Da Lama ao Caos

2 Capítulo 2 - O Garoto Imperfeito


Notas iniciais
Oi gente, eu sei que o primeiro capítulo saiu a pouco tempo e que não tive nenhum feedback sobre ele, mas eu gostei da história e acabei me empolgando ao ponto de escrever o segundo capítulo, espero que gostem e se puderem, deixem suas opiniões, acho que já tive uma melhora considerável entre o primeiro capítulo e esse.

Era uma quarta-feira como qualquer uma, Leonardo Silva, um jovem de origem humilde, vindo de um colégio público e que ganhou uma bolsa no Colégio Futuro, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, iria para a escola como sempre foi, de ônibus, enquanto a maioria de seus colegas ia em seus carros particulares, com seus motoristas particulares. Leo morava do outro lado da cidade e pegava todos os dias três ônibus para ir e três para voltar, mas não reclamava, já que era o seu futuro que estava em jogo, e frequentar aquele colégio de riquinhos mimados e idiotas era parte de seu ambicioso plano de um dia tornar-se um bem sucedido empresário.

Não tinha muitos amigos no futuro, segundo ele porque os mimadinhos não andariam com ninguém de sua laia, seu objetivo era de dar a volta por cima e esfregar na cara de todos os que duvidaram dele por ser pobre e negro que ele conseguiu. Já havia conseguido uma bolsa no colégio mais prestigiado da cidade, divergindo do caminho do seu falecido pai, que viveu tentando dar à família uma condição melhor que aquela que ele teve, desde que seu pai se foi, ele passou a trabalhar para ajudar a mãe que já tinha dois empregos, pela tarde, Leo trabalhava como garçom numa lanchonete de fast-food que ficava próxima ao seu colégio, lá ele passava pela humilhação de ter que servir aos seus colegas, mas também entendia que para um dia ser exaltado, teria que passar pela parte da humilhação.

Naquela quarta-feira foi de até o colégio, chegou atrasado, não era um costume seu se atrasar, mas como dependia do transporte público, não podia ter certeza que chegaria sempre cedo. Cursava o segundo ano do ensino médio, não via a hora de terminar o colégio e tentar uma bolsa em uma faculdade do exterior e se ver livre daqueles vermes que só queriam coloca-lo para baixo. Entrou na sala, sentou-se onde sempre sentava, no canto e bem lá no fundo, onde não chamaria a atenção de ninguém, pois numa sala tão homogeneizada, um jovem negro e alto chamaria a atenção se sentasse na frente, e a última coisa que queria era que jogassem bolas de papel nele ou coisas piores que normalmente acontecia.

Aquela manhã seria normal, se não estivessem faltando os três alunos mais queridos da escola, Vicente Borges, vice-presidente do conselho estudantil, garoto perfeito, com os amigos perfeitos e a namorada perfeita, Marília Ferreira, a menina mais bonita do colégio, a mais inteligente também, a queridinha dos professores. Além deles também faltava o presidente do conselho estudantil e melhor amigo de Vicente, Renan Marques, outro garoto perfeito, todas as garotas queriam ele, pois era rico, tinha os amigos perfeitos e ainda por cima tinha poder ilimitado, já que era filho do vice-prefeito.

Vicente era a única pessoa do colégio inteiro que parecia se importar com Leonardo, a única pessoa que lhe dava bom dia, que perguntava como estava. Apesar disso, Leo não o considerava um amigo.

Após o primeiro horário terminar, nenhum dos três havia chegado. Os colegas especularam que talvez estivessem comemorando o aniversário de Marília, que era naquele dia. Também comentaram que haveria uma festa na casa de Vicente naquela mesma noite para comemorar o décimo-sexto aniversário da garota mais amada da escola. Vicente havia convidado Leo, que achava que estava fazendo aquilo apenas para ser educado e melhorar sua imagem política, todos sabiam que Vicente almejava ter cargos públicos um dia. No entanto, chegou o intervalo e nenhum sinal do trio queridinho da escola. Leonardo ouvia e ria das especulações dos colegas sobre o não comparecimento deles durante o intervalo. Sentava isolado de todos, como de costume.

Após o final do intervalo, Leonardo e todos os seus colegas voltaram para a sala, os colegas comentavam que nenhum dos três sequer respondia as mensagens de preocupação, Leonardo então começou a teorizar sobre o que teria acontecido com os três. Sequestro relâmpago talvez? Os três sempre vinham juntos para o colégio no carro particular de Vicente, talvez não, o carro além do motorista, tinha também um segurança da família, seria praticamente impossível raptá-los. Talvez estivessem simplesmente comemorando o aniversário da garota, fazendo sexo a três talvez. Leo riu consigo mesmo na sala quando esse pensamento passou pela sua cabeça.

Quando o final da aula se aproximava, o diretor entrou na sala e pediu licença ao professor para ter uma palavrinha com os alunos.

— Bom dia alunos, tudo bem? – todos responderam e ele então prosseguiu – acho que vocês já devem ter percebido que o aluno Vicente Borges não veio a aula hoje, prática que não é muito de costume do senhor Borges, não é mesmo? – Leonardo percebeu nesse momento que algo serio havia acontecido, enquanto todos os seus colegas apenas fizeram que sim com a cabeça – então, como o senhor Borges era muito querido por vocês, colegas, a família dele, achou justo que a direção compartilhasse com vocês que ele amanheceu sem vida. – Foi um baque, todos na sala ficaram perplexos, o que teria acontecido com Vicente para que ele morresse – Bom, terminem de ver a aula, no entanto, como demonstração de luto ao nosso querido aluno, colega e amigo, as aulas só voltarão na segunda-feira. – Disse o diretor e logo em seguida se retirou da sala.

Logo começou uma especulação sobre o que havia acontecido com Vicente, o professor simplesmente desistiu de dar aula, pois os alunos estavam muito abalados. Logo surgiu uma teoria de que Vicente havia cometido suicídio. Leo estava meio aterrorizado e meio confuso ao mesmo tempo, como um garoto que tinha tudo poderia sequer imaginar a possibilidade de cometer suicídio. Foi nesse momento em que seu celular tocou, não tinha amigos, então quem poderia estar te mandando mensagens àquela hora.

Quando Leonardo pegou o celular e olhou o identificador de chamadas se espantou. Era Vicente quem estava lhe contactando.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.