Da Água Pro Vinho, do Ódio Pro Amor.
7 A proposta
Sakura acordou logo com os primeiros raios de sol. Dessa vez ela não acordou nenhuma vez durante a noite, mas teve pesadelos e dormir num banco duro, usando uma bolsa vazia como travesseiro e um vestido como cobertor não era muito bom pras costas.
A praça estava totalmente deserta, então deveria ser bem cedo ainda, concluiu. Então ela decidiu dar uma volta pelos arredores da praça e da casa real enquanto ainda não havia muitas pessoas por ali. Sakura foi andando bem devagar, olhando tudo e comendo as bolachas que estavam dentro da bolsa. Tudo estava muito calmo, bem diferente do dia anterior, poucas lojas estavam abertas, uma padaria, um bar ou outro e alguns mercados. Chegando perto da casa real, ela passou a andar bem lentamente, fazendo o possível para olhar cada detalhe da casa. A fachada era muito bonita e dessa vez ela viu uns arbustos de rosas arbustivas que não havia reparado antes. Isso a fez lembrar mais uma vez de sua casa, por que lá ela tinha um jardinzinho com rosas arbustivas, nem comparação com as que enfeitavam a frente da casa real, mais as dela também eram bonitas.
Viajando nas flores, ela nem percebeu que o guarda se aproximava.
Guarda: _ Você outra vez? O que você quer aqui garota? – disse ele
Sakura: _ eu não quero nada! Só estou olhando! Não pode? – ela tentou parecer meio brava
Guarda: _ Não, não pode! Dá o fora daqui.
Sakura: _ eu não to vendo em lugar nenhum escrito “Proibido Olhar”. Eu não vô sai.
Guarda: _ Não me obrigue a ser ignorante com você garota. Saia.
Sakura: _ Você acha que eu to querendo roubar alguma coisa, né? Mais eu não sou ladra não, ta! Eu sou uma pessoa direita! Só por que eu estou usando roupas velhas não quer dizer que eu seja uma marginal! Tenho certeza de que se eu estivesse bem vestida e toda arrumada você não ia me tratar assim! E eu NÃO VÔ SAIR!! – respondeu ela, levantando o tom de voz.
Guarda: _ Olha só garota, não complica minha vida, ta bom? Para de gritar e vai andando. Não tenho tempo pra perde com uma garotinha esfarrapada e mal educada. Vai logo. Ou então eu vou chamar alguém pra te tirar daqui. Anda, vai! Não são nem oito horas da manhã e eu não to a fim de aturar ninguém.
Sakura: _ Hum... Os seus patrões sabem que você trata assim as pessoas mais pobres? Acho que eles não iam gostar nada disso! Seu grosso! – respondeu, bateu o pé no chão e se virou de costas, mas não saiu do lugar.
Guarda:_ Você não me deixa escolha.
Ele pegou o trequinho lá que eles usavam pra se comunicar (esqueci o nome xD) e chamou “reforços”.
Sakura: _ isso é ridículo! Eu não estou fazendo nada! >.< mas vai, chama seus “amiguinhos”! Já que você sozinho não consegue nem tirar uma garotinha esfarrapada e mal educada do lugar! – ao dizer isso ela mostrou a língua pro guarda.
Guarda: _ Ora sua...
Sakura viu que dois homens bem grandes e com uniformes igual ao do guarda vinham correndo em direção a eles.
_ Eu vô voltar! Você ainda vai me ver varias vezes aqui, seu tonto!>.< — ela mostrou a língua outra vez e saiu correndo.
_ Aquele guarda idiota! – resmungou ela enquanto andava já afastada da casa, chagando na praça onde passou a noite — ele vai ver só! Quem ele pensa que eu sou? Uma ladra? Deixa ele! Eu vou volta lá e ninguém vai me tirar!
Ela se sentou em um banco, pensando em o que fazer depois, mas não veio nada na cabeça. Então Sakura resolveu ficar por ali mesmo. Ela pegou a garrafinha de água que trazia na bolsa e foi enchê-la novamente em um bebedouro que tinha ali, depois ela foi até a ponte e ficou olhando o lago por não se sabe quanto tempo. Sakura não sabia que horas o príncipe viria até a praça, nem ao menos sabia quem era o príncipe, mas ela ficaria bem ali, parada na ponte esperando alguém parar lá também e ficar olhando o lago.
