Dad's Boyfriend
8 Janelas pt. 1
(David Nolan POV)
Meu celular tocou e a música dos Beatles ecoou pela sala. Nunca odiei tanto aquela música. Me lembrava de Chris cantando pra mim no hospital e das vezes em que tocou na delegacia. E lá estava ele com Emma, na delegacia, enquanto eu ficava em casa “de castigo”. — Alô. — respondi não no meu melhor tom de voz. Tinha atendido tão rápido que esqueci de ver quem era.
— David? David, eu quero me desculpar com você. — era Regina. — Queria eu poder dizer que estava um pouco bêbada quando você veio até a minha casa, mas não, eu não quis...
— Está tudo bem, Regina. — interrompi — Você não tem nada pelo se desculpar.
— Fique quieto e me escute, antes que eu decida reverter à distância meu feitiço de cura. — ela soou ameaçadora.
— Você pode fazer isso?
— Não, só estou assustando você. Agora preste atenção. Bom, eu menti sobre algumas coisas. Eu não estou bem com a situação de Robin e Zelena. — sua voz parecia tensa do outro lado. — Me esforço todos os dias pra não incendiar aquela casa com todos lá dentro. Acho que involuntariamente tento parecer animada e divertida para esconder o modo como realmente me sinto por dentro. Esconder de mim mesma. Porque por mais que eu tente, não consigo deixar de amar Robin. Ele é o amor da minha vida. Tenho medo de que nunca consiga deixar de amá-lo e sua presença me incomoda, porque sei que ele está lá aos agarros com aquela... aquela... Não, desculpe. É que isso me dá nojo. A coisa toda. Eu a odeio mais que tudo na vida, por ter roubado de mim um dos meus mais valiosos bens.
— Eu acho que você só precisa de um amigo. É isso que você tá buscando em mim. Alguém para se abrir sobre o que sente. Esperava que já fizesse isso com a Emma mas... ok, não vejo problema algum nisso. Mas me diga, não foi escolha sua? Digo, terminar com tudo e seguir em frente? Regina, você lançou um feitiço na cidade, agora ele nem se lembra de te conhecer. Não o culpe. Ou Zelena. Eles não sabem quem você é, ou o que estiveram presentes na sua vida. Pensar neles só vai fazer seu coração doer mais e mais. Sobre parecer “animada e divertida”, não deu muito certo. Você estava bastante... como dizer? Intimidadora. Um pouco inconveniente, eu... fiquei desconfortável.
— Eu pedi desculpas. — a morena protestou no seu tom mais bravo.
— Ok, eu sei. Não era nem preciso. Eu entendo você. Também tenho meus problemas. Aliás, uma ‘porrada’ deles. Eu estava sofrendo de amor pela minha ex-mulher e me afastei de todos que me faziam bem. Isso foi péssimo pra mim. Você não fez isso, já está a um passo na frente. Você tem que se apoiar nessas pessoas que querem seu bem. Você não sabe o quanto estou feliz por ter vocês ao meu redor pra me dar apoio. Se bem que seu apoio me deixou vermelho, só queria me encorajar a transar, mas enfim.
Por breves segundos, houve silêncio.
— E você... ?
— Se eu transei? — fiquei vermelho de novo. — Não Regina, não. Eu sequer vi o Chris ainda. Não o vejo há dois... não. Três! Contando com hoje, é o terceiro dia. Estou sem coragem de olhar pra cara dele. E tenho medo de atrapalhar a vida dele, os estudos dele, tudo. Emma não me fala como está sendo trabalhar com ele e eu também não pergunto. Tenho medo.
— Hm. Sabe por que não digo à Emma as coisas que te disse, David? Justamente por isso. Eu adoro sua filha, mas temos que admitir que ela é do tipo que prefere te ajudar silenciosamente. Tenho vergonha de falar com ela sobre sentimentos. Ela é sempre tão forte e indiferente que o mundo pode desabar em cima dela, que ela se levanta, sacode a poeira e continua andando. Não sou assim.
