Da tua Retina

5 Festival de primavera


Notas iniciais
Capítulo em homenagem a Kessi Gomes que recomendou a estória, e a Tissiphone que tem os olhos mais bonitos, ainda que eles lhes deem sustos. Obrigada a todos que favoritaram, comentaram e estão acompanhando. Essa estória é realmente especial para mim. Os medos do personagem acabam sendo os meus, e digamos que os amigos, também. Espero que gostem e desculpem a formatação, coisas do Nyah! Beijos

"A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca."
Carlos Drummond de Andrade

Minha mãe sempre me dizia que todo mundo tem uma maneira de fugir dos problemas.

Ela fugia dos problemas, com os problemas de outros. Foi o que aconteceu com Sasuke e Itachi, e comigo. Depois que eu cresci foi que eu entendi que minha mãe nunca chorou a própria dor dela quando meu pai se foi. Ela não queria fraquejar, por que se ela fraquejasse, eu também fraquejaria. Acho que por isso ela sempre foi tão forte, porque ela era forte por ela e por mim, e por quem quer que ela quisesse proteger.

Sakura acabou sendo bem parecida com minha mãe. Ela nunca conheceu a dela, que sumiu no mundo quando ela nem sabia nada do mundo ainda. Quando minha mãe chegou na rua, e nos conhecemos (ela me deu uma surra por que confundi ela com um menino, ótimo começo de amizade.), ela acabou, aos poucos, elegendo minha mãe como um modelo para ela, e depois minha avó. Foi delas que ela puxou toda a força, como se pudesse proteger todos debaixo de seus braços se o bicho pegar, e nunca amolecer. Sakura sempre fugiu do abandono da mãe dela, fazendo laços e mais laços para suprir isso, essa ausência. O problema é que certas ausências nunca são anuladas.
Sasuke sempre fugiu da dor com a indiferença. Ele vivia trancando seus sentimentos, e nunca se aproximou de ninguém mais além do seu ciclo normal, que incluía minha mãe e a mim, Itachi e Sakura. Todos os namoros dele, nunca duraram muito, porque ele sempre afastou cada garota que ele começava a se apegar. Para muitos, ele parecia apenas um cara de gostava de partir corações para se auto afirmar, e para os caras na escola e mesmo na universidade, era tido como arrogante, que pensava que era bom demais para se misturar com qualquer um, mas poucos entendem Sasuke. Que o problema dele é o medo de perder, como perdeu os pais. O medo de se apegar a alguém e um policial aparecer na porta dele no meio da madrugada e falar que tudo acabou por conta de um cara bêbado na direção.
E vem Itachi. Eu nem posso imaginar o tamanho da dor que Itachi carregou quando os pais dele morreram. Eu lembro de cada parte do enterro, dele e do Sasuke sérios, sem derramar lágrimas perto do caixão, apenas recebendo com indiferença os pêsames. Itachi parecia triste, mas Sasuke parecia apenas... vazio. Naquela noite, quando Sasuke foi dormir na minha casa, eu fiz ele chorar tudo o que estava entalado dentro dele, mesmo que tenha conseguido muitos hematomas nisso (desde então se tornou nosso método de ajudar o outro). Era tanta dor dentro dele... Mas eu sempre imaginei quem ajudou Itachi a chorar. Um garoto de 18 anos tendo que assumir um papel grande demais, cuidar do irmão mais novo, estudar, lidar com problemas de herança e com uma família mesquinha. Itachi conseguiu, se formou em medicina com muito esforço, criou Sasuke e ainda assim nunca foi amargo, nunca o ouvi reclamar de nada, ou culpar Sasuke por ter perdido muito da vida assumindo a responsabilidade por ele.A o contrário, para ele, Sasuke sempre foi mais um filho do que irmão. E é por ver isso que eu entendo porque Sasuke ama tanto Itachi, porque ele mataria por ele, porque a gente se metia em brigas na escola quando alguém falava algo torto sobre ele. Itachi não fugiu da dor dele, ele suportou e transformou em força. E suportou sempre sozinho.
Eu sempre fugi da minha dor sorrindo.

