Dama Da Noite
52 Extra: Versão Maid
Estupefato, a encarei sem saber o que fazer. Nos últimos dois meses, eu só conseguia pensar uma coisa coerente, que fazia sentido, e era ela. Queria ver seu rosto, ouvir sua voz, sentir seu cheiro, o gosto de sua boca, a sensação de tê-la.
Fiquei esperando. Ela disse que viria me ver, eu quis acreditar que sim, mesmo que os dias se passassem e ela não aparecesse, eu acreditei que ela viria. Podia ter ficado com raiva, mas não consegui, o máximo que pude foi ficar triste.
Quando finalmente a vejo, depois de quase ter matado seu amigo em um estúpido acesso de raiva, o tom com que ela diz meu nome me faz sentir a pior coisa do mundo, como se eu fosse menos que nada, então fujo como um garoto idiota, desconcertado. Depois do meu nome, a segunda coisa que ouço dela é...é...aquilo.
Ela tremia, talvez por causa da chuva fria, e cerrava as mãos com força, a água pingando de suas roupas. Avery ocultava sua expressão de mim, encarando o chão, e subitamente me lembrei e quando ela me matou. Ela se erguia sobre mim e eu era sua sombra. Outra vez me perguntei se ela estaria chorando.
Ela me abraça, encostando a cabeça em meu peito, e me segura forte. Aquela coisa, o coração, pulsava com tamanha intensidade que eu quis arrancá-lo e jogá-lo fora. Aquilo doía.
–Porque...você não foi? –Consegui perguntar, a voz rouca pela falta de uso. –Porque não foi me vez?
Em resposta, ela apenas balançou a cabeça. Eu não sabia o que aquilo queria dizer, talvez ela não soubesse também, não insisti. Tive um longo tempo para pensar. Quando nos conhecemos, suspeitei do que eu sentia. Depois a vi passar pelo portal, certo de que nunca mais a veria, mesmo assim fiquei esperando que ela voltasse.
Avery estava gelada e tremendo. Eu queria a levar para casa, dizer que estava tudo bem, confortá-la, mas alguma coisa me impediu de fazer isso e me manteve preso a ela, incapaz de soltá-la.
–Desculpe. Eu tive medo de...de estar fazendo tudo errado. Não sei se você queria isso, eu não pensei, eu só...fiz o que eu quis, sem me preocupar com você. Fui muito egoísta.
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A chuva engrossava, Avery ainda soluçava em meus braços, balbuciando desculpas quase inaudíveis. Se ela quisesse poderia passar dias se desculpando, eu só queria segurá-la e ouvir sua voz depois de tanto tempo. Tinha me esquecido de como seu corpo pequeno e frágil era incrivelmente quente, apesar da chuva gelada que caía, e de como sua voz era doce. Queria que isso nunca acabasse. Queria que pudéssemos ficar assim, abraçados, até que todos os problemas se resolvessem e fôssemos felizes para sempre, como nos livros.
—Sebastian. – Ela me olhou em meio as lágrimas, ficando na ponta dos pés para alcançar meu rosto. – Me perdoe. Por favor. Eu... eu não consigo... – Ela chorou mais intensamente, apertando os olhos. Antes que ela pensasse em prosseguir segurei seu rosto entre minhas mãos e a beijei.
Senti ela amolecer em meus braços, seu coração bater como as asas de um passarinho. Fazia tanto tempo que eu não a beijava que era quase como se fosse a primeira vez.
—Não me deixe mais. – Sussurrei para ela, tirando uma mecha de cabelo de seu rosto. – Eu enlouqueceria, literalmente, se fizesse isso. Então, por favor, não me largue mais naquele quarto horroroso.
—Não vou mais te deixar lá, principalmente depois da bagunça que fez. – Ela me lançou um olhar reprovador, mas ao mesmo tempo brincalhão. – E também, não consigo deixá-lo longe de mim, é como se eu arrancasse meu coração fora e tentasse viver normalmente sem ele. É impossível.
Abracei-a mais forte ainda, querendo que todos os meus sentimentos fossem transmitidos através daquele abraço.
—Ah, Meu Deus. O que estão fazendo aí? – O garoto do trabalho, o tal irmão da Avery, apareceu na entrada do beco, totalmente encharcado e com a expressão preocupada. – Vocês estão aqui debaixo dessa chuva a quanto tempo? Maninha, você está horrível.
Avery lançou um olhar cruel para ele, claramente irritada por ter interrompido nosso momento. Me afastei dela, limitando-me a apenas segurar sua mão.
—Jean, o que está fazendo aqui?
—Liguei no seu celular inúmeras vezes, até que um tal de Gabe atendeu. Ele me disse que você tinha saído correndo atrás do seu namorado nessa chuva terrível.
—Minha bolsa, deixei no hospital. Droga.
—Como você faz uma coisa dessas? Maninha, isso foi muito idiota.
—Não me importo. Quero mesmo pegar outra gripe e passar um bom tempo longe da sra. Blackwood.
O garoto, Jean, torceu a cara e Avery lhe deu um tapinha no ombro, o encorajando.
—Não fique assim. Sabe que eu nunca te abandonaria, não é?
Confesso que senti um pouco de ciúmes nessa hora. Estava me controlando para não pegar ela nos braços e sair correndo dali, para um lugar onde nunca nos achassem e pudéssemos ficar juntos para sempre.
—E esse seu... namorado? Ele não parece ter gostado muito e...
—Não preciso dizer isso a ele. Sebastian simplesmente sabe que eu nunca o deixaria. – Ela me lançou um sorriso e eu apertei sua mão com mais força.
—E aquela história de dei... – Jean parou no meio da frase, com uma Avery furiosa olhando para ele. – Ah, tanto faz. Quero sair daqui. Como vocês ficaram tanto tempo debaixo dessa chuva gelada?
—Vamos para casa. Sebastian pode fazer chocolate quente para nós. – Ela me abriu um sorriso luminoso, impossível de resistir.
Caminhamos em meio à chuva até o apartamento, a alguns quarteirões dali, com Jean atrás de nós. Eu pouco me importava com ele. Agora eu sabia que Avery nunca ia me abandonar. Esses últimos meses foram tão dolorosos para ela quanto para mim, e eu não deixaria nada nos atrapalhar agora.
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—Avery! Avery! Me escuta! – Andy gritava em minha mente, me causando uma dor de cabeça horrorosa.
—O que foi?
—Onde você está? Você... Ah não. Vou aí acabar com isso agora.
—Andy! Eu estou bem, juro. Jean está conosco. Estamos indo para casa, nos encontre lá.
Ela pareceu fazer um som de repulsa, mas concordou.
—Ah, Andy. Pegue minha bolsa no hospital, ok? Esqueci lá.
— Ah não Avery. Sou sua guardiã e é meu dever...
—Seu dever é pegar minha bolsa. Nos vemos em casa.
Andy gritava em minha cabeça, e eu simplesmente a ignorava. Eu consigo agüentar as broncas dela quando chegar em casa. O que importava era que Sebastian estava comigo, apenas. Demoraria mais algum tempo até o guardião dele chegar também, mas eu conseguia controlar a situação, dessa vez juntos. Talvez Andy se apaixonasse por ele e finalmente me deixaria em paz. A única coisa importante no momento era minha mão segurando a de Sebastian, mais nada.
—Avery! Me responda!
—Eu amo Sebastian Drake.
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