Dad's Boyfriend

22 Pedidos de Desculpas


Notas iniciais
Oi gente! Queria começar dizendo a vocês, que estava me sentindo bem nostálgico com a fanfic e saí relendo e editando vários capítulos (logo falo sobre) e vendo comentários bem antigos. Me surpreendi porque encontrei um punhado deles que deixei pra responder depois e nunca tinha respondido até então. Se você foi um dos leitores surpreendidos por uma resposta minha dois anos depois, minhas desculpas! hahaha Mas espero que tenha gostado. Inclusive, saí marcando alguns comentários que gostei bastante, como "melhor do capítulo", coisa que tinha pouco costume de fazer. Então sim, algumas pessoas também tiveram comentários bem antigos marcados como melhores em capítulos do começo da história. Sobre os capítulos editados, eu não fiz nenhuma alteração drástica. Em grande maioria, consertei erros de escrita, porque como já deixei claro algumas vezes, odeio revisar. Também substituí hifens por travessão em alguns capítulos porque (não me julguem) eu não sabia fazer travessão no word ainda, na época que comecei. Ainda não atualizei todos capítulos dessa forma, mas pretendo. A única coisa que mudei na história, foi a profissão do suposto pai de Emily, o "Sr. Chang", que coloquei como bombeiro. Mas independente de ter lido antes ou depois de eu atualizar essa informação, saiba que não interfere em absolutamente nada nessa história. Obrigado a todos leitores que se mantém firmes e fortes e boa leitura desse novo capítulo, ainda não revisado!

(Henry)

Meus avós se abaixaram pra abraçar Neal devidamente, o que me fez lembrar de quando minhas duas mães deixaram suas inimizades de lado e me abraçaram juntas pela primeira vez. Mas Neal seguiu em frente para abraçar Emma na altura das pernas e depois Christopher. Só então notou os pais abaixados e voltou pulando na direção deles.

Eles abraçaram Neal e também se abraçaram. Não consegui deixar de olhar curiosamente para Chris, pra ver sua reação. Ele parecia um pouco sem graça, mas sorria de leve, compreensivo.

— Nem mais um passo! — Vovó gritou assim que se soltou dos dois, rapidamente manejando seu arco e flecha, apontando na direção de Spencer, que estava caminhando na direção deles.

— Tudo bem, abaixe isso. — ele pediu, parando naquele mesmo lugar. — Eu não machuquei o Neal. Eu tinha o levado, mas me arrependi e o trouxe em segurança pra cá. Quero conversar com vocês dois, pais dele, a sós. No momento a única coisa que deviam se preocupar é com a linha da cidade, da mesma forma que eu entrei naturalmente aqui com a quebra dessa maldição ou seja lá o que for, outros podem entrar também.

Minha vó tinha um semblante sério e não disse nada, apenas puxou mais a corda de seu arco.

— Mamãe, não atira no vovô Spencer! Ele é legal! — o pequeno Neal correu para a frente de sua mãe e puxou a camiseta dela várias vezes, chamando-lhe a atenção. — Ele é bonzinho! Por favor mamãe! Abaixa isso!

Neal correu em direção ao carro novamente, ansioso pra fazer algo.

— Neal, espera! — sua mãe finalmente abaixou o arco.

O menino voltou no segundo seguinte com uma coroa do Burguer King e alguns bonecos abraçados contra o peito.

— Olha o que o vovô me deu! — Spencer sorriu com olhos brilhantes quando Neal trouxe seus presentes, exibindo-se. — Vovô disse que eu sou o rei do reino dos hambúrgueres agora! — o menino apontou para a coroa em sua cabeça, derrubando dois de seus bonecos no chão. Todos assistiam sem reação. Neal abaixou para recolhê-los. — Esse aqui é o papai! — Neal ergueu um boneco do Super Homem, colocando-o com cuidado de pé no chão logo em seguida. — Esse dinossauro sou eu, raaaaugh! — ele colocou no chão um outro boneco, dessa vez daquele dinossauro de Toy Story. — E esse é o Chris. — por fim colocou seu último boneco no chão, ao lado dos outros dois, um Capitão América com o rosto do Chris Evans. — Também tem você, mamãe! Mas tá lá no carro, tem você e a tia Emma, o vovô não queria comprar boneca pra mim no começo, mas eu disse que a Barbie da loja parecia a Emma e quis comprar uma boneca da Branca de Neve pra ser você porque o papai sempre te chama de Snow!

