Dados Viciados

7 Sozinha, eu, a TV, o PC e o chocolate - nem tanto


Notas iniciais
Enfim voltei de viagem e estou postando mais um capítulo - não me digaa xP
Espero que gostem x3

— Verity? – alguém me chamou.

Eu enxuguei rapidamente a água do rosto e me virei para ver quem era.

Era Daniele, outra do grupo. Dani era mais ou menos da minha altura, cabelos e olhos castanhos. Ela e Carol moram na mesma rua, assim, são super amigas desde sempre.

— Oi. – cumprimentei.

— Oi... Por que você tá molhando a cara?

— A primeira aula foi de história e eu tava morrendo de sono, precisava acordar. – menti.

Ela riu, quem dera aquele fosse mesmo o motivo.

— Bem, vamos. – ela disse, indicando a porta.

— Bora. – concordei.

Dei uma última enxugada no rosto e sai com Dani para o pátio novamente.

²²²

O resto das aulas correu “normalmente”. Isso se você não considerar os olhares estranhos de Tiago e Isa ficando meio distante. Minhas amigas repararam nela, mas assumiram que ela queria prestar mais atenção na aula, sendo que, sentando juntas levamos umas três broncas por aula. Não seria a primeira vez, então, não deram importância.

Mas eu sabia o por que daquilo.

Então, dei graças a Deus quando cheguei em casa. Sozinha, sem ninguém para falar coisas absurdas, sem ninguém me dando gelo. Só eu, a TV, o PC e um monte de chocolate. Antes de sair de casa, mamãe deixava o almoço pronto para que, quando eu chegasse, apenas desembrulhasse tudo e comesse. Portanto, eu não tinha muita coisa a fazer.

Comi um prato rápido de arroz, feijão e frango grelhado, assaltei o estoque de chocolate e subi pro meu quarto.

Joguei os sapatos no canto, perto do armário e coloquei uma roupa mais casual. Um short e uma camiseta. Em seguida, me joguei na cama e comecei a atacar o chocolate.

Morta... é claro... De onde Tiago tirou aquela história?

De repente, meu quarto se encheu de luz e eu ouvi um estrondo enorme lá fora... Levei um baita susto que me fez pular da cama. Corri para a janela ver o que havia acontecido.

Água...

Como eu era besta. Tinha começado a chover, era só isso. O barulho foi um trovão. Dei uma risadinha infame e me joguei na cama novamente. O som da chuva batendo no vidro estava aumentando cada vez mais. Eu adoro dias chuvosos. Amo, principalmente, dormir com o barulho de chuva.

Ok, talvez eu estivesse mesmo um pouco preocupada com o que Tiago disse, mesmo que aquilo fosse impossível. Aposto que, se eu tivesse morrido, não ia estar no meu quarto me entupindo de chocolate.

Mas, no meu sonho — ou seja lá o que tenha sido aquilo – eu tinha “morrido”, não tinha? E, se quilo foi verdade, se a noite passada aconteceu mesmo, quem era aquele cara na praça, com toda aquela história de apostas e tal? E, de algum jeito, o fato de eu ter percebido, no sonho, que Isa e Tiago estavam se comportando de maneira meio estranha tinha certa ligação com o que houve hoje...

Só que eu não morri.

Enfiei a cabeça no travesseiro. Tudo isso era simplesmente muito confuso. Eu dormiria, se pudesse, mas não estava com um pingo de sono. Todos esses acontecimentos me deixaram agitada demais para dormir.

Então o telefone tocou. Deviam ser meus pais querendo saber se eu cheguei em casa bem, se comi e tals. Ou então alguém querendo saber a lição de casa.

Relutante, levantei da cama, calcei os chinelos – superstição (ou não), minha avó sempre dizia que andar descalça durante a chuva atraia raios – e andei até o telefone, que ficava em cima de um criado-mudo do lado da janela.

Olhei a tela do aparelho. “Isabela”. Suspirei. A coisa estava cada vez pior, eu não queria ouvir mais nada e, sim, trabalhar em uma conclusão de tudo isso com o que eu já sabia. Não queria falar com ninguém sobre aquilo. Portanto, não me incomodei em atender.

Outro raio. Dessa vez bem perto, senti o chão estremecer, parecia que este tinha atingido o quintal. Não tinha, claro, mas, mesmo assim, eu senti uma vontade incontrolável de olhar pela janela.

Levei um susto. De verdade, dessa vez. Meu coração parecia querer saltar pela minha boca. Recuei rapidamente do vidro, caindo no chão. Bem perto da caixa de correio, olhando diretamente para mim, eu vi um homem. Mas não foi isso que me assustou. Estava longe, mas eu podia jurar que aquele cara estava usando os mesmos óculos escuros do homem no meu sonho, só que ele era loiro e não tinha cabelos brancos.

Minha respiração estava rápida e minhas pernas pareciam gelatina. Mas é que nem filme de terror. A gente não se sente bem se não for olhar de novo para ver o que era.

Assim, me levantei e espiei a janela novamente. Nada. Tinha sumido.

Será que eu tinha imaginado tudo aquilo? Difícil, parecia muito real.

Eu apenas me afastei da janela, ponderando se devia ligar para alguém, dizer o que tinha acontecido, que tinha um cara suspeito no meu quintal. Seria a melhor coisa a fazer. Meus tios não moravam muito longe — mais precisamente no fim da rua de baixo — em um segundo meu tio poderia aparecer, vasculhar o quintal e dizer, ou não, se realmente tinha alguém aqui.

Estendi a mão até o telefone e disquei o número.

Mas... e se eu tivesse mesmo só imaginado aquilo? Eu estava nervosa, eu estava com medo. Nunca gostei de ficar sozinha em casa e, ainda por cima, tinha aquela história do sonho. Sabe quando você vê um filme de terror, fica com medo e uma sombra inocente pode se parecer com o monstro mais horroroso que dá pra imaginar? Devia ser minha mente me pregando peças.

— Alô? – minha tia atendeu, interrompendo minha linha de pensamento.

— Ah, oi! É a Verity.

— Oi, tudo bem?

— Tudo... hã... desculpe, eu tava querendo ligar pra minha amiga e liguei pra vocês sem querer. – menti.

— Ah, tudo bem. Até, então.

— Até.

Desliguei o telefone, certa de que estava tudo bem – ou tentando me convencer disso. Afinal, quem iria querer sair nessa tempestade que esta lá fora?

Notas finais
REVIEWSSSS!!!!