Notas iniciais
Não consegui ficar longe daqui ♥ Crianças cuidado, cenas fortes à caminho.

Eduarda:

Conforme os dias foram passando, aos poucos tudo foi se tornando familiar, mas eu não tive mais nenhum vislumbre da minha vida, como tive na primeira vez que estive em casa. Casa. Uma palavra tão simples, mas que significava tanto.

João Lucas não queria voltar ao trabalho tão cedo, mas logo no segundo dia, quase o empurrei porta à fora, para que trabalhasse, ele ficando em casa, só me deixava mais nervosa, pois não conseguia controlar meus impulsos perto dele.

Ficava em casa sozinha a maior parte do tempo, olhava as fotos que Lucas preparou para mim, de vez em quando, alguém da sua família vinha me ver, eu tentava ficar atenta, com cada detalhe que eles me falavam, mas nada vinha refrescar minha memória.

Por isso, comecei a caminhar perto de casa, às vezes só sentir o vento batendo no meu rosto, trazia algo à tona. Me sentava no jardim com o álbum de fotografias na mão, tentando me lembrar agora um pouco do meu noivado, algumas coisas vinham e iam com tanta rapidez que eu não poderia confiar cem por cento em mim.

Um dia desses quando estava fazendo caminhada, parei para tomar um sorvete, mas assim que estava saindo com o sorvete na mão, esbarro em alguém. Olho para cima irritada, quando percebo que é um cara mais velho, poderia dizer que seria meu pai.

Ele me olha embasbacado com um brilho de reconhecimento no rosto.

" — Me desculpe senhor, eu não te vi." — digo, toda com vergonha de antes me sentir irritada por esse cara. Algo nele me é familiar só não sei o que. Percebo que ele tenta esconder a grande surpresa que está sentindo, mas evidentemente não consegue.

" — Não tem problema, você não é a esposa do João Lucas Medeiros?" — ele pergunta com insegurança e noto um leve sotaque nordestino em sua voz.

" — Filho da Maria Marta? Sou eu mesma, me desculpe se você me conhece, mas é que eu sofri um acidente de carro, algum tempo atrás e estou sem memória" — digo dando um sorriso para me desculpar. A estranha sensação de que esse cara me é familiar, não sai de mim.

" — Um acidente? Nossa como tudo isso aconteceu?" — pergunta preocupado, mas noto a nítida sensação de alívio que toma o seu corpo, esse cara sabendo tudo de mim e eu sem memória, me faz ficar preocupada.

" — Me desculpe, mas quem é você? Eu te conhecia, antes do acidente?" — pergunto.

" — Sou um velho amigo da família, me chamo José, mas estive algum tempo viajando e não sabia disso" — diz.

José. Esse nome dá uma coceirinha na minha cabeça. O meu sogro se chamava José e ele está falecido, o meu cunhado se chama José, pelo visto José é um nome em comum nessa família.

" — Bem senhor José, isso aconteceu à uns quatro meses e alguns dias. Faz alguns dias em que eu acordei de um coma, sem me lembrar de nada. Só tenho alguns vislumbres, de quando era amiga do João Lucas, mas fora isso, nada!" — digo, me aborrecendo comigo mesma.

" — Nossa, então foi grave mesmo." — diz José.

Quando confirmo com a cabeça, ele pede para pagar outro sorvete para mim, recuso, mas ele insiste.

" — Por favor, sou amigo da família Medeiros, não tem problema nenhum. Talvez eu até consiga lhe ajudar a recuperar um pouco a sua memória" — quando ele diz isso, minha curiosidade vence, pois tudo o que pode me ajudar a recuperar à memória, eu quero.

" — Tudo bem então." — ele me paga outro sorvete.

Ficamos no máximo duas horas conversando, ele só pegou uma parte da minha vida, pelo que diz, mas algo em sua voz, me diz que está mentindo. Me conta como João Lucas e eu eramos no ensino médio, o quanto nós aprontávamos, me conta também que eu era mais ajuizada do que Lucas e que batalhei muito para entrar na universidade, isso aguça minha meu pensamento.

" — Universidade? Eu fazia faculdade?" — pergunto espantada.

