Notas iniciais
Aquele momento em que você tem que escutar músicas românticas para ter mais inspiração!!

Eduarda:

Já se passou dois meses desde a última vez que conversei com ele. Sinto muitas saudades, Lucas por mais idiota que seja, fazia minha vida ser mais emocionante, pois o tanto que ele aprontava e eu que tinha que tirá-lo das suas enrascadas, era super bom, sinto falta disso, mas me lembro o quanto ele me machucou com aquelas palavras, sei que não deve ter feito por mal, mas palavras machucam e um simples desculpa não rola comigo.

Felizmente ele está me deixando ter o meu próprio tempo, nesse meio tempo, tenho andado conversando muito com o Fernando e percebi o quanto o cara se sente atraído por mim, mas apesar de tentar esquecer aquela maldita noite que tive com Lucas, não consigo, por isso, sei que por agora meu coração estará fechado à sete chaves para tudo.

Fazia umas duas semanas que eu me sentia mal, estava com umas tonturas e uns enjoos, mas acho que era por causa que agora que estou morando com minha tia Xana, tenho que atravessar a cidade inteira para vir pra faculdade. Antes das cinco horas da manhã eu já tinha que estar acordada para pegar ônibus.

É não estava levando uma vida fácil e ver o Lucas a cada dia na faculdade também não estava ajudando muito. O quanto ele tentou retomar a nossa amizade, nem consigo contar, mas quando o encanto se quebra, fada madrinha nenhuma, consegue um feitiço para fazer revertê-lo.

Minha vida na faculdade continuou sendo uma tortura, Fernando, depois que deixei claro que não iria rolar nada entre a gente, começou a pegar ainda mais no meu pé. Cada dia que levantava da cama, era um tormento com as tonturas, até que chegou um dia em que estava na faculdade tão fraca, que Fernando veio ver o que tinha acontecido.

" — Eduarda, está tudo bem com você? Você está muito pálida"

" — Estou sim Fernando, é só que estou acordando muito cedo, para vir pra faculdade, não é nada demais." — digo rindo. Quando olho para o lado, percebo o Lucas e o jeito estranho em que ele está nos encarando.

" — Você bem que poderia acordar mais tarde, se me deixasse pegá-la. O que acha?" — diz o Fernando, me trazendo de volta a realidade. E é nesse momento em que solto uma risada, que fazia muito tempo que não ouvia.

" — Ah, mas é lógico.. que não, né Fernando?" — falo rindo — "Pô meu, já falei não vai rolar nada entre nós, então desiste." digo saindo de perto dele.

Vou andando até o ponto de ônibus, próximo a faculdade escutando uma playlist que fiz especialmente para essa minha época, estou tão distraída ouvindo a música da Manu Gavassi que levo um susto ao sentir uma mão se fechando em meu braço.

" — Eduarda, podemos conversar?" — diz João Lucas.

" — Nossa João Lucas, não poderia ter gritado? Me chamado, sei lá! Você me deu o maior susto, meu. O que tu quer?" — digo já me recuperando do susto.

" — Quero saber se ta rolando algo entre você e aquele seu professor!" — diz ele todo autoritário e a única coisa que consigo fazer é rir da cara dele.

" — Me poupe João Lucas, sério! Deixei de fazer parte da sua vida, me esquece! Não é da sua conta o que faço da minha vida." — digo irritada. Lucas parece estar perto de ter um taque-cardíaca, mas cansei de ser babá dele.

" — Eduarda, estou falando sério. Tá rolando algo entre vocês sim ou não, porra!" — diz ele berrando. Só agora eu notei o quanto ele estava com raiva, sempre tentamos evitar palavrão perto um do outro e ele nem percebeu que soltou um.

" — Olha quer saber? Tá rolando sim, e daí?" — digo, tentando ver se meu ônibus estava chegando. Olho de novo para Lucas e ele está com os olhos arregalados e pálido, por mais que eu tente negar, ainda sinto sentimentos por ele. — "Lucas, Lucas? Você está bem? Por favor, fala que você não está passando mal!" — digo preocupada.

" — Estou ótimo Eduarda. Obrigado por responder a minha pergunta" — diz Lucas todo sério — "Avisa para o seu professor, que eu ouvi a conversa que ele teve com o seu amigo André, e que se ele te fizer sofrer, fala que eu mato ele." — diz já se virando.

" — Sério João Lucas? Você não se cansa de falar merda? É claro que não tenho nada com ele meu, se você não percebeu seu imbecil, ele é meu professor." — digo. Percebo que meu ônibus está se aproximando e faço sinal para ele. — "Lucas vê se presta atenção, eu não quero saber mais de você, você só sabe falar as coisas sem pensar, só sabe magoar as pessoas que te querem bem! Vê se cresce, tudo bem?" — digo subindo no ônibus.

Duas semanas tinham se passado desde que briguei com Lucas no ponto de ônibus, agora ele me trata com mais hostilidade que nunca, não tentou puxar conversa comigo e nem nada. Fico aliviada e ao mesmo tempo desapontada.

Quando vou para a faculdade na segunda-feira, sinto outro enjoo forte e dessa vez quase desmaio, Xana ficou até preocupada e disse que iria me levar para o hospital, se eu não tivesse uma prova hoje na faculdade, até iria. Estou cansada dessas tonturas, preciso de umas férias da faculdade. Digo à ela que estou bem e vou para faculdade. Assim que chego percebo que quase não tem ninguém ali, sempre esqueço que chego cedo quando pego o ônibus, então vou para a sala, quando estou quase entrando escuto duas vozes exaltadas.

" — Olha só moleque, eu não sei do que você está falando. É claro que eu nunca falei isso sobre a Eduarda, você só pode estar maluco." — escuto Fernando dizer. Escuto algo caindo no chão e posso dizer que é uma cadeira. O som me assusta.

" — Eu sei muito bem o que eu ouvi e sei o que você quer da Eduarda, mas deixa eu te dizer uma coisa, se você encostar um dedo nela ou magoá-la, juro que não me importo se é professor ou não, eu vou te quebrar a cara, entendeu?" — escuto a voz do Lucas. Nunca tinha ouvido esse tom dele, sério, determinado, raivoso. Sinto um frio na espinha. — "Só para deixar isso claro, eu sei quando ela está mal, então encosta nela, que eu não vou ter dó nenhum em te denunciar pro conselho da universidade." — termina ele vindo em direção à porta. Acontece tudo tão rápido que não tenho tempo para reagir.

Quando João Lucas abre a porta da sala e dá de cara comigo fica paralisado. Nenhum de nós tem uma reação, fazia muito tempo em que não ficávamos tão perto um do outro assim, olho para os lábios de Lucas e quando levanto o olhar, percebo que os olhos deles estão grudados na minha boca.

" — Du" — ele diz.

" — João Lucas" — respondo no mesmo tom, quando ele se aproxima mais um pouco de mim, me afasto e começo a correr pra fora da faculdade. Eu não posso ficar no mesmo lugar que o Lucas agora, preciso processar tudo o que acabei de ouvir. Ouço atrás de mim um "Du espera", mas não dou atenção. Atravesso a rua sem prestar atenção e é aí que um carro vem na minha direção. Tudo que penso antes de ser atingida por ele é que não terá ninguém para me socorrer, assim que bato no carro e caío rolando no chão a última coisa que escuto antes de apagar é:

" — Eduardaaa" — bem alto. Depois tudo é escuridão.

Notas finais
E esse capítulo meu Deus!! E esse capítulo!!