Daddy
1 Capítulo 1 - Quebra cabeça
Notas iniciais
—Papai.
—Oi pequeno — respondeu dando um sorriso.
—Chegou cedo senhor Kagami.
—Naoko, você pode ficar um pouco mais? – perguntou
—Claro senhor.
—Obrigada
—Vou preparar o jantar – disse se direcionando a cozinha.
—Pai, vamos brincar – falou o menino pulando no sofá.
—Querido – indagou, pegando o menino no colo – o papai esta cansado, podemos brincar amanhã.
—Mas eu queria brincar agora- insistiu o garoto- por favor, por favor, só hoje. – terminou fazendo um bico
— Ok, quer brincar de que? – perguntou
— Vamos montar um quebra cabeça – respondeu pulando do sofá e indo direto para o quarto pegar o jogo.
— Ah, Shisu, não tem outro jogo, não? — perguntou para filho enquanto desatava o nó da gravata.
— Não, quero montar o quebra cabeça até o dia dos pais– respondeu jogando as peças no tapete.
— Quem te deu o quebra cabeça?
— Tia Naoko, ela falou que só montando para ter a imagem e tinha que montar o senhor.
— Só ela mesmo para inventar uma coisa dessas.
Ele se sentou no chão como o filho, devia ter umas 400 peças naquilo, o relógio mascava 17h30min quando elas começaram a fazer, já haviam montado a metade dele, quando a morena veio chamar para o jantar.
—Vamos jantar?- perguntou da porta da cozinha
—Vamos Shi, acabamos depois – respondeu se levantando. Os dois foram para a cozinha, havia dois pratos na mesa. — Janta conosco, Naoko,estou pedindo como um amigo – falou pondo o filho na cadeira.
—Sim senhor – respondeu pegando mais um prato.
—Tia, já estamos quase acabando o quebra cabeça – disse o pequeno
—Mais já? Aquilo deve ter umas 400 peças.
— De onde você tirou a ideia de dar um quebra cabeça de 400 peças para um menino de sete anos? –perguntou
—Primeiro que foi a Dona Nina que mandou fazer a dois anos atrás, ela me fez prometer que eu daria o joguinho quando ele tivesse sete anos- respondeu calmamente.
— Hm. Nina e suas ideias, que imagem seria essa?
— Só montando para ver, era uma fotografia que ela mais gostava.
— Acabei, quero voltar para a sala – informou saindo da mesa.
— Shisui, que falta de educação, pode voltar aqui – esbravejou a moça pelo descuido do garoto.
—Deixa ele, vai escovar os dentes e pode voltar a montar.
O menino saiu correndo para o banheiro e fez o que lhe foi ordenado, vestiu o pijama e foi para a sala, sentou se no chão, juntou todas as pegas que se encaixavam.
— Pai vem ajudar – gritou
— Já vou – respondeu na mesma altura – Pode tirar a mesa? Naoko dorme hoje aqui, pago o dobro se for preciso – terminou se dirigindo a sala.
—ok, não precisa pagar – gritou da cozinha.
Sentou-se no chão da sala, se juntando ao filho, a maioria das peças eram brancas, pretas e avermelhadas. Metade do quebra cabeça já estava montada, deviam faltar umas 150 peças para acabar. Shisui já estava dormindo no tapete quando o pai o pegou no colo, levou o pequenino para a cama, cobriu o mesmo e voltou para sala, montaria mais 50 peças. Já eram 00h00min e as luzes da sala ainda estavam acessas.
— O senhor não vai dormir, não? –perguntou se reencostando na porta.
— Já vou – respondeu
—Agora
— Ok – falou se levando e indo para o seu quarto, teria um longo dia amanhã. Naoko desligou as luzes assim que ele saiu.
–QC-
—Pai, pai acorda, papai acorda – Shisui chamava o pai, mas não obtia nenhuma resposta. O menino saiu correndo para o quarto da tia.
—Tia, tia, tia – falou balançando as cobertas dela.
— O que foi Shi? – perguntou sonolenta
— O papai não que levantar — falou apreensivo.
