Notas iniciais
Primeiro de tudo, quero agradecer Hachi-Chan pela maravilhosa recomendação, me senti honrada! E a todos os lindos comentários também! E como podem ver, ainda estou no ritmo. Acredito que Da tua Retina vá acabar ainda mais cedo que previ - o que é bom, mas triste também. Espero que gostem desse capítulo! Beijos

"Não existem caminhos fáceis, nos filmes, os atalhos sempre levam ao vilão. Na vida acaba mesmo sendo assim." L. Krsna

Recomeçar a sua vida após uma pancada muito forte, colar os pedaços, e seguir em frente. Todo mundo já fez isso – ou vai fazer – alguma vez na vida. Eu lembro bem de uma frase de Hermann Hesse, no livro Demien quando ele diz que para nascer temos que destruir o mundo. Eu só descobri o que isso significava de fato, quando perdi a visão e tive que recomeçar.

Somos como um pássaro, que tem que destruir o mundo que conhece – o ovo – para poder nascer. Assim somos nós, temos que destruir o que conhecemos, o que somos, para renascer no que seremos. Meu mundo eram meus sonhos, meu avião, meus planos. E então quando eles começaram a se destruir, surgiu Hinata, minha luz. E então minha luz se foi, e surgiu apenas a escuridão: Obito.

E eu sobrevivi a ambos.

E no fim tudo estava quebrado, mas eu estava vivo. Eu era um recém-nascido.

Quando eu sai do hospital, naquela primavera, eu não fazia ideia do que faria da minha vida, mas de uma coisa estava certo: eu estava vivo, e não iria desperdiçar isso.

Porque até conseguir esse feito – de estar vivo, de estar bem, de ter renascido – meu mundo inteiro havia ruído, e eu vivi na completa escuridão.

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Eu estava doente, não era difícil de se perceber. Me sentia enjoado a todo instante, minha cabeça parecia um chão perto de rachar por um terremoto. As dores eram tão fortes, que minha visão se tornava escura. Quando falei isso a Obito, ele apenas me deu um medicamento que me derrubou por algumas horas, dizendo que devia ser sequela do acidente.

Quando disse que talvez fosse uma boa ideia procurarmos um hospital, ele disse que faríamos isso quando chegássemos em Tokyo. Não era complicado para mim perceber que havia algo errado. Ir para Tokyo de carro era estranho, e ele parecia estar tomando estradas longas demais, desertas, mas sempre que eu perguntava algo, eu recebia uma resposta confusa, ou acabava tomando o medicamento. Eu não recusava, a dor realmente era horrível demais, dormir era um alivio.

Algo no topo da minha mente me alertava para ficar acordado. Quase nunca parávamos, e quando o fazíamos, eram em lugares beira-de-estrada, desertos. Quando uma semana se passou, eu sabia que não estávamos indo para Tokyo, e não conseguia ficar acordado por mais de meia-hora.

Havia algo de errado.

Algo de muito errado.

Era comum acordar com ele tocando meu rosto, com um misto estranho de adoração e nostalgia que eu não consegui entender. Ele dizia coisas estranhas. Eu nem mesmo conseguia tomar o medicamento por mim mesmo mais, ele sempre me fazia tomar, mesmo eu não querendo. Comecei a perder a noção do tempo. E sempre que estava apagado, eu lembrava de coisas. De uma garota de cabelo rosa, dois meninos de cabelo preto e olhos negros como Obito. E havia uma mulher da cabelo vermelho, um homem loiro, um velho e uma mulher loira. E havia sempre lá, olhos opacos, cheiro de jasmim, mas nunca um rosto, e era esse que eu mais queria ver. Havia uma voz doce na minha cabeça, me falando coisas sábias. E havia muita dor. Quando perguntava a Obito quem eles eram, ele sempre dizia que eram um delírio, e embora sempre fosse calmo, até gentil, ficava irritado.

