Da tua Retina
19 Invencível
Notas iniciais
“Eu vejo bem agora que isso acontece o tempo todo na vida. Você pode ver bem quando algo começa, onde se inicia o primeiro parágrafo das coisas, mas o último, ah o último pode ser 200 páginas depois, 20, ou até do outro lado da folha. " L. Krsna
Pior do que uma dor é a antecipação dela. Aquele momento que você sabe que o golpe virá e você não poderá fazer nada para impedir. Senti a respiração forte e rápida em meu ouvido, o agarre de ferro e o peso em cima do meu corpo era sufocante. A mão que agarrava minha nuca, jogando meu rosto no colchão e que me impedia de respirar.
Na minha cabeça, outras cenas se passavam, ainda piores. Eu via Hinata caída no chão do asfalto, lutando para respirar. Seus olhos opacos cheios de medo da morte, os gritos de Neji. Uma dor sob outra dor.
—Eu te avisei Damian. Eu avisei.
Eu nunca me sentia tão fraco, tão derrotado e tão sozinho. Naquele momento que você sabe que não adianta chorar, não adianta pedir ajuda. Que só se pode esperar e juntar o que sobrar dos pedaços.
—Pare...pare com isso!NÃO NÃO!
Abri meus olhos com o grito que saia da minha própria garganta, mas tudo continuava na escuridão. Alguém estava me chamando, repetidas vezes, e quando senti a mão em meu braço tentei golpear, fugir, gritar. Senti um baque quando meu corpo foi ao chão, e então braços tentando me imobilizar.
—NÃO!
—Somos nós! Naruto! Somos nós!
—Por favor...
—Respire! Sou eu, é a mãe Naruto! Você está seguro.
As vozes aos poucos me alcançaram, e relaxei. Minha respiração ainda acelerada e senti braços ao redor de mim, seguidos por outro par conhecido. Tentei não sucumbir a vergonha, por ter tido aquele tipo de ataque e estar chorando na frente do Sasuke e da minha mãe. O cheiro dela me fez relaxar. O toque frio de Sasuke em meu ombro me trouxe de volta a realidade. Eu estava em casa. Eu estava bem.
—Ele está melhor?
Ouvi outra voz, a de Neji, e dessa vez afundei a cabeça no ombro da minha mãe, ainda no chão, envergonhado. Eu havia esquecido que ele estava na minha casa. Só agradecia que Senhor Hiashi havia ido embora mais cedo, que Neji havia ficado para a noite por ceder vaga na caminhonete para os outros e voltaria pela manhã, quando Hanabi viesse buscá-lo.
Eu não queria que ele pensasse que eu era fraco. Era apenas que tudo que acontecera no dia anterior, trouxera lembranças ruins demais.
Fora o último dia do julgamento. O pior dia, em que tive que dar o testemunho. Sentar na frente de todos não era o real problema. Nem mesmo saber que Obito estava ali, mesmo que eu não pudesse ver, me olhando.
O pior era contar tudo o que havia acontecido. Reviver tudo aquilo. Responder todas aquelas perguntas, ouvir laudos.
Após o capotamento do carro, pelo o que os legistas do acidente chamaram de milagre, nós dois sobrevivemos. Obito em melhor estado do que eu, que fui cuspido do carro. Logo que foi liberado, ele foi imediatamente para a prisão preventiva enquanto o julgamento não era realizado. Eu fiquei em coma durante um bom tempo ainda, tanto pelas sequelas do acidente, como pela realização de emergência da cirurgia em minha cabeça. Sofri duas paradas cardíacas, mas despertei, mesmo que cego, mesmo que repleto de traumas. Eu estava vivo.
Eu era um milagre.