— Você não pode aceitar esses brinquedos, filho. — seus pais disseram quase simultaneamente e se entreolharam.

— Está tudo bem. — o homem calvo disse, se aproximando devagar. Minha vó assustou-se no começo, mas o deixou se aproximar. — Ainda que não me queiram perto do Neal nunca mais na vida dele, os brinquedos já são dele. Eu dei pra ele e não os quero de volta. Eu voltei porque estou arrependido do que fiz. Eu não consegui lidar com a culpa de tê-lo tirado da família dele e percebi que eu não estaria feliz com ele dessa forma. Tudo que eu mais quero é uma família e eu não conseguiria ter isso tirando a dele.

Eu continuava em silêncio, observando a situação. Minha mãe Emma, segurou minha mão. Notei que o vovô estava com os olhos vermelhos e brilhantes, tal como Spencer.

— Você quer saber o que eu sinto por você? De verdade? — ele disse aproximando-se do velho, enquanto lágrimas finalmente corriam de seu rosto.

— Eu posso imaginar. — admitiu Spencer olhando para baixo. — Ódio. Nojo. Desprezo.

— Pena. — ele corrigiu, a poucos centímetros de distância. — Eu quero odiar você, mas tudo que posso sentir é pena. E é o pior sentimento que eu poderia ter por você.

Sua ex-esposa agora se aproximava dele e com cuidado, depositou sua mão nas costas dele. — David. Você acha que devemos confiar nele? O que você disser, eu estou com você. — ela olhava em sua direção e não demorou muito para que ele a olhasse nos olhos.

Neal bufou entediado com aquela conversa de adulto e correu para mostrar seus bonecos para Christopher, que estava bem desconfortável com a situação até agora.

David concordou com a cabeça e virou-se para o “pai”. — Eu vou te dar uma chance de fazer parte da vida do Neal. Você vai pisar na bola, vai errar de novo. E eu vou te perdoar de novo, mas você vai errar incansavelmente. Foi assim com a Regina e vai ser assim com você, talvez até pior. Mas eu vou continuar te dando mais e mais chances porque é isso que minha família faz, nós vemos o melhor nas pessoas.

O homem caiu de joelhos, em prantos, cobrindo o rosto com as mãos. — Obrigado... Obrigado! — ele levou alguns segundos para controlar sua respiração. — Você não vai se arrepender de ter me dado essa chance, filho. Eu vou dar o meu melhor e te deixar orgulhoso. Eu prometo.

David revirou os olhos ao ser chamado de “filho”. — Levante. — estendeu sua mão a ele, que não hesitou em segurá-la e se levantar. — Obrigado por ter se arrependido e trazido o Neal. Eu admiro isso.

— Bom, eu já vou indo. Me procurem se precisar de qualquer coisa. — minha mãe Regina deu de ombros e saiu andando em direção ao seu carro encostado ali perto. — Henry, você vem comigo? — ela questionou virando-se pra trás uma última vez.

— Vou com a Emma. Obrigado. — respondi e sorri pra ela que me mandou um beijo e fez um tchauzinho séria logo em seguida. Minha mãe Emma me abraçou pelas costas e me puxou pra perto dela.

— Vamos embora também, Ruby! — Granny disse afobada, puxando a neta para sair dali, como se tivessem fazendo algo muito feio como invadir a privacidade de alguém.

— Ai vó, vamos de carona com a Regina então, não vou andar tudo isso não! — a jovem queixou-se e seu olhar chocou-se com o meu, quando ambos começamos a rir.

Minha mãe Regina as esperava na porta de seu carro e também ria. — Vamos Ruby, Granny. Sem problemas, eu levo vocês.

Hook caminhou até meu vô e pousou sua mão nova no ombro dele. — Ei, parceiro. Você nos deu um baita susto!