" — Fazia, pelo o que eu me lembre, você fazia sim. Era Letras, você e o João Lucas entraram na mesma faculdade, só que ele era Contabilidade." — conta.

" — Como ninguém nunca me disse isso? E por que larguei a faculdade? — pergunto.

" — Acho que eles ainda não te contaram, pois esperavam que sua memória voltasse aos poucos, e você não largou a faculdade, acho que você continuou indo, mesmo estando grávida você continuava na faculdade" — diz com seu sotaque nordestino.

" — Espera, você está querendo me dizer, que fiquei grávida logo na faculdade?" — pergunto incrédula.

" — Sim e isso foi o estopim para que seus pais, que aliais te tratavam muito mal, cortarem a relação com você."

Isso tudo é informação demais, mesmo esse cara sendo um amigo da família distante, ele sabe de muita coisa. Minha curiosidade chega a ser tanta, pois ainda não consigo me livrar da sensação familiar.

" — Ok, vamos desacelerar isso ai, é muita coisa para processar" — digo. — " Me conte um pouco sobre você, até minha mente esfriar com todos esses novos acontecimentos. Quando você conheceu a família Medeiros?" — pergunto.

" -Conheço a família Medeiros, desde que Marta, se casou com o marido dela" — ele simplesmente diz.

Quando vou argumentar, percebo que já está ficando tarde e preciso voltar para casa.

" — Bem, essa história está incompleta, você precisa terminar de me contar outro dia." — digo e assumo uma coragem que não sei de onde vem — " O que você irá fazer amanhã?" — pergunto, quando me responde que não ira fazer nada, o convido para outro passeio, naquele mesmo lugar.

" — Tudo bem, amanhã estarei aqui, no mesmo horário." — ele diz dando um sorriso.

" — Muito obrigada, com os seus relatos, sobre o que você conhece da minha vida, espero recuperar a memória o mais rápido possível" — digo já me levantando e saindo. — "Até amanhã" — grito sobre o ombro.

Quando chego em casa, percebo que a família do João Lucas está toda lá, até me assusto ver tantos rostos assim.

" — Nossa Eduarda finalmente!" — diz Lucas irritado.

" — Mas o que foi que eu fiz?" — pergunto sem entender aquele alvoroço todo.

" — Você desapareceu, foi isso o que aconteceu. Nem o telefone você atendia" — ele continua irritado, mas quando se aproxima e me abraça, é todo carinhoso.

" — Desculpa lek, você sabe que eu gosto de fazer caminhadas agora, para ver se assim minha memória volta." — digo o abraçando.

" — Bem já que ela apareceu, vamos todos ir embora, pois esses dois precisam conversar" — diz Marta. Cada dia mais essa mulher me fascina.

Quando todos vão embora, subo para o quarto afim de tomar um banho, Lucas me segue.

" — Eduarda, você não pode sair assim, você esqueceu que não se lembra de nada?" — diz Lucas.

" — Claro que não lek, mas ficar dentro de casa, sozinha com meus pensamentos, não está me ajudando em nada. Além do mais, hoje o dia foi produtivo" — digo, pegando uma toalha e indo tomar banho.

" — Produtivo como?" — grita Lucas do outro lado da porta.

" — Produtivo, como o fato de você não ter me contado que fazia faculdade e que engravidei bem na faculdade e além do mais, que meus pais, que já eram uns merdas, terem cortado a relação comigo de vez, quando descobriram que estava grávida." — estou gritando a esse ponto, nunca achei que estava tão irritada. — "Quando você ia me contar isso, Lucas?" — pergunto.

Percebo que estou mais irritada pelo fato das pessoas estarem escondendo minhas próprias lembranças, estou frustrada de não me lembrar de nada.

" — Você se lembrou de tudo isso?" — pergunta espantado. E aí que eu percebo a grande burrada que fiz. Como agora posso explicar para ele, que conversei com um estranho na rua e ele me deu essas informações? Mas percebo que tenho que ser sincera com ele, apesar de tudo.

" — Pra falar a verdade não, encontrei um conhecido que começou a me contar essas coisas, foi por isso que demorei" — digo me sentando na cama.

