Dama Da Noite
13 Mitchell
Notas iniciais
Um cara simplesmente divino desceu as escadas, passando por eles com um sorriso estonteante.
–Olá Drake. Pode entrar, vou voltar daqui a pouco. Mas por favor, não fique distraindo meu povo. –Ele disse e apontou para ela. — Volte ao trabalho, sim? Seu humano pode precisar de você.
Ele continuou descendo as escadas e Avery ficou o observando, pasma.
–Espera um pouco. –Parou, começando a voltar. –Nunca a vi por aqui. –Passou a mão pelos cabelos loiros e finos, tirando-os dos olhos.
–Ela é humana.
–Acho melhor entrarmos. –Ele disse, sério.
Impossível passar por Mitchell e não perceber que ele era o dono do lugar. Mais impossível ainda passar por ele e não olhar nenhuma vez sequer.
Os três foram andando pelo palácio e ela notava cada detalhe. Mitchell a analisava com seus olhos azuis e escuros, caminhando com uma confiança que parecia inabalável. Ao mesmo tempo, conseguia ser tão amistoso e simpático quanto Nick.
Chegaram num pequeno gabinete e ele se sentou atrás da mesa, convidando-a a se sentar também. Sebastian ficou parado atrás de sua cadeira, tenso.
–Poderia nos dar licença? –Pediu.
–Eu...Claro.
–Obrigado. E não fique escutando pela porta, sim? Vá caminhar um pouco e volte daqui um tempo.
Depois que Sebastian saiu, Mitchell a analisou outra vez.
–Ele te disse toda a verdade?
–Acho que sim. –Avery respondeu, insegura.
–Achar é diferente de ter certeza. Mas de qualquer modo, vou lhe explicar algumas coisas, se não se importar em perder um tempo precioso da sua vida.
–Não...pode continuar. –Ela poderia jurar que no fim da frase ele quase dissera “sua vida curta”.
–Ótimo. Sabe como nós cinco nascemos?
Pelo jeito, ele gostava de falar sobre esses assuntos. Ela esperava que Sebastian não demorasse tanto tempo assim para voltar.
–-----------------------------------------------------------------------------
–...E Drake é o nome do último Cônsul que restou. Estão todos lá, nossos ancestrais e esse tal de Drake, que deve ser pai ou avô de algum de nós. Quando todos tivermos nossos herdeiros, vamos lutar com o último Cônsul até sobrar apenas um. Então o herdeiro mais novo vai ficar com o nome do que restou no fim...
Mitchell falava e falava sem parar. Entusiasmado, ele dizia tudo, dava suas ideias e vez ou outra se lembrava de não a deixar dormir e perguntava sua opinião.
Avery já sabia quem fizera aquela mesa, quando fizeram a cadeira em que ela estava sentada e que todos os livros da estante de Mitchell eram de antepassados e suas teorias sobre aqueles mundos.
–...e vamos lutar para nos tornarmos Cônsules no fim de tudo, por isso não podemos ir...-Ela bocejava sem parar, os olhos piscavam e apoiou o cotovelo na mesa. –Humana, acorde, acorde. Está bem, vou mudar de assunto, mas fique acordada.
–Aham. –Respondeu, sonolenta.
–Ouça, meu povo são o que vocês chamam de “anjos da guarda”, mas não somos anjos de verdade. No verdadeiro sentido da palavra, somos Guardiões. Com cada humano nasce um, que vai o proteger ao máximo e tentar guia-lo para um bom caminho. Você tem uma Guardiã, sabia?
Isso sim fez com que ela ficasse muito mais acordada.
–Sempre soube que era você. No momento em que veio para cá, ela parou de te proteger. Quer conhece-la? –Perguntou, agora sorrindo.
–Quero.
–--------------------------------------------------------------------------------
Ele bateu em uma porta no fim do corredor.
–Quem é? –Ouviram uma voz feminina abafada vinda de dentro do cômodo.
–Sou eu.
–Ah, Mitchell. Pode entrar.
–Trouxe uma visita. –Disse, abrindo a porta do quarto.
Avery caminhou hesitante para se sentar ao lado da garota na cama. Ela parecia ter estado em depressão e recentemente havia chorado, estava muito mal. Mas ainda assim, incrivelmente bonita, e agora ela sorria.
–Eu sou...
–Sei bem quem é você, Avery. Sou Andy, sua Guardiã.
Com certeza havia coisa mais inteligente para se dizer a alguém que a protegera sua vida toda sem que ela soubesse do que um “Ah, é um prazer.” Mas foi isso que saiu.
–Nunca imaginei que nos conheceríamos. –Andy disse. –Talvez na sua morte ou em um sonho, mas não agora, nem pessoalmente.
Foi a vez dela dar um sorriso quase involuntário.
–Vou deixar vocês conversarem. – Mitchell disse, saindo.
As duas se pareciam. Elas iam se dar bem.
–-----------------------------------------------------------------------
Mais tarde ele bate na porta e as encontra rindo e relembrando velhos acontecimentos. Ele sorri e diz:
–Drake voltou.
Avery se levanta sem pressa.
–Vamos poder nos ver?
–Bem, agora que se conhecem pessoalmente...não vejo porque não.
Elas se entreolham e sorriem, então se despediram como boas amigas.
–Até mais, Avery. –Sua Guardiã acena.
–Até Andy. –Responde, fechando a porta.
Mitchell estava ansioso e caminhava a passos rápidos pelo corredor.
–Vamos, ainda há coisas que precisamos fazer.
Ela vê Sebastian sentado, cheio de tédio, tenso e apreensivo, em sua postura típica, os esperando. Assim que os vê, ele se levanta e diz:
–Então, ela já pode ir?
–Ainda não, espere só mais um pouco. Por favor, entre, humana.
De volta ao pequeno gabinete. Ela só esperava que ele não fosse falar sobre o passado de novo. Sentou-se.
–O que falta fazer?
–Ver seu futuro.
=============================================
Com certeza aquela era a última parte. Ele esperava que fosse, já havia demorado muito. E Mitchell estava agitado. Não sabia o que ela mostrara ou falara de importante para mandá-lo sair. Sebastian sabia que era melhor não confrontá-lo. Obedeceu.
Era a parte mais decisiva e importante. Se a humana não passasse por Mitchell, tudo teria sido em vão. Ele insistia em testar seu dom, como o Guardião profeta. Se o futuro dela fosse bom, ele a deixaria ir, se não fosse, ou a morte ou o plano de fuga número um de Sebastian.
Finalmente saíram do maldito gabinete.
Fale com o autor