Da amizade ao amor
17 Capítulo 17
Eduarda:
Tinham se passado quatro meses depois daquela ligação que quase destruiu a família do João Lucas. Sentada nessa cama, com a minha barriga que já estava ficando mais que enorme por causa dos gêmeos, me lembro perfeitamente como foi aquele período. João Lucas não acreditando que o pai tinha morrido por uma coisa tão besta, a família entrando em desespero quando perceberam que a Império estava quase indo a falência. Foram quatro meses difíceis para todo mundo.
Minha gravidez não está sendo tranquila, como todos queriam, sinto algumas dores fortes e todas as vezes vou ao médico para saber de tudo. O pré-natal está sendo perfeito numa hora dessas, pois lá eu fico sabendo que os meus lekinhos estão bem. João Lucas nesse meio tempo, mudou tanto que eu fico boba às vezes ao perceber que ele deixou de ser o cara mimado, irresponsável, para se tornar pai de família, noivo e um ótimo contador lá na Império. Lucas trancou a sua matrícula na faculdade para ajudar na empresa, mas o pouco que ele aprendeu na faculdade se fez necessário na Império. Eu fazia aulas à distância, pois com minha barriga não dava para ficar andando por aí sempre que queria.
A minha sogra depois que perdeu o José Alfredo, perdeu o chão e ficou me paparicando, toda hora vinha ver como eu estava, se estava tudo bem com os netinhos dela, apesar das dores que eu sentia, tudo estava ótimo. Nunca fui tão paparicada na vida, João Lucas também é outro que sempre me enchia de mimos, todos os dias depois de sair para ir trabalhar, me mandava flores, cartõezinhos, mensagens. Ficava toda boba ao ler aquilo e me lembrando de quando eramos só amigos eu nunca tinha visto esse lado do Lucas: o lado fofo.
Amanhã será o dia do nosso casamento, aqui no apartamento da família mesmo. Ambos não queríamos uma festança, queríamos só algo para a família. Me lembro quando a Marta veio me perguntar se eu iria convidar minha família pro casamento, duas semanas atrás. A dor que eu senti na hora ao lhe dizer que minha família não queria saber mais de mim, depois que fiquei grávida e toda a discussão que eles tiveram comigo e que se o Lucas não estivesse do meu lado naquele momento, acho que o pior poderia ter acontecido. Desde aquele tempo, a família Medeiros me acolheu como mais uma filha e eu sou realmente grata.
Naquele momento ouço uma batida na porta do quarto e digo para entrar, Maria Marta entra toda sorridente e me surpreende trazendo um vestido deslumbrante. Fico toda boba olhando para aquele vestido, ela vinha fazendo surpresa para mim sobre como seria o vestido de noiva e quando o olho percebo o quanto é minha cara.
" — Então, o que você me diz? Gostou do seu vestido?" — pergunta toda entusiasmada.
" — Nossa Marta, obrigada mesmo. Eu amei, é lindo. Tu sabe como acertar em um vestido hein?" — nós duas rimos. Fico impressionada o quanto o nosso relacionamento melhorou e fico feliz que pelo menos nesse quesito não sou mais questionada.
" — Sei sim. Gostaria de ter mandado a costureira ter feito mais, só que eu sei que não é bem a sua cara. Fico feliz que você tenha gostado. E os meus netinhos, como tem andado? Está tudo bem com vocês? Desculpe, entrei aqui toda eufórica e nem perguntei nada" — diz ela toda preocupada.
" — Que isso Marta, você sabe que não precisa se desculpar nem nada. Está tudo bem com nós três sim, amanhã será um grande dia e hoje eles estão comportados." — respondo rindo.
" — Eai, você irá contar para o João Lucas que é uma menina e eu menino? Ele está louquinho para saber."
" — Vou contar amanhã depois da cerimônia, pois se eu contar antes, acho que ele terá um treco." — nós duas rimos, pois é possível que o João Lucas tenha mesmo um treco.
Marta me deixa sozinha para terminar alguns trabalhos para a faculdade, assim que termino mando um e-mail para o Fernando avisando que em breve iria lhe entregar todos os trabalhos que estava faltando para terminar aquela matéria. Eu tinha medo de encontrar o Fernando longe do Lucas, ele se tornou muito mais agressivo e hostil desde a briga deles, cinco meses atrás. Desde aquele tempo, eu não vi ele sozinho, sempre estava acompanhada, mas agora eu não poderia pedir pro Lucas sair da Império para me acompanhar.