Eu não sabia quanto tempo havia se passado. Quando dei por mim, estava deitado em uma cama de madeira perto de uma janela,e tudo que eu via por ela eram montanhas, e árvores. Eu não lembrava como havia parado lá, e não conseguia me levantar da cama. Sempre que precisava, Obito me ajudava. Para ir ao banheiro, tomar banho, tomar sol. Ele dizia que eu estava doente e que cuidaria de mim, e passava todo o tempo por perto, lendo capítulos de livros como se eu fosse uma criança, me falando sobre coisas que não lembrava, brincadeiras que não pareciam minhas, sempre dizendo "nós sempre fizemos isso".

Em boa parte do tempo, eu me sentia preso em uma gaiola.

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Ele sempre saia durante a manhã, por longas horas, e eu ficava sozinho. Sem um número de telefone, nem mesmo havia um aparelho na casa. Eu podia vasculhar, quando conseguia sair da cama, sem que ele soubesse. Era uma cabana simples, com uma garagem coberta atrás onde ele colocava o carro quando chegava, e havia uma trilha que eu nunca conseguia chegar a metade dela, cansado demais. Eu nunca encontrava ninguém por lá, e os rastros de mochileiros pareciam de meses atrás.

Havia dois quartos, uma sala atulhada com uma cozinha e um banheiro pequeno. Tudo parecia esquecido pelo tempo. Havia fotos de Obito pela casa, e de um casal de idosos que deviam ser seus pais, ou avôs. Encontrei algumas fotos dentro das gavetas também, em seu quarto, e vi uma foto rasgada lá, quando fui limpar, colada com fita adesiva. Nela havia um Obito adolescente, e uma menina morena a seu lado, e do outro um rapaz loiro, que parecia tanto comigo que imaginei se seria meu pai.

Quando ele chegou em casa, perguntei se ele tinha mais fotos deles. Obito sempre era calmo e brincalhão, ele quase nunca levantava sua voz, e nesse dia ele o fez. De uma maneira assustadora, como se eu o tivesse dito algo ofensivo, dito algo horrível.

No outro dia seu quarto estava trancado.

—Você está muito calado.

Olhei para ele por entre a mesa. Seus olhos tinham um brilho de preocupação tão genuíno, que era impossível não acreditar que fosse verdade. Desviei os olhos para o prato na minha frente. Eu estava tão cansado. E tão confuso.

—Você não comeu nada.

—Não tenho fome. Quando vamos sair daqui?

— Quando você melhorar.

—Pensei que íamos para Tokyo.

—Pensei que você precisasse de férias. Reclamou o ano inteiro de Tokyo!– a voz dele estava tranquila, leve, os olhos em mim enquanto apenas passava o garfo pela comida. – Você está definhando Damian. Coma.

—Não sinto fome. – repeti.

Silêncio.

—Me desculpe por gritar com você ontem. Não gosto que mexam nas minhas coisas. Não é uma boa ideia fazer isso.

Me mexi desconfortável, sem me livrar da impressão que havia sido ameaçado. Se ele era meu guardião desde criança, eu não devia me sentir assim.

—Tudo bem. – murmurei. Eu não tinha forças nem para reclamar. Minha cabeça estava me matando.

Senti os olhos me analisando com cautela.

—Você não tomou os remédios não foi?

—Tomei.

Mentira. Eu não queria ficar deitado de novo, com a mente nublada. Eu queria pensar, quando eu pensava eu conseguia lembrar de algumas coisas.

—Damian...

—Eu quero voltar para Tokyo, preciso ir em um médico. Chio disse que eu precisava ir em um especialista, que havia algo errado em meus exames. – falei rápido, enquanto estava consciente para isso.

—Seu problema é apenas estresse, alguns dias aqui e vai ficar melhor.

—Há algo de errado com minha visão, e os desmaios...

—Você não está comendo direito. Coma Damian. Vamos passar uns dias aqui.

—Tenho a impressão que você está me prendendo aqui. – falei baixo, e a resposta que tive foi uma batida na mesa, alta, que me assustou, o garfo caindo com o barulho, um copo caindo no chão e quebrando em pedaços.

Ele fez um barulho frustrado, e logo eu tinha uma mão na minha testa. Me movi, me afastando por reflexo, quase caindo da cadeira. Ele estava perto demais. A mão dele me manteve no lugar, pesada em meu ombro, a outra afastando meus cabelos.

