Da Infância à Adolescência
44 Revelações
Notas iniciais
_Amy dá pra você vir aqui? –Elesis.
A rosada com aquele jeito inocente e simpático escondia uma tristeza compartilhada com seu melhor amigo. Ela fora até a casa dos amigos achando que a Megurine Luka ia estar lá para dar dicas para o futuro de cantora.
Mas chegando, teve uma surpresa inesperada com a pergunta dos amigos. Eles estavam sérios, e era a primeira vez que iria se dispor à falar sério.
_Tudo bem. Vou falar sobre o Lass. –Amy.
Até o tom de voz tinha mudado. Ela assumiu uma voz mais calma e respirou fundo.
“Há muito, muito tempo atrás…nas vastas terras da antiga Bermesiah…
Um ninja sem memória, mercenário sem piedade, vivia nas florestas em busca de uma verdade.
Ele desejava encontrar o sentido da vida.
_Ò pobre Ninja Solitário que vaga pelo mundo…sabe o que é dor? Mostre-a ao mundo. –disse uma voz das profundezas da mata.
Aquela voz o perseguia cada vez mais, e sua mente, desalinhada, seguiu um curso diferente do imenso rio que cortava o Grande Vale. Seu destino estava selado.
_Vingança…Eu juro… -dizia o rapaz solitário.
Ali seria chamado de Vale do Juramento pelas palavras entalhadas na primeira rocha maciça.
A garota que ele amava o traiu.
Seu chefe o traiu.
Ele se perdeu no caminho da escuridão, num pesadelo, como um palhaço triste.
Seus irmãos o abandonaram.
Seu desejo de vingança crescia.
Mas um dia, ao executar uma outra vítima inocente, uma moça veio ao seu encontro.
_Ò Ninja Solitário…estás tão sozinho. Seu coração anda tão vazio a ponto de não desejares mais uma esperança? –dizia a moça de longos cabelos loiros e olhos de fogo.
O ninja possuía os olhos mais gélidos da terra, os cabelos mais enevoados de todo o mundo. Sua própria pele necessitava de calor.
_Tola, eu sou supremo, invencível. Nada pode me fazer voltar atrás.
Mas não foi assim que aconteceu…ele cedeu ao olhar materno da moça e a acompanhou até um recanto de amor e carinho.
Foi lá que ele conheceu a felicidade. Mas aquela voz maligna continuou a persegui-lo…
_Juramentos devem ser cumpridos…ou os próximos serão eles… -dizia a névoa sem forma apontando seus amigos e amigas adormecidos.
O rapaz pegou suas adagas e seguiu seu caminho comprometido. Decidido a destruir tudo o que o fez sofrer, ele ceifou a vida, muito à custo e com altos preços, de sua ex-amante ninja.
Ela sofreu em sua morte…as horas correram lentamente sobre o eclipse sombrio.
_Eu me irei, mas voltarei sempre, para te assombrar em seus mais profundos sonhos…vou destruir vocês… -dizia em intervalos sofridos, a lâmina em seu peito e outras pequenas em suas mãos, pulsos, pernas e pés.
Os olhos gélidos observavam aquilo, não com satisfação, mas com receio.
E quem diria que em algum dia…ela voltaria? O pobre ninja voltou à seu refúgio, seu lugar de paz, mas ao chegar, descobriu que todos haviam sido mortos…
_A sua decisão de abandonar as pessoas amadas foram o suficiente para trazer a víbora do mal de volta à vida… em forma de morte. –dizia a névoa.
O Ninja Solitário ficou sozinho mais uma vez…e durante sua jornada de remissão, recebeu uma revelação dos deuses…ele teria mais uma chance. Mas não garantida…
E como há de ser o fim?... Fim.”
_Amy…o que a peça tem a ver com essa situação toda? –Ronan.
_O Lass escreveu essa peça. –Amy.
_O QUÊ?! –Ronan, Sieghart e Elesis.
Amy abaixou a cabeça.
_Nós éramos pequenos…ele escreveu em um dia depois que ficamos amigos. –Amy.
_Nossa, ele é talentoso. –Elesis.
_A história é baseada na vida dele. A garota que o traiu…é a Nina…a moça que o salvou é a Lothos, seus amigos éramos nós. Os irmãos que o abandonaram eram o Lupus e o outro que não sabemos o nome. O chefe era o treinador dele, o mestre samurai dele. A névoa eram os pensamentos ruins dele em relação à seu passado no orfanato. –Amy.