Sorrindo até que eu realmente me sentisse feliz e a dor passasse. Sasuke uma vez me disse que eu sorria tanto que tinha gente que devia pensar que eu era um retardado, porque não existe ninguém feliz a esse ponto. E não existe mesmo, mas esse método de fingir até que se torne real não foi aprendido à toa.

Eu notei com o tempo que as pessoas não se preocupavam comigo se eu sorrisse, ou sentiam pena por eu não ter pai, ou quando era mais novo, por não ter nenhum amigo porque vivia me mudando de um lado para outro.

Eu sorria para que meus pais não achassem que eu ficava machucado com isso, porque minha mãe ficava feliz quando eu sorria. Com o tempo eu deixei de enganá-la, e ela sempre percebia quando meu sorriso era falso ou não. E também nunca enganei Sasuke, mas todos os demais, para todos, eu sempre estava alegre, nunca para baixo.

Minha mãe sempre disse que eu podia colocar um lugar de cabeça para baixo só de me anunciar na porta. Eu nunca fui discreto, contido ou mandei indiretas. Para mim as coisas sempre eram tudo ou nada. Eu apenas nunca chorava, e para mim sempre tudo iria ficar bem se eu sorrisse.
E de tanto sorrir por tudo, eu nunca tinha certeza quando era verdade ou não.

Eu sabia que me sentia feliz quando voava, quando estava perto da minha mãe, em casa e a ouvia cantar as canções que meu avô ensinou a ela quando criança. Eu me sentia feliz quando estava no galpão de aviões com meu avô Jiraya, que havia ido morar no Japão apenas para ficar perto de mim, e foi quem ensinou eu e Sasuke a voar (e a beber e ver revista pornográfica, que minha mãe nunca descobrisse isso). Eu sorria de verdade quando estava com Sasuke e Sakura e os via felizes de verdade por alguma coisa.