—O.obito...

—Shh, está tudo bem. Você está cansado, e com febre. Vai tomar seu remédio e ir para a cama.

Ele falava como se eu estivesse louco, estivesse delirando.

—Eu não quero tomar isso.

—VOCÊ VAI TOMAR!

Depois do grito, o silêncio era cortado apenas por minha respiração rápida. Meu coração acelerado. Os olhos dele estavam escuros e assustadores, e eu tive medo de verdade. Não queria ter, mas no estado em que estava, eu era como uma criança pequena, sem força para nada. A mão machucava meu ombro e gemi sem conseguir me conter.

E então ele suspirou, o rosto suavizando.

—Desculpe por gritar.

A mão que havia agarrado meu cabelo o acariciou, e ele me soltou após fazer o mesmo no meu rosto. Eu queria pular para longe dele, muito longe.

Ele se jogou na cadeira, com um suspiro exausto. Eu apenas continuei o olhando, com medo, a garganta apertada, o ombro dolorido. Os cacos de vidro no chão.

—Tome seu remédio e vá dormir, está apenas cansado.

Eu apenas obedeci.

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"Havia um tsuru de papel, muitos deles dançando ao redor de mim, e alguém corria entre eles. Ouvia uma risada doce, e então era abraçado com carinho por pura luz. E os tsurus se transformavam em borboletas.

Era tudo puro amor. E havia aquele cheiro de jasmim.

— Eu sou a borboleta Naruto."

Abri meus olhos na escuridão, havia uma respiração quente atrás de mim, e mãos frias me abraçando por trás, em um agarre de ferro.

Me sobressaltei.

—Shhh, sou eu.

—Obito... –murmurei, tentando soltar seu braço, só para ser apertado mais forte.

—Volte a dormir Damian.

Aquilo não parecia certo. A mão dele começou a fazer círculos na minha barriga, por baixo da minha blusa e meu coração acelerou. Tentei me soltar com mais força, com toda que conseguia no estado que estava e dessa vez consegui, me afastando dele na cama, e caindo dela no processo.

—Naruto!

Sentei no chão, atônico. Foi como se algo desse um click na minha cabeça. Meu coração parecia que sairia pela boca.

—Do que me chamou?

A respiração dele estava rápida, e quando ele falou, sua voz estava cheia de raiva.

—Mandei você voltar para essa cama agora!

Não me mexi, e logo meu braço foi agarrado com força. Dessa vez lutei contra, mas ainda estava muito sonolento, muito fraco. Logo estava na cama de novo, dessa vez bem seguro no colchão, enquanto me debatia.

Apenas parei em choque quando senti a pancada no rosto . Com as costas da mão, forte. Meus olhos se abriram cheios de lágrimas na escuridão, mas não choraria.

Havia gosto de sangue na minha boca.

A respiração quente estava no meu rosto, em cima de mim.

—Quando eu mando você fazer algo Damian, você faz. Não sei qual o seu problema!

Meu nome não era Damian, esse era meu problema.

Eu tinha que sair dali.

—Me desculpe. – ele falou, me soltando devagar, a mão nos meus cabelos, acariciando lentamente. – Apenas me assustei. Eu realmente sinto muito.

Eu queria ir para casa.

—Eu sinto muito Damian.

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"Eu te amo, Naruto."

Abri os olhos na escuridão do quarto, e pareciam que aqueles olhos opacos ainda me fitavam do meu sonho. E dessa vez, havia um rosto delicado sorrindo docemente.

—Eu te amo. – respondi baixo, como um apelo. Virei para o lado e Obito não estava mais lá, ele já devia ter saído.

Ainda bem.

Eu me sentia tão cansado. Era como entrar em um túnel escuro, e eu me perdia dentro dele, sem ver nada além da escuridão por instantes. Me levantei da cama, cambaleante, e ao chegar no banheiro o enjoou me venceu e coloquei o nada que tinha na barriga para fora. Meu olhos pinicavam. Terminei sentado no chão do corredor, olhando para a parede. E eu lembrei de estar doente quando era bem pequeno, e de uma mulher ruiva cuidando de mim, me fazendo sopa, medindo minha temperatura.