_Incrível. –Ronan.
_E ele te explicou detalhe por detalhe? –Elesis.
_Sim, claro. Como fomos os melhores amigos, nós até chegamos a namorar um tempo, ele me contou tudo…disse que ele gostava da Nina. Os dois faziam parte do dojo de artes marciais e ninjas do Mestre de Prata…o Jin estudou lá também. –Amy.
_E aí? Que traição foi essa? –Elesis.
_Os dois disputavam o posto de melhor ninja…mas o mestre deles…queria que a Nina ganhasse, pois apesar de sua genialidade como lutador, era ambicioso e recebeu somas em dinheiro da Nina, que mesmo criança, já roubava do pai dela. Lass descobriu que não se tornou um ninja por causa de trapaça…então se auto-intitulou Ninja Solitário. –Amy.
_E ele já morava com a Lothos? –Elesis.
_Não, no orfanato. Ele tentou fugir de lá e prometeu que ia acertar as contas com a Nina. Só que aí, a Lothos o encontrou doente na chuva…ele estava pálido, com pneumonia e com muita fome. –Amy.
_Sério? Não sabia que algo sério assim tinha acontecido. –Sieghart.
_Pois é. Ela deu um lar pra ele e nós nos conhecemos, morávamos na mesma rua…ele era muito fechado e grosso, mas consegui conquistá-lo. Ele contou que diziam que era filho bastardo, que o abandonaram na porta do orfanato, que os irmãos mais velhos deixaram ele e foram pro mundo. –Amy.
_E aí ele escreveu a peça. –Ronan.
_Sim. Ele escreveu a história com um final sugestivo, não sabemos o que aconteceu…talvez esteja esperando o tempo passar para poder escrever. Mas enfim…a Nina fez aquela baderna aqui em Czara aquela vez não foi? Soube que ela foi delatada por um vídeo que o Lass gravou e entregou para a Lothos. –Amy.
_Foi ele que entregou a festa? –Sieghart.
_Foi, mas ele pediu, quase implorou para a Lothos deixar o negócio da festa todo encoberto, só prejudicar a Nina e o Len. –Amy.
_Então pagaram a indenização, encobriram a festa, ela foi obrigada a se afastar da escola pelos pais, o Len continuou a estudar aqui, e todo mundo esqueceu o acontecido todo. –Sieghart.
_Só ela não esqueceu. Ela odeia o Lass, gosta de você, mas você é amigo fiel do Lass. Ele odeia a Rey e o Dio porque eles são de duas famílias rivais á dela também e estão contra ela. Odeia a Elesis mortalmente porque você gosta de verdade da Eli-chan. –Amy.
_Animal. –Ronan.
_É. Nem dá pra acreditar…mais alguma coisa? –Sieghart.
_Claro. De acordo com o Raven,que eu conheci também durante a infância, trabalhou com a Nina em algo, mas era algo de interesse dele, acho que briga de gangue. Mas ela pulou fora, roubou o dinheiro das duas gangues e sumiu. Não só isso, como o caso no colégio sobre ela, afetou imagem dos Von Claire, ela teve que cortar a onda de roubos e tráfico nos limites de Vermécia com a Terra de Prata. Ela ficou furiosa. –Amy.
_Perdeu três anos…agora voltou com esse negócio de vingança. –Sieghart.
_Sieghart…você esteve onde durante o ano longe da escola, só na quadra de futsal? –Elesis.
Amy ficou curiosa também, ele nunca falara pra ninguém, somente Ronan sabia do seu paradeiro.
_Fiquei numa Clínica de Reabilitação especial. –Sieghart.
_Por causa daquilo? –Elesis.
_Não foi só por aquilo…o tal comprimido…não era um exctase comum. Era uma droga vinda de Gaon…era tão forte que me dava recaídas à cada 5 horas. Fiquei bem enquanto jogava, graças à um antídoto, mas ele só funcionava temporariamente. –Sieghart.
_Quando parou? –Amy.
_Há três meses atrás. Eu passei o resto do ano depois do campeonato na nossa casa em Canaban. –Sieghart.
_Estou com saudades de lá… -Elesis.
O moreno sorriu para ela.
_Nós ainda vamos pra lá esse ano. Mas voltando à Nina… -Sieghart.
