Da Infância à Adolescência

4 Capítulo IV. O Valentão


Notas iniciais
(Capítulo Revisado) Yo minna-san! Pois é, novo capítulo. Coisa rara, mas estou empolgada para escrever ela. Espero que esteja ficando boa. Abaixo um design do uniforme da Elesis. Observação: As cores mais escuras, especialmente as listras são VERMELHO. A gravata na verdade é VERDE. A meia calça é PRETA. A bota é de couro MARROM (eu deixei branco para dar contraste com a meia). E o branco é branco mesmo. É isso, boa leitura!

...

No silêncio da manhã, Elesis foi capaz de ouvir o leve assoviar de um pássaro.

Coçando os olhos e levantando-se, sentindo a luz branda atravessando a cortina clara, Elesis passou a mão pelos cabelos. Bocejou baixo e abriu a cortina.

—O jardim, hein? – indagou para si mesma, curiosa com aquele verde se estendendo até o outro lado, onde podia ver os prédios dos rapazes.

Ela ficou um tempo olhando os detalhes das árvores, o vento balançando as folhas e as flores meio fechadas pelo horário. Ali era tão grande... Alguém podia se perder ali.

—Ah, você acordou, Eli-chan.

A ruiva automaticamente se virou, vendo Lire com um sorriso gentil. Ela segurava um pano de prato e vestia o mesmo avental branco, mas ela já vestia a saia do uniforme, branca com uma listra vermelha perto da borda.

—Eu fiz biscoitos para o café da manhã! – Lire disse, olhando para si parecendo querer socializar.

Elesis abriu a boca para dizer algo do tipo “aqui eles servem café da manhã no refeitório não?”, mas não disse nada, lembrando-se que por causa de seus modos tinha acabado passado por um vexame no dia anterior.

—Tudo bem. – Elesis respondeu, dirigindo-se ao armário e pegando seu próprio uniforme.

A ruiva tomou um banho rápido, aliviada que em Czara o clima era estável, então ela não precisaria tomar um banho muito quente, pois irritava muito sua pele.

Elesis apenas prendeu o cabelo com um laço preto e colocou o uniforme, sentindo-se um pouco estranha. Apesar de saber que ficaria quente à tarde, ela não queria ficar com as pernas assim de fora e correr o risco de passar por maus momentos de novo. Então ela pôs uma meia-calça preta mais elástica, daquele tipo que brilha e é mais térmica, além de não ser do tipo que rasgaria fácil.

Quando ela entrou na cozinha, foi encarada pelas quatro: Rey, Amy, Arme e Lire. Todas comendo os biscoitos e tomando algo.

—Oh, bom dia, Eli-chan! – Rey cumprimentou com um sorriso.

Elesis franziu a sobrancelha.

“Já falei que é Elesis”. Pensou desgostosa.

—Bom dia. – respondeu Elesis, tomando um lugar na mesa para seis, sendo servida por Lire. A loura realmente tinha um ar de dona de casa, mas ela não fazia ideia de que era tanto assim. – Obrigada, Lire.

A colega deu um sorriso realizado pelo agradecimento, mesmo com seu tom indiferente.

—Então... Você está bem com o que aconteceu ontem? – perguntou Arme, tomando um gole de café com leite, sem trocar olhares diretamente.

Elesis serviu café a si mesma e olhou de canto para a roxinha, com quem não tinha o mínimo de empatia.

—Hm, eu estou perfeitamente bem.

Rey pegou seu celular e começou a mexer, tomando um cappuccino.

—Ah, é disso que vocês estão falando! Me diz como eu perdi isso?! – Rey questionou, indignada, olhando para as meninas depois de ter visto alguma coisa.

—Hah! Você provavelmente estava preocupada demais em ter um momento incrível com o Dio em espaço público e esqueceu das amigas! – Amy apontou-lhe, com um sorriso malicioso. Ela bebia achocolatado, comendo biscoitos mais rápido que as outras e complementando com alguns Donuts em uma caixa à sua frente.

Rey fez uma careta para ela e olhou para Elesis.

—Sério? Esse vídeo não parece falsificado! – Rey perguntou para a ruiva, mostrando o vídeo.

Elesis arregalou os olhos, vendo a si mesma fazendo o belo ataque contra Sieghart, mas ela mesmo pela tela conseguia ver seu sutiã e essa verdade a fez ficar quase roxa.