Houve um silêncio por alguns segundos. Nenhum de nós sabia o que falar. Então olhei pela janela e vi Ursula na rua, andando nervosa de um lado pro outro. Estava falando com alguém no celular. Assustada. E o que mais me chamou atenção é que ela vestia um dos casacos de Cruella. Eu não a via muito, então não sabia se era comum vê-la usando roupas da defunta ou não.
— Regina, estou vendo uma coisa bem estranha agora. Numa escala de zero a dez, o quão preocupante pra nós é ver Ursula nervosa?
— Se está insinuando que a Mrs. Carter do mar pode estar tendo problemas de família de novo, onze.
— Eu vou atrás dela. Quero falar com ela. — eu desliguei a chamada antes que Regina respondesse, peguei uma jaqueta que estava jogada no sofá e desci correndo.
Quando cheguei na rua, pensei tê-la perdido de vista, mas ela estava a uns dez metros, prestes a virar uma rua e sumir de vista.
— Ursula! Ursula! — gritei, correndo para alcançá-la. Ela parou e me observou séria. — Eu te vi bastante aflita ao telefone, o que também me deixa aflito. O que aconteceu?
— Nada da sua conta, branquelo. — ela franziu o cenho. — Você devia cuidar da sua vida e aproveitar seu namoradinho ao invés de se intrometer nos meus assuntos.
— Ele não é meu namorado. E enquanto seus assuntos ameaçarem a segurança da minha cidade, também são da minha conta.
— Pois então ele deveria ser. Não espere até que seja tarde demais. — o que ela disse me intrigou, porque eu estava esperando deboche sobre sexualidade, e ela simplesmente me encorajou a seguir um relacionamento. Não entendi seu ponto. — E se quer tanto saber, eu estava falando com Lilith, David.
— Lilith? Lilith Page? — eu definitivamente estampei um ponto de interrogação no rosto.
— Sim. — ela expressou pavor no seu rosto.
— Desde quando vocês duas se falam? E por que diabos você está com essa cara?
— Ela sabe, David. Aquela menina sabe de tudo! Ou se não sabe, ao menos está prestes a descobrir. Eu não sei o que ela fez pra conseguir meu número, mas ela está me perseguindo feito uma louca. Eu acho que ela me viu usar magia. Lá na pousada, tinha acabado a água de um filtro e eu condensei oxigênio e hidrogênio no ar pra encher meu copo, não era grande coisa e achei que ninguém estava vendo. E sabe o que mais? Aquela maníaca está nos observando. Todos nós. Aquela garota metida a L. B. Jeffries tem vigiado de perto nossas vidas privadas. Ela viu Regina curar sua carinha bonita “milagrosamente”, David. Posso imaginá-la escondida entre arbustos do parque nos observando a noite com um binóculo. Então ou você diz pra ela parar de brincar de “Janela Indiscreta” ou direi eu mesma e do meu jeito, que você não vai gostar nada. Isso já passou dos limites e está ofendendo a minha intimidade.
— Ursula... eu.. eu não sei o que dizer. Isso que está dizendo é muito sério. É perigoso para todos nós. Como não me contou isso antes?
— Oras, porque antes de você aparecer, bonitinho, eu estava planejando como me livrar dela e minha melhor ideia era afundá-la a vinte mil léguas submarinas.
— Falando assim, você acaba parecendo uma pessoa que ambos conhecemos, Ursula. A diferença é que essa pessoa não podia de fato machucar ninguém. — a mulher me fitou, silenciosa — Você é uma boa pessoa, Ursula. Não mude isso.
Dei as costas pra ela e comecei a caminhar, mas ela chamou minha atenção.
— David. — me virei ao ouvir sua voz. — A essa altura, não preciso dizer que o livro do seu neto “sumiu”, preciso?
P*t@ merda. Se Emma tivesse tido metade da curiosidade ou desconfiança de Lily ao tempo da maldição da Regina, teria salvo a cidade em um terço do tempo.
Mas agora a cidade não deveria ser salva.

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