Sakura POV’s on
Eu ainda estava brava pelo o que aconteceu antes lá na casa real, mas ficar olhando para a água me acalmou um pouco.
Me vieram tantas coisas na cabeça enquanto olhava a água. Lembranças felizes, pensamentos alheios, rostos... Acho que até ouvi a voz do meu pai dizendo meu nome e o riso do Soto quando eu fazia cócegas nele.
Parecia que eu havia me desconectado do resto mundo, nem vi o tempo passar, acho que fiquei ali por horas, pois quando voltei a mim, já havia muitas pessoas na praça e devia ser hora do almoço, pois dava pra ver os restaurantes abertos aos arredores da praça.
Resolvi perguntar as horas para uma senhora que passava na ponte.
Sakura: _ com licença, a senhora poderia me dizer que horas são, por favor? – perguntei com gentileza
Senhora: _ quinze pras duas. – ela respondeu de forma meio grosseira, eu achei, e foi andando rapidamente.
Devia ser por causa da minha roupa. As roupas que Meiko me dera estavam em bom estado, mais não eram novas, dava pra notar isso e já estavam um pouco sujas. E eu estava descabelada, com os cabelos presos com um palito de madeira que Meiko também me dera, mas os fios estavam escapando e meu cabelo estava todo embaraçado. Nem valia a pena tentar arrumá-los.
_ Quinze pras duas! Nossa... eu vim pra cá acho que não era nem nove horas da manhã! Não pode ser... eu não fiquei tanto tempo parada olhando pra água assim! – disse a mim mesma.
Mas minha barriga me dizia que a senhora estava certa. Eu já estava com fome. Mas não me conformava com o fato de eu ter ficado quase CINCO HORAS parada olhando para a água. Isso foi muito estanho.
Na minha bolsa só tinha mais um pão e eu o comi, não sabia como faria para comer nos outros dias, mas isso não me importava. O que me importava era achar o príncipe e falar com ele, ou tentar afogá-lo.
Eu olhei em volta e não vi ninguém que parecesse com um príncipe. Não vi nenhuma aglomeração em volta de ninguém nem ninguém cercado por seguranças. Só um garoto de cabelos negros, apoiado nos cotovelos de costas pra mim olhando a água. Mas ele não me pareceu um príncipe. Usava roupas simples, uma camisa regata azul marinho, assim como a que eu vestia por baixo da blusa cinza, uma calça branca e um par de tênis brancos comuns, nada de mais.
Sakura POV’s off
Sasuke POV’s on
Acordei tarde no domingo, já que fiquei treinando até tarde no sábado. Pra mim os domingos são os melhores dias da semana, pois saio de casa depois do almoço e só volto à noite, e como acordo tarde, quase não vejo meu pai ou minha irmã. Passo o dia inteiro no lago, só olhando. E o melhor de tudo: sozinho, ninguém me incomoda.
Depois de levantar, vesti a primeira coisa que vi no guarda roupas e desci para comer alguma coisa.
_ Senhor, já são quase onze e meia (vê se isso é hora de levantar?!...), o almoço sai daqui à meia hora. Não acha melhor esperar? – perguntou a cozinheira. A Ino, que antes vivia com aquele imprestável do meu tio.
_ Que seja. Não estou com fome mesmo. – respondi e fui indo pro meu quarto assistir TV.
Fiquei lá, olhando pra TV até a hora do almoço, pois não prestei atenção em nada do que estava passando. A Ino veio me avisar que o almoço estava pronto como ela faz todos os dias desde que mora aqui em casa. Não sei por que, já que eu sei muito bem a hora que o almoço é servido.
Ino: _ er... Sasuke, o almoço esta na mesa – disse ela num tom meio meloso e irritante.
Sasuke: _ aham, eu sei. Daqui a pouco eu desço.
Ino: _ Tudo bem!^^
Sasuke: _ Agora você já pode sair do meu quarto.
Ino: _ ah, sim... Claro! Me desculpe! – disse ela saindo e fechando a porta.
Não sei por que ela insiste em entrar no meu quarto, já disse que não gosto que entrem no meu quarto.
Desci, almocei e sai. Nem falei direito com meu pai, nem com a Kiony. Não tinha nada para falar com eles.