"Mamãe."

"Você não sabe se cuidar Naruto!"

Abri bem meus olhos com isso. Essa voz, irritada. Cabelos rosados. Camisa sobre desmatamento. Preocupação.

"Esse dobe nem mesmo sabe amarrar o sapato sem você, Sakura?"

Sakura.

Sasuke.

Avião.

Deitei no chão de madeira, encolhido, encostando minha testa na parede fria em busca de algum alívio.

"- Obrigado, por tudo isso. Por estarem aqui comigo.

— A gente sempre vai estar Naruto. Por que a gente ama você. Não é Sasuke?"

—Eu quero ir para casa...

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Eu estava na cama de novo. Acordei no instante em que fui colocado de volta nela, mas mantive meus olhos fechados. A mão fria estava no meu cabelo de novo, e senti um beijo na minha testa.

—Eu sei que você está acordado.

A voz dele soou divertida, mas havia algo vago. Meu corpo estava rígido enquanto a mão fria continuava brincando com meu cabelos. Eu não ousava me mover. Senti um beijo frio na minha bochecha, e meu coração acelerou.

—Quem é Damian?

Minha voz saiu em um sopro, e a mão parou com o movimento de carinho por alguns instantes. Meu corpo ficou ainda mais tenso, como se esperasse apenas a pancada vir como na outra noite, mas ao invés disso, fui abraçado, dessa vez pela frente, minha cabeça contra o peito dele. A roupa estava molhada, e eu não sabia o que era pior. Eu preferia ele me batendo.

—Que pergunta, você é Damian. Sua febre está fazendo você delirar. Precisa tomar seus remédios.

E então vou ficar dopado o bastante para não perguntar nada. Não lembrar da minha mãe, e do garoto moreno e a menina de cabelos rosados. E da garota-borboleta.

Eu queria lembrar. Mesmo que estivesse delirando agora, eu queria lembrar do avião. E que meu nome era Naruto. Era como a garota-borboleta havia me chamado.

—Não.

Senti o aperto mais forte, e um beijo em meu ombro. Tentei me mover pra longe, e parecia que eu estava andando dentro d'água. Lento, pesado. Ele agarrou meus pulsos e fiquei no lugar, preso. O pânico fazia minha voz tremer.

—Quem são os dois na foto? – a pergunta saiu fraca, e foi mais para irrita -lo. Eu queria que ele me batesse, eu preferia do que ele me tocando daquela forma. Que me batesse e fosse embora.

Ele suspirou, ficando calado, o corpo tenso, até falar em meu ouvido, a voz baixa. E havia som de chuva, e tudo estava se tornando um borrão febril.

— Você parece com ele. O mesmo cabelo, e os olhos quase violeta. São tão raros. Mas tem o sorriso dela, o sorriso que iluminava tudo...

Os dois da foto. Ele falava dos dois na foto...ele falava...

—Poderia até ser filho deles. No dia que coloquei os olhos em você, era como se fosse algo enviado para mim. – ele riu, e então eu ouvi um soluço, e o aperto ficou ainda mais sufocante. – Eu os amava tanto...os dois, os amava tanto...

Uma umidade maior do que as roupas dele começou a se formar em meu ombro, e apenas fiquei parado, esperando, sem saber o que fazer.

"— Eu tinha uma namorada chamada Rin, eu sempre vinha aqui com ela sabe. Ela tinha uns cabelos castanhos, e um sorriso largo. A gente sempre assistia o festival, desde criança nesse cais."

Eu lembrava agora, de fogos de artificio no cais, e um cigarro. Mas era tudo ainda tão confuso.

—Eu preciso ir para casa. – falei baixo. Eu tinha que me manter acordado. Eu precisava.

—Sua casa é aqui. – a voz dele saiu entre soluços. O abraço mais apertado. – Vou cuidar de você. Nunca vou te deixar sozinho. Seremos uma família.