—I-Isso está na internet?! – exclamou histérica, sentindo que sua vida podia acabar em um instante se todo o mundo estivesse vendo aquilo.

—Boba, está no grupo secreto do colégio, fica calma. Temos uma legislação no grupo que impede de soltar em outras redes sociais o que acontece no colégio e é postado aqui.

Elesis não se sentiu muito melhor.

—Quer dizer que só o colégio inteiro já viu isso! – Elesis disse, sem acreditar e revendo o vídeo enquanto comia os biscoitos e pensava que o gosto doce melhorava um pouco a sensação amarga em sua boca.

—Bem. Pense pelo lado bom... Você pôde ficar perto do Sieghart mais tempo do que qualquer outra menina. – Rey riu um pouco.

Elesis a encarou, com uma ruga no meio da testa.

—Em que sentido isso é uma coisa boa?

—Calma, deixa isso pra lá. – Lire balançou a mão e finalmente se sentou, tomando um chá aromático de ervas.

Elesis ficou quieta, mas é claro que ela não podia deixar para lá! E se alguém visse aquilo? A diretora?

As colegas de quarto continuaram dizendo que não era nada demais, que apesar de ter sido intenso ninguém importante ficaria sabendo ou tomaria uma ação contra ela e Sieghart. Ainda assim Elesis ficou com essa preocupação irritante cutucando sua consciência.

Assim, foram todas para a Cerimônia de Abertura.

—Vamos, a gente vai se atrasar se andar nesse passo. – reclamou Rey, desfilando com suas longas e belas pernas para o Prédio Principal. Ela tinha um ornamento de babado preso na perna esquerda, algo inútil e sem propósito na visão de Elesis, mas que definitivamente dava um ar ainda mais sexy a ela, com aqueles cabelos ondulados enormes, que pareciam ter saído de um comercial, aliás, ela inteira.

—Rey, e esse comprimento da saia? – riu Arme, com um sorriso pervertido apontando para a saia da colega. Rey se virou para ela e deu uma risadinha atrás da mão.

—Eu adoro fazer ciúmes no Dio, só isso.

—Uah! Cuidado para não ser pega pelo inspetor! – riu Amy, passando os dedos pelo cabelo preso em maria-chiquinhas. Graças aos céus ela precisava usar o uniforme, então a quantidade de rosa era menor, mas ela ainda usava as pulseiras, a presilha de cabelo e meias ¾ (três quartos) rosa pink.

As cinco meninas chegaram perto do prédio por fim e viram uma grande massa se direcionando para o ginásio. Rey parou uma pessoa de cabelos laranja, que Elesis reconheceu.

—Ah, é você Rey! – exclamou Ryan com um sorriso.

—O que estão fazendo? A cerimônia não ia ser no anfiteatro? – indagou ela. Elesis pensava o mesmo, já que no cronograma estava escrito o anfiteatro como o local da cerimônia.

—Pois é. Mas parece que vai ser no ginásio, então só venham.

O ginásio estava todo decorado, de ponta a ponta, as cadeiras dispostas perfeitamente e até mesmo divididas por turmas e números, assim Rey acabou se separando delas.

—Nossa, agora que todo mundo está reunido parece que tem um estádio inteiro aqui! – comentou Arme, com um ar de excitação de primeiro dia na escola.

Elesis também pensava isso. Naquele local havia mil alunos prontos para mais um ano letivo cheio de acontecimentos.

O corpo diretivo e docente estava todo no palco, sentados em uma grande mesa preparada somente para eles.

A mulher esbelta de cabelos louros em coque tomou o microfone e iniciou a cerimônia, arrumando o par de óculos.

—Ei, Eli-chan. – Lire a chamou, tocando seu braço. – Você ouviu algo da diretora quando chegou?

Surpresa com o olhar de Lire, Elesis assentiu.

—Não tive a chance de dizer isso antes, mas vi a diretora agora e me lembrei. Por favor, não conte nada sobre... – a loura murmurava, fazendo conchinha do lado da boca para não ser ouvida. – ... O Dio ok?

—Tudo bem. Não é da minha conta. – Elesis respondeu murmurado de volta. O engraçado era que quem estava falando era a Lire, não a própria Rey. Isso provavelmente tinha alguma coisa a ver com sua atitude maternal, como fazer o café da manhã para a família por exemplo.

—Ei, garota ruiva! Fica quieta aí que você está atrapalhando! – uma voz veio de trás de Elesis e um pequeno e imperceptível chute balançou sua cadeira.