Fui direto para a ponte, me apoiei nos cotovelos e me perdi em meus pensamentos olhando para aquele lago. Mas não pude deixar de notar que tinha uma garota que também olhava a água. Nunca tinha a visto antes. Ela era bonita, tinha cabelos róseos presos com um palito de madeira, acho que os cabelos dela eram longos, pois havia vários fios soltos e uma mecha caia por sobre a blusa de mangas compridas que ela usava até o meio das costas, ela tinha a pele clara e olhos verdes. Por um instante ela me pareceu tão frágil, mas não dei muita importância pra isso, só olhei bem pra ela e voltei a olhar pro lago.
Sasuke POV’s off
Sakura POV’s on
Fiquei perambulando por ali por mais um tempinho, mas não vi príncipe nenhum, e eu não queria falar com mais ninguém para não ser mal tratada, mas se eu não perguntasse como saberia a que horas o príncipe chegaria? Então resolvi perguntar para o garoto na ponte, por que ele aparentava ter a mesma idade do Naruto e como o Naruto foi a única pessoa que foi legal comigo, ele também poderia me tratar bem. Eu sei, era uma associação idiota, mas foi essa a desculpa que eu inventei pra mim mesma para matar a vontade de ir lá falar com ele.
_ Oi! – disse timidamente, me apoiando na ponte perto dele.
Garoto da ponte: _ ....... – ele não disse nada, só me olhou meio indiferente e voltou a olhar pra baixo.
Ele não estava muito a fim de falar comigo, mais eu queria falar com ele.
Quando ele me olhou, eu pude ver os seus lindos olhos negros, assim como seus cabelos. Ele era realmente bonito, mas não tinha uma expressão muito bonita no rosto.
Sakura: _ Você mora aqui em Konoha? – eu já sabia a resposta, mais eu só queria mesmo era fazer-lo falar comigo.
Garoto da ponte:_ Sim... – ele nem me olhou quando respondeu
Sakura: _ então você pode me ajudar...
Garoto da ponte:_ O que você quer? – dessa vez ele me olhou e foi meio grosso, mas não me incomodou muito.
Sakura: _ me desculpe, você estava pensando em alguma coisa? Eu te interrompi? – claro que eu interrompi, mas não pude deixar de falar com ele.
Garoto da ponte: _ Agora não estou mais... Graças a você... – ele respondeu parecendo mal humorado
Sakura: _ ai... Esse lago faz agente se perder em pensamentos... – tentei novamente puxar assunto
Garoto da ponte: _ eu sei bem o que esse lago faz, venho aqui desde pequeno, agora não enrola e fala logo o que você quer garota...
Sakura: _ mais um sem educação! – disse fechando a cara – eu só quero uma informação, ta!?
Garoto da ponte:_ Você é irritante, sabia? – disse ele voltando a fitar a água.
Sakura: _ Você vai me ajudar ou não? – perguntei já ficando irritada.
Garoto da ponte: _ Se você falar o que você quer, eu posso tentar, mas até agora você só esta me incomodando
Não gostei do jeito que ele falou comigo
Sakura: _ não precisa falar assim comigo... – tentei parecer magoada, mais não surtiu efeito
Garoto da ponte:_*suspiro* Fala logo...
Sakura: _ eu só quero saber se você sabe que horas mais ou menos o príncipe de Konoha costuma vir aqui... eu queria falar com ele...
Garoto da ponte: _você quer falar com o príncipe? – ele me lançou um olhar estranho, que me deu um arrepio na espinha
_ Aham... – respondi, olhando a água
Quando ele me olhou, eu acho que aquilo foi um sorriso, ele sorriu de lado.
Garoto da ponte:_ e o que você quer com ele?
Sakura: _ não é da sua conta!
Garoto da ponte:_ ah, é sim.
Sakura: _ não é não. Você vai me falar, ou não?
Garoto da ponte:_ Todo domingo depois do almoço.
Sakura:_ ata! Obrigada! Mas eu não estou vendo ele por aqui – tentei fingir que sabia quem era o príncipe, pra ver se ele me falava onde ele estava – Você sabe onde ele esta? – perguntei olhando pros lados, como se estivesse o procurando.
Garoto da ponte:_ Você não é daqui não é?
Sakura: _ Não. Sou de um vilarejo que fica meio afastado de Konoha, só vim pra cá pra falar com o príncipe – menti
Garoto da ponte:_ sei... – ele voltou a olhar o lago
Sakura: _ então, onde ele esta?
Garoto da ponte:_ ... – ele deu um leve sorriso, mas não parou de olhar para o lago.
