(DES)EDUCANDO Uma Princesa

15 Capítulo 14: REARRANJOS


Notas iniciais
Heey meninas!
Finalmente eu consegui inspiração + tempo para escrever!
Desculpem pelo grande hiatus, mas escrevi esse capítulo todinho hoje especialmente para vocês!
Espero que gostem ♥



Bella



– Hora de arrumar as malas, vossa alteza! – anunciou Alice, mais enérgica do que o habitual naquela manhã de sexta feira, quando irrompeu pela porta do meu quarto.

Desviei os olhos da revista em meu colo para olhá-la com esperança.

– O que aconteceu? Nós vamos viajar? Estou livre do meu castigo?

Eu estava quase enlouquecendo nos últimos dias. A primeira semana do castigo eu aceitei de bom grado, a segunda foi difícil, mas suportável; na terceira eu já estava inquieta com a clausura e chegava agora o final da quarta semana.

– Quase isso – o sorriso dela encolheu um pouco, mas depois voltou a ser largo novamente. Ela dirigiu-se ao meu closet e começou a jogar coisas para fora. – Chad me convidou para passar o feriado com ele no seu iate, o que convenhamos, é a minha cara. Festas, badalação, compras e altos gatos.

– Iate? – repeti.

– Sim, aqueles barcos enormes e super luxuosos que só gente importante tem – ela revirou os olhos para mim. – Eu sei que você é uma Princesa e tudo mais lá no país onde você se esconde, mas você não tem um iate, tem?

Balancei a cabeça, estreitando os olhos para o seu tom desagradável.

– Que seja – ela revirou os olhos. – A boa notícia é que isso é exatamente o que eu precisava para quebrar a rotina.

– E a má notícia? – continuei, quando ela não falou mais nada.

– A má notícia... É que você não vai. Você não teve permissão das suas babás do FBI para me acompanhar, de modo que você vai ficar com eles enquanto eu estiver fora.

Respirei fundo e a encarei seriamente, controlando minha raiva súbita.

– Eu não preciso ir para lá. Eu posso ficar aqui, muito bem obrigada. Tenho Preciosa.

– Ao que parece, isso não é bom o bastante para eles – ela finalmente largou o closet, admirando satisfeita a pilha de roupas que havia formado ao meu lado na cama. – Isso deve bastar.

– Ao que parece, você não argumentou o suficiente sobre a sua cliente – acusei.

Alice me devolveu um olhar gelado, empinando o nariz e me encarando de volta.

– Não sou eu quem está de castigo por aqui. Eu não tenho que parar a minha vida por causa de uma missão estúpida, mesmo que seja de importância real – rebateu ela, sarcasmo e veneno escorrendo em sua voz.

– Ótimo – rebati de volta, ficando de pé e indo até a porta do quarto. – Eu posso arrumar as minhas coisas sozinha. Divirta-se no seu cruzeiro fantástico.

– Ótimo! Porque é isso mesmo o que eu vou fazer. Au revoir! – gritou ela, marchando furiosamente para fora do quarto.

Bati a porta com força e gemi, frustração e raiva exalando por todos os meus poros. Peguei a maior bagagem de mão que eu encontrei no closet e fiz a minha própria seleção de roupas, ignorando as que ela tinha jogado em cima da cama de propósito. Preciosa miava e chiava atrás de mim, tão irritadiça quanto eu.

– Eu sei o que você quer dizer, Preciosa – murmurei com ela, enquanto pegava meu tênis para atirá-los dentro da bolsa. – Alice não precisava ter dito aquelas coisas. Eu poderia ter me segurado, mas não gostei do tom dela. Parecia que ela estava louca para se livrar de mim, o Estorvo Real que caiu de paraquedas em sua vida.

Preciosa rosnou atrás de mim.

– Mas está tudo bem – virei-me para ela, para soprar-lhe um beijo. – Eu não preciso de uma advogada, posso promover o meu caso sozinha. Lembra-se de alguns julgamentos que participamos lá no castelo? Então, eu devo ter uma ideia de como argumentar ao meu favor. Tudo vai dar certo e, no momento, eu só preciso sair daqui.



