Da Infância à Adolescência
24 Amor (Sexta-feira)
No quarto de Ronan, Lass e Ryan…
O albino estava encurvado sobre a escrivaninha, com sua costumeira expressão “tédio” e “indiferença”. Olhava para as tarefas espalhadas na mesa…eram os exercícios de geografia que seus colegas deixaram pra ele fazer…
_Esses preguiçosos… -dizia olhando para os dois esparramados nas beliches.
Ronan estava completamente revirado, os lençóis o prendendo, de tanto que tinha se mexido acabou se enrolando todo. Ryan roncava alto, parecia o King Kong…estava de cabeça pra baixo na cama, as cobertas no chão, e uma grande baba escorrendo pela boca entreaberta.
_Como que a Lire beija essa coisa? –dizia com nojo.
Voltou atenção para a janela, se levantando e apoiando-se na beirada. Lá embaixo podia ver as garotas treinando a voz, era turma do coral…estavam Amy e Lire.
Ficou tentando descobrir onde cada uma das amigas devia estar. Como era muito perceptivo conseguiu descobrir todas.
_Elesis batendo no Zero, Arme na biblioteca, Rey com o Dio, Mari…onde a nerdzinha tá? –Lass.
Pensou, olhou pras tarefas chatas…lembrou da Diretora no dia anterior dizendo que as aulas seriam dispensadas por causa das lousas que iriam ser trocadas.
_Esses vagabundos que vão se ferrar! Vô procurar algo melhor pra fazer. –Lass.
O rapaz catou o headphone em cima da cama, já arrumada, pegou as chaves das salas e saiu, abandonando os dorminhocos.
No corredor que dava pra enfermaria, pode ver Zero sendo arrastado por Elesis. Quis rir com isso.
_Bom dia, Elesis. –Lass dando um sorriso.
_Oi Lass. Você sorrindo assim? O que aconteceu de tão bom? –Elesis segurando Zero pela orelha.
_Nada…mas eu sabia que você tava batendo no Zero. –Lass pondo as mãos nos bolsos.
Elesis deu um sorriso vitorioso e bem aberto.
_É né?! Você devia tirar dinheiro dos idiotas com adivinhação! O que acha? –Elesis.
_O quê? Eu não sou adivinho… -Lass.
_Dãããã! Você podia enganar! –Elesis.
_E-Eli-chan… -Zero.
_Quié? –Elesis.
_Minha orelha… -Zero.
_Ah. Você devia estar me agradecendo por te levar até a enfermaria. –Elesis voltando a andar.
Lass sorriu de lado. Tinha bons amigos realmente.
Entrou no corredor de Laboratórios. Precisava passar o tempo então resolveu verificar pra ver se estava tudo em ordem.
Abriu o Laboratório de Tecnologia Avançada, a porta estava aberta.
_Hum? Mari? –Lass olhando dentro da sala.
A azulada levou um susto caindo de bunda no chão. Parecia entretida com uma máquina estranha…
_L-Lass…eu sei que eu não devia estar aqui, mas… -Mari.
Ela recebeu a ajuda do albino pra se levantar. Ele mantinha os olhos inexpressivos para com ela, e esperava ela continuar.
_Eu estava trabalhando num projeto. –Mari.
_Bem que eu percebi que uma das chaves sumiu da sala da Lothos…me conte o que é esse projeto. –Lass pegando uma cadeira.
_Eu não queria contar pra ninguém. –Mari.
Lass ligou as luzes, antes apagadas, e visualizou a tal máquina…era um tipo de câmara, pra uma pessoa deitada.
_E o que seria isso aí? Eu não conto pra ninguém. –Lass.
A garota sorriu, sabia, e todos sabiam naquela escola, que Lass era a pessoa que mais se podia confiar.
_Eu queria trabalhar com algo que desvendasse as informações depositadas no subconsciente humano. –Mari.
_Como por exemplo? –Lass.
_Uma pessoa com amnésia. Poderia fazê-la se lembrar. –Mari.
Lass ficou pensativo. Era algo, de certa forma, bom.
_Acho você muito nerd. –Lass.
A menina ficou vermelha, colocando as mãos na cintura. Aquilo era muita sacanagem…
_E você hein? Pelo menos não sou esquisita. –Mari.