— Oh, então você de fato tem falas! — zombou Regina de seu carro enquanto Ruby e sua vó se acomodavam no banco de trás.

— Cala a boca, Regina! Dá pra parar de implicar com o Killian? — minha outra mãe disse em protesto.

“Isso é tão gay”, pude ouvir Ruby sussurrar em tom bastante audível ao entrar no carro. “Ruby!”, Granny respondeu dando-lhe tapinhas.

— Obrigado, Hook. Mão bacana, aliás.

Christopher caminhou até eles com Neal no colo. — Ei David. Acho melhor eu ir embora também.

— Não Chris, fica. Por favor. — meu vô respirou nervoso, lembrando-se com um susto de que Chris ainda estava ali e lamentando-se internamente por tê-lo feito esperar. Anna também estava ali e tinha ficado ao lado de Chris o tempo todo, mas agora o esperava sozinha e quieta.

— Ei, parceiro! – Hook levantou sua mão para cumprimentá-lo. — É um prazer conhecê-lo. Sou Killian, namorado da filha dele. Espero que sejamos amigos!

— Prazer é meu, Killian. — Christopher respondeu cumprimentando-o.

Me aproximei de Anna porque me pus no lugar dela e me senti muito mal. Ela devia estar muito, muito arrependida de estar ali.

— Oi Anna, sou o Henry, lembra-se de mim? — a abordei com meu sorriso mais simpático. Senti que Emma me observava orgulhosa.

— Henry! Sim, eu lembro! Não que eu me lembrasse do seu nome, desculpa, na verdade eu tinha esquecido, mas eu lembro sim de você! — ela foi tão docemente sincera que não me incomodei, só sorri pra ela.

— Posso lhe oferecer uma carona? Digo, no carro da minha mãe. Ela pode te deixar em casa. — eu abaixei meu tom para continuar. — Eu acho que você pode conversar com o Chris uma outra hora...

— Sim! Não. Sim. Claro. Eu entendo perfeitamente. — ela se atropelou, bastante confusa.

— Ei, Anna. — meu vô veio em sua direção, deixando Chris conversando com Hook.

Ele tinha se resolvido com Spencer que agora tirava as malas de Neal e seus pertences com a ajuda de minha vó e Emma, levando-as para o fusca amarelo da minha mãe.

— David... — ela estava bastante tímida. — Oi.

Ele a abraçou muito forte, surpreendendo a ela e a mim. — Me desculpa. Me desculpa. Eu posso lhe garantir que tudo foi cem por cento inintencional. Eu nunca tive a intenção de tirar você e o Kristoff um do outro. Eu não planejava me apaixonar, nem que ele se apaixonasse por mim. Me perdoa, Anna.

Ambos estavam chorando, ainda abraçados. Confesso que a essa altura, até eu tinha um cisco no meu olho.

— Está tudo bem, David. — ela disse quando finalmente se soltaram. — Eu sei disso. Você jamais faria qualquer coisa com a intenção de ferir qualquer um de nós. Vou tentar ficar feliz por vocês daqui pra frente, se ele decidir ficar aqui com você. É o que me resta a fazer.

Ela disse com dor e pro meu vô foi um choque de realidade. Acho que ele não tinha pensado hora nenhuma no fato de que Anna e Elsa estariam loucas em busca de um meio para voltar pra casa agora e que haviam grandes chances de Kristoff ir junto.

Este se aproximava agora, enquanto Hook dava tapinhas nas costas de Spencer, que se despedia para entrar em seu carro e voltar para sua casa de Storybrooke.

— Ei Juliet. – ele a abraçou sem jeito brevemente — Me desculpa também. Pelo jeito que tenho te tratado e por toda nossa distância. Tem muito acontecendo agora, mas... eu acho que... Eu acho que segui em frente.

— Eu notei, Kris. — ela aproximou, depositando-lhe um beijo no rosto. — Não tem problema. Se cuida, tá? Espero que possamos ser amigos.

Anna me acompanhou e fomos em direção ao fusca, agora que minha mãe já nos esperava à porta.