Elesis olhou por cima do ombro com uma aura negra. Infelizmente ela não tinha paciência. Era impossível ignorar uma grosseria como aquela e ela, por mais que tentasse se controlar, sempre perdia para sua raiva.

—Não precisa chutar, imbecil! – ela xingou o mais baixo que podia.

Era um garoto também. Mas esse não tinha sorriso sarcástico, esse tinha óculos sem aro, olhos azuis fortes e cabelo louro liso curto. Ele estava de braços cruzados e a olhava com ar de prepotência, como se fosse a última bolacha do pacote. “Nerd filhinho de papai convencido!”

—O único imbecil que vejo por aqui é você, garota. Se continuar falando demais vão te expulsar.

Elesis não pode interromper a ruga no meio de sua testa e sua mão segurando o encosto da cadeira para se levantar e dar uma boa-,

—Oh, eu não percebi! Você é aquela menina do sutiã de ursinho! – ele exclamou, fingindo surpresa e chamando atenção ao redor.

Vários estudantes de outras turmas se viraram brutalmente e começaram a cochichar, percebendo que a “machona do sutiã de ursinho” estava ali entre eles, já identificando sua turma. Pouco a pouco um burburinho começou a crescer e os alunos que não sabiam o que tinha acontecido no refeitório começaram a saber naquele momento.

Elesis sentiu o rubor aumentar novamente e ela sentou-se rapidamente, escorregando na cadeira o mais baixo possível. Que as pessoas não a vissem agora!

Lire olhou feio para trás e voltou-se para Elesis.

—Calma, Eli-chan, isso não é nada. – Lire tocou seu ombro, olhando-a com uma expressão determinada, o que era até surpreendente de uma pessoa tão pacífica.

Percebendo que algo estava acontecendo, a diretora Lothos limpou a garganta e estendeu a mão para sua direita, falando tão alto que o microfone fez um som agudo de cortar o cérebro.

—Agora teremos o discurso do nosso aluno orador Lass Isolet, que este ano está representando o nosso colégio ao ter recebido o 1º lugar nas provas de admissão dos alunos ingressantes do 1º ano.

As atenções voltaram-se para a direção em que ela apontava.

Lá estava um jovem, baixo, cabelos brancos e cortados na altura da orelha. Os olhos azuis e grandes, porém, com pupilas afiadas. Sua cor era muito clara e junto com sua pouca expressão facial ele ganhava um ar de apatia.

Ele estava com o uniforme e a gravata vermelha, o que significava que ele era do 1º ano. Além disso, tinha um broche diferente em sua gravata, um par de espadas cruzadas.

Mas acima de tudo, ele extremamente bonito apesar de novo.

—Oh, ele é o famoso. – Lire murmurou, com os olhos vibrando em direção ao menino enquanto ele começava a falar.

—Quem é ele? – Elesis indagou, agora um pouco curiosa. Tinha a impressão de tê-lo visto em alguma revista.

—Não percebe? Ele é o sobrinho da diretora!

Elesis fez um som de que havia entendido, mas não se importou tanto com isso. O que era estranho nisso tudo era como aquele menino parecia distante de tudo naquele local, mesmo seu discurso, até sua postura perfeita, sua fala trabalhada. Ele era misterioso no mínimo.

XXX

—Me chamo Elesis Elsteiner, espero que nos demos bem. – ela se apresentou, curvando ligeiramente a cabeça e lançando seu olhar inexpressivo para e simples nenhum ponto específico da sala.

O professor, um homem de óculos redondos e comuns cabelos castanhos escuros, isto é, uma criatura completamente plana e sem graça, descruzou os braços e seu olhar escuro afiou-se por detrás das lentes.

—Sim, sim, sente-se Elisa. Vamos, abram o livro na página 10. – ele pronunciou com total descaso, balançando a mão para Elesis sair da frente da sala.

Elesis franziu a testa, sentindo-se chutada como um cão. E seu nome não era Elisa! Mas apesar de tudo, era melhor assim do que um professor extra simpático que viria com “Só isso? Fale mais sobre você, querida!”, certamente não. Por isso a ruiva avistou um lugar ao lado da janela ao fundo e foi direto a ele.

—Ele não mudou nada mesmo. – reclamou um rapaz sentado ao fundo, murmurando para não ser ouvido. Logo os outros em volta se juntaram à conversa.

—Logo no primeiro dia pulando a introdução e indo direto aos textos!

