Dama Da Noite

7 A primeira luta


Ela sentia o sangue pulsando, seu coração batia rápido. Talvez só tivesse mais alguns segundos de vida. Olhos amarelos, presas afiadas. “Calma, Avery.” Cada vez mais perto deles.

Se sentiu sacolejar, um barulho muito alto de choque. Ela olhou e viu uma grande barreira negra, o focinho do animal parecia sangrar, ele atacou de novo.

Desta vez, não tiveram tanta sorte. O animal bateu novamente contra a barreira, mas sua pata grande e pesada passou, cortando Sebastian no ombro.

O muro negro por um instante desapareceu. E do ombro de Sebastian começava a escorrer um líquido escuro.

Ele a olhou, quase com raiva, direto nos olhos.

-O que você está fazendo?! Só o estou retardando, mate-o.

-Não... não...

-Você tem a espada, mate-o rápido. Não vou aguentar para sempre e não podemos ficar parados aqui ou mais virão.

A cara dele era de quem não queria discussão. Ela apertou o punho da espada e ficou ao lado dele. Animal insistente estava vindo em uma terceira investida.

Ela olhou direto para ele e se posicionou.

-Agora! –Sebastian gritou.

A barreira desapareceu, Avery virou a espada com toda força e esperou pelo impacto.

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Foi um belo golpe. Ela não sabia o que estava fazendo, mas foi bem feito. Agora, aquele bicho estúpido jazia na névoa, com um corte imenso na cara e voltando ao normal.

-Era um humano. –Ela disse.

Na verdade, não era. Um humano não pode se transformar em uma besta ou qualquer outro animal. Era só mais um dos fantoches de seu irmão.

Mas ela parecia instável e infeliz. Então Sebastian resolveu que era melhor não dar essa informação, por enquanto.

-Vamos. –Ele disse, pegando a mochila.

Ela guardou a espada e seguiram caminho.

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Cada vez mais Avery se surpreendia com esse mundo, se é que ele o poderia chamar assim.

Primeiro, o garoto-sombra Sebastian, e agora um lobo-mal mutante. Qual seria a próxima? Fadinhas azuis vivendo em uma floresta encantada em que todos falam rimando? Essa era uma ideia muito maluca.

Aliás, havia uma ideia fixa na cabeça dela, não dava para ignorar ou deixar de lado, ela tinha de perguntar agora:

-O que é “Drake”?

-Ah, meu... Vocês chamam isso de sobrenome. Aqui é uma herança minha.

Ela afirmou com um movimento de cabeça e esperou um tempo para a próxima pergunta.

-Você conhecia aquele... humano?

Ele pareceu surpreso com a pergunta.

-O que? Não, não. Os outros me conhecem por Drake.

Avery agora raciocinava de acordo com as respostas extraídas dele. Se o sobrenome era uma herança, estava mais que óbvio que ele o herdara de alguém. Ele falara nos “outros” e também estava claro de que não se tratava de suas sombras. Talvez o “outros” correspondesse ao alguém da herança.

O tempo ali parecia uma eternidade. A paisagem nunca mudava. Andar em silêncio era uma tortura, parecia estender ainda mais o tempo. Ela arriscou uma pergunta que talvez rendesse uma conversa e uma distração:

-Você já leu sobre mitologia?

“Uma pergunta muito estúpida, Avery”, ela se repreendeu. “Da próxima vez, pergunte algo normal, está bem?!”.

-Gosto das mitologias de vocês, humanos. Procuram explicar tudo, porque não podem simplesmente aceitar?

-Não há sentido em apenas aceitar tudo como é.

Ao invés de falarem sobre mitologia, debateram fervorosamente sobre a ciência, que Sebastian achava ao mesmo tempo interessante e inútil. Uma parte dela queria morrer.

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Ah, Sebastian agradeceria por uma viagem tranquila. Ele não teve isso, mas teve muita diversão.

Sabia que já procuravam por eles. A fronteira estava próxima e os prováveis inimigos sentiram a aproximação deles. A situação da humana mudara de novo, de morte certa para prato principal do cardápio.

Todos os carnívoros matariam por um pouco dela. Ela teria de se defender ou seria devorada viva.

E os mais apressados já estavam vindo, talvez com a esperança de não ter de dividi-la com nenhum outro ou pensando que teriam uma vitória fácil.

Enganavam-se.

A Srta. Van Peur agora andava com a mão na espada, olhos e ouvidos atentos. E ela o surpreendia cada vez mais.

Vieram uma águia, que ela matou no ar, um urso pardo e cinco felinos diferentes. Quando ela os fatiava, todos tinham uma expressão surpresa, e Sebastian ria de satisfação por dentro, como se ele próprio tivesse ensinado tudo a ela.

Agora, a humana parecia entender de que os “humanos” só queriam um pedaço dela. E ela não estava gostando disso.