Dama Da Noite

34 Sopro de Escuridão


Notas iniciais
Ah, que dia tenso, estou morta. Mas depois de pensar no quanto o próximo capítulo vai ser legal, isso é o suficiente para me deixar mais animada. Laris, guria, já disse que te amo? e.e Chega de ficar falando abobrinha nas notas, vamos ao capítulo.

–Suma daqui, já cansei de você ouvindo meus assuntos.

–Vou voltar, Mitchell.

–Ah mas não vai mesmo. –Ele dá um sorriso diabólico demais para alguém que deveria ser um tipo de anjo. –Eu mesmo vou fazer uma barreira contra você e suas sombras.

Sou jogado no chão. Ele próprio me expulsando de seu reino. Talvez eu não devesse ter abusado do meu pequeno truquezinho, sobre ficar imaterial e tal.

Mitchell me arrastou pela cidade inteira e todos ficaram olhando. Teria sido muito humilhante, se eu estivesse dando alguma importância para aquilo. Mas simplesmente preferi deixa-lo com o desconforto de me arrastar.

Depois de levantar, tento de imediato voltar. Os “assuntos” dele eram relatórios frequentes, mas nenhum da Guardiã que ambos queríamos. Mesmo assim, eram algo; pistas ruins, mas melhor que nada. A barreira me repele.

–Foi bem rápido não é?

–Digamos que aprimorei minhas habilidades.

–Esqueço que você também tem seus truques.

–Tente se lembrar antes de vir me espionar de novo.

–Pode deixar, irmão.

“Hora de voltar para casa.”

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–Já estou melhor.

–Não está nada, seu braço ainda...

–Meu braço nem dói mais.

–É mentira.

–Não é não.

–Sei que é.

–Ah é? E como?

Minha Guardiã abre um sorriso zombeteiro para mim.

–Fácil. Avery, você fala enquanto dorme. Nesse caso, você geme de dor.

“Droga, agora ela me pegou. E sabe disso.” Fiquei zangada, mas insisti:

–Consigo abrir o portal.

–Pode tentar, não me importo. Vá em frente.

Voltar para meu mundo fora uma má ideia. Eu planejava me recuperar dos acontecimentos e do braço quebrado mas logo no começo passei a achar que estava perdendo um tempo que podia ser valioso. E definitivamente mais bem gasto.

“Passado é passado, não posso voltar atrás agora. Vou fazê-la ficar de boca aberta quando abrir a droga do portal.” Se tinha algo que me irritava mais era Andy ficar duvidando de mim, mas isso não me ajudou nem um pouco a abrir o portal, só me desconcentrou mais.

Depois de muitas tentativas frustradas e mais tempo perdido, eu mesma já achava que era melhor desistir e para antes de chegar á exaustão até que... Eu consegui.

–Ótimo. Te vejo lá, Andy.

Ela deu de ombros e desapareceu. Fui rápido para que o portal não se fechasse e tentei pensar no lugar para o qual eu queria ir. Pelo amor de Deus, longe de mim acabar no reino de Will de novo.

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–Aaaahh! Cuidado aí!

Caí com tudo em cima de dois Guardiões, mas estranhamente tive de sufocar uma risada. Essa fora minha aterrisagem mais esquisita. Parece que os portais gostam de jogar as pessoas, levando conta de como eles surgiam no alto.

Pedi desculpas enquanto me olhavam de lado. Não é todo dia que se tem alguém caindo na sua cabeça, ainda mais uma humana logo nesse lugar. Me dirigi sem nem hesitar para o castelo de Mitchell. “Não era bem aqui que eu queria vir, mas...” Ele me devia algumas explicações, tipo o porquê de eu precisar do Sopro Divino para alguma coisa. De acordo com Dante, tal coisa não faria nenhuma diferença para mim.

–Oi Avery. Chegou rápido. –Ela me abre as portas.

–Andy... Onde está Mitchell?

–No lugar de sempre.

Isso queria dizer o gabinete. Corri para lá o mais rápido que consegui, mas no meio disso notei o quanto meu braço ainda doía. Tudo por causa do maldito esforço para abrir o portal.

–Mitchell! –Abri a porta com força, fazendo ela bater em algo.

–Aaai. Minha mão.

Ao que parecia, ele ia sair.

–Desculpe. Só vim dizer que estou de volta.

–Não precisava. Andy tinha me avisado.

Não sei como, já que ela só teve uns poucos segundos de vantagem. Ele parecia meio irritado, mas penso que deve ser apenas porque bati a porta na mão dele.

–Vá descansar. Quando for lhe explicar tudo, peço para Andy chamar você.

Eu passara dias descansando, mas depois daquela pequena e breve maratona decidi que, já que eu já estava ali, podia esperar mais um pouco.

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De longe vejo a barreira tremeluzir e voltar ao normal, com uma cor mais escura que antes. Aquilo só podia significar que ela estava reagindo a alguma coisa. Ou melhor dizendo, a alguém. E eu soube de imediato quem.

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Um tempo depois, Mitchell apareceu no quarto que eu tomara para mim, trazendo minha espada branca que continha o Sopro Divino.

–Vá direto ao ponto. –Digo. Seria muito tedioso aguentar as palestras dele.

–Lembra-se de eu lhe dizer que você ganha uma vida? Digamos, que ao ver dos humanos, eu não estou propriamente vivo. Então, o Sopro serviria para me dar essa vida.