Minha vó estava sentada no banco do passageiro e Hook estava atrás. Vovó se levantou e puxou seu banco para que pudéssemos entrar e Anna foi primeiro, se sentando ao meio. O carro de Spencer passou e parou vagarosamente perto de nós.

— Henry. — ele me chamou quando eu estava prestes a entrar no carro.

— Sim?

— Aquela garota, Ruby. — ele ainda estava enxugando os olhos, emocionado pelo perdão dos meus avós. — Pode dizer a ela que sinto muito? Por aquela vez, o que fiz para incriminá-la. Eu me lembro agora. Ela foi embora antes que eu pudesse conversar também com ela.

Pensei por alguns segundos antes de lhe responder. — Posso. Mas seria melhor se você mesmo fizesse isso. Você vai vê-la de novo. — lancei-lhe um sorriso e entrei no carro, satisfeito com minha resposta. Percebi minha mãe também sorrir quando entrou no carro e ligou o motor. Neal que me esperava entrar, pulou correndo para dentro do carro e foi para o colo de Hook que imediatamente começou a brincar com o menino.

(Chris)

Não demorou muito para que eu e David ficássemos sozinhos ali. Ele tinha despedido da família e dito que iria pra casa a pé dali alguns minutos.

— Enfim sós. — ele brincou. Seus olhos estavam bastante vermelhos de tanto chorar.

David caminhou até mim e limpei seus olhos, pousando minhas mãos em seu rosto em seguida.

— Estou orgulhoso de você pelo que fez hoje. Parabéns. Foi muito bonito perdoar o Spencer e lhe dar uma chance mesmo após tirar o Neal de você. Não sei se no seu lugar teria feito o mesmo. Mas você fez o certo.

Meu namorado parecia ter passado por uma montanha russa de emoções. E eu também, mas eu estava mais calmo agora que tudo tinha acabado. — Chris. — ele tirou minhas mãos de seu rosto, segurando-as gentilmente. — Eu preciso te contar algo. Sobre esse lance de tirar a memória de vocês, foi tudo culpa minha. Eu menti pra você antes. Você não tem nada a ver com a primeira maldição da Evil Queen. Vocês de Arendelle vieram pra cá depois, pra nos ajudar e ficaram presos aqui. Eu sugeri tirar as memórias de vocês porque achei que seria mais fácil pra vocês lidarem. Me desculpa.

Não fez diferença pra mim o que ele tinha dito. De qualquer forma, eu estava ali na cidade. Não entendi onde ele queria chegar. — Não me importa, David. Eu amo você. Não estou com raiva de você por isso. Se fez porque achava que era o melhor pra mim, eu acredito.

— Christopher. — ele respirou bem fundo. — Você pensa assim de mim agora porque se vê somente como o Chris e não como Kristoff. Mas eu acho que... Acho que se nos beijarmos agora, aqui dentro da cidade, o efeito vai passar, mesmo pra você. E você vai me odiar depois disso.

— Não diga bobagens, David! — eu o sacudi, involuntariamente. — Olha, o que sinto por você não vai mudar. Independente de lembrar quem eu fui antes, eu já amo você. Você quer tentar agora? Quer me beijar e ver o que acontece?

— Quero. — ele murmurou um pouco triste.

Eu segurei sua nuca e aproximei meu rosto do dele, aos poucos tocando nossos lábios. As mãos de David se cruzaram atrás da minha cintura enquanto tocamos um beijo. Estava ventando muito e estava frio ali.

Enquanto nossos lábios se acariciavam, senti como se uma energia atravessasse meu corpo. Houve uma espécie de clarão, saindo circularmente em nossa direção e se desfazendo no ar, semelhante aos desenhos feitos na água quando se atira alguma coisa. E de repente, eu lembrava de tudo. Cessei o beijo, lhe empurrando de leve.

— Chris? Tá tudo bem? Ele se curvou e me olhou debaixo pra cima, tentando encontrar meus olhos que fitavam o asfalto.

Eu levantei meu olhar para ele. — Eu me lembro agora. — foi tudo que saiu da minha boca.

Ele pareceu preocupado. — E aí? Você ainda me ama? Chris? Chris?

— Eu preciso de um tempo para pensar. — respondi dando alguns passos para trás.