Chegou o dia do casamento e estava com tanta animação que a maquiadora me pediu para ficar quieta umas dez vezes. Não conseguia ficar parada, pensar que lá embaixo estava o amor da minha vida, que finalmente iriamos ficar em paz, sem nada e nem ninguém para atrapalhar. Quando eu estava pronta, desci as escadas e lá encontrei o que mais sonhei desde que o conheci. Ele me olhava todo admirado, e fiquei sem graça, assim que cheguei no altar que eles tinham preparado, ao seu lado, ele me deu beijo na testa e outro na barriga. Todos na sala estavam emocionados.
O padre começou a realizar a cerimônia e o tempo todo Lucas segurava minha mão fazendo círculos nela. Quando chegou a hora de colocar as alianças de casamento, Lucas fez a declaração mais linda que já ouvi dele até agora.
" — Você Eduarda, mudou a minha vida desde que nós conhecemos no Ensino Médio, desde aquele show do Charlie Brown, você me tirou de todas as enrascadas que fiz, percebi que foi naqueles primeiros instantes que te achei linda que te quis. Você entrou na minha vida, virou ela de cabeça pra baixo, endireitou e agora estamos aqui. Prontos para dar mais um passo nessa nossa vida. Você me deu alegria, luz, esperança, amor, tranquilidade, você também irá me dar dois seres lindos que estão vindo aí. Eu te amo e como você mesma disse, uma amizade que se transformou em amor. Não trocaria nada por esse momento, não trocaríamos o que nós iremos construir por nada." — ele disse. Todos na sala estão chorando, principalmente eu. Ele colocou a aliança no meu dedo e beijou minha mão. Era minha vez e eu não sabia o que dizer.
" — Lucas, já passamos por muitas coisas, ambos sofremos um com o outro, ambos fizemos um ao outro passar o inferno. Você com as suas loucuras trouxe uma diversão na minha vida. Tudo o que já passamos só contribuiu para que eu o amasse ainda mais. Você tem esse seu lado brincalhão, irresponsável, mas é um grande homem, o seu coração é grande e maravilhoso. Eu te amo desde a primeira vez que o vi, e você me fez amá-lo ainda mais com as suas atitudes e o seu jeito. Você enche minha vida de alegria e agitação e estou muito feliz de estarmos, aqui e agora realizando tudo o que nós sonhamos. Eu te amo." — digo colocando a aliança em seu dedo, faço o mesmo gesto que ele fez comigo e beijo a sua mão.
O padre encerra a cerimônia e Lucas me pega pela cintura e me beija apaixonadamente, estamos tão empolgados que nem percebemos que o beijo se transformou em algo mais. Eu queria o Lucas, queria começar a nossa lua-de-mel agora, mas fomos interrompidos pelos pigarros da Maria Marta, paramos o beijo e ambos estamos sem ar. Ficamos nos olhando e nos olhos de Lucas percebi aquela velha chama que estava ressurgindo. Aquele fogo que sempre tínhamos quando estávamos na cama. Senti um arrepio de puro prazer na espinha.
Ficamos na festa do nosso casamento por algum tempo, mas os meus sapatos não estavam me ajudando a ficar muito tempo em pé e com a barriga já grande eu também não conseguia ficar andando muito. Lucas estava conversando com alguns de seus colegas de faculdade e percebeu que eu estava ao seu lado, ele parou de conversar com seus amigos e me olhou, deve ter percebido o quanto estava cansada e disse para eles que iria me levar para descansar um pouco. Subimos para o seu quarto e quando entramos a primeira coisa que fiz, foi me apoiar em João Lucas e tirar os sapatos. Lucas me olhou e começou a rir.
" — Eu já devia imaginar que você iria fazer isso, mas pensei que tu iria fazer mais cedo lek!" — ele disse ainda rindo.
" — Ah lek, você sabe como eu sou né, não iria conseguir ficar muito tempo nesses saltos. Eu não sei pra quê inventam essas coisas, são formas de tortura." — digo me sentando na cama. Lucas se senta no chão do quarto e começa a massagear os meus pés, está tão bom que nem percebo que ele está subindo as mãos perfeitas pelas minhas pernas.
" — Lucas" — digo tentando interrompê-lo — " Para com isso, tem gente lá embaixo ainda" — digo rindo vendo que ele não ia parar.
" — Ah não Du, não vou parar. Os convidados nem irão perceber que sumimos da festa." — ele diz me derrubando na cama. Eu só sei rir. Lucas me beija apaixonadamente mas me lembro que preciso entrar em um assunto sério com ele. Interrompo o beijo.
" — Lucas, espera um segundo, preciso de falar uma coisa." — quando ele para eu continuo. — " Lembra que semana passada fui no médico para tentar descobrir os sexos dos bebês?" — pergunto. Lucas se senta na cama.
