Dama Da Noite

46 Semana Sangrenta e Problemática


Notas iniciais
Acabei o capítulo de hoje e tambem o de Ensine-me a Amar, o que quer dizer que estou de boa. Só que não, porque tem que escrever mais. Então é ao som de Submarines que os deixo com o capítulos de hoje. E que as tretas comecem!

“Semana sangrenta” era a linda manchete do jornal de domingo e “Cinco mortes violentas ocorreram de segunda á sexta” era o subtítulo. Não havia fotos, acharam melhor não divulgar o estado das vítimas ou dos locais em que foram encontradas. Pulei para o artigo principal, ignorando quaisquer outras notícias, e comecei a ler tudo avidamente.

–Um estrangulamento, um falso suicídio, um cara empurrado do alto de um prédio e outro morto á tiros. Tudo isso e nenhuma pista sequer de quem possa estar fazendo isso. –Comento.

–Também não há nenhuma testemunha.

–Maldita polícia, vai deixar as pessoas serem mortas?

–Pensei que você se importasse só com o psicológico dos assassinos.

–Me importo com isso também. Aliás, eu não acho que sejam os assassinos. Isso é obra de uma pessoa, apenas uma, que com toda certeza deve ter lá seus transtornos mentais.

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Tempos depois de tudo começar, as investigações concluíram o que eu já sabia: aquilo estava sendo feito por uma única pessoa. Não sabia por que, pois nenhum assassinado tinha ligação com o outro, e também nada acontecia nos fins de semana. Manhã, tarde ou noite, andar sozinho não era mais tão seguro.

Eu e Sebastian entramos em uma rotina monótona quebrada apenas por fins de semana calmos, divertidos e sem assassinatos. Nesses dias, ele ficava até mais bem disposto.

Acordava, o café da manhã estava pronto, me despedia e ele podia voltar a dormir. Então eu passava o restante do dia me preocupando com os pacientes, o assassino em série e o atrapalhado Jean, para depois chegar em casa e receber de Sebastian todas as notícias do dia.

Por intermédio de Jean, todos os meus amigos aceitaram rapidamente o Sebastian. Todos, exceto Joey, ele era outra preocupação. Apesar de nossas ligações insistentes e frequentes, não atendia quase nunca ou se recusava a sair conosco. Eu não o vi de novo desde que terminamos, tirando o desconfortável encontro na rua.

–Normal. Não fique pensando nisso. –A pequena ruivinha Lucy tenta me consolar uma noite.

–Certo, Ave. Joey não deve ter superado ainda. Vocês ficaram juntos por muito tempo, não é? –Completa Rachel.

Acenei que sim com a cabeça. “Tempo demais. Eu devia... talvez, sei lá, ter tentado outros caras. Coisas diferentes ao invés do bom e familiar Joey.”

–Tudo bem, que tal fazermos algo diferenciado esta noite?

–Você quer dizer... “aquilo”? –Lucy pergunta, mal contendo um sorriso.

–Exatamente. E faremos tudo como deve ser feito. Venham.

Voltamos para a mesa onde nos esperavam, falando sobre esportes. Eu logo descobri que Sebastian gostava muito disso e era alguma coisa em comum com os outros dois.

–Vocês vão dormir no apartamento da Rachel hoje. –E ela estendeu a chave, mostrando-a. –Nós vamos para o meu. É melhor não me acordarem antes das 9 no domingo, fica o aviso.

–Espera, Avery! –Sebastian me segura enquanto íamos embora. Deixo Rachel e Lucy irem na frente. –Não quero dormir sem você. –Ele sussurrou.

–Não se preocupe, vou estar por perto. Só não diga a eles que moramos juntos.

–Por quê?

–Isso daria muita confusão.

–Mas o pessoal do prédio...

–Felizmente só acham que você me visita com muita frequência. –Sorri, me despedindo dele. Era bom que chegássemos antes para que eu e Rachel escondêssemos pelo menos uma parte das nossas respectivas bagunças. –Tudo vai correr bem.

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As garotas sabiam o que “aquilo” significava: iríamos tratar dos nossos problemas, especificamente do meu hoje. Depois da programação normal daquelas ocasiões, nos sentamos de modo a uma conseguir ver a outra.