—Esse cara é um carrasco mesmo!

—Hehe, é falta de namorada!

Olhando da frente da sala o professor olhava o livro atentamente, mas então sua boca se moveu para falar outra vez:

—O trio falante do fundo pode abrir na página 72 e fazer a lista de exercícios.

A turma engoliu em seco, olhando para os três rapazes, que estavam ainda paralisados. Não tinha nem um minuto de aula e já punição?!

—J.D, nós não aprendemos ainda essa matéria... – comentou um, folheando e olhando as questões.

O sorriso sarcástico do professor carrasco atravessou a sala como uma foice.

—Oh, vocês têm muito tempo para aprender não? Quem tem tempo para atrapalhar a aula tem tempo para estudar, mas vocês farão isso na sala de detenção.

—O-O que?! O que foi que eu fiz?! – exclamou um dos meninos, de cabelo louro e nariz pontudo.

—Sr. Bee, junte suas coisas e por favor se retire junto com seus dois coleguinhas, Sr. Torl e Sr. Apple. O resto da sala, página 30.

O trio de rapazes saiu batendo pé da sala enquanto o restante da turma não ousava abrir o bico. Aquele professor realmente não estava para brincadeira.

—Para quem não me conhece, o que eu duvido um pouco, meu nome é Jamile Dric, mas não gosto desse nome, então me chamo de J.D. Mas para vocês, crianças, é “Professor”, nada mais nada menos. – o homem sentenciou, ajustando os óculos no rosto e iniciando a matéria.

Em sua mente, Elesis agradeceu por não ter revidado antes. Ela poderia estar na sala da diretora em segundos se tivesse encarado aquele mala.

A aula se seguiu e eles todos foram obrigados a aguentar duas aulas em completo silêncio e concentração, apenas ouvindo o tic tac do rolex de J.D.

Elesis não se importava realmente, mas a sensação de ter esse silêncio incômodo e a sensação de um olhar de julgamento em cima de si o tempo todo... a irritava. E quando acabou ela esticou os braços, sentindo-se livre de correntes, completamente esquecida dos acontecimentos do dia anterior e da Cerimônia de Abertura.

—Uwa, você deve ter ficado surpresa, Eli-chan! – Amy sorriu para Elesis, chegando perto de sua mesa. – Acredito que você não deve ter tido classes com um cara como o J.D.

A ruiva negou com a cabeça, vendo Arme indo falar com alguma colega e Lire apagando a lousa.

—Realmente não tive, mas não é que me incomode a sala ficar quieta. É só que não soa natural o silêncio. – Elesis explicou, arrumando seus cadernos. Nesse momento ela esbarrou em algo que caiu no chão e, ao tentar pegar, uma mão entrou em seu caminho.

Elesis olhou para cima e viu. O cabelo louro e o olhar arrogante.

—O que você quer? – indagou a ruiva, entrando na defensiva e fitando o rapaz com desprezo. Não gostava dele, não escondia que não gostava das pessoas, com ele não seria diferente.

Ele soltou um risinho nasal e um “Huh!”, girando a caneta nos dedos.

—Eu vim me apresentar corretamente, Elsteiner. – ele disse, olhando-a com o nariz empinado. – Acredito que ia ser uma perda de tempo não deixar as coisas claras de uma vez entre nós.

A sobrancelha de Elesis arqueou-se.

—Não há nada entre nós, almofadinhas. Por favor, empine o seu nariz para esquerda, aproveite a direção e se dê um leve empurrão para passar pela mesma porta que entrou. É realmente uma perda de tempo ter que ouvir qualquer coisa, então eu passo suas desculpas.

A ruiva levantou-se, pegando a caneta que girava e guardando. Em seguida ela cruzou os braços para ele, olhando-o fixamente. Ele estava imóvel, sua expressão agora séria e as mãos nos bolsos.

—Ainda está aqui?

Ele dessa vez ficou irritado e levantou a mão, empurrando seu ombro, mas Elesis não saiu do lugar.

—Eu não vim me desculpar de nada. Eu vim para deixar claro que uma garota qualquer do interior não tem direito nenhum aqui. Você é só uma pobretona que não merece estar no melhor colégio do país! Não importa o quão inteligente ou bonita você seja, ninguém vai aceitar uma canabana por aqui. – ele disse, segurando-lhe o queixo com agressividade no olhar. – Entenda seu lugar.

A turma permaneceu em silêncio, chocada com as palavras do rapaz louro. Elesis tinha uma visível veia na testa e seus olhos faiscavam...

