Da amizade ao amor
1 Capítulo 2
Notas iniciais
Lucas
Eu não estava muito afim de entrar na faculdade, depois que a Du desceu do carro, fiquei pensando na briga que tive com meus pais mais cedo. Eles podem achar que eu tenho uma certa dependência da Eduarda, e acho que é um pouco verdade, mas eu não quis entrar na faculdade por causa dela. Como a minha família tem uma empresa, um dia pretendo trabalhar nela, mas antes eu preciso ter alguma base e é isso que eles não entendem. Eu to bem irritado com meus pais, por isso tenho a certeza que não irei ficar 100% na aula, por isso vou dar uns rolé por aí. beber alguma coisa ou encontrar alguma coisa para me distrair. Me lembro que depois tenho que vir buscar a Eduarda, não vou deixá-la andar de busão e depois ela sempre pode ir lá pra casa jogar. É isso que vou fazer.
Sempre tive meus vícios e ultimamente o álcool está se tornando um deles, fora as drogas, mas isso estou conseguindo controlar. Hoje cheiro bem menos do que no tempo do ensino médio. Por isso estaciono o carro perto de um barzinho que tem perto da faculdade e começo a beber vodca. Nem percebo o tempo passar até que meu celular começa a tocar, quando vejo é a Du e começo a rir que nem um louco.
" — E ae Du, o que conta de novo?" — pergunto assim que atendo e já recomeço a rir.
" — Lek, onde tu tá? A faculdade acabou há uns vinte minutos, tô aqui fora te esperando... Lucas, você andou bebendo?" — ela começa a perguntar e por mais que eu já esteja pra lá de sóbrio, percebo um certo tom de preocupação na sua voz. Eu nem tinha percebido que o tempo tinha passado e começo a me sentir culpado — " Pô Du foi mal, saí para dar uma volta, aí parei aqui nesse bar e comecei a beber. Espera que eu já estou indo te buscar" — digo já me levantando na cadeira e é aí que começo a sentir as tonturas — " Pensando bem Du, acho que não vai dar pra ir te buscar não" — digo rindo de novo.
" — João Lucas, onde você está que eu vou aí te buscar." — diz ela toda preocupada.
" — Sabe aquele barzinho perto da faculdade?" — pergunto.
" — Sei, aquele que você sempre vai quando não entra pra faculdade? É claro que sei Lucas, você passa mais tempo nessa coisa, do que na faculdade. Espera aí que já estou indo aí. Não me saí daí hein?" — diz e desliga o telefone.
Sei que vou ouvir um monte quando ela chegar, mas a Du às vezes exagera, eu não passo tanto tempo assim aqui no barzinho. Enquanto tô esperando a Du, um cara se aproxima da mesa.
" — E aí cara, tudo bom?" — ele pergunta.
" — Fala ae lek, tudo ótimo e com você?" — respondo todo alegre.
" — Então cara, tava aqui te observando e quer saber? Tu tem cara de ser rico, me passa a carteira!" — filho da mãe está me assaltando. Oi? Como assim? Ainda no meu estado de lentidão, eu começo a rir e falar:
" — Não vou te dar nada meu chapa, vaza daqui se não tu vai ver encrenca."
" — E ae mano, pega o cara e a carteira dele" — eu nem tinha percebido que ele estava acompanhado de mais três caras. Foi tudo tão rápido que nem percebi, quando dei por mim, tinha dois caras me segurando, um pegando minha carteira e o que tinha falado comigo antes, estava me batendo, ou melhor, me dando uma surra. Esse tipo de coisa sempre acontece comigo, eu gosto de uma boa encrenca, gosto da confusão, mas caramba o cara tava me quebrando quase. Ao longe eu escuto meu nome sendo gritado aos berros.
" — Lucaaaaas.. Lucaaaaas.. Larguem ele seus idiotas, larguem ele. Não estão vendo que ele não está reagindo? Vocês tão matando o cara. Largueem ele" — ao longe percebo que essa voz é da Du e que ela está chorando, não sei se reajo ou se caio na risada. A segunda opção é melhor.
" — Larguem o cara agora ou chamo a polícia!" — reconheço a voz do dono do bar. Os caras me soltam e bato com força a cabeça no chão, a última coisa que me lembro são as lágrimas da Du caindo no meu rosto e da dor insuportável.
Quando acordo estou em uma casa totalmente desconhecida e sendo abraçado. Meu corpo inteiro dói e não lembro de nada, quando olho para trás vejo que é a Du que está me abraçando e estamos em um sofá.
" — Ei sua marrenta, o que aconteceu?" — pergunto.
Ela acorda toda preocupada e quando me vê, posso ver nos seus olhos que ela chorou muito. "Quem a fez chorar? Eu vou matá-lo" é a primeira coisa que penso.
" — Aí graças à Deus você acordou. Pô cara não me dá mais esse susto não. Tá tudo bem? Aonde tá doendo? A gente tem que ir pro hospital" — ela diz toda apressada e eu não consigo entender nada.
" — Espera aí Du, uma coisa de cada vez. Do que você está falando?" — digo me sentando. "Caramba, tudo dói." "- O que foi que aconteceu? A última coisa que lembro, é eu bebendo no bar, depois disso tá tudo branco!" — digo.
" — Eu vou te matar João Lucas, um dia desses, juro que te mato. Você não se lembra que ontem, você encheu a cara, me deixou sozinha na faculdade que nem uma idiota e quando eu te liguei e soube onde você estava, tu tava apanhando. Pô Lucas, eu não te entendo, até ontem mesmo tu tava reclamando da sua família, e agora apronta uma dessas? Mas que merda, eu achei que você poderia morrer!" — diz ela já gritando. Nunca vi a Eduarda tão nervosa assim. Eu nem sei como vou responder a isso.
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