–Que comece o flashback! –Anunciou Lucy. Isso era o que a gente geralmente usava para falar de como as coisas aconteceram antes de discutir a questão em si, fazíamos uma retrospectiva dos fatos.

Contei tudo, desde o início, uma história antiga que eu não precisava ou queria, mas mesmo assim me lembrava perfeitamente.

Joey e eu somos amigos de infância. Ele cuidava de mim, encobria minhas idiotices e jurava ter uma conversinha com qualquer um que me chateasse. Eu ia buscar seu apoio sempre que algo dava errado. “Tudo bem” dizia para mim “Esse cara é um babaca. Vou arrebentar a cara dele por fazer isso com você” então ele sorria com meu obrigada e me voltava com machucados novos.

–E você nunca desconfiou de nada? Tipo o motivo dele fazer todas aquelas coisas por você? Nunca pensou que ele pudesse ter algo por trás desses atos?

–Meu melhor amigo. Meu amigo de infância. Quase meu irmão. Como é que...

–Lucy entende. Continue, Avery.

As duas riram quando contei que fiquei envergonhada com a confissão dele e saí correndo, o deixando com cara de idiota á sombra de uma árvore.

–Querem saber o resto ou não? –Digo, irritada.

–Por favor, prossiga. O que você respondeu?

–Disse que não?

–Não?! –Se espantaram. –Por quê?

–Acham que isso é só uma historinha idiota de romance?! É minha vida, droga. Dispensei ele.

–Você realmente não tem o mínimo tato para essas coisas. Fico pensando como conseguiu o...

–Okay, deixe-a continuar de novo, certo? –Rachel fala, tentando manter a situação sob controle. –Que aconteceu então?

–Joey tentou muitas outras vezes. Ele insistiu e, bem, depois de um tempo acabei cedendo. Isso foi no fim do Ensino Médio, o resto vocês sabem. –Termino de contar aquilo finalmente, com um suspiro. –Agora me façam parar de pensar no passado ou não vou conseguir fazer nada direito.

–Essa é a parte boa. Resolveremos isso. –Rachel sorri.

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Acordei. Eu sabia que aquela ideia era péssima. Os caras disseram que elas deviam estar planejando algo. Isso pouco me importava. Dormir sabendo que Avery estava tão perto e eu não podia estar com ela foi uma espécie de tortura.

E que droga foi aquela que me ofereceram para beber? Tinha um gosto horrível, amargo. A televisão engana as pessoas com toda a divulgação espalhafatosa e chamativa. Supus que as garotas não gostariam de encontrar os dois bêbados ou seja lá qual for o estado deles agora, mas passei por cima de ambos, fui para o corredor e bati na porta á esquerda.

–Falei para não me acordarem a essa hora, que droga, seus... –Avery abre, resmungando. –Ah, desculpe, Sebastian.

–Tudo bem. –Disse, aliviado por ter sido ela quem abriu a porta.

–Que veio aqui? Pensei que vocês tivessem ficado acordados até bem tarde.

–Não conseguir dormir direito.

–Onde estão Jean e Dan?

–Na sala. E parecem bêbados.

Uma Avery sonolenta de repente empalideceu e levou a mão á boca, talvez de surpresa ou para encobrir um bocejo. Talvez ambas as opções.

–Acorde-os. Se Rachel souber, vai matar aqueles dois.

–Certo.

Eu estava voltando quando senti algo me puxando pela camisa. Ela estende os braços.

–Pode me levar para a cama? Não sei se consigo achar o caminho de volta para ela sozinha.

Sorri, com uma expressão um tanto interrogativa. Ela podia até estar com sono, mas não áquele ponto. Ela simplesmente quer que eu faça isso. Carreguei-a para o quarto e encontro as outras duas dormindo. Todas as três na mesma cama? Essa cama é tão grande assim? É resistente também, ao que parece. Avery se aconchegou no canto, ao lado da ruivinha.

–Boa noite, Sebastian.

–Ahn... mas já é de manhã.

–Tanto faz. –Teimou.

Fechei a porta e fui acordar os dois. Ela agiu como uma criança. Eu abro um sorriso para o vazio do corredor. Talvez eu possa fazer o café da manhã ou o almoço, acho que iriam gostar disso.

Notas finais
Para os que gostam de jogar jogos de lógica, eu orientaria jogarem Braid. Sinceramente, estou muito feliz baixando esse jogo agora e.e