Ela esperava por isso já. Ela sabia a distância de Canaban para o restante das cidades em Vermécia.

—Isso é completamente ridículo. – Elesis revidou, tirando a mão do garoto e dando um passo em sua direção. – Dá o fora, palhaço!

As pessoas perceberam então a tensão aumentar e novamente começaram a se agrupar, sentindo-se empolgadas com o prospecto de uma briga física. Havia tanta confusão em menos de 2 dias que estava sendo até divertido acompanhar.

Amy se interpôs.

—Parem! Não tem nada a ver de onde a Eli-chan veio! – ela disse, tentando afastar o louro. – O dia mal começou, gente!

—Sai da frente. – o garoto pegou o ombro de Amy e a empurrou para o lado tão bruscamente que ela perdeu a força, batendo em uma carteira e caindo sentada no chão.

Vendo aquilo, não porque ela era amiga de Amy, nem porque aquilo tinha machucado. Aquilo não tinha sido nada, foi um mero empurrão, nada demais. Elesis apenas não conseguiu aceitar como um covarde daqueles podia vir mexer com ela e ainda descontar em terceiros, ainda por cima, uma pessoa fraca como Amy.

—O que pensa que está fazendo?! – gritou ela.

Elesis empurrou-o com a mão esquerda e, em sua raiva, chutou-lhe o meio das pernas com tanta força que ele quase caiu sentado em uma carteira. Seu berro cortou a sala enquanto Elesis o ignorava e se dirigia à Amy, agachando-se e tocando seus ombros. A rosada tinha os olhos um pouco marejados.

—Amy, você está bem?

Amy a olhou, um pouco chocada, mas assentiu com a cabeça, limpando os olhos rapidamente. As duas olharam para o garoto, que veio como um furacão, pegando Elesis pelo braço e levantando-a alto.

—Você vai me pagar por isso, sua machona! –ele falava, raivoso, seus olhos brilhando de raiva. – Eu mando aqui, sua sapata despeitada! Eu sou o Allen! O Representante! E ninguém, NINGUÉM vai contra mim! Eu não vou deixar alguém como você frequentar esse colégio, ouviu?!

Elesis puxou seu braço e abriu a boca para xingar qualquer coisa quando o restante das meninas da turma seguraram seu braço e a afastaram do garoto completamente alterado, mas se escondendo atrás dela mesmo assim.

A ruiva viu que elas estavam assustadas e chocadas por ter uma briga séria acontecendo. Era estranho, mas aquele bando de riquinhos do colégio estava se cagando para aquele delinquente, que parecia só um nerd, mas na verdade era um perturbado.

—Hunf! Não pensem que podem proteger ela! –ele grunhiu, arrumando sua franja e arrumando os óculos. – Me aguarde, você.

Ele avisou e se retirou da sala antes que o professor da próxima aula pudesse chegar.

Elesis suspirou, controlando sua raiva. Ela ainda teria que fazer isso muitas vezes ao que parecia.

—E-Eli... – Amy gemeu para ela, com os olhos cheios.

A ruiva a olhou, vendo que tanto a rosada como as outras meninas mais pareciam cachorrinhos desamparados do que outra coisa e mesmo assim a estavam protegendo. Logo ela! Elesis ainda assim não se abalou.

—Ele não te machucou mesmo? – Elesis perguntou, piscando para a rosada.

Arme coçava a nuca, desconcertada pelo o que tinha acabado de acontecer. E Lire havia juntado as mãos como se estivesse orando, completamente abalada.

—Eu estou bem! Mas você-, como você consegue estar tão calma?! – Amy reclamou, balançando os braços, indignada.

Elesis franziu o cenho.

—Não é a primeira vez que um idiota vem me chatear. – disse, arrumando a camisa do uniforme e fazendo com que as meninas se afastassem. – Eu passei por isso muitas vezes.

As colegas se entreolharam, sem saber o que dizer diante daquelas palavras. Elesis não se importava, mesmo porque pessoas ignorantes existiam em todos os lugares e era inevitável. Ela não podia ficar se vitimando, por isso ela revidava. Orgulho ela tinha aos baldes.

O público masculino estava calado, com os olhos fixos de admiração em Elesis. Nesse momento, Ryan entrou pela porta da sala e foi até Elesis.

