Da amizade ao amor
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Eduarda:
João Lucas sempre foi de brincadeiras, então achei que quando ele me pediu em casamento, era uma das suas, por isso disse não. E também ele só estará se casando comigo, por causa dos bebês e isso eu não quero.
" — Como assim não Eduarda?" — pergunta o Lucas totalmente descrente.
" — Ué, não é não lek, não ouviu? E outra você só vai querer se casar comigo por causa dos lekinhos e isso eu não vou querer. Pois parece que estou te obrigando a fazer algo que não queira e não é isso. Prefiro cuidar deles sozinha a te ver se casar por obrigação, está me entendendo?" — digo já irritada. Não quero que os meus lekinhos se sintam rejeitados, não quero mesmo e muito menos que eles percebam que os seus pais casaram só por obrigação. Eu quero tudo, menos isso.
" — Você está ficando louca Eduarda? Eu quero me casar com você porque eu te amo, não tem obrigação e nem dever. Você tá muito de noia isso sim, você me conhece bem demais para saber que eu estou me achando no dever de te pedir em casamento." — diz o Lucas visivelmente irritado. Eu acho graça desse seu lado, e pensar que há menos de três meses eramos só amigos mesmo.
" — Olha eu vou pensar, tudo bem? Está acontecendo tudo rápido demais, acabei de acordar e já está tudo caindo em cima de mim que nem avalanche. Que tal pararmos um pouco para eu respirar? Tudo bem? Eu preciso respirar lek" — digo rindo da cara que ele fez.
" — Tudo bem então, pensar é melhor do que nada. Mas olha não demora muito hein. Bom agora eu vou para casa trocar de roupa e comer alguma coisa, volto daqui a pouco." — me diz, dando um beijo na minha testa e um selinho depois.
Assim que o João Lucas saí começo a repensar em tudo o que aconteceu naquele dia. O médico me dizendo que o acidente que sofri quase tirou minha vida, logo em seguida a noticia dos bebês e que graças à Deus eles estão bem, o João Lucas entrando e se declarando para mim, e eu finalmente dizendo a verdade para ele, que também o amava e logo em seguida o pedido de casamento.
Isso tudo deixaria qualquer um louco, mas infelizmente de loucura a minha família e a família do João Lucas tem de sobra. Fico pensando o que os pais dele falaram sobre a gravidez e se ele explicou alguma coisa. E o que os meus pais iriam falar quando dissesse que estava grávida, minha mãe com certeza iria surtar e eu nem quero ver essa cena.
Fico pensando se devo aceitar ou não o pedido de casamento do Lucas, com a mão sobre a barriga e mal imaginando que tem dois seres ali dentro, quando a porta se abre e José Alfredo entra. Fico feliz ao perceber pelo seu olhar o quanto ele está feliz com a notícia, tenho certeza que o Lucas tinha falado com ele antes sobre o pedido de casamento.
" — E aí como vai minha norinha e os meus netinhos?" — pergunta ele todo emocionado já. Isso faz com que lágrimas vem aos meus olhos e o quanto pensei em não ter os bebês.
" — Vai tudo bem com eles, mas ainda não sou sua nora senhor." — digo envergonhada.
" — Ah, pode parar de ter vergonha de mim. Daqui a pouco você estará participando dessa família que é uma loucura, então nada de vergonha. Só gostaria de dizer uma coisa sobre o meu filho. Eu sei que ele ainda vai te dar muita dor de cabeça, disso tenho certeza, que ele irá te fazer chorar e você pensará que fez a maior burrada da sua vida aceitando o seu pedido de casamento, mas você quer um conselho de alguém que já viveu mais que você? Não deixe essa oportunidade passar, desde o dia em que vi vocês dois, soube que tinha mais sentimentos ali, do que uma simples amizade. Lucas me contou tudo o que aconteceu e ele errou feio, mas se tem uma coisa que posso dizer sobre o meu filho é: ele realmente te ama, e foi difícil para ele mesmo assumir esses sentimentos. Ele lhe dará tristeza, mas principalmente alegria, pois esse é o verdadeiro significado do casamento minha querida, estar junto apesar de tudo, estar por amor. E isso tenho certeza que vocês dois tem, por isso vocês serão felizes." — diz ele, e é quando percebo que estou chorando que nem nenê, que com essa referência dou uma risada, José Alfredo também sorri e me dá um beijo na testa — " Pensa sobre o que eu falei" — ele diz, quando está saindo. Faço um aceno afirmativo com a cabeça.
Assim que ele saí volto a pensar se devo ou não aceitar o pedido de casamento, fico até meio boba ao pensar em aceitar, ser chamada de senhora, ser casada, ter filhos. Isso tudo ia ser uma experiência maravilhosa se realmente fosse feita por amor. Mas aí penso em tudo o que o João Lucas me fez passar, e fico em dúvida se ele irá mudar ou não. Tudo isso é uma experiência nova e não quero que os meus filhos sigam o exemplo do pai. Estou pensando nisso tudo, quando a enfermeira entra e me diz que tenho que tomar alguns remédios eu os tomo e logo depois, começo a sentir um sono, acabo caindo no sono.
Sonho com uma campina, e estamos João Lucas e eu, com duas crianças correndo, paramos para nos sentar e comer do nosso piquenine. Comemos felizes e em paz, João Lucas vira para mim e me dá um beijo apaixonado.
" — Sou o homem mais feliz do mundo inteiro, obrigado por não ter desistido de tudo isso. Obrigado por essa vida, sou um homem melhor graças á você e esses dois lekinhos." — Sinto uma alegria tão grande ao ouvir isso, por tudo o que passamos, estarmos juntos agora, com a nossa família reunidos, valeu toda a pena o sofrimento. Acordo ao sentir minha testa sendo pressionada, quando abro os olhos vejo o João Lucas. "Parece até um sinal", penso sorrindo.
" — Eu aceito." — digo e continuo quando ele fica mudo. — "Eu aceito ser sua agora e sempre, aceito passar por todas as coisas juntos. Aceito passar pelas preocupações e alegrias. Aceito estar ao seu lado sempre. Sem você eu não seria feliz. Eu aceito me casar com você porque eu te amo." — digo o puxando para um beijo apaixonado. Um beijo que mexe com minhas estruturas e me faz querer muito mais que só beijar, o puxo para mais perto e aprofundo o beijo. Quando paramos ambos estamos ofegantes e João Lucas me olha sorrindo.
" — Eu te amo" — ele diz.
" — Uma amizade que se transformou em amor. Eu te amo" — digo, pois é totalmente verdade.
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