_Ela quer ver o Lass morto… -Amy com algumas lágrimas.
_Ela é louca né? –Ronan.
_Ela é totalmente pirada, vocês não sabem…as brincadeiras dela de quando era pequena. Eu não participava, mas via de longe…uma vez ela esfaqueou uma menina, e obrigou um menino a… -Amy.
_O que? –Ronan.
_Fazer tudo com ela, ele tentou resistir e aí ela bateu com um vaso na cabeça dele, foi horrível. Pode não ser muita coisa comparado assim com palavras, mas eu vi muita maldade dela…eu tenho medo dela. –Amy.
_Yandere total. –Sieghart.
_E o que será que podemos fazer hein? –Ronan.
Nesse momento Elesis lembrou-se da conversa do pai com Lothos.
_Sieg! Meu pai e a Lothos estavam conversando e falando sobre uma investigação, sobre pegar “ela” no flagra. –Elesis.
_Que que seu pai tem haver com isso? –Sieghart.
_Ele tem mesmo alguns trabalhos separados, ele já foi um policial com a minha mãe, foi lá que se conheceram e lá que minha mãe morreu... num tiroteio terrível em Canaban. –Elesis.
_Meu… -Sieghart cobrindo a testa.
_Que foi? –Ronan.
_Aquela maldita arruinou a vida de todo mundo…todo mundo… -Sieghart.
_A Nina tem todo o apoio do pai, ela tem nome, esperteza, mas está sozinha aqui. O Raven garantiu que ele não vai envolver seus amigos nessa jogada. Mas deu conselhos de mestre…disse que ela vai recuar para o “depósito” de grana roubada. Parece que ela também faz lavagem de dinheiro… -Amy.
_Isso significa seguir ela? –Elesis.
_Significa também, pegar ela no flagra. Seu pai parece que tá numa investigação secreta e não contou nada pra você, ele sabe que estudamos na mesma escola que a Nina. –Amy.
_É mesmo! Será que ele implantou alguma câmera na Eli-chan ou algo assim? –Ronan.
_E como? –Elesis.
_Sei lá…ou escuta…no cabelo talvez? –Ronan.
_Té parece. Eu não tenho nada que uso sempre também. –Elesis.
_Será que não foi no Sieg? –Amy.
_Não. O que ele poderia ter colocado em mim? –Sieghart.
Descartaram a possibilidade de escutas e câmeras.
_Meu pai disse que tinham provas e testumunhas o suficiente. Será que éramos nós? –Elesis.
_Pode ser. –Ronan, Sieghart e Amy.
_Pessoal, sei que a conversa tá legal, mas….sinceramente, preciso ir. Nós conseguimos esclarecer muitas coisas, eu já contei o segredo do Lass, e sugiro que falem com ele hoje ainda. –Amy.
_Tá Amy, nós falamos com ele. E obrigado. –Sieghart.
_Tudo pelos amigos, Sieg…eu já senti uma traição assim também, mas fui cautelosa e consegui escapar desse caminho vingativo que o Lass fala tanto. –Amy.
A rosada despediu-se com um abraço forte cada um e Ronan a levou de volta pra casa, por segurança. Sieghart e Elesis ficaram sozinhos outra vez…
_Sieghart, porque seus pais nunca estão aqui? –Elesis.
_Porque…eles não moram aqui. –Sieghart.
_Como não? –Elesis.
_Meu pai mora em Calnat, a minha mãe mora em Canaban. –Sieghart.
_O quê? Porquê? –Elesis.
_Divorciados. Nós moramos sozinhos…o Ronan é quem tem minha guarda, ou melhor, não mais porque já tenho 18. Mas ele cuidou de mim desde os nove anos. –Sieghart.
_Sinto muito. –Elesis.
_Imagina: quando você tem um problema, sabe que tem uma mãe e ela não liga pra você. –Sieghart.
_Isso é bem pior que não ter mãe. Acho que devia para de reclamar da minha vida…em comparação, é mil vezes pior. –Elesis o abraçando e o aconchegando nos braços.
_Esquece, eu não preciso de mãe quando tenho você…é como os Capitães da Areia…você é minha namorada, irmã, mãe, noiva… -Sieghart fechando os olhos.
Elesis corou, mas sorriu e lhe deu o amor que até Lothos deu para Lass. Um amor de mãe.
Continua
Fale com o autor