Dad's Boyfriend

19 Bastidores da Guerra dos Deuses pt. 2


Notas iniciais
Gente, é como diz sabiamente uma música de Rick e Renner: "Nóis trupica mas não cai, pode botar fé que desse jeito vai". Pra tristeza das inimigas eu não morri, continuo vivíssimo. Peço perdão pela demora, estou determinado a terminar essa fanfic agora e já planejei tudo, só resta escrever! Espero que gostem desse capítulo tanto quanto eu, é bem esclarecedor! E forma novas dúvidas hahaha Boa leitura!

— Jano. — Ursula murmurou com um irônico sorrisinho de canto. A semideusa estava amarrada em uma cadeira, em um barracão mal iluminado. Por algum motivo, não conseguia usar seus poderes.

— Ursula, minha querida. Faz um bom tempo. — o homem de duas cabeças retrucou exageradamente satisfeito.

— Não vou mentir em dizer que estou feliz em te ver. Nunca gostei dos desdobramentos da mitologia grega em Roma. Fico ofendida em pensar que alguns te confundem com o tio Zeus. Cara, você é muito feio.

Jano rosnou como uma fera e Ursula teve a infelicidade de ver as duas cabeças cuspindo raivosas no chão ao mesmo tempo, em seguida resmungando algo em latim. — Me mostre respeito, sua mestiça imunda!

Ursula também cuspiu, no rosto dele. Bom, não em um deles, especificamente. Mas na parte mais deformada entre eles, de onde começavam a se separar. – Vai se ferrar, sua divindade.

Jano gargalhou perturbadoramente. — Não. Você. Você vai se ferrar.

A mulher jogou o cabelo para trás e revirou os olhos, impaciente. — Você está demorando demais pra me matar. Faça logo seu servicinho sujo pra Hades.

Jano deu alguns passos, rodeando-a com as mãos para trás. — Não sou eu quem vai matar você. Eu não posso encostar minhas mãos em você. Digo, literalmente. Estive subornando humanos até aqui para te colocarem nessa cadeira onde está agora. Não, você vai passar pelas mãos do próprio Hades.

— Por que ele não está aqui agora? — Ursula se esforçou pra fazer sua melhor expressão de indiferença, mas estava começando a ficar preocupada.

— Sabe, é engraçado... — Enquanto Jano começou a rir, parando à frente dela mais uma vez, apontando com o indicador como quem está prestes a contar uma história, sua cabeça barbada começou a tossir, engasgada com a risada e era constrangedor de se assistir. — Combinamos de nos encontrarmos aqui em trinta dias. Mas eu não tenho culpa da minha eficiência. — ele deu de ombros, nada modesto — E eu pensei: “Bom... Não seria errado me divertir um pouquinho nesse meio tempo, certo?”. Afinal de contas, também tenho meus probleminhas com seu pai, não me incomodaria te assistir sofrer um pouco. E entregarei intacta a Hades no tempo perfeito. Não posso evitar, eu sou tão pontual! Roma que me perdoe, mas eu amo a França.

— Mas você não pode me machucar. Se você fez um acordo com Hades, ele com certeza te deixou sob algum feitiço pra que realmente não possa sequer tocar em mim. — A esse ponto, Ursula não conseguia mais disfarçar sua preocupação.

A cabeça mais nova caiu na risada. — Ops! Não faça uma análise tão superficial da sua situação. Vamos de novo. Eu não posso tocar você. Isso não significa que não posso machucar você. Afinal, trinta dias é muita coisa, não? Você tem sangue divino correndo nessas veias, sei que vai sobreviver, mas você também tem suas necessidades. Então vai sentir um pouquinho de dor quando começar a ter fome, sono, vai ter também dores musculares pela imobilidade e eu mal posso esperar pra quando começar a ter necessidades fisiológicas! Acho que nem ver a sereiazinha desidratada se compara a isso.

— Vocês deuses são nojentos. Eu tenho vergonha de vocês. — uma lágrima correu de um dos olhos de Ursula.

— A vergonha é recíproca. Você devia se ver, parece tão humanamente patética...

— Eu não tenho nenhuma parte humana, quando você fala assim, parece aquele tipo de americano babaca que supõe que falam espanhol no Brasil. Eu sou filha de um deus e uma sereia, seu imbecil.

— Oras, mas escolheu parecer-se exatamente como uma reles humana. Com perninhas e tudo. — Jano debochou orgulhoso de si mesmo.

— E você por acaso não se parece nem um pouquinho humano, né não cara-coroa? Lamento lhe informar, mas a Bet e a Dot aí não são novidades no mundo humano não, querido.

O deus hesitou confuso por alguns instantes, então cruzou os braços e virou suas cabeças de modo que a cabeça mais velha a encarasse profundamente. — Eu não entendi sua referência. Mas para todos os casos, a única criatura imunda e sangue sujo aqui é você.