— Eu sabia! Eu sabia! — ele passou as mãos pelo seu cabelo, inconformado e depois passou uma mão pelos maxilares com força, deixando um rastro vermelho em sua pele clara. — Eu sabia que você não ia me querer mais quando acordasse do feitiço, eu sabia!

— David, eu só disse que preciso de um tempo. — eu estava mais sério do que costumava estar com ele. — Você tem que me respeitar e me dar um espaço agora, pra eu pensar. Uma coisa era dizer o que disse antes, sem me lembrar de nada. Mas agora, sabendo quem sou, sentindo o que eu sinto... É diferente. É difícil pra mim agora acreditar que teve coragem de tirar essa parte de mim. E mentir pra mim. Não dá pra pensar do mesmo jeito de dois minutos atrás. — Ele ficou nervoso. Aproximou-se da placa com os dizeres “Você está entrando em Storybrooke” e começou a chutá-la e dar socos. — David. David, para com isso. — ele não me dava ouvidos. — Você não está me impressionando. Você não prova meu amor sendo bruto, você só está sendo ridículo. Eu não tenho culpa se a “bruxa” de quem me falou e culpou por ter me feito esquecer de quem eu era, na verdade estava perto de mim o tempo todo e por sinal beija muito bem. — acabei provocando, nervoso, mesmo sabendo que não devia, por ele estar alterado.

Ele se virou contra mim e sua mão direita estava sangrando. Por um milésimo de segundo, temi que ele fosse ficar agressivo comigo e terminássemos brigando no chão, mas o David que eu conhecia jamais faria isso. Ele fez pior.

— Olha, Kristoff. — ele se aproximou de mim voraz, com um sorriso forçado no rosto. — A bruxa pode não ter sido culpada por perder sua verdadeira identidade e nem ter estado perto de você o tempo todo, mas numa coisa você está coberto de razão. Ela beija muito bem.

Eu não disse nada. Eu dei minhas costas e saí andando, depressa.

— Kristoff, espera. Espera. Chris! — eu fechei os olhos por um momento e continuei andando, tentando me concentrar em não respondê-lo. — Chris, por favor, me desculpa. Eu não quis dizer isso. Calma, vamos conversar!

Ele veio atrás de mim e me pegou pelo braço, toque que repeli imediatamente com raiva. — NÃO ENCOSTA EM MIM! — voltei a andar, dessa vez mais rápido e o deixei ali, disposto a nunca mais vê-lo.

Infelizmente estávamos os dois a pé e longe de casa, então eu continuava minha caminhada com a sensação terrível de estar sendo observado e assim continuaria por alguns longos minutos, até sair do seu campo de visão. Eu o ouvia chorar.

Quando eu estava a uma distância segura e sabia que ele não podia mais me alcançar tão rápido e me segurar pelo braço, olhei para trás e o vi sentado com as pernas apoiadas contra o chão e as mãos cobrindo o rosto enquanto seus cotovelos pressionavam sua cintura. Me senti mal com aquilo. Mas não tanto quanto já me sentia pelo que ele fez comigo.

(Ruby – alguns dias antes)

Meu namoro com August estava maravilhoso nos primeiros dias após Lily acordar a cidade toda. Nós finalmente tínhamos transado, transado muito por sinal. Mas era só isso o que tinha que ser.

Digo, eu o desejei em segredo por muito tempo. Eu praticamente o amava platonicamente, antes do dia em que ele finalmente falou comigo no Granny’s e também se mostrou interessado. Mas depois que consegui tudo que queria, eu sentia que não tinha mais graça. A adrenalina tinha passado e eu já tinha atendido minhas expectativas. Eu queria poder almejar algo mais nele, desejar um futuro, mas não conseguia.

Nós tínhamos saído várias vezes depois da noite em quase matei o coitado. E várias vezes nos encontramos escondidos no apartamento de David, que estava desaparecido desde então. Não me entenda mal por invadir o ambiente dele, mas era o único da pensão que não era um simples quarto com banheiro, porque o xerife fez questão de adaptar pra torná-lo mais aconchegante pro filho e August gostava de cozinhar pra mim depois do sexo, algo que era fofo demais pra negar, então como não podíamos usar a cozinha do Granny’s, o lugar do David era perfeito. Mas eu sempre lavava as roupas de cama e limpava tudo pra ele não perceber quando voltasse. E claro, não mexia em nada dele.