O fato de ele ser um Uchiha, mesmo que de um ramo mais distante da família, gerou muita repercussão no caso. O julgamento durou uma semana, os advogados de defesa queriam atestar um distúrbio psicológico, e que ao invés de Obito ser preso, ele fosse enviado para uma clínica psiquiátrica. Foi desgastante. Eu estava esgotado. Eu queria fugir da sala, e mesmo que minha mãe houvesse me dado a opção de gravar meu testemunho, eu ainda assim quis fazer isso. Contei sobre o sequestro, a tortura, o abuso. Sobre o que ele havia me dito sobre a morte de Rin e Damian. Contei em detalhes, cada parte, tudo o que podia lembrar. E ele apenas ficara em silêncio. Para horror dos advogados de defesa, ele nem mesmo se defendera. Não havia como.
Senhor Hiashi e Neji vieram de Konoha, assim como todos os outros amigos que eu fiz lá, mas pedi para que não ouvissem meu testemunho, que não ficassem na sala, e eles respeitaram. Não pude fazer nada quanto a minha mãe, e ela teve que ouvir tudo aquilo. No fim, foi o pior de tudo, sentir a culpa que ela sentia por algo que estava fora de seu poder. Mas agora, tudo havia acabado.
Obito fora condenado. E eu nunca mais ouviria falar dele.
Só queria que aqueles pesadelos fossem embora também.
—Me desculpe. – murmurei quando me acalmei e minha mãe me apertou mais forte.
—Tudo bem meu amor. Está tudo bem. Tudo vai acabar bem.
Esperava que ela estivesse certa.
....................................................
Acabamos todos sentados na biblioteca da casa. Não era tão incomum, desde que os pesadelos haviam recomeçado. Eu me sentia mal por acordar todo mundo, queria que voltassem para a cama, mas alguém sempre ficava comigo. Neji fizera chá para todos, e eu deitei no sofá, a cabeça nas pernas da minha mãe enquanto ela me fazia carinho e todos conversavam sobre outros assuntos. Quase sempre minha mãe ia dormir e Sasuke e eu ficávamos lá ainda um bom tempo, conversando sobre nossos planos para o que fazer da vida depois que a tempestade passasse, ou mesmo lendo em braile. Muitas vezes acabávamos caindo no sono lá mesmo.
Naquela noite, foi Neji que ficou enquanto todos foram dormir. Ficamos treinando braile, ele queria que eu lê-se para ele, escolheu um livro de poesias.
—Era o favorito dela. – Neji falou, sentado a meu lado ao colocar o livro na minha mão. Podia sentir o calor da lareira, e o criptar do fogo era tudo que havia além da voz dele. – Sinta.
Ele tocou a minha mão e a colocou em uma página: — Está desgastado.
—Sim. – Ele falou calmo. – Ela o lia sem parar. Esse. – ele virou as páginas. – Quero que leia esse para mim.
Ele soltou minha mão, ainda ficando perto.
Passei os dedos treinados no papel, e sorri ao ler o título.
—Invictus, de William E Henley.
O poema que eu leria no funeral de Sasuke. Era como se revesse aquele dia no avião, quando contei isso a Hinata e fiz minha promessa. E foi quando senti algo diferente em meu peito. Era uma tristeza. Ainda era tristeza. Mas era uma tristeza diferente.
Respirei fundo, e segui na página, cada ponto se tornando uma letra, palavras, em algo que já se tornava natural para mim.
— Do fundo desta noite que persiste / A me envolver em breu — eterno e espesso/A qualquer deus — se algum acaso existe/ Por minha alma insubjugável agradeço.
O sorriso dela, eu nunca esqueceria o sorriso de Hinata, que parecia que poderia dominar o mundo. Da força que ela tinha para enfrentar tudo na vida.
— Nas garras do destino e seus estragos/ Sob os golpes que o acaso atira e acerta/ Nunca me lamentei — e ainda trago/ Minha cabeça, embora em sangue, ereta.
Quando eu estava com ela, eu sentia que tudo acabaria bem. Que eu era forte também. Que nada poderia me derrotar. E só a lembrança dela parecia retornar essa força para mim. Me fazia sentir que eu poderia fazer tudo.