Eu não gosto quando as pessoas não respondem as minhas perguntas nem quando não olham pra mim quando eu falo, e ele estava fazendo as duas coisas. O que tem de bonito tem de sem educação, pensei.
Sakura: _ CARAMBA! DÁ PRE ME RESPONDER OU NÃO? – gritei com ele, irritada
Todas as pessoas que estavam por perto ficaram olhando pra mim e cochichando uma com a outra.
_ olha mamãe! Ela ta guitando com o pincipe! Ela vai morre? – um garotinho que passava por ali com sua mãe apontou o dedo pra mim.
_ vamos filho! Ninguém vai morrer aqui! Vamos – respondeu a mãe, puxando o garotinho
_ Pri — príncipe? Vo — você? – gaguejei e olhei pra ele assustada – você é o príncipe de Konoha!?? Ai meu Deus! Me desculpe majestade! – me ajoelhei no chão
Príncipe: _ levanta. Para com isso que estão olhando pra gente como se você fosse maluca, irritante. – ele nem sequer olhou pra mim, só continuou fitando a água do lago.
_ ai meu Deus! Perdão majestade! Eu... eu não sabia que... me desculpe – disse levantando.
Príncipe: _ Pare de se desculpar e fale logo o que você queria falar comigo.
Sakura: _ sim! Me desculpe por me desculpar! Realmente, me desculpe!– eu já nem sabia o que estava falando
Príncipe: _ PARA! – agora sim ele olhou pra mim
Sakura: O.O e... esta bem...
Príncipe: _ Fala logo que eu já estou perdendo muito tempo com você...
Sakura: _ Bom, err... ta! Eu já lhe disse que sou de um vilarejo afastado daqui, e meu povo esta sob ataque de ninjas visinhos e a ANBU já nos ajudou uma vez, então eu vim até aqui lhe pedir para que peça ao Rei para mandar a ANBU salvar meu povo outra vez... – disse, cheia de esperança
Príncipe: _ deixa eu ver se entendi, você veio de longe até aqui para pedir para que eu fale com meu pai para enviar ajuda para seu vilarejo através da ANBU?
Sakura: _ sim! Sim, senhor! — *-----*
Príncipe: _ Receio que veio até aqui a toa.
Sakura: _ por... por que? – vi toda minha esperança se desmanchar...
Príncipe: _ O rei não tem influencia nenhuma sobre a ANBU, eles agem sob as ordens dos seus próprios comandantes. O único trabalho do rei é receber as ordens oficiais de solicitação da ANBU, ver qual paga melhor e mandar pra eles. Ai eles vão se acharem conveniente. Eu poderia te ajudar se você viesse com um pedido formal de solicitação enviado pelo administrador da sua vila e com uma oferta de pagamento bem generosa, mas eu já percebi que você não nenhuma ninja mensageira. Então, não posso fazer nada. Foi bom falar com você, Tchau.
Meu chão se abriu e eu desabei. Lagrimas já se formavam em meus olhos.
_ ma... mais... Como assim, “não posso fazer nada”? Por favor, majestade! Ajude meu povo! Eu lhe imploro! – eu já estava chorando — Por favor! Ajude minha família! Por favor!
Príncipe: _ Sinto muito, não há o que eu possa fazer pelo seu povo. – ele voltou a olhar o lago
Nessa hora comecei a chorar feito criança com fome. Cai de joelhos no chão e tudo o que vinha na minha cabeça era minha vila destruída e minha família morta. Entre soluços eu murmurava algumas palavras como “por favor”, “me ajude”, coisas assim.
Ele só me olhava. Não dizia uma palavra. Nem sequer mudou a expressão fria que lhe dominava a face.
Ele pareceu pensativo por um tempo, como se avaliasse uma idéia não muito boa. Depois de me deixar chorar por um tempo, ele se abaixou até mais ou menos a altura que eu estava e olhou bem pra minha cara.
_ eu não posso fazer nada pelo seu povo, mas talvez eu possa ajudar a você e a sua família.
Senti meu coração palpitando quando ele disse que poderia ajudar minha família.
Sakura: _ ver... Verdade? – disse entre soluços – Co... como? Me diga e eu... eu faço o que for preciso!
Príncipe: _ Então case-se comigo.
Sakura: _ O que?!!!! O.O’
Notas finais
Espero que gostem! ^^
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