" — Sim eu me lembro, mas você tinha me dito que ainda não teve como ver." — responde ele todo chateado com essa história.
" — Bem, teve como ver sim, eu só não queria estragar a surpresa" — disse. Assim que Lucas me olhou eu pude ver o quanto ele estava ansioso para receber a notícia. — " Você Lucas, será pai de um casal. Um menina e um menino." — digo rindo da sua cara toda embasbacada.
" — Nós iremos ser pais de um casal? Eu vou ser pai de uma menina? E um menino?" — pergunta ele e começo a ficar preocupada, achando que ele não gostou da notícia.
" — Sim Lucas, mas por que essa cara? Não gostou?"
" — Se eu não gostei? Eduarda eu amei, sempre tive vontade de ser pai de uma menina. É o sonho de todo cara ter um filho também, mas eu estava com medo de não ter uma menina. Caraca, eu vou mimá-la tanto." — diz ele me beijando ainda com mais entusiasmo.
Começo a tirar o seu paletó e a desfazer o nó da gravata, enquanto fazia isso, Lucas procurava o zíper do vestido que estava usando. Quando ele encontrou o zíper começou a puxá-lo, tirei o seu paletó, a gravata e a sua camisa, passava a mão pelo peito de Lucas e fazendo carinho, assim que ele abriu todo o zíper do meu vestido ele começou a tirá-lo e beijava cada lugar que ficava desnudado. Senti um arrepio me percorrer. Ele me fez ficar deitada na cama, enquanto beijava meu corpo, eu só sabia suspirar e gemer, acariciava os seus cabelos, seu pescoço e arranhava de leve as suas costas. Sabia que o Lucas ficava louco quando fazia isso e quando o ouvi gemer dei um sorrisinho.
" — Pô Du, você sabe que eu amo quando faz isso." — diz ele vindo me beijar de novo. Nosso beijo estava mais intenso, um fogo começou a percorrer minha veia, sempre que Lucas me beijava e quando fizemos amor, havia algo um pouco selvagem nisso. Ambos estávamos famintos um do outro, com as dores que eu vinha sentindo ultimamente, quase não tínhamos transado no último mês. Lucas beijava cada parte do meu corpo em que conseguia alcançar estando dentro de mim, eu estava em outra galáxia e Lucas era culpado por isso.
Quando terminamos ambos estávamos quase sem forças, rindo que nem dois idiotas. Depois de dois dias dessa "lua-de-mel", tive que ir para faculdade entregar os trabalhos que o Fernando tinha me pedido para encerrar essa minha matéria. Percebi que quase ninguém estava na faculdade e um arrepio de puro medo percorreu minha espinha, ainda bem que eu deixei avisado para o Silviano que iria pra faculdade, pois estava tendo um mal pressentimento.
Assim que entrei na sala de Fernando ele veio me dar um abraço dizendo parabéns pelo casamento. Fui me sentar na cadeira e percebi que o Fernando demorou mais um pouco atrás de mim. Entreguei os trabalhos ele fez uma prova oral e quando disse que estava tudo pronto, me encaminhei para porta, ao tentar abri-la não consegui. Fernando tinha me trancado com ele dentro daquela sala. Quando me virei, vi que ele estava me encarando com um sorriso no rosto.
" — Agora Eduarda, enfim podermos conversar sem aquele imbecil do seu marido." — diz vindo na minha direção.
" — Olha só Fernando, se você não reparou eu estou grávida, então por favor não faça nada comigo." — digo já desesperada querendo sair dali, querendo sair de perto dele.
" — Mas é claro que reparei, e por isso não irei fazer nada de mal a eles, mas à você Eduarda, nós teremos uma conversa muito, muito longa!" — diz. Ele segura meu braço com força, abre a sala, tento escapar, mas ele segura meu braço com mais força ainda, me fazendo gemer de dor. — "Se você tentar correr ou qualquer coisa, juro que irei machucar os seus bebês." — ele está me arrastando para fora da faculdade, me força a entrar em um carro, onde não tem ninguém por perto para que eu possa pedir ajuda. Fico desesperada, pois quase ninguém sabe onde estou, penso nos meus filhos, penso no meu marido e só fico rezando para que nada de mal nos aconteça.
" — Pra onde você está me levando Fernando? Para com essa palhaçada, me deixa sair daqui." — digo.
" — Nós iremos conversar, eu já disse. E fica quieta, você tem que pensar nos seus bebês!" — ele diz e começa a rir.
Fico desesperada. Nada pode acontecer com meus filhos, nada pode acontecer comigo. Lucas, nesse momento eu só fico pensando no Lucas. "Meu Deus, que nada de mal aconteça à nós três" fico pensando.
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