Foi assim na primeira semana e estava muito divertido. Mas perdeu a graça. Eu não tive coragem de ter uma conversa pessoalmente, mas eu já sentia como se tivesse atingido algum objetivo e estivesse satisfeita com isso. Inclusive, estava a mil com tanta coisa acontecendo, agora que a cidade toda estava às avessas, todos revoltados, gente desaparecida, incluindo meu amigo David, com quem eu estava começando a ficar muito preocupada. Minha consciência começou a pesar muito de invadir a morada dele. Pra complicar mais, eu estava ajudando Regina como podia para amenizar a situação e acalmar os ânimos dos cidadãos de Storybrooke. Eu conversava com alguns no Granny’s, tentava justificar a atitude do Conselho e as vezes ouvia desaforo.

Então como eu não queria prolongar aquela situação com August que me deixava cansada, acabei ligando pra ele e terminando. Eu contei resumidamente o que estava sentindo e ele ficou devastado. Achava que era porque tinha acidentalmente me machucado na noite que ataquei ele, eu estava chateada e só agora tinha resolvido contar ou só agora havia refletido e ficado chateada com isso. Mas não tinha absolutamente nada a ver. Eu tentei lhe dizer que não fez a menor diferença pra mim, porque além de saber que ele jamais teria a intenção de me ferir, no dia seguinte eu já estava completamente curada, graças ao meu metabolismo acelerado de lobisomem. Minha regeneração não é a de um ser humano comum.

Mas não adiantou. Ele cismou que eu estava incomodada com algo que ele tinha feito. Se não isso, outra coisa.

August me pediu pra se encontrar comigo uma última vez, pra ter uma conversa decente.

— Pela última vez? — me queixei apoiando o celular contra o ombro, enquanto trocava minhas roupas porque tinha acabado de voltar de um “rolê” com Emily e Lacey. — Mas de jeito nenhum, tá ficando louco? August, eu não quero ter um relacionamento sério com você. Um compromisso. Até porque não estava tendo tempo pra você antes e tenho menos ainda agora. Nem estou com a cabeça no lugar. — Era verdade. Principalmente por David. No começo, imaginava que ele tivesse se metido em alguma enrascada como os Charmings sempre fazem, mas que estaria de volta em pouco tempo, são e salvo. Mas já faziam quase duas semanas. Neal também estava desaparecido e Chris também. Tinha medo de que meu amigo e o namorado, tivessem se aproveitado da confusão pra fazer alguma loucura. — O que estou querendo dizer é que não vou ser uma boa namorada pra você. Não agora. Ou melhor, nenhum de nós ficará feliz nessa relação se continuarmos. Mas isso não significa que vou parar de ver você.

Eu podia sentir que ele fazia uma cara de espanto e estranhamento do outro lado da linha. — Não?

— Não. Você é lindo e gostoso pra caralho, você é um dos três ou quatro caras nessa cidade que ainda não me fez nenhum comentário machista ou misógino e eu me divirto pra caramba na sua companhia. Eu ainda vou querer ser amiga dessa pessoa sensacional e quem sabe no futuro a gente não se pega de novo? — eu já estava com minha roupa de casa, para aproveitar minha boa e merecida folga do Granny’s. Me mandei um beijinho no espelho, pensando “que mulherão da porra”.

August teve uma crise de risos. — Ruby... Você sabe que o que acabou de dizer, é bem o que machista e misógino diz pras mulheres, né?

— Não, oras. — eu sorri maliciosamente. — Você é gostoso pra caralho mesmo. Eu sou gostosa pra caralho também e você pode dizer, porque nós criamos intimidade pra isso e pelo menos eu sinto que tenho permissão pra usar essa linguagem com você. Mas ah querido, deixa o Leroy me falar isso pra ele ver se eu não desço do salto!

