Daily Melaine
1 Capítulo 1
Notas iniciais
P.O.V. Melaine
09/08/2015
Lá vamos nós de novo. Não é como se eu estivesse desesperada para arrumar um novo emprego... Mas estava. Meu emprego atual não tinha nada a ver comigo. Uma menina de 19 anos, cursando botânica para perseguir seu sonho: abrir e gerenciar uma floricultura. E como eu estava correndo atrás desse sonho? Isso mesmo! Trabalhando em uma boate como bartender.
Dito isso, vamos para o momento presente: estava eu, em frente à universidade, procurando estágios, mesmo que o salário fosse uma porcaria. Me dirigi a sala da coordenadora do curso para ver se achava alguma coisa e já estava desistindo, não tinha encontrado um trabalho bom (que realmente valesse a pena colocar no currículo), quando eu me deparo com um folheto dobrado entre todos aqueles anúncios de estágio.
Simplesmente me apaixonei, era uma floricultura que eu já conhecia, e amava passar por lá. Logo falei com a coordenadora e ela ajudou no contato com a dona, após uma hora passada e vários e-mails trocados, marcamos uma entrevista para o dia seguinte, às nove horas da manhã. Então me despedi da moça e caminhei até o ponto de ônibus mais próximo. Minhas bochechas se contraíam, tentando sorrir, e eu estava me segurando para não o fazer no meio da universidade. Finalmente estava fazendo alguma coisa a mais para me tornar a profissional que desejo ser, e pensar nisso me deixava imensamente feliz.
Chegando em casa, tratei de arrumar o meu currículo,histórico escolar e todas as possíveis papeladas que a dona poderia me pedir. Feito isso, fui tomar banho para acalmar os nervos e a alma. Espero, escrevendo em meu diário tudo o que se passava em minha cabeça, até que ele aperta a campainha.
Pronto. Minha tormenta começa agora. Pronta para o trabalho, desci e me encontrei com Dimitri (não odiaria a boate se não fosse por ele). Essa criatura faz questão de estragar tudo com qualquer pessoa que eu me interesso, eu não aguento mais as gracinhas e a perseguição diárias.
— E aí gatinha? Roupa bonita- disse ele com aquele insuportável tom sarcástico, ele sabia o quanto eu odiava essa roupa.
— Oi Lúcifer, tudo bom? -falei entrando no carro, já aproveitei para socar seu braço.
— Você sabe que quanto mais agressiva você fica, mais interessado em você eu me torno. Vamos logo, você precisa fazer alguns drinks.
Entenderam o que eu quis dizer? Ele simplesmente me irrita, desde o primeiro dia naquela boate. Mesmo com todas as provocações durante o caminho, eu consegui me segurar e acabei não estrangulando ele. Chegamos e eu saí correndo daquele carro, entrei no clube, troquei o turno com a menina dali e comecei a atender os pedidos. Não é como se eu odiasse as pessoas daqui, ou o lugar em si (na verdade, apenas Dimitri que enchia a minha paciência), mas eu sentia que estava perdendo tempo nesse emprego, simplesmente não era pra mim.
Se vocês pensam que ser bartender não cansa, vocês não poderiam estar mais errados. Imagine ficar seis horas preparando coquetéis e escutando musicas no último volume, não é algo fácil, pelo menos não para mim. Quando deu três horas da madrugada, minha colega trocou comigo de turno e eu finalmente pude ir embora daquele lugar. Fui até Dimitri que já estava me esperando com um sorriso maquiavélico no rosto.
— Ah, doce Mel, você nem se dá conta do quanto eu amo que você não tenha um carro. — ele falou, apoiando seu braço em meus ombros.
— Ah, doce Lúcifer, você nem se dá conta do quanto eu odeio essa situação — tirei seu braço dos meus ombros, ele tem um braço pesado.
— Você pode até não gostar de mim...
— Eu te odeio
— ... Mas você, depois de todo turno, vem até mim e pede pelos meus serviços, apesar de não ser os que envolvam um pouco mais de contato físico.
— De uma coisa você pode ter certeza...
— Você não resiste ao meu charme? — sim, ele me interrompeu, odeio quando ele faz isso.
— Eu nunca vou pedir pra você os "serviços que envolvem mais contato físico" seu pervertido. — ele riu em um tom de deboche e me respondeu:
— Nunca diga nunca para mim, mi corazón.
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