[...]



– Bella? Mas já? – um Emmett surpreso abriu a porta, apenas de shorts.

– Emmett! – arfei, usando uma das mãos que sustentavam Preciosa para cobrir meus olhos. Ela miou em meu colo, enquanto eu ficava cada vez mais vermelha.

– O quê?! – perguntou ele, alarmado de volta.

– Seus trajes! – apontei, corando ainda mais quando olhei para ele de novo.

Ele riu e puxou uma regata que estava sobre o sofá, poucos passos além da porta.

– Desculpe-me, alteza – falou ele em um tom formal, enquanto fazia uma reverência, mas havia um sorriso torto brincando em seus lábios. – Permita-me.

Ele abaixou-se para pegar a minha mala no chão ao meu lado, depois fez um floreio para que eu entrasse. Eu ri, sentindo minhas bochechas voltarem ao normal.

– Eu não sabia que você estava... hum... estava... que eu ira encontrá-lo... daquela forma – falei nervosa, em pé no meio da sala.

– Está tudo bem, você deu sorte que eu não estava pelado – ele falou casualmente, como se não fosse nada demais.

Engasguei.

– Ei, você está bem Bella? Não me diga que Alice não está cuidando de você direito e deixou que você pegasse uma pneumonia? Quer um pouco de água?

Assenti e ele desapareceu para a cozinha. Desabei no sofá mais próximo, lembrando-me de continuar respirando. Puxar o ar, e soltá-lo. Emmett costumava andar seminu – ou pior – em casa? Santa Bharsóvia!

Antes que eu me desse conta, ele estava de volta me estendendo o copo de água.

– Obrigada – agradeci, bebendo a água rapidamente.

– Então, você está sentindo mais alguma coisa? Quer ir ao médico?

Sim, eu estava sentindo. Constrangimento e uma provável hiperventilação.

– Não, está tudo bem Emm. Eu não estou doente, foi apenas um incidente.

– Bom... – ele sentou ao meu lado, olhando por um breve momento para a gata em meu colo e depois para mim. – Eu não esperava que você viesse tão rápido. Estava esperando por você só amanhã.

Reparei que ele não usou o plural, referindo-se apenas a mim. Por quê todos temiam a presença agradável de Preciosa?

– Bom, acontece que Alice me contou há uma hora atrás sobre o rearranjo em minha vida para o feriado. Arrumei minhas coisas e decidi vir mais cedo – falei, mantendo a parte do desentendimento só para mim. – Estou atrapalhando? Eu posso voltar...

– Não, não, tudo bem – falou ele rápido. – Você pode ficar com o meu quarto, eu vou ficar bem aqui na sala.

– Emmett, eu posso ficar na sala.

– Por favor, majestade. Eu faço questão – ele teimou.

– Tudo bem, mas com uma condição.

– O que é?

– Chega dessa formalidade – eu sorri para ele. – Sou apenas a Bella, lembra-se?

Ele assentiu, sorrindo, e segurou minha mão.

– Claro, prima – ele piscou para mim.

– E o agente Cullen? – perguntei, decidida a mudar de assunto.

– O Edward vai passar o dia fora, ele disse que tinha umas coisas para resolver no centro de Nova York. O que me lembra...

Ele desviou o olhar para o outro lado, e eu me perguntei o que ele queria dizer. Reparei melhor seu rosto, em busca de alguma informação. Reparei que o apartamento estava silencioso demais, o que era estranho comparado às outras vezes que eu vim aqui. Depois de um momento, algo me ocorreu.

– Emmett, eu estou te atrapalhando? Você ia sair ou algo assim?

– Não, você... está tudo bem. Eu posso ir outro dia.

– Aonde você estava indo?

– Eu estava indo malhar ali na academia do prédio, mas não é algo importante...

– Não, por favor Emm. Pode ir, eu vou ficar bem – sorri para ele.