— Além deste oceano de lamúria/ Somente o Horror das trevas se divisa/ Porém o tempo, a consumir-se em fúria/Não me amedronta, nem me martiriza.
Eu era um milagre. Eu devia estar morto naquele momento. Depois de tudo, eu devia estar morto. Deveria haver algum propósito para eu estar vivo.
— Por ser estreita a senda — eu não declino/ Nem por pesada a mão que o mundo espalma. – Pausei na última parte, meus dedos parados no papel. Eu estava vivo. E aquela tristeza era diferente. Eu havia sofrido tanto, mas eu não havia quebrado. A não ser que eu quisesse quebrar. Senti os dedos de Neji na minha mão, segurando-a e a passando no papel. Sorri.
— Eu sou dono e senhor de meu destino/ Eu sou o comandante de minha alma.
Minha mãe tinha razão. Aquela, era uma tristeza boa. Uma saudade boa. E tudo ficaria bem.
—Muito bem, Uzumaki. Você conseguiu.
Sim, eu havia conseguido.
...........................................................
Eu não tive mais pesadelos depois desse dia.
.......................................................
Quando acordei pela manhã, estava no meu quarto, e havia barulho de risadas vindo do andar debaixo. O sol batia em meus pés, o que mostrava que já devia passar do meio-dia e ninguém havia me acordado. Me espreguicei, e sai da cama, tateando. Eu esperava que Neji não houvesse ido embora ainda, queria me despedir e agradecer por ter me ajudado. Alcancei a porta e o corredor, eu já havia aprendido bem a navegar pela casa.Ouvi movimentação no quarto no fim do corredor, que ele sempre ficava quando vinha.
Bati duas vezes e entrei sem esperar a resposta. Não havia como se preocupar com privacidade com um cara cego – era o que Sasuke mais sofria comigo.
—Pensei que já havia ido embora. – falei, entrando e tropeçando de cara na mala na porta, me equilibrando logo depois. – Queria agradecer por ontem, não sou um Uchiha orgulhoso como o teme. Sei que você vai dizer que não tinha nada melhor para fazer e blablabla. Vou fingir que acredito e que você só anda aqui mesmo por causa da comida da dona Kushina, já é um agregado mesmo e não porque gosta da minha companhia. – Esperei com um sorriso de zombaria a resposta, que não veio. Franzi a testa. – Neji-baka?
—Não é Neji.
A voz me pegou de surpresa, e arregalei os olhos, dando um passo para a frente sem perceber. Era a mesma voz musical que tanto perseguia meus sonhos.
—Hinata. – sussurrei e ouvi uma risada triste, suave.
—Hanabi.
Oh, certo. Hanabi. A Hyuuga que eu não conhecia.
—Ah, desculpe.
Senti meu rosto esquentar, pelas besteiras que havia dito, e por aquilo também. O silêncio era desconfortável.
Eu não sabia o que pensar de Hanabi, ou o que ela pensava de mim. Neji havia dito que ela havia ficado arrasada com a morte de Hinata. Tanto que nem mesmo havia retornado para Konoha em todos aqueles meses, ou dado notícias, o que deixara o pai deles magoado. E apesar do que Neji havia falado, eu não sabia se ela me culpava ou não. Respirei fundo, sentindo os olhos em mim, mas quando abri a boca senti o deslocamento do ar. E logo braços ao redor de mim, me surpreendendo.
Fiquei tão chocado, que demorei a perceber que havia sido abraçado. Levantei minha mão, devagar após segundos, e coloquei na cabeça dela. Eu esperava, por algum tempo, sentir os cabelos longos como os de Hinata, mas o cabelo dela na verdade era cortado bem curto, quase na nuca. E o cheiro era diferente. Não o jasmim que tanto lembrava sentir, era algo doce, igualmente confortante.
—Obrigada. – Ela sussurrou em meu ouvido,me soltando, mas ainda segurando meus braços. Ela devia estar olhando meu rosto. – Obrigada Naruto. Pelo o que fez por Hinata.