Lass franziu a testa se levantando. Tocou a máquina e depois apontou pra ela.
_O que está falando é besteira. Já conseguiu fazer essa coisa funcionar por acaso? –Lass.
_Er…não! –Mari.
_Viu? Sinceramente, com essa tecnologia barata de escola, você ACHA que pode conseguir inventar algo assim? Tenha dó, Mari, nem os maiores cientistas conseguiram, como VOCÊ vai conseguir?! –disse Lass com os olhos transbordando uma ameaça.
A menina entrou em choque. O que deu nele? E que direito ele tinha de falar assim com alguém? Mari se aproximou dele e foi dar um tapa no rosto do rapaz, que segurou sua mão.
Ela fez uma careta e meteu a outra mão nele, fazendo-o a soltar.
_SEU GROSSO! –Mari com lágrimas ameaçando.
Lass tinha o rosto marcado pelo forte golpe. Percebeu a ofensa que fez a ela, virando o rosto em um “desculpe” muito baixo pra ela.
_Como é? –Mari.
_Desculpa. Acho que pirei… -Lass.
_Não disse que era estranho? –Mari virando-se para sua máquina.
Lass bufou irritado. Voltou a sentar na cadeira, olhando-a de costas, da cabeça aos pés. Ela vestia uma regata branca e azul, com gola alta, e uma saia prega azul escura com listras pretas na barra. Estava com um sapato marron social e uma meia três quartos preta.
_Falta o quê pra terminar essa geringonça? –Lass.
_Um teste… -Mari.
_Teste? Você já terminou? –Lass coçando a cabeça.
_Preciso de alguém que se esqueceu de alguma coisa… -Mari.
_Quer que eu seja a cobaia? –Lass ficando ao lado dela.
_E você por acaso tem amnésia? –Mari o olhando.
_Na verdade… -Lass.
Lass tinha a expressão triste, o que fez Mari sentir algo como pena, não sabia. Ela também tinha amnésia, ela não sabia de nada de si mesma, morava a casa de sua tia, onde convivia com Zero, a quem considerava um irmão.
_Você também? –Mari.
_Também? –Lass.
_Eu não sei nada de mim mesma, por isso queria fazer essa máquina. Acontece que eu não posso ser a cobaia, preciso de alguém operando os controles.
_Sei…vamos deixar isso pra mais tarde, Mari? –Lass.
Ela concordou com a cabeça e saíram de lá, trancando a sala. Lass se certificou de prender um aviso na porta de “Em manutenção”.
_Quer comer alguma coisa? Vamos na lanchonete. –Lass.
_Tá. –Mari.
No caminho, passaram em frente a uma das quadras, uma em que estavam jogando tênis. Mari parou e ficou olhando os jogadores…
Lass levou os olhos para onde ela olhava…um garoto de cabelos curtos e um pouco rebeldes, olhos finos e cor vinho. Quem era aquele? Por que nunca tinha o visto antes?
_Quem é aquele lá? –Lass com a testa franzida.
_Não sei…é bonito… -Mari com um olhar distante.
Lass sentiu uma pontada no peito. Ela estava…SECANDO O MOLEQUE! Ficou incomodado demais com isso, ele não podia aceitar. Apesar de tudo, ele gostava dela.
_Eu hein? Que mal gosto, Mari. –Lass.
_Cala a boca, seu anêmico. –Mari.
Lass bufou outra vez e agarrou o braço dela, levando-a pra longe dali. Avistaram a lanchonete e pegaram uma mesa, sentando-se lá.
_Por que fez isso?! Quase que arrancou meu braço! –Mari.
_Escolhe logo o que vai tomar… -Lass.
_Ficou irritado só por causa do que eu disse? –Mari se apoiando na mesa.
Lass olhou pra ela por trás do cardápio. Tirou-o da frente e mostrou a língua, infantilmente.
_Isso é pra marcar na história. –Mari rindo.
Ele se ajeitou melhor na cadeira.
_Vou tomar uma limonada…bem gelada. –Lass.
_Eu quero um milk-shake de morango… -Mari.