Para todo o resto, eu nunca tinha certeza o que era sorriso, e o que era fuga.
Eu aprendi a diferença com ela.
...............................................................................................................................................
Suportar um olhar assassino de um Uchiha não é uma tarefa para qualquer um não, eu bem sei. Aquele pobre cãozinho era meu herói.
— Eu vou te transformar em salsicha. — Sasuke resmungou com a mão estendida enquanto Sakura fazia o curativo. Ela lhe deu um cascudo e ele rosnou, o que ela ignorou totalmente, apertando mais forte a atadura no lugar onde ele levara a mordida o fazendo gemer. — Eu vou morrer de raiva!
— Pakkun é vacinado! — uma menininha gritou indignada com o motivo da raiva de meu melhor amigo nos braços. O cãozinho pequeno que olhava o Uchiha com uma cara de desgosto, se é que cães tem cara de desgosto. Bem, era uma cara semelhante a cara de Sasuke, então acho que sim.
— Mais fácil ele pegar doença de você. — provoquei enquanto olhava dentro da oficina as peças que podiam me servir com desânimo, teria que encomendar quase tudo. Eles estavam perto da porta do galpão amplo que era o lugar, entulhado de metal que mais parecia um ferro-velho. Sasuke estava sentado em um banco pequeno demais para si com as pernas dobradas enquanto Sakura estava sentado em outro a sua frente fazendo um curativo na mais nova aquisição que ele recebera de presente dos animais que o amavam, sendo que o dito animal e sua pequena dona, irmã do dono da oficina, estavam sentado na calçado o encarando com um brilho de ódio.
— Eu só queria fazer carinho nesse troço! — Sasuke sibilou com um olhar ainda assassino para o cão, e agora para a dona. E eu sou o estúpido bobão e alegre. Ninguém me via puxando briga com cães por aí. Não bastasse logo pela manhã ele escapar raspando de um coice de cavalo no celeiro, ser perseguido por uma galinha e levar picadas de abelhas, agora ainda essa.
— Levantar um animal por seu couro não é carinho seu idiota. — Sakura resmungou terminando o curativo. — Quero nem imaginar como trata as mulheres, deve puxar pelos cabelos.
— Se elas pedirem... — ele remungou e ouvi mais um som de cascudo rindo comigo mesmo por não ser eu alí, o que acontecia com bem mais frequência. Sakura maneirava muito com Sasuke. Ou eu aprontava mais, pode ser também.
E Sasuke não reagia aos castigos dela. Talvez isso fosse culpa da minha mãe. Só mulheres fortes aguentavam os Uchihas, na verdade.
— E então idiota? Vai passar o dia inteiro olhando com cara de nada para o ferro-velho?
— Não tenho culpa dos teus problemas com os animais Teme. — resmunguei pegando uma última peça, das únicas três que eu poderia levar e entregando a lista com as que teria que encomendar para um adolescente com cara de preguiçoso, cabelo preto amarrado e quase deitado em cima do balcão com um boné e sonolento até a medula.
Ele quase não levanta a cabeça para olhar a lista.
— Problemático. — ele resmungou olhando a lista e suspirando.
Se minhas peças chegassem com a velocidade que ele seguia a vida dele, eu nunca iria sair daquela cidade, com certeza.
— Quanto vai me custar? — perguntei resignado. Lá se ia todo o meu dinheiro graças ao Jiraya.
— A tabela de preços está a sua esquerda.
— Claro, mover a língua dá trabalho. — Sasuke resmungou e o outro não se dignou a responder. Aquele cara precisava de um café, vou te falar.
Virei para onde ele apontou e vi um quadro. E mais nada. Forcei meus olhos e senti meu peito afundar, minhas mãos tremendo. As letras simplesmente pareciam borrões estranhos dançando a minha frente.
— A letra está ruim? Tsc. — O moreno preguiçoso falou diante da minha demora.
— Ele esqueceu os óculos. — Sakura falou suavemente, muito diferente do tom que usava a pouco. — Sasuke, olhe os preços...
— Eu olho. — resmunguei com teimosia. Me estiquei mais para olhar e cai por cima das peças da frente, derrubando uma prateleira ao tentar me segurar. Todos se assustaram com o barulho e senti braços me levantando, era Sasuke. Meu rosto estava corado de vergonha, e senti aquela angustia aumentar em meu peito. Eu não vi a cara dos demais, mas reinou um silêncio apenas quebrado pelos latidos do cachorro.
— Tudo bem, Naruto? — Sakura estava a meu lado com Sasuke e um banco foi parar embaixo de mim. Assenti, o coração ainda aos saltos, sem encará-los. Minhas mãos tremiam de frustração e meu maior medo se concretizava. Eu estava me tornando um inútil. — Você está sem seus óculos, só isso...
— É, deve ser. — balbuciei, mas sabiamos que não era verdade.
Era só o começo do que viria ainda.

...........................................................................................................................
Era uma cidade pequena, mas adorável. Estava repleta de jacarandás de cor lilás e Sakuras por toda a rua enfeitada. Havia um parque armado para o festival de primavera e uma balsa no rio que cortava a cidade, e Tazuna disse que as oito da noite de lá eles explodiriam os fogos. Ele iria para casa as seis, mas disse que poderia deixar a caminhonete com a gente e seguir com o genro que viera em outro carro também carregado com as sacas de arroz.
Eu não sabia se ele confiava tanto assim em estranhos sempre, ou era o fato de que eu estava ficando cego e ele queria dar uma força, mas ainda assim eu estava agradecido.