Eu estava mudo, minha cabeça em branco. Esperava tudo menos aquilo. Então ouvi uma risada baixa e parecendo sem graça e ela me soltou devagar.
—Desculpe por abraçar você do nada. É que depois de ouvir tanto falar de você, por Hinata nos telefonemas, e então agora Neji e o pai, parece que conheço você há muito tempo.
—Tudo bem. – sorri, sentindo meu rosto esquentar de modo estúpido. Mas não pude não notar que estava enganado antes, a voz dela não era tão igual. Enquanto Hinata era muito suave, quase uma brisa, havia algo de mais forte em Hanabi. Em cada sentença a voz dela era decidida e rápida. Como se ela tivesse pressa de viver. Ela não tinha a calma de Hinata e Neji nas palavras. Era mais espontânea e jogada. Era como comparar dois polos. – Também ouvi falar muito de você.
—É mentira do Neji. – Ela brincou, relaxada, como se fôssemos velhos e longos amigos. E sem querer me veio a mente uma foto que havia na casa dos Hyuuga, dos três filhos. Hinata no meio, com o sorriso calmo, Neji ao lado dela, parecendo pouco a vontade na fotografia, e Hanabi, apenas jogada por cima dos dois com um sorriso aberto e cabelos curtos e espalhados por todo o rosto. Elas eram gêmeas, mas pareciam completamente diferentes. Opostos. – Não vou falar a ele o que você me falou sobre agregado também.
Arregalei os olhos, ainda mais constrangido, e ela riu de um jeito aberto, uma mão suave em meu ombro.
— Pelo amor de Deus, nem brinque nisso. – falei e ela riu mais.
—Tudo bem. Não digo nada ao Neji.
—Dizer o que para mim?
Dei um salto ao ouvir a voz atrás de mim,s entindo ela agarrar meu braço quando quase cai de novo ao tropeçar na mala.
—Credo Neji! Parece fantasma. – Hanabi resmungou.
—E você, pensei que havia se perdido dentro da casa. Caçando Gnomos nas paredes?
—Estava pegando o resto das suas coisas, devia me agradecer. Resmungão.
—Fedelha.
—Sou apenas três anos mais nova que você!
—Não mentalmente.
—Caramba. Isso é bizarro. – falei, aturdido, e eles se calaram. Deviam estar olhando para mim.- Vocês parecem uma versão de mim e do Sasuke.
—Muito engraçado. – Neji rebateu de modo azedo.
—Credo, só se Neji for o Sasuke.
Então ela já havia conhecido o Teme. Pelo tom azedo dela, Sasuke não se dava bem mesmo com Hyuugas.
............................................
Meus dedos tocaram no material frio, com curiosidade. Não pude impedir um sorriso em meu rosto. Uma máquina de escrever. Em braile. Da Hinata.
— Ele ficou feliz com seu gosto por literatura. – Hanabi falou a minha frente, ainda sem soltar a máquina, nossos dedos se tocando. – Então mandou para você.
—Eu não sei como usar. – Falei sem graça, sem saber o que falar.Eu havia falado para o senhor Hiashi que havia tomado gosto por literatura inglesa, mas nunca imaginava isso. Escrever.
Não era uma má ideia.
—Eu posso te ensinar. – Ela ofereceu, e a senti apertar mais minhas mãos. – Neji está te ensinando braile não é? Estou no meu recesso. Tenho apenas mais um semestre. Posso te ajudar enquanto estiver aqui. Venho com Neji. – Ela pausou quando não respondi, meu rosto devia estar surpreso. – Gostei da comida da sua mãe também. E está nevando em Konoha, odeio neve.
Ela falou rápido e ri disso. Hanabi era mesmo uma pessoa bem diferente.
—Eu aceito então.
—Vamos Hanabi! – ouvi a voz de Neji se aproximando. – A estrada é longa.
Ela soltou minha mão com cuidado, me ajudando a colocar a maquina direito em meus braços. E então um beijo em meu rosto, que ficou vermelho de imediato.