Senti meu coração acelerar. E então um beijo em meu pescoço, um abraço mais sufocante. O nariz gelado passando na minha bochecha e tudo o que eu queria era correr dali.

—Já tenho uma família. Você tem que me deixar ir...

Perdi minha voz quando em um puxão do meu cabelo minha cabeça foi virada para cima. O rosto dele estava pálido e agora furioso em mim.

—Você não vai a lugar algum. Ouviu bem? Eu mato você antes.

Ele estava falando sério. Senti meus olhos marejando quando o aperto se tornou quase insuportável. Então ele me soltou, beijando meu rosto.

—Vai ficar tudo bem Damian. Vou te dar um banho gelado, sua febre está muito alta. Vai ficar tudo bem, você vai ver só. Eu sei como cuidar bem de você, eu prometo.

Eu não sou Damian.

Eu só quero ir para casa.

Eu preciso sair daqui.

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Eu dormi boa parte da viagem de Tokyo para a cidade da minha mãe. Iria morar com ela por um tempo, já que por enquanto eu não conseguia nem mesmo atravessar a rua sozinho.

Era frustrante. Por tudo era frustrante, e se não fossem pelos últimos meses, eu não saberia o que fazer. Minha independência sempre fora tudo para mim. E agora eu não sabia nem ir ao banheiro sem bater a cabeça, escolher minhas roupas sozinho ou pagar um café.

Eu havia saído do hospital em uma segunda-feira, sete meses depois de ter sido internado. Sasuke e Sakura haviam voltado para Brisbane para o novo semestre, já atrasados, e apenas minha mãe estava me esperando do lado de fora. Novamente, éramos apenas nós dois, tendo que recomeçar depois de uma boa pancada da vida.

Meus avós haviam voltado semanas atrás. Minha avó havia adoecido, e eles tinham que ficar em casa, longe da agitação.

Itachi havia me ajudado muito nesses meses. Em tudo. Ele me levara até minha mãe com cuidado, como se estivesse entregando um bebê recém-nascido.

Itachi havia salvo minha vida.

Eu não tinha duvidas disso. Então a analogia acabava sendo mais do que correta. Ele agarrava meu braço com firmeza, sua voz gentil já bem marcada em um tom familiar, com meu sentido mais aguçado, eu até mesmo sabia seus passos, daquele tempo que passei na UTI, e onde apenas ele podia vir me ver livremente, passando horas comigo para que eu não me sentisse sozinho. Quando eu estava ainda tão quebrado, tentando escalar para fora. Nós momentos não raros que eu começava a esquecer o que Hinata havia me ensinado, sobre como ser cego não quer dizer viver na escuridão, ao menos que você queira isso.

Itachi vira meu pior naqueles dias, então ele merecia meu melhor agora.

Eu estava muito mais magro. Meu cabelo curto, que agora nascia totalmente cacheado, de um jeito estranho. Eu era uma sombra do que já havia sido, depois da quimioterapia e todas as sequelas do acidente que me levara ali. Imagino o que minha mãe estaria pensando, me vendo assim. Se estava com tanto medo do futuro quanto eu.

—Naruto...

A voz dela me acordou. Depois de horas no avião, e então no carro, eu ainda estava exausto. Eu não sabia aonde estávamos, só que havíamos parado.

—Chegamos?

—Sim. E tem uma caminhonete parada de frente a varanda com um charmoso rapaz lá. Infelizmente acho que não é para mim.

Quase revirei os olhos para isso. A curiosidade me tomou, e quando abri a porta ela já havia descido e rodeado para minha porta.

— Esperando há muito tempo?

Ela perguntou alto e simpaticamente – sinceramente mãe! -, para o visitante estranho enquanto me ajudava a descer.

—Não muito. A senhora quer ajuda? — a voz me pegou de surpresa. De todas as pessoas, era a ultima que eu esperava. — Olá Naruto.

Ele falou, de perto agora. A voz parecia diferente, cansada. Envelhecida até, mesmo que só houvesse passado alguns meses.

—Olá Neji.

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Notas finais
.... Trecho do capítulo 6 – Encontro no cais. Quem quiser conferir.