– Você não pode ficar sozinha. Não faz parte do acordo – murmurou ele.

Contive o impulso de revirar os olhos e dizer o que eu queria.

– Eu vou ficar bem aqui, vá trabalhar seus músculos – toquei em seu braço por um breve momento. – Não quero ninguém fraco por minha causa.

Ele bufou.

– Como se eu fosse uma garota – ele revirou os olhos. – Sabe, você poderia me acompanhar. Posso precisar de ajuda ou essas coisas.

– Eu não posso sair de casa – citei tristemente, o que me vinha sendo dito.

– Sim, isso é verdade. Mas – ele ergueu as sobrancelhas para mim e sorriu torto – acontece que tecnicamente você não estará deixando o perímetro deste prédio, e estará o tempo todo acompanhada por mim. Como um dos criadores da sua punição, eu digo que isto é possível.

– Só você para me fazer rir disso – eu sorri para ele.

– Palhaço Emmett McCarthy, à sua disposição alteza – ele beijou minha mão. – Agora coloque uma roupa de ginástica, você precisa estar caracterizada à altura.

Quinze minutos depois, estávamos os três – sim, porque eu não ia deixar Preciosa sozinha em casa – descendo rumo à sala de ginástica até então desconhecida para mim. O lugar era um amplo salão na parte sul do prédio, bem equipado e com um grande tatame na parte leste para lutas. A parede sul era toda de vidro, com vista para uma parte da piscina.

– Bem vinda ao meu refúgio nesse prédio – anunciou Emm, calorosamente.

– Uau, aqui é incrível – sorri, maravilhada com tanta coisa.

– Eu gosto daqui porque é tranquilo – falou ele, sentando-se em um aparelho próximo à mim. – Os moradores do prédio não vêm aqui, de modo que passa a maior parte do dia abandonado. Edward e eu somos os únicos que vem aqui todos os dias.

Passei minha mão sobre alguns aparelhos, até que cheguei a um saco de areia pendurado do teto. Tentei dar um soco, mas ele mal balançou. Emmett riu baixinho.

– O que você sabe sobre defesa pessoal, Bella?

– Bom, pelo o que você pode ver, não muito – eu ri, Preciosa concordando comigo.

– Então vamos trabalhar nisso – ele anunciou e ficou de pé, vindo até mim. – Você pode malhar comigo sempre que quiser e eu te ensino como se defender e incapacitar qualquer cara tão grande como eu. Temos um acordo?

– Temos – sorri para ele e apertei sua mão, estendida à minha frente. – E em troca, se você nos arrumar alguns floretes e trajes, eu posso te ensinar esgrima.

– Eu sei usar uma espada, milady – ele se gabou.

Ergui uma sobrancelha, em desafio.

– É o que veremos, sir.

Ele riu e sugeriu que começaríamos pelo alongamento de braços e pernas, depois o restante dos músculos do corpo. Depois de torturantes quarenta minutos de aquecimento, meu corpo já pedia para parar. Meus pulmões trabalhavam com força e minha roupa começava a pingar.

– Estou fora de forma – comentei, desabando no chão ao seu lado. – Esgrima nunca exigiu tudo isso de mim.

– Você é uma garota, Bella – eu ergui a sobrancelha, jogando uma toalha nele. – Não foi isso que eu quis dizer! Eu quis dizer que eu não esperava que você acompanhasse o meu ritmo tão facilmente, o ritmo de um agente secreto...

– Bom, eu fiz bastante coisa para um primeiro dia.

– Mas isso foi só o aquecimento – ele riu, provavelmente da cara de horror que eu fiz. – Que tal você me ajudar nas flexões? Assim você pode descansar um pouco.

– Gostei – concordei rapidamente. – O que eu preciso fazer? Contar?

Emmett se deitou no chão ao meu lado, preparando-se para começar.

– Basicamente isso – ele assentiu, e eu me preparei para contar. – Enquanto você estiver em cima de mim.

– O quê?!

Preciosa saltou em meu lado, alarmada também.

