Da amizade ao amor
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Lucas:
Já tinha se passado dois meses desde que brigamos e eu não estava suportando ver a Eduarda por aí com o Fernando, mas aquele dia em a vi rindo, como fazia tempos que não há escutava me deixou maculo. Claro, que fui perguntar se estava rolando algo entre eles e quando ela disse que sim, o meu coração sentiu uma dor profunda, mas logo depois ela desmentiu tudo e eu acreditei nela. Já se passou duas semanas depois daquela briga e eu não me aguentei. Fui confrontar o Fernando, informá-lo que a Eduarda tinha alguém que a defenda, quando ele negou a tal conversa com o seu amigo André perdi a paciência. Ele que não bancasse o idiota comigo, estava tão furioso que quando saí da sala e dei de cara com a Eduarda, eu não sabia o que fazer.
Ela estava tão perto, eu conseguia sentir o seu perfume e a vontade que eu tinha de abraçá-la, de beijá-la, voltou com força total. Ficamos parados da frente um do outro por algum tempo, quando pensei em dizer alguma coisa, só consegui dizer o seu nome.
" — Du."
" — João Lucas" — ela disse no mesmo tom. Eu não consegui me segurar, fui me aproximando dela e ela fugiu. Eduarda correu de mim, e aquele simples gesto quebrou mais um pouco meu coração. Mas já estava cansado de estarmos afastados um do outro, de sermos amigos, de compartilhamos tudo, já estava cansado disso e não iria mais deixar um dia sem fazer Eduarda se entender o quanto estou arrependido. Vou atrás dela e começo a chamá-la, vejo que está atravessando a rua sem prestar atenção e ouço carro vindo. Quando eu olho de novo, Eduarda é atingida pelo carro e saí rolando e não se mexe. Tentei chamá-la antes de ser atingida pelo carro, mas ela não percebeu.
Perceber Eduarda no chão, inconsciente, foi reviver tudo o que já vivemos e o grande medo que se apossou do meu coração, pensando que ela tinha morrido. Corro até ela, com lágrimas nos olhos e tento acordá-la, fazê-la voltar para mim, para nossa vida patética, fazer ela voltar para me dar broncas. Qualquer coisa, mas ela precisa voltar. Pego o celular e ligo para uma ambulância, digo o endereço e peço à Deus que Ele ajude a Du. Não me controlo, estou chorando e conversando com ela, preciso que ela me escute.
" — Eu sei que eu errei, sei que já te fiz passar por muitas coisas. Mas eu preciso que você me escute agora, tudo bem?" — digo sem ter esperanças alguma dela me responder — "Eu estava com medo Du, com medo de assumir os meus sentimentos por você. Com medo de estragar nossa amizade, estava com medo de te perder. Você é e sempre foi mais que uma amiga para mim, só não enxergava os sentimentos. Você é meu anjo, a razão da minha alegria, a razão da minha vida. Você não pode me abandonar. Volta para mim" — digo derramando lágrimas nos seus olhos e dando um selinho em seus lábios, nem tinha percebido o tanto de pessoas que estavam ao nosso redor. Ao longe escuto a sirene da ambulância e digo — "Está vendo? Logo eles vão levá-la para o Hospital, sei que não gostamos de Hospital, mas lá você ficar boa. Aguenta mais um pouco, lek".
A ambulância chega, coloca a Eduarda em uma maca, ela não se mexe nem nada, o meu coração vai ficando apertado a cada momento em que fico com ela na ambulância à caminho do Hospital. Fico toda hora conversando com ela, dizendo para voltar para nós, que íamos ser felizes, que tudo daria certo, para ela não desistir.
Quando chegamos no Hospital a levam direto para dentro e fico lá esperando. As enfermeiras dizem para eu manter a calma, que logo um médico virá me dar notícias. Sento na sala de espera, pego o meu celular e ligo para minha mãe. Por mais que Dona Marta às vezes seja grossa, eu preciso ter alguém da família, ao meu lado agora.
" — Alô, João Lucas. O que aconteceu?" — pergunta minha mãe assim que atende — "Não era para você estar na faculdade.
" — Era sim mãe, mas aconteceu um acidente e não deu."
" — Acidente? Como assim acidente? Está tudo bem com você? O que ouve João Lucas!" — pergunta ela já preocupada.
" — Calma mãe, não foi nada comigo. Foi com a Eduarda, um carro atropelou ela e agora estamos no hospital. Mãe, ela estava inconsciente quando a ambulância chegou" — digo chorando.
" — Calma Lucas, a Eduarda é sua amiga de cabelo vermelho? Achei que vocês estava brigados, em que hospital que você está, estamos indo aí". Digo o nome do hospital e vinte minutos depois minha família inteira está aqui: José Alfredo, Maria Marta, Maria Clara e José Pedro. Nem sei o meu estado, mas assim que chega, minha mãe vem me abraçar.
" — Já deram alguma notícia sobre ela?" — pergunta.
" — Não, eles estão lá há muito tempo mãe, tô começando a ficar preocupado." — digo pensando nas besteiras que fiz na minha vida e fazendo uma promessa que se Eduarda voltasse, iria parar de aprontar tanto e ia amadurecer.
" — Calma Lucas, essas coisas demoram mesmo" — diz meu irmão.
" — Vou tentar falar com algum médico por aqui, João Lucas." — diz meu pai. Eu só sei concordar com a cabeça. Tudo o que já passei com a Eduarda vêm a tona e começo a chorar. Meus irmãos me abraçam, seguidos da minha mãe. Meu pai volta dizendo que não conseguiu nenhuma informação. Quarenta minutos tinham se passado e nada, comecei a ficar nervoso, pensando que o pior tinha acontecido, até um médico sair de dentro da ala de atendimentos e parecia procurar alguém. Nos avistou e veio perguntar:
" — Vocês que estão acompanhando a garota que foi atropelada?" — pergunta o médico e quando respondemos que sim, ele continua — "Foi por muito pouco, mas conseguímos tirá-la de risco de morte. Ela teve um traumatismo craniano e também uma parada cardíaca, mas agora eles estão fora de risco." — disse o médico com um sorriso.
" — Ah, Graças à Deus que ela está bem!" — digo aliviado, só depois de algum tempo percebo que o doutor disse "eles" — "Espera aí Doutor, mas você disse "eles"? A Eduarda veio sozinha, não tem "eles" — digo.
" — Vocês não estão sabendo?" — pergunta o Doutor. Quando vê que nenhum de nós faz ideia do que ele está falando, explica — "Ela está grávida, de gêmeos."- Todo mundo, principalmente eu ficamos chocados com essa notícia. "Grávida? Como assim? Será que ela se envolveu mesmo com o Fernando?" penso sentindo o ódio por ele ter encostado na Eduarda, percebo que o médico continua. — "Ficamos todos preocupados quando percebemos que ela estava grávida, com um acidente daqueles, ela poderia tê-los perdido."
" — Doutor de quanto tempo ela está grávida? Um mês?" — pergunto.
" — O quê? Não, ela está grávida de quase três meses. Foi muita sorte dela e das crianças terem sobrevivido ao acidente. Bom daqui a pouco volto, com mais notícias."
E é quando o médico saí de perto, que me lembro que faz quase três meses que Eduarda e eu paramos de conversar. Três meses desde a única que vez transamos e percebo que não usamos camisinha. E é ai que a ficha caí. Os filhos são meus. Acabo sentando com tudo na poltrona, uma alegria imensa invadindo o meu peito.
"Eu vou ser pai. De gêmeos."
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