João Lucas:

Quando atendi meu telefone pensei em todas as pessoas, menos na Vanessa me ligando e muito menos querendo saber se a tal história que ela tinha ouvido sabre o filho caçula de José Alfredo e Maria Marta, estava mesmo casado, mas o que me deixou realmente sem chão e sem reação foi como a Du se comportou com tudo isso.

Pensei que ela fosse dar algum chilique, fosse ficar brava ou algo bem ruim, mas ao contrário, ela não deu nenhuma crise de ciúmes, só um pouco no começo, mas demonstrou uma maturidade que eu não enxergava ali antes e isso só me fez amar ainda mais minha esposa.

Conforme os dias foram passando, voltei a trabalhar na Império, enquanto a Du ainda não tinha saído do hospital, estava de repouso, os meus filhos estavam as coisas mais lindas, que essa vida poderia me dar. Todo dia saia mais cedo da Império, passava horas ao lado da Du e dos nossos filhos. Du já estava ficando impaciente após ficar tantos dias no hospital e não podendo sair.

“ – Pô lek, não tem como você ver com o Doutor quando posso sair daqui? Junto com nossos lekinhos é claro” – diz Eduarda pela décima vez naquela noite. Eu acho engraçado o quanto nós dois detestamos hospitais e mesmo assim, de vez em quando passamos mais tempo aqui do que na nossa própria casa.

“ – Du, eu já disse, o médico irá te dar alta amanhã, você não consegue ficar calma só mais um dia?” – pergunto, já sabendo a resposta.

“ – É fácil falar calma, né Lucas? Não é você que tem que passar o dia todo aqui, deitado nessa cama, sem ver o Sol, ser ver quase ninguém, só esperando para trazerem os nossos filhos, para dar de mamar e mesmo assim não ficarem muito, super fácil falar!” – diz toda irritada.

Eduarda, apesar de todos acharem ao contrario, me ganhou mesmo foi no seu jeito marrento de ser. Ela é forte, engraçada, criançona, gentil, amigável, compreende todo mundo, está disposta a ajudar todos que estiverem a sua volta, mas esse seu lado durona, sempre mexeu mais comigo, para dizer a verdade, sempre me conquistou mais.

“ – Sabe que eu amo quando você coloca suas garrinhas de fora? É tão lindo!” – digo dando um selinho nela. – “Achei que com minha presença aqui, tudo ficaria mais fácil de passar esses dias no hospital Du, você não gosta mais da minha companhia?” – faço carinha de coitado, pois sei que essa cara, faz Eduarda se animar.

“ – É claro que eu amo ter sua companhia aqui, amor” – diz rindo. – “ Mas você também tem que entender que eu gosto de andar, de ver pessoas, de conversar. Aqui eu só fico sentada ou deitada, olhando para essas quatro paredes sem graça” – diz formando bico. Vou até ela, faço um carinho no seu nariz e beijo sua testa.

“ – Sei que deve ser muito cansativo, mas olha para o lado positivo de tudo isso: aqui você não está vendo as brigas da minha família, não está sofrendo toda aquela loucura que está lá em casa, esses dias” – digo rindo.

“ – Eu daria qualquer coisa para uma hora dessas lek, estar no meio daquela bagunça que é a sua família.” – diz ela rindo também.

Estamos rindo e comentando o quanto nossas famílias são parecidas na loucura, quando meu celular toca. Ambos paramos de rir e procuro meu celular no meu bolso, assim que o acho e vejo quem está me ligando, sinto toda minha felicidade se esvair, paro de rir e Eduarda percebeu na hora que algo estava errado.

“ – O que foi Lucas? Não vai atender?” – me pergunta.

“ – Bem, até agora não aconteceu nada, mas não quero atender essa ligação.” – digo com desconforto.

“ – Por que não Lucas? Quem é?” – pergunta já preocupada.

“ – É a Vanessa, e não quero, pois ainda não sei se é uma boa ideia ela começar a trabalhar lá na Império, entende? Não conversei com minha família ainda.” – respondo, pois afinal de contas, não tenho segredos com a Eduarda.