Não era o festival de Okinawa, mas ainda assim era um dos mais bonitos que eu já havia visto e as pessoas eram todas muito interessantes, no mínimo, embora Sasuke não parecesse concordar comigo, sempre resmungando que o meu interessante na verdade significava loucos.
Sakura nos arrastou para a roda gigante e todos os outros brinquedos tentando me animar. Assistimos todo tipo de apresentação e já era quase o por do sol quando sentamos para comer em uma barraca de ramen. E foi quando conhecemos os loucos.
Na época, eu não sabia ainda o quanto todos eles iriam ter uma participação tão grande na minha história.
— Naruto, eu não vou pagar o seu! — Sakura avisou irritada apontando para a montanha de pratos na minha frente.
— Ah, vai pedir pinico Sakura? Você disse que ia pagar para todo mundo. Não foi não teme?
— Hn.
— Viu! Ele disse que "Você prometeu Sakura".
Sakura revirou os olhos e suspirou: — Eu disse, mas não sabia que ia comer a barraca toda. Parece que nunca viu comida.
— Cadê sua palavra de homem? — choraminguei e escapei de um rashi no meu olho. Sasuke que estava a meu lado ficou olhando para fora fingindo que não nos conhecia enquanto eu pedia por socorro.
O primeiro que entrou foi um moreno branquelo que parecia uma cópia do Sasuke mal feita, atrás dele vinha um cara moreno com um cachorro que foi para onde Sasuke direcionou um olhar e rosnou, recebendo um cumprimento parecido do animal.
Depois deles vinha uma garota loira abraçada com o preguiçoso da oficina, um gordinho que praticamente empurrou todo mundo para entrar primeiro e um cara estranho com cabelo de tigela que quando viu Sakura parecia que queria arrancar a roupa dela ali mesmo.
— Parece que está cheio. — O preguiçoso falou apoiado na pobre garota, porque aquilo não era abraço, ele estava quase dormindo em pé em cima da coitada. — Problemático.
— Ei ei, calminha Akamaru! — o moreno tentou segurar o cachorro que latia para Sasuke. — Desculpa aí cara, ele nunca faz isso...
— Sem problemas, o problema é com ele. — expliquei quando Sakura parou de matar e olhou indignada para o esquisito de cabelo de tigela que lhe soltou um beijo.
— Forasteiros, interessante. — o projeto de Sasuke falou com um sorriso mais falso que o cabelo rosa da Sakura. Ele olhou para mim e Sasuke que olhava o animal com desgosto. — Dois viados...
Nesse momento me engasguei cuspindo ramen e Sasuke desviou o olhar finalmente enxergando algo além de seu inimigo natural e lançou um olhar Uchiha fulminante. Sakura tossiu e começou a rir.
— Eu sempre falo que essa amizade de vocês gera suspeitas. — ela gargalhou. — Sempre e sempre!
— O que você falou seu... — comecei me recuperando e começando a estralar os dedos pronto para mostrar quem era o filho da Kushina.
— ... E uma menina feia. — o outro completou e Sakura parou de rir e virou o rosto devagar para o garoto.
Agora a porra tinha ficado sério.
E esse foi o início de uma longa e saudável amizade.
.................................................................................................................................
— Como é que eu sempre termino tendo que enfaixar vocês? — Sakura perguntou indignada enquanto estávamos sentados no gramado de onde tínhamos uma visão de cima do palco das apresentações do festival.
— Mas foi você que me bateu! — acusei e gemi quando ela colocou um troço estranho em meu olho do kit de primeiros socorros que sempre carregava consigo.
— Você me queimou com ramen! — Ela falou dando de ombros e apertando com mais força me fazendo gritar.
— Foi sem querer, você que jogou o esboço de Uchiha em cima de mim quando socou ele.
— Não envolva minha família com esse esquisito. — Sasuke resmungou a meu lado com a perna da calça levantada até a canela, onde estava enfaixada mais uma mordida, dessa vez do Akamaru no meio da confusão que gerou nossa expulsão da barraca.
— Se eu pareço com o viado, eu sou um também? — o branquelo em questão falou com um sorriso falso enquanto era cuidado pela loira. A Sakura tinha batido tanto nele que me admirava ele estar acordado. Sasuke o ignorou como se ele fosse um inseto. Estava mais preocupado em encarar o cachorro gigante que infelizmente para ele ainda estava ali com seu dono. Não me perguntem como depois daquela confusão do demônio, estávamos todos juntos naquele gramado. Ainda mais por que parecia que a loira não ia com a cara da Sakura, o branquelo devia ter algum problema psicológico, e tinha aquele moreno que devia ter algum distúrbio neurológico do sono. Só sei que estávamos os três ali com aqueles anormais interessantes, sentados, bebendo saquê e assistindo as apresentações enquanto o sol descia perto do rio.
E em algum momento estávamos conversando como velhos amigos (saquê, meu amado saquê).
— Qual o problema com seus olhos? — o preguiçoso perguntou a meu lado quando estávamos deitados no gramado longe dos gritos e balburdias dos outros.
— Isso não é da sua conta. — Sasuke cortou seco. Então ele era bem esperto e tinha percebido na oficina. Que bom, aquela cara de idiota enganava mesmo.
— Tudo bem. — suspirei. — Estou com um problema em vista. — ri da minha própria piada e Sasuke resmungou me chamando de idiota. — Qual é Sasuke, você tem que aprender umas piadas de cego comigo.
— Naruto, você já bebeu demais. — ele falou e tentou tomar minha bebida, mas eu desviei de seu braço e bebi mais um gole direto da garrafa.
— Em vista de tudo, acho que não. — falei e ele segurou meu pulso e puxou a garrafa.
— Não tem graça nenhuma Dobe.
— O que... — o outro murmurou confuso.
— Estou ficando cego. — falei com um suspiro irritado.
— Cego, você quer dizer...
— Cego, sem visão, olhos fodidos, Demolidor. Cão-guia e braile. — falei sarcástico.