" — Um conhecido? Você deu pra falar com estranhos agora?" — pergunta irritado mais uma vez.

" — Tudo é estranho para mim João Lucas, que diferença vai fazer um à mais outro à menos, me diz? Pelo menos ele está me contando as coisas, não é como você que não me conta nada" — digo gritando de novo.

" — Mas o que você quer que eu diga?" — pergunta exasperado.

" — A merda da verdade Lucas, a merda da nossa vida. Seja sincero pelo amor de Deus comigo!" — grito. Ele se aproxima de mim e segura em meus braços, me empurrando para a parede.

" — Você quer a verdade? Tudo bem aí vai. A verdade é que eu estou louco de vontade que minha mulher volte, a verdade é que estou morrendo ver você assim e muito menos você não me deixando tocá-la, a verdade é que eu vou continuar te amando, mesmo que você nunca recupere a memória. A verdade Eduarda é que quero me perder no seu corpo como fazíamos antigamente, eu quero você, mas com tudo o que está acontecendo, você não me deixa tocá-la direito." — ele grita.

Nós dois estamos ofegantes e não sei se é por tudo o que ele acabou de falar ou se é pela aproximação repentina que está afetando tanto meu sistema respiratório.

Quando eu me dou conta, estou beijando João Lucas, com um fogo que tentava manter apagado. Ele responde na mesma intensidade ou até mais, Lucas agarra minha cintura e envolvo a sua com minhas pernas e me leva para cama. Acabei de sair do banho e estando só de toalha, facilita o trabalho dele.

Lucas tira minha toalha e começa a beijar o meu pescoço, flashes de noites assim voltam a memória e sei o quanto isso será prazeroso.

Lucas beija os meus seios e eu só consigo gemer e suspirar, acariciando de leve o seu pescoço, ele me beija mais uma vez com tanta intensidade que quando ele se afasta mordo gentilmente o seu lábio inferior e é quando ele geme.

" — Eu estava com tanta saudades disso" — diz no meu ouvido e o mordendo, tento tirar sua camisa que se afasta para facilitar o processo, não sei como, mas em questão de segundos, ambos estamos nus e Lucas só consegue me torturar com essa língua poderosa que tem.

" — Lucas, por favor, para com isso" — digo gemendo e suspirando.

" — Ah não Du, aqui está muito bom" — diz rindo.

Ele continua me torturando e é quando faço algo inesperado para nós dois, o derrubo na cama e subo em cima dele.

" — Bem, agora que eu estou por cima, que forma de tortura seria adequada?" — pergunto, rindo dele.

Começo beijando a sua boca, pois vou descendo para a orelha, quando estou chegando ao pescoço, estou mais uma vez de costas pra cama. Olho para Lucas e percebo que toda sua paciência se foi.

" — Chega de tortura" — diz me beijando e entrando em mim. Uma sensação maravilhosa percorre o meu corpo, quando Lucas está dentro de mim. Me sinto mais viva do que nunca.

Ele vai devagar, beijando cada parte do meu corpo que consegue alcançar, não tento apressá-lo, isso está maravilhoso demais para que acabe rápido, nossos corpos estão suados e facilita ainda mais para que nossos cheguem mais perto um do outro. Quando estou chegando perto do clímax, Lucas acelera e me beija. Atingimos o clímax juntos e estamos exaustos mas certamente contentes.

" — Eu acho que também estava sentindo falta disso" — digo rindo e o abraçando. Pequenos flashes de nossa vida depois do noivado começa a invadir minha memória, os momentos da gravidez, o quanto Lucas era carinhoso comigo, o quanto Marta me ajudava, nosso casamento, nossa lua de mel, quando contei pro Lucas que estava grávida de um casal e ele quase surtou de alegria, tudo isso invade meus pensamentos.

" — Que bom que você estava sentindo saudades" — diz João Lucas, encostando sua testa na minha, ainda dentro de mim, eu aceno com a cabeça e o beijo. Beijo com todo o amor que sei que tem dentro de mim por esse homem e quando recomeçamos tudo de novo, sei que logo minha memória estará completa.

Notas finais
Gente eu amo o fogo desse casal ♥