– Suba nas minhas costas e sente-se. Eu faço flexão com peso, porque exige mais do corpo – ele arrancou a regata, jogando-a do outro lado do salão. Prendi a respiração, enquanto tentava não olhar o excesso de pele e músculos expostos à minha frente.

– Você só pode estar brincando, agente – disse nervosa.

– Você está vendo alguém rir aqui? – perguntou ele sério, seus olhos azuis sondando os meus. – Anda, vamos logo com isso. Não precisa ter um treco, Bella. Você não precisa fazer nada, só contar e manter sua gata de garras afiadas longe de mim.

Eu ia negar mais uma vez, mas considerei minhas opções. Subir nas costas de Emmett e ajuda-lo, tendo apenas que olhar para suas costas e cabelo, ou ficar ali no chão, vendo muito mais quantidade de pele exposta...

Não demorou muito para que eu me forçasse a me mexer e, com cuidado, sentei-me com as pernas dobradas sobre ele onde ele pediu, pouco abaixo da metade de suas costas. Respirei fundo e prendi a respiração.

Emmett começou a se mover, me assustando na primeira flexão. Ele me dissera para contar vinte, parar dois minutos e repetir a série. Ele faria o total de dez séries. Depois da primeira série concluída, eu estava mais relaxada – se é que eu podia dizer isso. Acostumei-me com o movimento e meu cérebro já era capaz de pensar outras coisas, além do fato de que havia um homem seminu embaixo de mim fazendo flexões.

Preciosa deitou-se sobre suas patinhas ao nosso lado, acompanhando todos os movimentos de Emmett com os seus impressionantes olhos azuis de gata.

Decidi então aproveitar a oportunidade a meu favor.

– Emmett?

– Sim? – grunhiu ele embaixo de mim, não parando o que estava fazendo.

– Se importa se nós falarmos sobre uma coisa um pouco?

– Desde que não atrapalhe a contagem, tudo bem... Oito... Nove...

Fiquei impressionada como ele era forte e tinha um bom preparo físico, porque mesmo com cinquenta quilos nas costas, ele nem estava sem fôlego. Totalmente focado.

– Não, está tudo bem. Eu vou continuar contando – disse, enquanto registrava seus movimentos mecanicamente.

– Então... fale, estou ouvindo.

– Bem, não sei se você se deu conta, mas já fazem quatro semanas que eu estou de castigo... – ele fez uma pausa no alto maior que o habitual, seu corpo tenso como o meu. Depois de respirar fundo, ele continuou. Respirei fundo e continuei também. – Eu gostaria de falar sobre isso. Fazer alguns rearranjos.

– Hum.... – ele não disse mais nada, então eu continuei.

– Me arrependo de não ter contado a vocês sobre o Jake – outra pausa longa, então ele continuou. – Sei que fiz mal, e já aprendi minha lição. Eu estava errada e reconheço isso. Mas você não acha que isso está indo longe demais? Quatro semanas de cárcere privado é algo abusivo.

– Abusivo é aquele cachorro colocar suas patas em cima de você – cuspiu ele.

Respirei fundo e tentei outro caminho.

– Emm, Jake nunca me desrespeitou. Ele me trata com tanta atenção quanto você ou o Edward. Ele apenas quer me ver feliz, e eu gostaria de viver isso. Eu não estou matando, nem roubando, nem fazendo nada contra a lei. Apenas pedindo a oportunidade de ser normal e ter uma vida feliz como qualquer um.

– Bella, você não é qualquer um. Nós dois sabemos disso!

– Sim, você tem razão – admiti, e toquei seu ombro levemente. – Mas aqui na América eu não sou uma pessoa comum, como qualquer garota de dezoito anos?

– Aqui sim, mas...

– Mas garotas de dezoito anos americanas costumam ficar de castigo, para não dizer sequestro, dentro de casa por um mês? Só por querer estar com um homem?

Emmett grunhiu, e eu sabia que estava chegando aonde queria.