—Ele só esta cansado, volta para cama ou quer ficar deitado aqui comigo?- Perguntou
— Mas ele ta gelado, tia o papai ta bem?
A moça levantou da cama num pulo, indo em direção ao quarto do patrão, pois a mão no braço dele e notou que não havia pulsação ou calor.
— Shi, você sabe ligar para o seu tio Fugaku?
— Sim
— Liga para ele e fica na sala, pede para ele vir para cá o mais rápido possível. –falou pondo e menino para fora e fechando a porta, pegou seu celular e discou o numero da emergência.
—Alô – falou a voz da outra linha
— Quero uma ambulância, o corpo do meu patrão se encontra sem vida.
—Poderia informar o distrito, casa e rua?
—Osaka, rua saika, edifício nagai, apartamento n°12, penúltimo andar.
—Já estamos enviando uma ambulância para o local. A senhora pode continuar na linha?
— Me desculpe, mas eu tenho uma criança aqui que nem sabe o que esta acontecendo com o pai, à senhora pode me ligar a qualquer momento. -Desligou o aparelho e foi direto para sala
— Shisui ligou para o seu tio?
— sim, ele já ta subindo.
— Vamos para a cozinha, tomar café.
— Sim, posso comer pão de queijo?
— Claro.
A morena coou o café e fez uma xícara de leite quente com chocolate. A campainha tocou e Naoko foi atender a porta.
— Olá senhor Fugaku – disse dando passagem para a entrada.
— O que aconteceu? – perguntou
— O senhor Kagami se foi – respondeu com um olhar triste e sereno
— Senhor, onde esta?
— No quarto.
— cadê o Shisui?
— Esta na cozinha tomando café- indagou- já liguei para ambulância.
—Vou levar o menino para casa, enquanto você arruma as coisas aqui. –Falou se direcionando para a cozinha – Shisui, vamos para o meu apartamento, lá você pode brincar com o Itachi.
—Mas eu ainda estou de pijama – falou o pequeno
—Não tem problema – respondeu a jovem – vai pegar sua mochila e para você ir pra a casa da tia Mikoto, ok?
—Ok – respondeu o pequeno, que correu para o quarto pegando a mochila. –Pronto – falou se colocando na frente da porta.
Os dois uchihas saíram pela porta, deixando a jovem sozinha. Em menos de uma hora o corpo já havia sido retirado do apartamento. No andar de baixo as crianças brincavam, corriam pela sala. Shisui se aproximou da tia, se sentando ao lado dela.
—Já cansou? – perguntou
—Tia, o papai se foi igual à mamãe?
Ela não respondeu, apenas abaixou a cabeça, como uma resposta, as lagrimas começaram a escorrer pelo rosto do menino.
—Agora eu estou sozinho? –perguntou passando as mãozinhas no rosto para secar as lagrimas.
—Claro que não, você tem a mim, ao tio Fugaku, o Itachi e o sasuke – falou passando a mão na barriga – querido você nunca estará sozinho – disse dando um beijo em sua testa – seus pais sempre estarão ao seu lado. —Sorriu para o menino.
11 anos depois
Uma década e um ano haviam se passado desde a morte de Kagami, Shisui fora criado por seus tios. O jovem se encontrava na frente do tumulo do pai e da mãe, sempre ia levar flores para enfeitar o lugar que os pais repousavam.
—Pai – falou passando o dedo na foto que estava grudada na sepultura – sinto tanto sua falta, você sempre me fez falta nos momentos mais felizes da minha vida, mas como diz a tia Mikoto vocês sempre estarão do meu lado, sabe aquele quebra cabeça, era a foto que a mamãe deixava na bolsa dele, uma foto de quando eu ainda tinha três anos – terminou colocando as flores na frente das lapides e caminhou para fora do cemitério. – Foi tão difícil para você esperar, Itachi?
—Você sabe que eu odeio cemitério — respondeu com um tom de casualidade- Podemos ir?
—Sim – respondeu, caminhando sem andar para trás, uma coisa que tinha aprendido com o tempo, olhar para trás serias mais triste e dolorido do que olhar para frente.

Fale com o autor