Os dois ficaram papeando e discutindo um bom tempo, sem notar, apareceram alguns indesejáveis que ficaram espiando o “encontro” dos esquisitos.
_Hihihihi…não falei que ele tava fim dela? Não falei?! –Ronan batendo nas costas de Ryan.
_Seu filho da p***! Não bate em mim ou você vai morrer! –Ryan.
Os dois amigos acordaram, vendo seus trabalhos inacabados e foram tirar satisfação com o irmão da diretora. No fim das contas, Lass tinha prometido fazê-los e promessa de Ninja é promessa pra vida toda (“Eu nunca volto atrás na minha palavra. Porque esse é meu jeito ninja!”- não resisti e tive q por isso aí).
_Mari, está ouvindo um som irritante? –Lass com um calo na testa.
_Com certeza. –Mari com um um calo na testa*enorme*.
Ryan e Ronan saíram do esconderijo, que era a mesa do lado. (WTF muleques trouxa!)
_Tamo indo… -Ryan.
_Mas vamos esperar pra você terminar nossos trabalhos. Ouviu? É promessa, lembra? –Ronan.
_Eu cruzei os dedos, babaca. Agora dá pra dar licença? –Lass.
Ronan fez um quê de imitação de Lass sem som, copiando o movimento dos lábios e fazendo “patinho” com as mãos e depois mostrou a língua para o albino, seguindo o ruivo-alaranjado.
_Ninguém merece esses amigos que eu tenho. –Lass.
Mari soltou um pequeno riso. Lass a encarou…ela tinha milk-shake na boca toda (q nem leite, eca!).
Lass por impulso, pegou um guardanapo e… passou nos lábios dela e depois se aproximou e beijou os lábios dela…
Certo? ERRADO! Se Lass fosse o Ronan talvez isso acontecesse, mas como ele é um completo…ANIMAL! Fez isso…
Pegou o guardanapo que ELE usou e jogou na cara dela…
_Limpa aí, ô bezerra. –Lass. (Olha q grosso!)
Mari pegou o guardanapo e deixou-o cair na mesa. Olhou mortalmente para o rapaz, com sua face invertida em um riso, colocando a mão na mão dele que segurava a limonada.
Lass ficou todo felizinho com a irritação dela, e pelo toque das mãos “nerds” segurando a sua. Mas percebeu que aquilo talvez não fosse tão bom, quando descobriu que agora, o meio de suas calças era banhado pelo suco e pelas pedras de gelo.
_O-Ora sua! –Lass.
Antes que pudesse dizer mais algo, o gelo estava passando seu tortuante frio para dentro da calça. Mari teve certeza que Lass ficou azul, e riu muito vendo isso.
_Bem feito! Virou um picolé humano agora, Lassyyy! –Mari zombando dele quando punha os cotovelos na mesa.
Lass não sabia se levantava e pagava mico pra escola toda ficar sabendo, ou se esperava sentado a calça secar, ou ainda, se gemia baixinho e matava a azulada no mesmo momento.
_Tá doendo muito? –Mari.
_N-Não. Agora vê se pega o pote dos guardanapos e dá logo pra mim! –Lass.
Mari assim fez, lhe dando os guardanapos.
_Me desculpe, Lass. Mas você pediu. –Mari.
Depois de meia-hora, Lass conseguiu se aliviar e tirar parcialmente o molhado. Olhou para a menina, que em nenhum momento o deixou ali sozinho.
_Por que você me odeia?! –Lass.
_Não te odeio… -Mari.
_Sei…me amar é que não ama. –Lass tentando ser sarcástico.
_E se for? Pode ser um amor diferente. –Mari com cara de intelectual (q ela já tem).
Lass arqueou uma sombrancelha. Ela era definitivamente estranha e inteligente, mas provocantemente e irritantemente linda.
_É? Você me ama? –Lass sorrindo sarcásticamente, quase se comparando ao rei do sarcasmo, Sieghart.
A menina soltou um deboche.
_Quase…é aquela coisa de amor e ódio… -Mari.
_Contraditória demais você, hein? –Lass.
_Obrigada. –Mari.
E pediram outro lanche.
Continua
Notas finais
Vou me focar na trama de verdade, ainda vão rolar algumas coisasaguardem.
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