A semideusa se sacudiu na cadeira e por um momento Jano se assustou e temeu que ela fosse se soltar. — Você pode me humilhar do jeito que você quiser, seu deusinho de merda. Pode me deixar aqui toda raquítica e cagada, mas eu não vou aceitar você ofender meu sangue. Eu tenho muito orgulho de ser uma sereia, seu nojento! Sou muito mais digna como sereia que como deusa. Mas não tenho vergonha nenhuma de ser uma mestiça. Minha única vergonha é de deuses como você e Hades, que mancham a honra de todo Olimpo.

— Deuses como eu e Hades? — Jano colocou sua mão direita no seu peito e cobriu uma risadinha da cabeça mais jovem com a esquerda. — Você se acha filha do embaixador da paz, não é mesmo? Pois se não fosse a tirania e a ganância do seu pai e do irmão favorito dele, nada disso estaria acontecendo. — Dessa vez era Ursula quem estava confusa. Ela admitiu isso involuntariamente com o espanto em seus olhos. O que ele estava dizendo? — Oh não! Não creio nisso! Você não sabe! — Jano gargalhava andando de um lado pro outro naquele ambiente escuro, parecendo uma cena de filme de terror. — Me diga sua versão da história, fiquei curioso!

— Versão?! Que versão!? Hades está caçando e matando minha família. Ele quer a cabeça de todos descendentes de Zeus e Poseidon porque é e sempre foi dissimulado. Não existe outra versão disso!

— Não. Não, querida. Seu pai está te escondendo o jogo. Ele e o irmão mais velho de uma hora pra outra decidiram eliminar o irmão mais fraco e tirá-lo da jogada. Eles querem expandir seus reinos porque são gananciosos por poder. Eles se acham tão melhores que Hades para governarem o submundo, usando do pretexto de que ele é vingativo e impulsivo, mas eles não são diferentes em nada. Aqueles dois invadiram o submundo e aprontaram uma zona. Recrutaram mortos sob a promessa de trazê-los de volta à vida e destruíram tudo. Hades sobreviveu e teria os perdoado. Se seu pai, Poseidon, não tivesse matado Persefone.

— Você está falando bobagem, Persefone está viva. – argumentou Ursula. — Meu pai não faria isso.

— Viva? Não na última vez que chequei, meu bem. Seu papaizinho querido enfiou a porra do tridente dele bem na garganta da mulher. E posso te contar um segredinho? Quando você mata alguém dentro do submundo, ela não tem nenhum lugar pra ir. Acabou mesmo. Mas não me surpreende que as notícias cheguem diferente no Olimpo. A mídia de hoje em dia é alienação pura.

Ursula estava em choque. Por algum motivo, sabia que Jano não estava mentindo. Ela se sentia traída pelo próprio pai. — Então essa matança tem a ver com ganância política? Porque querem tomar o território de Hades? Isso não pode ser verdade, não pode! Hades é um louco sanguinário!

— Bom, eu vou te deixar refletindo um pouquinho. Seja uma boa garota e prometo que ao final desses trinta dias, te trago um copo de água pra dar uma melhorada na cara antes do seu encontro com o Hades. Talvez eu também te traga um molusco pra comer. Sim, eu vou, cara, isso vai ser tão divertido!

O deus deu as costas e desapareceu nas sombras, Ursula não viu por onde ele saiu. Na verdade, mal se importou. Ela apenas abaixou a cabeça. Ela agora definitivamente odiava os deuses. Todos. Se havia um motivo pra ter vergonha, não era por ter descendência de uma sereia e sim de um deus tão sujo e manipulador como seu pai.

Storybrooke, agora.

— Eu vou atrás dele e você não vai me impedir, Emma! — Snow gritou, tirando a mão de sua filha do seu ombro.

— Mãe, você está sendo ridícula! Até porque, convenhamos, você está com uma mochila rosa num ombro, com umas três calcinhas, uns conjuntos de roupas e pacotes de bolacha água e sal. E com seu arco e suporte de flechas no outro. Você está a pé e com todo seu dinheiro enfiado nos bolsos. Você está indo caçar mesmo o papai mundo a fora ou é uma busca por um ogro gigante na floresta por uns dias? Você está parecendo louca. As pessoas estão preocupadas com você!

Mary Margaret estava trêmula. — Eu sei, Emma, eu sei! Todo mundo acha que eu sou louca! Mas fazem duas semanas, Emma! Eu preciso fazer alguma coisa!

— Vovó... — Henry começou a dizer, mas Emma fez um sinal pra que ele ficasse quieto e ele obedeceu.

Emma, Henry, Regina, Hook, Ruby e Granny estavam ali perto do limite da cidade, tentando impedir Snow de ceder ao desespero.

— Você não sabe se o papai fez mesmo isso. Aliás, pelo contrário, vamos ser honestas. Você e eu sabemos que ele não fez. Nós não sabemos o que aconteceu.