– Por favor, Emmett! – aproveitei que ele tinha feito sua pausa para apertar gentilmente seus ombros, que deveriam estar sofrendo com meu peso. – Acabe com isso. Converse com Edward. Eu não vou fazer nada de errado, apenas tentar ser normal.

Com um suspiro e um movimento que arrancou totalmente o fôlego dos meus pulmões, em um piscar de olhos ele tinha nos virado e estava sobre mim, prendendo-me ao chão. Tentei me mexer, mas era como tentar empurrar uma montanha com as mãos. Seus olhos azuis eram duros e sérios nos meus, considerando tudo o que passava em meu rosto... ou pronto para me atacar.

Emmett McCarthy nunca havia me olhado daquela maneira.

Preciosa chiou ao nosso lado, mas ele a ignorou.

– Tem certeza de que é isso o que você quer, Bella? – perguntou ele, baixinho.

Engoli em seco e senti meu coração parar. Não sei de onde consegui forças, mas devolvi o mesmo olhar para ele, camuflando meu medo.

– Sim – disse, mas poderia ter sido mais alto. E sem minha voz estar rouca.

– Ótimo, você pode ter a sua chance – ele disse sério.

– Mesmo? – sorri, maravilhada por ter conseguido tão rápido.

– Depois que você aprender a me derrubar – ameaçou ele, seu olhar desafiando-me.

– Te de-derrubar? – gaguejei.

– Exato – ele sorriu torto. – Você tem que saber como afastar um cara de você.



I'm bringin' sexy back

Them other boys don't know how to act!

I think it's special what's behind your back.

So turn around and I'll pick up the slack!

(Take em' to the bridge!)


Dirty babe...

You see these shackles? Baby I'm your slave

I'll let you whip me if I misbehave!

It's just that no one makes me feel this way

(Take em' to the chorus!)


Come here girl!

(Go 'head be gone with it!)

Come to the back

(Go 'head be gone with it!)

VIP



O barulho de seu celular rompeu o silêncio entre nós, mas não a tensão. Emmett soltou uma de suas mãos de mim para alcançar o celular, que continuava a berrar dentro de seu bolso.

– Edward – ele falou calmo, como se não estivesse fazendo nada. Tentei me soltar dele enquanto isso, mas não obtive sucesso. – Sim, estou em casa. Na academia.

Ele desligou e guardou o celular, então voltou seus olhos desafiadores para mim.

– Não estou vendo muito progresso por aqui – zombou ele.

Aquilo me deixou mais nervosa ainda. Deixei de lado todo o rubor e constrangimento, apenas para me focar em como escapar dele. Tudo que eu tentava, parecia inútil.

Minha liberdade parecia tão imóvel quanto Emmett McCarthy.

Enquanto eu grunhia e tentava me soltar dele, Preciosa tinha se aproximado mais, rosnando perigosamente como se fosse um grande felino. Acredito que ela esperava um sinal meu para avançar, e talvez nem eu conseguiria impedi-la.

– O que está acontecendo aqui?

A voz de Edward soou bastante surpresa, do outro lado do salão, na entrada. Ele rapidamente veio até onde estávamos e nos olhou mais atentamente. Eu ainda lutava – inutilmente – contra a montanha de músculos em cima de mim.

– O eu você está fazendo, Emmett? Perdeu seus neurônios?! Larga ela, vai.

– Shiu Edward! Estou tentando ensinar algo a Bella – respondeu ele, piscando descaradamente para mim. – Não se intromete.

– Emmett McCarthy, me largue! – vociferei, cansada e frustrada.

– Se você pedir isso a um agressor, ele não vai fazer – teimou ele, reforçando seu aperto. – Sabe o que ela quer, Ed?

– Ajuda! – falei, mais rápido do que ele.

Eles riram. Garotos idiotas!

– Bella quer renegociar sua prisão – continuou Emmett, alheio a mim ou a meus chutes. – Ela me pediu para acabar com o castigo. Ela quer namorar o Black.