—Elesis, eu vim para acompanhar a Lire, mas acabei de ouvir o que aconteceu. Ele saiu gritando coisas, mas para você saber, caras como o Allen são lixo. Eu peço desculpas. Por favor, não tenha uma má impressão de todos os garotos do colégio. – disse Ryan, quem tinha passado de sem noção para sério. Ele abaixou um pouco a cabeça, como se pedindo desculpas por todos.

Elesis internamente ficou agradecida por aquilo, mas por fora muito envergonhada.

—N-Não, tudo bem. Eu sei separar as coisas, Ryan. – Elesis falou, cruzando os braços e virando o rosto, levemente avermelhado.

Ryan a olhou e depois de um segundo deu um sorriso aliviado. Em seguida, Lire se voltou para o ruivo.

—Ryan, por favor, venha com a gente até o refeitório. – ela pediu.

Sem nem pensar duas vezes ele assentiu.

—Eu posso dar uma surra nele caso ele queira fazer alguma coisa. – Ryan confirmou, apontando a porta. – Eu vou ter que ir resolver umas coisas depois, mas posso ir com vocês até lá.

Elesis encarou Lire, ficando um pouco mais vermelha do que já estava.

—V-Você, eu não preciso de escolta! – Elesis gaguejou, um pouco irritada, com ar de “posso me cuidar sozinha”.

—Vamos, apenas aceite a gentileza, Eli-chan. Você é muito esquentada. – Arme interferiu, tocando seu ombro. – Você não precisa ficar na defensiva.

Elesis abriu a boca para retrucar, mas Amy a interrompeu.

—Mas você realmente foi incrível! Indo contra o Allen assim. – Amy controlou seu choro e sorriu o melhor que podia. – Ele é muito durão. Ele cuida dos caras mais problemáticos do colégio, mas não sabia que ele era tão malvado assim.

A ruiva ouviu isso e ficou desconcertada. De repente ela estava ganhando atenção, coisa que nunca tinha acontecido antes. Toda vez que ela se envolvia em uma briga ela só era tachada de brigona, de raivosa, de muitas outras coisas que a faziam ter vontade de explodir tudo. Agora era diferente... Ela não podia fazer nada a não ser sentir uma satisfaçãozinha no peito.

—Mas parece que você atrai brigas também. – Ryan comentou, na maior inocência. – Fiquei surpreso quando vi sua briga com Sieghart, mas pensar que o Allen também ficaria irritado...

Elesis na hora mudou a atitude. Se tudo estava bem antes, ouvir aquele nome era como jogar um balde de água fria na situação.

—Tenho a impressão de que esse Allen só começou a me incomodar por culpa daquele cara. – Elesis disse, fechando os punhos. – Se eu não tivesse me envolvido com ele, talvez eu não precisasse lidar com esse outro tapado. E também não teria causado problemas a ninguém.

Os colegas se entreolharam.

—Eli-chan. – Lire segurou suas mãos. – Estando certa ou não, nós somos suas colegas de quarto.

Amy assentiu.

—É verdade que você é bem fechada, mas você me protegeu, então é impossível que você seja uma pessoa ruim. – Amy disse, abraçando Elesis pelo braço. – Eu nunca vou esquecer isso.

Arme deu de ombros.

—Você realmente se preocupa com as pessoas, diferente do que demonstra. Acho que posso aceitar isso.

Elesis abaixou o olhar. Se sentia estranhamente bem vinda.

—E-Eu só fiz o que fiz para me defender. Amy não tinha nada a ver com a briga, então eu não podia deixar ele fazer o que bem entendia.

—Se ele aparecer de novo nós não vamos deixar ele te incomodar, Eli-chan! – Lire pronunciou, com ar de determinação.

Enquanto todos confirmavam, parecendo estranhamente alegres com o que tinha acabado de acontecer, Elesis deixou-se respirar fundo.

Ainda que ela tivesse ganhado tais cumprimentos, ela não podia deixar de se sentir culpada também.

“Se não fosse aquele Sieghart nada disso aconteceria...” Ela rangeu os dentes, discretamente, olhando para a janela enquanto guardava seu material.

Sempre que pensava nele só conseguia sentir raiva! Como ele a tirava do sério!

—Vamos almoçar. – falou Lire, guiando as meninas junto a Ryan.

Continua

Notas finais
Yey! É isso! Espero que esteja tão interessante quanto eu espero kkk. Obrigada por ler até aqui, se puder deixe seu comentário (o que eu adorariaaaa *^*) e até mais ver! Um abração!