Depois de ambos rirmos muito, August soltou um suspiro demorado. — Ruby. Você diz que eu sou sensacional. Mas você é a pessoa mais sensacional que eu já conheci. Melhor, fenomenal. Sim, nós podemos e vamos ser bons amigos. — agora eu sentia que ele estava sorrindo.

Eu tive que trocar de roupa de novo. Eu fui me encontrar com ele na casa de seu pai, que estava fora, trabalhando. Seria uma boa oportunidade pra gente sentar e conversar direito. A gente começou, mas não deu pra resistir a dar uns beijos. Nos prometemos que eram pra despedir daquele relacionamento e que não aconteceria de novo.

— Só amigos. — lembrei limpando meu batom, que tinha se borrado todo.

— “Só amigos”. — ele repetiu sorrindo com a boca toda vermelha.

Depois disso a gente foi pro quarto dele, tiramos nossas roupas e caímos na cama. Uma última vez também.

Tenho que admitir, eu não estava tão empolgada mais com aquele namoro, mas aquela “despedida” foi legal. Eu não esperava que fosse acontecer.

(Albert Spencer)

Faziam dois dias desde que eu tinha retornado com Neal para Storybrooke. Eu estava tendo uma conversa com David a uma mesa do Granny’s, que infelizmente me trazia más recordações de outros tempos. Mas dessa vez, estávamos de um mesmo lado.

— Então... Você vai me ajudar? — questionei após beber um gole do meu café.

— Sim, Spencer. Mas não sei se vamos conseguir toda ajuda que precisamos. Como você mesmo disse, o cara é um deus. Nós não temos nenhum plano ou carta na manga. Digo, provavelmente Emma e Regina nos ajudariam, mas... A cidade precisa delas. Afinal, ainda temos o problema com a linha. — David falava com um misto de frieza e compaixão. Não sabia dizer se ele queria fazer aquilo por minha causa ou por simplesmente ser seu dever de bom moço.

— Você tem razão. — concordei. — Quando eu saí da cidade com o portal de Jano, eu não imaginava que a linha tinha deixado de proteger a cidade. Inclusive acreditava que não poderiam ir atrás de mim caso descobrissem meu paradeiro com magia, justamente por causa da linha. Mas quando me arrependi, preferi pegar um carro e dirigir de Los Angeles até aqui, arriscando minhas chances de conseguir ou não entrar em Storybrooke a viver infeliz por lá.

O xerife girava seu canudinho dentro do copo de suco de laranja, absorvendo e ignorando minha intenção proposital de reforçar meu arrependimento. — Bom, o problema é que outras pessoas podem entrar aqui agora e elas precisam trabalhar numa maneira de lacrar novamente a cidade. Mas daremos um jeito nisso, ainda que seja só você e eu.

— Obrigado, David. Obrigado. — eu queria poder parecer durão como ele, mas estava emocionado e demonstrava até em minha voz. — Você sabe, minha consciência está me matando. Preciso ao menos tentar reparar esse meu erro, salvando aquela mulher de... de... seja lá o que for que aquela monstruosidade pretenda.

— Com licença. — uma voz feminina se aproximou. Era uma garota asiática com uma jaqueta jeans verde escuro e cabelos soltos por cima dos ombros. Havia percebido ela ali mais cedo, conversando com a garçonete, Ruby. — Me desculpem, eu acidentalmente ouvi a conversa de vocês. Eu quero ir. Me disponho a ajudar. Eu preciso de um pouco de heroísmo em minha vida, para me sentir como mim mesma de novo. E confesso não ter nada melhor pra fazer aqui no momento mesmo. — ela fez uma cara de frustração. Aquela garota com certeza queria um motivo para “dar uma fugida” da cidade. Ela com certeza passava por problemas internos e queria fazer algo para se distrair deles. De alguma forma, me identifiquei com ela.

— Emily?! — Meu ainda não-filho pareceu impressionado, mas não mais que a garota, que demonstrava surpresa de ser conhecida por ele.

— Pode me chamar de Mulan agora, se preferir. — Minha garganta se comprimiu e deu um nó. Mulan? A lendária guerreira, se dispondo a me ajudar? — Mas por favor, — e agora ela olhava pra mim — me explique exatamente o que aconteceu e o que iremos enfrentar.