Observei o choque no rosto do agente Cullen se transformar em determinação.

– Bem, deixe que eu a ensino agora – sugeriu ele, cutucando Emmett com o pé.

– Eu disse a ela que ela poderia namorar o Black... depois que aprendesse a me derrubar – continuou Emmett.

Edward riu ruidosamente.

– Bom, isso explica muita coisa – ele olhou para mim, e de volta a Emmett. – Você teve uma grande ideia Emm, mas não deixe isso subir à sua cabeça.

Aquilo me deixou com mais raiva. Eles estavam zombando de mim, assim como Alice fizera mais cedo naquela manhã.

– Muito bem, já chega disso – anunciei, séria, e parei de me mexer completamente.

Uma coisa que o meu pai, o Rei Charlie, sempre me ensinou foi que às vezes é preciso deixar que tirem conclusões precipitadas sobre você. Mostre algo falso e use aquilo a seu favor. Você sempre pega um inimigo pelo fator surpresa.

Eles riram mais um momento, mas quando viram que eu não estava rindo ou me debatendo, ambos pararam. Emmett interrompeu o seu aperto e me olhou sério.

– Bella?

– O que é? – resmunguei, meus olhos somente em Preciosa.

– Você desistiu? – perguntou Edward, também sério.

– O que vocês acham?

Vendo que eu não disse mais nada, Emmett me soltou e se levantou sobre mim. A sensação de não ser esmagada por seu peso foi única, mas não deixei que eles tivessem esse gostinho. Quando ambos me ofereceram a mão para levantar, eu os ignorei e levantei sozinha, pegando Preciosa do chão e acariciando seu pelo. Caminhei até o outro lado da sala, onde havia uma geladeira e peguei uma garrafa de água. Encontrei um pequeno pote vazio e dividi seu conteúdo, oferecendo metade à minha gata enquanto bebia o resto da garrafa.

Eu podia sentir o olhar de ambos sobre mim, perfurando-me como raio laser, mas sabiamente os ignorei. Eu podia sentir o que estava sobrecarregando o ar.

Arrependimento.

Derrubar Emmett McCarthy agora era questão de honra para mim. Deixei que eles remoessem um ao outro, ignorando enquanto falavam comigo. Esperei algumas horas, vendo-os treinar, apenas até a melhor oportunidade.

Quando Edward tinha ido até o banheiro masculino, do outro lado do salão, Emmett estava de costas para mim colocando suas luvas de boxe. Pelo que eu entendi, eles iam treinar boxe em alguns minutos. Respirei fundo e devolvi a garrafa que mantinha minhas mãos ocupadas à pia.

Aproximando-me o mais silenciosamente que eu pude, eu refiz o meu plano em minha mente. Já havia visto alguns dos guerreiros de papai fazerem aquilo, e sempre obtinham sucesso. Não poderia ser tão difícil.

Eu tinha que conseguir. Por mim. Por Jacob. Por minha liberdade.

Quando estava a alguns centímetros de distância das costas dele, eu agi. Emmett não me notou, porque estava ocupado demais com os nós de uma das luvas. Pulei em suas costas e enquanto ele processava o que eu estava fazendo, levei meus braços à sua garganta e travei meu cotovelo ali, bloqueando seu ar. Ele tentou gritar, mas não conseguiu. Não conseguiu me soltar também, nem se livrar de mim. Emmett McCarthy deu mais três passos à frente, antes de cair de cara no chão comigo em suas costas.

Eu tinha conseguido?

– Funcionou?! – murmurei baixinho, soltando meus braços devagar.

Neste exato momento, Edward voltava do banheiro e levou um susto ao nos ver ali, quase na mesma posição de antes. Porém desta vez, eu estava por cima.

– Majestade? – gaguejou ele, vindo até nós.

– Eu o derrubei! – virei-me para ele com um sorriso nos lábios, mas parei de sorrir ao ver que ele não sorriu de volta.

Olhei então para Emmett. Ele permanecia imóvel.