“ – Lucas é melhor você atender e ser sincero com ela ué. Diz que ainda não conversou com a tua mãe, sobre ela trabalhar na empresa e que só depois que você conversar com ela é que terá uma resposta.” – diz Eduarda simplesmente.

“ – Quando foi que você ficou tão sábia, posso saber?” – pergunto dando um selinho nela e atendendo a ligação da Vanessa, sinto uma dor no braço quando percebo que a Du me deu um soquinho, atendo o telefone rindo. – “Oi Vanessa, e aí como vai?” – pergunto já sério de novo.

“ – Oi João Lucas, nossa toda essa felicidade foi só por que liguei? Você não é casado?” – responde rindo. O que eu menos gosto na Vanessa é que ela vive fazendo insinuações que às vezes dá raiva.

“ – Isso mesmo, como você disse, estou casado. Agora mesmo estou com a minha maravilhosa esposa,brincando e me divertindo e você cortou esse momento, mas me conte, por que você me ligou?” – pergunto já sem paciência nenhuma para essas brincadeiras idiotas.

“ – Nossa essa daí te enlaçou mesmo hein? Na época do colegial achava que era lésbica, mas enfim, liguei para saber se você já viu com a sua mãe, o trabalho lá na Império.” – diz.

Tenho que controlar ao máximo meu gênio forte, desde sempre desconfiava que a Vanessa humilhasse a Du quando estudávamos juntos no colegial, tenho certeza que essa raiva que a Eduarda sente da Vanessa, não é por nada e agora essa alfinetada é uma prova.

“ – Não Vanessa, ainda não conversei com minha mãe sobre esse assunto. Se você não reparou, minha esposa acabou de dar a luz, ou seja, estou tanto no hospital amando tanto minha esposa quanto meus filhos, que não penso em outro coisa de importante que não seja eles.” – eu estava já de saco cheio de todos acharem que não superiores à Eduarda e agora que comecei a notar os sinais de humilhação na Vanessa em relação à Du, eu que não iria deixar isso ir mais para frente. – “ Olha Vanessa, agora já está muito tarde, vou aproveitar o que resta da minha noite com a minha esposa, assim que passar todo esse tumulto que anda a vida da minha família, converso com minha mãe, tudo bem? Beijos.” – desligo antes de ouvir sua resposta, com meu sangue fervendo e olha para Eduarda que está sorrindo feito uma criança que acaba de ganhar seu doce preferido. – “ O quê?” – pergunto.

“- Nada, só achei engraçado o quanto você falou de mim nesta ligação. Estava parecendo um cavalheiro de armadura defendendo sua amada.” – diz Eduarda rindo. Bobinha mal sabe o quanto isso é verdade.

“ – Você é uma boba mesmo não é? Eu sempre vou defender sua honra Eduarda, sempre mesmo” – digo todo pomposo, me sentindo mesmo de um cavaleiro de armadura. Nós dois rimos e percebo que tenho que ir para casa, me despeço da minha esposa com um beijo, vou visitar meus filhos no berçário, mal contendo minha felicidade quando percebo que amanhã, tanto Eduarda, quanto meus filhos estarão na minha casa.

Saio do hospital todo alegre, pensando que agora, nada poderá estragar minha felicidade com Eduarda e nossos filhos, agora nós estamos bem. Agora sabemos que nos amamos muito e que faríamos de tudo um pelo outro. Quando chego em casa, tomo um banho e me deito na cama, abraçando o travesseiro de Eduarda e sentindo o seu cheiro. Fico pensando quanto tempo demorei em aceitar os meus sentimentos por ela, e o quanto agora sou imensamente feliz.

Notas finais
Demorei um pouco para postar esse capítulo, pois gostaria de dar um rumo na história e fiz de tudo para sair do jeito que eu gostaria. Afinal de contas, esse capítulo é do João Lucas, quero deixar o próximo capítulo mais emocionante, afinal Du vai sambar na cara de um personagem ai!! Espero que tenham gostado :)