Respirei fundo. — Durante aquela confusão, de quando a cidade toda retomou suas memórias, uma figura estranha me procurou. Era um homem alto, com duas faces opostas na sua cabeça deformada. Acho que tive um pequeno ataque cardíaco. — eu brinquei, mas nenhum deles riu. — De qualquer maneira, a aberração se apresentou a mim como Jano, deus das portas, inícios e recomeços. Ele disse que sentiu em minha aura que eu era o tipo de homem disposto a fazer qualquer coisa pelo que mais desejava e seria perfeito para ajudá-lo. Eu estava na rua, procurando David, até então. Eu já tinha recuperado minhas memórias antes e estava disposto a oferecer a ele qualquer tipo de ajuda que quisesse para controlar a situação. Afinal, eu... eu estou tentando me conectar com meu filho.

David amassou um guardanapo. — Eu não sou seu filh...

— Mas como eu ia dizendo, eu estava na rua quando isso aconteceu. — Mulan me fitava séria. — Fiquei interessado em ouvir o que o deus tinha a dizer e o convidei para me acompanhar até em casa, para conversarmos com silêncio. Um buraco de luz surgiu no chão e no segundo seguinte, estávamos no sofá da minha sala. Ofereci-lhe um drink. Jano me disse que tudo que eu precisava era sequestrar uma mulher de nome Ursula e ele me daria tudo que eu mais queria. Ele não podia fazê-lo pessoalmente, por isso precisava da minha ajuda. Ele me alertou sobre a mulher, dizendo que tinha poderes e era perigosa. Mas eu fiz o que ele pediu. Não foi difícil. Eu a surpreendi por trás, fazendo-a inalar clorofórmio em um pedaço de pano. Ela não teve tempo de reagir. Ela desmaiou, eu a amarrei com uma corda que o deus mesmo me entregou e ele disse que cuidaria dela dali em diante, mas se recusou a tocá-la. Me mandou deixá-la no porta-malas do carro mesmo que dali a levaria com um portal. E em troca, ele me deu a chance de fugir com meu neto, Neal, tirando David do caminho pra isso.

Eu evitei contato visual com David, mas sabia que ele também desviava o olhar, furioso.

— E você sabe onde essa mulher está agora? — a moça me perguntou intrigada.

— Oh querida... — sorri brevemente — Você ficaria surpresa com o quanto um homem velho pode acabar falando depois de uns copos de Whisky. Ainda mais se você toma por duas bocas de uma vez. Portland. Não fica longe daqui. A figura a levaria para uma fábrica abandonada em Portland, onde pretendia torturar Ursula, até entregá-la a Hades, trinta dias depois.

— Hades!? Deus dos mortos? — David quase pulou de seu assento. — Você não tinha me mencionado isso antes.

— Então nos resta menos de uma semana! — a outra protestou. — Você sabe em que condições essa pobre mulher deve estar!?

— É por isso que quero resgatá-la. Lutar com esse deus Jano se for preciso e trazê-la em segurança antes que Hades apareça.

Mulan endireitou sua postura, descruzou os braços e os colocou na cintura. — Você pode nos levar até lá? Quando podemos ir?

Eu fiquei bastante admirado com o interesse dela em ajudar uma desconhecida. — Bom... eu posso sair daqui amanhã mesmo, de manhã e chegamos ao anoitecer em Portland.

— Eu vou precisar da minha espada. Ela é encantada e repele qualquer tipo de magia. — Ela disse consigo mesma. Eu me assustei, achando o método um pouco rústico, mas David pareceu concordar com a cabeça.

— Eu sei exatamente onde você pode começar a procurá-la. — disse-lhe o loiro.

— A loja do Gold! — a asiática exclamou empolgada. — Eu vou imediatamente falar com Lacey! — e saiu dali correndo, sem dizer nenhuma outra palavra, com um verdadeiro instinto de heroína.

Notas finais
O que achou? Deixe seu comentário e vamos bater um papo! Adoro o feedback de vocês. Nos encontramos em breve!