Eu definitivamente não sabia como lidar com Hanabi.
— Nos vemos logo, Naruto!
Senti a mão de Neji em meu ombro.
— Eu apareço quando não tiver nada melhor para fazer.
—Claro. – sorri com sarcasmo. – Deviam vir para o natal. Minha mãe fecha o restaurante e faz uma ceia que sobra por uma semana todo ano.
— Não queremos incomodar. – Ele falou, e estava na cara que queria vir. Quase revirei os olhos.
— Mãe! Os Hyuuga vem para o natal!
—Deviam se mudar para cá logo. – Ouvi a voz azeda de Sasuke e ouvi ele gemer.Minha mãe devia ter dado um cascudo nele. Bem feito.
—Claro que sim! Mais que bem vindos.
—Viu só. – repliquei.
—Que seja. – ele falou com descaso. – Até lá então. –Ele pausou mais uma vez, e então senti a mão quente dele bagunçando meu cabelo. Meu rosto esquentou novamente.
Malditos Hyuugas.
Ouvi uma buzinada.
— Não sou surdo Hanabi! E pode sair dai, eu vou dirigir.
— Nem pensar!
—Esses dois parecem com você e Naruto. – minha mãe comentou baixo.
-Foi o que eu disse.
Abracei a máquina ao meu peito, o metal gelado perto do meu coração. Era como se o cheiro de Hinata estivesse impregnado lá. Todos os sonhos dela, que ela escrevera. Um pedaço da história dela. Uma parte dela no mundo.
“Você é um legado da Hinata, Naruto.”
Talvez Neji estivesse certo. Desde a noite anterior, eu me sentia mais leve. Eu me sentia mais inteiro. Eu lembrava do que minha mãe havia falado, sobre como a saudade nunca ia embora, mas um dia parava de doer. Um dia parava de sangrar.
A cada vez que eu pensava em Hinata, desde que acordei, vinha menos o rosto dela morrendo, seu olhar assustado, e aparecia mais o rosto dela sorrindo no avião. Da expressão dela com a chuva caindo sobre seu rosto, girando como um pião.
“Vem, Naruto!”
E foi ali, com a máquina dela perto do meu peito, o frio do outono batendo em meu rosto, o eco das risadas em minha mente, que eu percebi sobre o que a saudade era de fato. Não uma coisa que feria a pele, mas um rastro dos bons momentos. Um rastro das coisas boas que as pessoas que não estão mais perto deixam em nossos corações.
E foi quando eu entendi sobre o fim das coisas, e o começo de outras. Sobre todas as coisas não ditas, e como elas se acumulam em pesam com o tempo. E as coisas que findam tão abruptas, o quanto elas doem, o quanto dói você não saber quando elas findam até seja tarde demais.
E você nunca sabe.
Você nunca sabe quando a última vez será a última. A última ligação, a silhueta sumindo na esquina. Você não sabe. E por isso, essas coisas que se acumulam machucam tanto.
O que você faria se soubesse que aquela seria a última palavra a ser dita à alguém? Os tantos “eu te amos” que foram engolidos, os tantos “tome cuidado” ou “estou pensando em você”. As pessoas nem sempre sabem quando a conclusão será conclusão. Tudo na vida pode ser tão repentino, porque a morte seria diferente?
Por isso, devíamos apenas falar. Falar, porque nada dói mais do que as coisas que não voltam atrás. Do que se calar, e não deixar as pessoas que amamos saberem o que sentimos. Calar, e não deixar marca nenhuma, legado nenhum para as pessoas. Morrer em silêncio, existir sem ter vivido.
Eu estava vivo. Eu havia passado por uma tempestade. Havia me partido, sido partido. E estava vivo. Eu era um legado de Hinata. Ela havia me ensinado tudo aquilo, com suas palavras, e com sua presença, e agora com sua ausência.
Eu era um legado. E queria deixar o meu legado também.
E aquilo, que para todos os efeitos podia ser meu fim, foi o começo de tudo.
Fale com o autor