E falando isso minha voz foi ficando mais amarga e alta.
Os outros dois ficaram em silêncio e eu joguei a cabeça para trás e ri como um idiota.
— Prazer! — gritei para os outros que estavam conversando perto de eles olharam para mim. — Sou Naruto Uzumaki, tenho um treco na minha cabeça e estou ficando cego!
— Naruto... — Sasuke advertiu. — Está na hora da gente ir. Você bebeu demais...
— Você não é minha mãe teme.- rebati ficando de pé em um átimo. Acabei ficando zonzo, mas me equilibrei desajeitado.
— Naruto! — Sakura se levantava da grama onde estava com os outros.
— Prazer Naruto Uzumaki, que tem um treco na cabeça e está ficando cego. — A voz rouca me fez me virar.

Me deparei com dois adolescentes que entravam no gramado em direção a nós. O garoto era alto e tinha os cabelos cumpridos e presos para trás, mas não reparei muito nele, já que ela estava do lado segurando sua mão. Era pequena, delicada. tinha os cabelos muito negros e lisos grandes e volumosos, o rosto delicado, um sorriso de canto no rosto. A pele pálida refletia as luzes do palco do festival a nossa frente a fazendo quase irreal, e ela vestia calça jeans rasgada e uma blusa de uma banda que eu não conhecia.

O que me fez parar foram seus olhos. Mesmo na pouca luz eu podia vê-los, opacos, sem vida.

— Sou Hinata Hyuuga, e sou cega.

Tudo começou a mudar naquela noite. Quando conheci a Hinata, eu nunca podia se quer imaginar que ela me mudaria para sempre. Entraria na minha vida quando eu estava afundando, quando nem meus sorrisos de tentativa funcionavam mais.

Ela entrou na minha vida para mostrar que eu sempre havia sido cego, e que perder minha visão podia ser minha chance de enxergar.
Ela me mudou para sempre, e depois simplesmente se foi.

Notas finais
Ficou bão?