Em um segundo, nem me lembro mais de ter estado zangada.

“Avery” a voz de Andy soa com força e fúria na minha cabeça. Ela era mesmo muito insistente para encontrar uma brecha no meu Muro da Consciência. “Agora não, caia fora” mandei, envolvendo o pescoço dele.

–Summers! –Ouvi uma voz berrar.

–Não. –Gemi de desgosto. –Isso não, ela não. Não posso ter um momento de sossego?

–Senhora Blackwood. –Disse, tentando ao máximo soar descontraída, mas meu tom de voz dizia mais “O que diabos você está fazendo aqui? Caia fora”.

–Vejo que está aproveitando suas férias agarrando seu namorado delinquente bem em frente ao seu local de trabalho. –Ela observou discretamente.

–Ele não é um... –Fui explicar, pensando “E ela continua direta como sempre”.

–Sei, sei. –Cortou. –Não importa. Aproveitando que está aqui, ajude Jean, ele está com problemas.

–Mas Sra. Blackwood, estou de férias.

–E veio fazer o que bem aqui? Vá logo, antes que eu te deixe de “férias” perpétuas.

–Certo.

Fui, começando a atravessar o jardim da entrada, parando pouco depois dela sumir de vista.

–Pare de rir. –Resmunguei.

–Desculpe.

–Sebastian, escute. –O empurrei para um lugar que eu sabia que estaria vazio. –Preciso ser profissional aqui, ela não brincou quando falou sobre me despedir.

–Tudo bem.

Me dirigi para minha sala, segurando a mão dele para compensar aquilo. Eu tinha uma pequena esperança de poder sair sem encontrar Jean e conseguir enganar minha chefe, mas parece que não tenho sorte. Quando abri a porta, o encontrei sentado na minha cadeira, parecendo tenso. Ele se levantou imediatamente após ouvir o barulho da porta e sorriu ao me ver.

–Ave!

–Oi, Jean.

Ele nos analisou com cuidado, erguendo uma sobrancelha indagadora para o fato de eu estar segurando a mão de Sebastian. Olhei para ele suplicando em silêncio para que não perguntasse nada por enquanto.

–Payne está me dando dor de cabeça. Preciso que me ajude. –Fala, entendendo minha súplica.

–Vamos vê-lo então. –E sussurro para Sebastian, que estava bem sério ao meu lado: -Quer vir conosco ou prefere ficar esperando aqui? Pode ficar se quiser.

Em resposta, ele apenas apertou mais minha mão.

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Claro que Jean conseguiu, não faço ideia de como, fazer com que Sebastian saísse, para começar a disparar perguntas. Eu não tinha ficado fora por muito tempo, mas não havia avisado e ele ficara preocupado. Começou com um rápido:

–Quem é ele?

E me vi quase forçada a responder tudo. Ele me contou o que tinha acontecido depois que desapareci por um tempo, falou principalmente de Joey. Pensei que fosse dizer algo do tipo “Você o troca por esse cara?!” mas na verdade ele só estava preocupado comigo. Queria saber se eu estava bem e feliz agora, essas coisas.

–Tudo está legal. –Resumi ao fim, me esticando para bagunçar os cabelos castanhos dele.

–Mas não estava. Não faça mais isso, Ave, não desapareça assim nunca mais. –Ele pediu, me abraçando com força. –Não quero ficar sozinho outra vez.

–Tudo bem. –Respondo. Em circunstâncias normais eu teria dito “Pare com isso, Lucy vai me matar” mas Jean estava mal, eu realmente tinha o deixado muito preocupado. Me achei uma idiota egoísta naquele momento.

Sentimentos á parte, todo o resto não estava correndo muito bem. Isso porque naquela exata hora Sebastian finalmente descobriu para qual sala eu havia sido arrastada. Ele abriu a porta com estrondo e nos encarou por um tempo até virar as costas e sair. Me desvencilhei de Jean e esperei.

–Pode ir. –O garoto murmura, com um sorriso leve. Dei graças por ele entender a situação.