–Para mim você está bem vivo.

–Bem, eu existo e tenho consciência disso. Mas não é como se eu tivesse um coração para bombear sangue ou precisasse comer para continuar existindo.

–Seja mais claro, não estou entendendo nada direito, Mitchell.

–Quero que você esteja ciente de tudo. –Ele explicou. “Ferrou, aí vem discurso.”

E passou um bom bocado de tempo me explicando cada detalhe, por mais desimportante que fosse. Coisas que, quando perguntei para Andy, ela me resumiu em poucas e simples palavras. “E eu tinha dito á ele pare ser direto...”

–Resumindo, o que tenho de fazer? –Resolvi finalmente cortar ele. Estava ficando insuportável e me dando sono.

–Apenas uma coisa. –Hesitou, nervoso.

Mesmo depois de ter passado horas me dizendo um monte de coisas, as quais eu mal ouvi, e afirmando diversas vezes que era por meu futuro e tal, ele agora hesitava em me contar o que deve ser a única parte que realmente importa.

Estava tão temeroso que tive de chegar perto para ouvi-lo sussurrar as palavras. Preferi não ter ouvido. Preferi que ele não tivesse dito nada no fim.

–Isso... pode não dar certo.

–É seu futuro, tem de dar.

–Mas e se não der? –Insisti.

Mitchell assumiu um ar muito solene e se dirigiu á porta, indicando o fim eminente do assunto. Então se virou para mim e disse:

–Mate-me. –E saiu.

E ele falava sério.

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Apesar de eu me debater internamente sobre o que devia fazer, o tempo seguiu tranquilo e sem nenhuma pressa. Nenhuma visita inesperada apareceu, de modo que não precisei fugir e pude esperar meu braço se recuperar completamente.

Sabia que a falta de “visitas inesperadas”, também entendidas como Sebastian Drake, se deviam a uma pequena barreira que Mitchell colocara em volta do reino, e eu sabia também que eu devia treinar para melhorar o braço da espada, que ficou muito tempo inativo, então...

–Pratique comigo.

–Traga Jay, ele servirá melhor.

–Mas por quê?

–Andy. –Justifico, começando a ficar zangada. –Você nunca nem pegou em uma espada, como vai saber manejar uma?

–Do mesmo modo que você soube anos atrás.

Porque eu contei isso para ela mesmo? Tenho que parar de falar sobre o passado. “Minha estúpida e teimosa Guardiã, nem eu mesma sei como consegui fazer aquelas coisas.”

–Você não é igual a mim. Além disso, tenho mais experiência.

–Jay tem mais que você.

Ele não lutou com Dante e ficou vivo para contar a história, ficou? Se bem que ele me deixou ficar viva, mas... Já estou bem zangada. Não seria bom eu ficar me gabando de coisas que eu não queria que ninguém soubesse ou precisasse saber.

–Tudo bem. Avise Mitchell que fui buscar Jay caso ele venha me procurar. –Dou de ombros, saindo.

–Não, não, não! Fique aqui, eu vou. –Ela cedeu.

E... Vitória automática para euzinha. Foi quase uma chantagem explícita mas... e daí? Eu sabia que não devia sair do reino porque isso envolvia sérias chances de encontrar pessoas erradas por aí, e isso incluí o Will.

Jay era o melhor para me ajudar nos treinos e Andy foi bem rápida e não precisei esperar muito. Logo ele chegou, bem feliz por alguém querer lutar com ele. O tempo corria no meu mundo e eu tinha de me preparar para fazer o que deveria. Apesar de minha própria pressa, treinei até Jay perder toda aquela felicidade.

–Chega. Está mais que pronta.

Agradeci, tentando não debochar dele. Minha experiência adquirida com Dante e Drake fora o suficiente para ganhar dele e destruir seu orgulho.

–Lutar com Will é bem mais divertido... –Ele saiu resmungando para voltar ao seu reino. Com certeza, nunca mais ia me chamar para uma luta.

E quase centésimos de segundo depois, Mitchell aparece como em um passe de mágica, trazendo a espada com o Sopro.

–Vai ir agora? –Perguntou, como se já não estivesse claramente me dispensando ao trazer minha espada.

–Quanto mais rápido melhor, não é?

–Acho que sim.

–Então vou. –Dou de ombros, apanhando a espada.

–Avery. –Me chamou. –Não vai mesmo dar um nome á sua espada? Ela é branca, podia chama-la Alvorada.

Não entendo o sentido de fazer isso, com ou sem nome, a espada será a mesma. Então porque ele insistia tanto?

–Depois do que farei, podia ser mais é Sopro de Escuridão. –Ri com um certo humor sombrio. –Pare de me importar com isso, Mitchell.

–Tudo bem. Boa sorte.

Me despedi dele e de Andy, prometendo voltar logo, e com companhia. Mas parti com um pensamento tão sombrio quanto meu humor: “Você é quem precisa de sorte, Mitchell. Porque se não tiver, vai morrer.”

Lancei um longo e sério olhar para minha Guardiã, um olhar carregado de significado, antes de entrar no portal. Seria melhor que tudo desse certo mesmo.

Notas finais
Huehuehue, muitas coisas vão acontecer semana que vem. Então, pessoas, acham que o Sopro serve para que? E o que Avery terá de fazer com ele?