— Volte comigo, Snow. — interveio Regina. — Eu não vou abrir a boca e você não precisa abrir também. Você fica na minha casa por enquanto, pra não ter que olhar pras coisas do Neal. E a Emma continua procurando como sempre faz. Ela vai achar seu filho e vai dar tudo certo.

Regina não admitiria em voz alta, mas estava também preocupada com David. Querendo ou não, ele tinha se tornado íntimo para ela. Eles eram no mínimo, amigos agora.

Ruby e sua vó se entreolharam após as palavras de Regina. As duas já desconfiavam que ela e David tinham tido um affair.

— Não. — Emma estendeu a mão, mostrando a chave do seu carro. — Se você quer mesmo fazer a louca e sair sem rumo procurando meu pai e o Neal... tudo bem. Mas não vou deixar você fazer isso a pé. Ou sozinha.

Ruby cobriu o rosto com as mãos enquanto Henry apenas protestou indignado: “Mãe!”

— Hã, olá? — uma nova voz se aproximou. Surgiu então a figura de uma jovem ruiva com uma blusa rosa de moletom enorme e nem estava tão frio. Mas a deixava fofa. — Desculpe se não é um bom momento. Emma, certo? Se lembra de mim? — a garota passou a mão pelo cabelo, ajeitando-o atrás da orelha, tímida.

— Anna! — a loira respondeu surpresa.

— A própria! Bom te ver de novo, eu acho. Eu preciso falar com você. Tem uma moça diferente no Granny’s hoje, Ashley, eu acho. Ela me disse que te encontraria aqui.

— Anna, eu acho que isso não é uma boa hor... — Regina começou, mas foi interrompida por Anna.

— É sobre meu namorado! Quero dizer, ele não é mais meu namorado. Mas eu ainda gosto como se fosse. Ele está desaparecido. Eu preciso que me ajude encontrá-lo.

— Oi Anna! — Snow tirou a mochila do ombro e a colocou no chão, se aproximando com um sorriso extremamente nervoso. — Eu me lembro de você! E você, se lembra de mim!? Você me conhece. A que colhe flores. Que fala com os passarinhos. Todo tipo de coisas legais. E mata. Então, eu lamento te informar. Mas seu namorado fugiu com meu ex-marido. E eles sequestraram meu filho. Eu estou indo resolver isso. Não se preocupe. Aproveite esse seu frio todo e vá esperar sentada, construindo um boneco de neve.

— Eu sei. — ela respondeu cabisbaixa.

— Você sabe?! — Henry e Regina murmuraram em uníssono.

— Ela sabe!? — Ruby indagou quase simultaneamente, olhando para a avó.

— Digo... Não sobre sequestro, isso é novo pra mim. Mas eu sei que estão juntos. Acho que a essa altura... a cidade toda já sabe. Bom, eu não tenho um problema com isso. Eu só estou preocupada.Com o David também. Ele é meu amigo, eu... só preciso saber se está tudo bem.

Antes que qualquer um pudesse dizer algo, um clarão surgiu atrás do aglomerado e no momento em que se viraram para olhar, um som de carro veio da frente, tornando-se visível ao atravessar a linha da cidade, numa freada brusca para não atropelar ninguém.

Foi tudo muito rápido e não sabiam direito para onde olhar. O carro estava a uma distância considerável e o clarão tinha se tornado um círculo de energia girando em espiral. Era um portal. Dele saíram David e Chris, respectivamente, segurando nas mãos um do outro. Foi um choque para todos darem de cara daquela forma.

— David? — Emma e Snow questionaram incrédulas.

— Kristoff? — Anna foi de encontro ao seu amado, que hesitou a alcançá-la.

— Juliet... — ele respondeu tão somente, confirmando o que Anna mais temia e quebrando suas expectativas. Aquele ainda era Christopher. Não Kristoff.

— Emma! — David correu para abraçar sua filha.

— Burro! — Ruby involuntariamente deixou escapar baixinho. Henry foi o único a escutar e acabou rindo, apesar de nervoso.

Snow deu um tapa na cara de David e Christopher correu para frente dele, abrindo os braços.

— Onde está nosso filho!? — ela gritou em um tom seguro de que ele tinha a resposta.

Foi então que houve um som de porta fechando. E só então que todos se lembraram do carro que tinha chegado ali. Dele tinha descido um homem grisalho. Spencer.

— Fiquem calmos. Eu preciso conversar com vocês. — ele disse calmamente, com as mãos abertas, estendidas na altura dos ombros.

Antes que ele pudesse continuar, a porta do banco de trás se abriu e dela saiu um garotinho em êxtase de felicidade. — Papai! Mamãe! Emma, Henry, vocês estão todos aqui! Até o Chris! — Neal correu na direção deles, dando primeiro um abraço apertado nas pernas da mãe e outro nas pernas do pai. Foi rápido demais pra terem qualquer reação.

— Ei amigão. — Chris foi o único a responder e podia jurar que tinha ouvido o eco de sua voz na mata ao redor.