Devia estar procurando a saída, mas ele não conhece o lugar. Agarrei-o pelo pulso, o forçando a parar, e então sorri.

–Você... -Ele começou.

–É meu irmão. –Interrompo, explicando. –Jean é meu irmão.

–Seu... irmão? Nunca me disse que tinha um.

–Porque ele não é meu irmão de sangue, só de consideração. Eu meio que o adotei.

–Pode fazer isso de acordo com a lei?

–Não sei. –Eu ri. –Como disse, é de consideração. Mas não vá se zangando antes de saber o que é, está bem?

–Desculpe.

–Está perdoado. –Já ia o beijando quando vi a Sra. Blackwood aparecendo no fim do corredor, então mudei de tática, ficando séria. –Não saia andando por aí, certo? Pode atrapalhar os outros. –Fingi ralhar com Sebastian até ela desaparecer, então lhe dei um beijo rápido e disse: -Venha, aposto que Jean ainda precisa de ajuda.

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Me achei um completo idiota por sentir um ciúme tão súbito de Avery ao vê-la abraçada por seu irmão. Eu não sabia de nada da vida dela e mesmo assim agi de maneira precipitada.

Depois daquilo decidi ficar quieto e não causar mais problemas, mas tive de segui-la por todos os quartos, responder ás perguntas dos pacientes e no meio disso tudo, tentei não atrapalhar.

Avery ouviu todos com paciência, como se nada fosse mais importante do que estar ali naquele momento e com aquelas pessoas, sorria sempre e ria mesmo das piadas ruins. Quando ela trabalhava, ficava diferente, não como a garota que conheci ou aquela que eu via em casa, ela era outra pessoa.

–Então, você é o conquistador que roubou o coração dessa donzela? –Me perguntou o velho maluco chamado Payne, que achava estar na Idade Média.

–Veja bem, eu não acho que roubei...

–Roubou sim, senhor. Roubou-me o coração com um único beijo, só isso bastou. –Avery admitiu, fazendo com que o calor subisse ao meu rosto. Ela se referia ao momento em que a beijei no reino de Will, para supostamente provar que ela era minha.

–Parece que se arrepende, pois está corado como uma donzela. –O cara disse, e isso me ofendeu um tanto. –Senhorita, não acho que este seja digno de tê-la, seu irmão deve tomar providências quanto á isso.

–Jean não aprova a violência.

–Então permita que eu o teste em um duelo.

–Temo que não. Talvez em dias vindouros. Mas agora tenho outros afazeres a cumprir.

–Desta vez teve sorte, rapaz. –O velho me olhou com desconfiança, beijando a mão de Avery. Tudo bem, ele me incomoda, esse Payne. –Volte para visitar-me, senhorita.

Franzi a testa para aquilo e flexionei os dedos, nervoso, até ela me tomar pela mão e sairmos.

–Não se zangue com ele.

–Mas ele não gosta de mim. –“Ele gosta de você, mais um motivo para desgostar de mim” pensei.

–Não mesmo. –Concordou.

–E acha que não sou bom o bastante para você.

–Isso é verdade. –Consentiu, séria.

–Que devo... Espera. Como assim é verdade que não sou bom para você?

–Foi brincadeira, continue.

–Hum... –Ela estava séria demais para ficar fazendo brincadeiras. –Então, o que devo fazer?

–Fácil, ganhar um duelo e conquistar o respeito dele.

–Não posso fazer isso, ele nunca nem deve ter pego em uma espada.

–Payne era um ótimo esgrimista.

–Ótimo. Mas eu perdi para você. Afinal você me mat...

–Sebastian! –Exclamou, apertando minha mão com força.

–O que?! –Pergunto, alarmado.

–Não pode dizer isso. Se ele tiver ouvido...

–Tudo bem, eu duelo com ele. –Cedi.

–Perfeito. Mas antes disso tem de vencer outro. –Ela disse, abrindo mais uma porta branca, não tão sem graça quanto as outras, e incrivelmente vi algo familiar naquela porta, significando que já havíamos passado por ali. –Bem, vamos ás apresentações.