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1 Meu nome é Elliot.


Notas iniciais
olá. essa é minha primeira história. não sei muito o que falar, mas sempre gostei de escrever, então eu decidi compartilhar. não que alguém vá ler isso.

Meu nome é Elliot Rossi. Tenho 17 anos. Isso é tudo que as pessoas sabem sobre mim, acho que nunca fui de ter muitos amigos. Sempre estive melhor sozinho.

O mais próximo que tive de um amigo foi Timothy, que saiu da cidade com a mãe quando eu tinha 13 anos. Acho que o pai dele a tinha traído. Depois do incidente, o mais próximo que tive de um amigo é o meu professor de filosofia, Gregory.

Nasci e cresci em Ravenhill, uma pequena cidade no meio do nada, com minha mãe Cassie, que é confeiteira na padaria local e minha irmã mais nova, Bianca. Nunca conheci meu pai, e não tenho interesse em procura-lo.

Estou no último ano da escola, e se você me perguntar o que eu quero fazer depois disso, não terá sua resposta. Eu não espero muito da vida, acho que trabalhar no Porto do Peixe ou na padaria Cantinho Doce, aqui mesmo na cidade, é um futuro garantido e cômodo.

— Elliot? — era Blake Cleaver, a presidente do grêmio estudantil, que está falando com todo mundo da escola sobre sua reeleição. Ela estava agora, me dando um discurso sobre porque ela é a melhor opção para o Ivan Marakov High School. — E então?

Dei um sorriso forçado.

— Pode contar com o meu voto, Blake.

— Muito obrigada, você está contribuindo para a evolução da escola! — Ela saiu andando, provavelmente procurando a próxima vítima para dar o mesmo discurso.

Ouvi uma buzina, era minha mãe. Está com o avental da padaria, parece muito cansada, mas mesmo assim sorri para mim. Eu entrei no carro e joguei minha mochila no banco de trás.

— Oi, mãe — digo beijando sua testa.

— Bom dia, filho. Como foi o dia na escola?

— Blake vai se candidatar para o grêmio novamente.

Minha mãe conhece os pais de Blake, eles são donos da padaria onde ela trabalha. E também do Porto do Peixe, da rede de farmácias da cidade... São ricaços.

— Ela é uma boa menina, tem a liderança no sangue — minha mãe gostava de ver o lado bom em todas as pessoas, mesmo que Blake fosse uma pessoa individualista e arrogante.

— É, tanto faz...

O carro virou na esquina de casa. Lar, doce lar. Moramos em uma casa razoavelmente grande, confortável para nós dois e Bianca. Meu quarto é o melhor lugar da casa, onde eu posso me refugiar de toda a confusão dessa cidade. É onde tenho todos os meus materiais de desenho, a única coisa que me deixa feliz e relaxado. Se eu pudesse me trancar no quarto, desenhar e ignorar completamente as expectativas para o futuro, eu o faria.

Saímos do carro e entramos em casa. Bianca está assistindo TV e o cheiro de comida toma conta do ambiente. Minha mãe vai direto para a cozinha desligar o forno, tirando o bolo de carne, posicionando-o na mesa. Eu me direciono à cozinha para ajudar a colocar os pratos, talheres e copos na mesa.

— A diretora Arendt me ligou hoje — começou minha mãe — ela nos convocou para uma reunião amanha de tarde.

Merda. Eu odeio a diretora Arendt e o jeito como ela tenta ajudar os alunos que não tem a mínima vontade de serem ajudados. Eu tinha certeza do que ela ia falar: comunicação e envolvimento nas atividades escolares. As quais eu não tenho nenhuma vontade de participar. Nenhuma. Vontade. Mas ela não entende isso. Minhas notas são impecáveis, mas isso não importa. Não quero me destacar, não quero mudar o mundo. Só quero ficar aqui, desenhando e cumprindo o necessário.

— Mãe, você sabe que eu não tenho interesse em fazer parte de nenhum clube, grupo ou time da escola.

— Não sabemos o que ela quer, não tire conclusões precipitadas.

— Hoje vamos fazer esculturas de argila na aula de artes — Bianca falou mudando o assunto — estou pensando em fazer um casal de cabras copulando, aposto que a professora Cotton vai adorar.

— Bianca... — minha mãe advertiu ela — não gostaria de ser chamada na escola duas vezes na mesma semana. Por favor, comporte-se.

Eu ri e mandei uma piscadinha para Bianca. Ela é a criança mais foda que eu conheço, a única, na verdade. Ela sofreu demais com a ausência do pai, então sempre procurei ser a presença masculina dela. Não que ela precisasse, ela aprendeu a ser forte e independente, e eu a admiro muito por isso.

Quando eu terminei, subi para o meu quarto. Me sinto em paz agora, como se nada, nem a diretora Arendt pudesse me importunar. Coloco o disco para tocar e e deito na cama fechando os olhos. Só sentindo o momento. A música. O vento. A vida.

— Elliot? Elliot? — era a voz da minha mãe.

Acho que peguei no sono. Olhei pro relógio, eram oito horas. Fiquei um pouco arrependido por não ter produzido nada a tarde toda, provavelmente vou ter que ficar a noite toda terminando a lição de casa.

— Mãe?

— Elliot, não me diga que você dormiu a tarde toda...

Ela deve ter chegado agora da padaria, então decidi não decepciona-la.

— Claro que não, decidi dormir um pouco depois de ter terminado tudo.

— Certo, certo — ela sorriu e eu a abracei, descemos as escadas juntos para conversarmos.

Enquanto descia a escada, eu observava minha mãe. Ela estava cansada mesmo, deve ser exaustivo ter que cozinhar o dia inteiro e lidar com as pessoas dessa cidade horrível sempre com um sorriso no rosto. Eu a admiro muito, e também o jeito como ela criou Bianca e eu sozinha. Eu fico mal em pensar nas expectativas que ela tem para mim, e saber que eu nunca vou conseguir faze-la orgulhosa. Isso me deixa realmente mal.

— Mãe — Ela olha para mim com os olhos cansados — Eu te amo.

Ela sorri.

— Eu te amo muito, meu filho.

Notas finais
acho que é isso, obrigada por chegar até aqui :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.