– Emmett? – eu o cutuquei, mas nada. – Eu te derrubei, ganhei. Pare de brincar!

Ele continuou imóvel, ainda caído embaixo de mim com os olhos fechados.

– Emmett! – estapeei suas costas nuas, para que ele reagisse. – Vamos, abra os olhos! Eu não fiz tanta força assim! Eu não posso ter... ter te...

Não consegui terminar as palavras, porque já estava debruçada sobre ele chorando. Eu não tinha feito tanta força assim. Ele tinha que estar respirando. Ele não poderia estar... morto.

Edward me puxou gentilmente de cima dele, esfregando meu braço enquanto lágrimas desciam sem parar de meus olhos. Ele virou Emmett e colocou o ouvido em seu peito.

– O coração dele está batendo, mas está fraco – falou ele.

– Não pode ser! – me desesperei. – Olha o tamanho dele, agente, e olhe para mim! Como eu ia ter força suficiente para mata-lo?! Eu não apertei tanto assim, ele tem que respirar! Emmett! Acorda!

– Calma, Bella. Ele está vivo – ele me ofereceu a mão, mas eu a ignorei e o puxei para mim, soluçando contra seu peito. – Vai ficar tudo bem.

Chorei mais ainda, pensando em como eu tinha sido estúpida. Edward passou os braços em torno de mim, me aninhando contra si, enquanto eu arruinava sua camiseta azul marinho. Ele pareceu tão gentil, enquanto eu... eu era um monstro!

Um som horrível, de alguém que volta à vida depois de se afogar, ecoou ao meu lado. Abri meus olhos para ver Emmett ali no chão, olhos abertos, enquanto resmungando fazia uma careta e esfregava o seu pescoço.

– Emmett! – gritei e me atirei contra ele, desabando em cima de seu peito nu enquanto chorava mais. – Eu pensei que eu tinha te... tinha te...

– Ai, ai, calma aí majestade! – murmurou ele, passando a mão pelos meus cabelos, rindo e tossindo. – Eu não sou de vidro aqui. Bela gravata, aliás.

– Você deu uma gravata nele? – repetiu Edward.

– Eu não sei o que eu fiz! Eu sou um monstro! – protestei, com lágrimas nos olhos.

– Sim, e que gravata essa garota tem cara – ele estendeu a mão para Edward, que puxou a ele e a mim para cima.

Soltei-me dele, pensando pela primeira vez o quanto eu tinha agarrado esses dois homens em menos de cinco minutos. Eu estava perdendo o respeito e o juízo, e como bônus ganhando uma personalidade de serial killer.

– Perdoe-me Emmett! – supliquei, desviando meu olhar para minhas mãos em meu colo e me arrependendo de cada movimento. – Eu não tive a intenção de te... te...

– Você não me feriu – completou ele, levando dois dedos ao meu queixo e erguendo o meu rosto. Ele sorria para mim, como havia feito tantas vezes. – Está tudo bem. Eu não deveria ter te irritado tanto antes. Sinto muito.

– Você não tem o direito de me pedir desculpas. Você não cometeu um crime!

– Nem você – ele piscou e ficou de pé, estendeu a mão e puxou-me para perto de si. – Além do mais, se serve de consolo, nenhuma garota me derrubou até hoje. E dá para contar nos dedos das mãos os caras também o fizeram.

– Você está mentindo – murmurei, sem jeito.

Ele enxugou uma lágrima com o polegar e beijou minha testa.

– Não estou. Pergunte ao Edward ou ao JW – ele piscou.

Virei-me para Edward, que com uma careta, confirmou o que ele dizia.

– O Emm é tão teimoso e difícil de derrubar como uma montanha – disse ele, sorrindo torto para mim.

Meu coração afundou dentro do peito.

– Mas ao que parece, o terremoto Bella McCarthy teve tamanho e força o bastante para fazer isso – ele deu um soco no braço de Emmett.

– Um terremoto estúpido – resmunguei.

– Um Terremoto Real que vai aprender a derrubar muitos mais – Emmett disse, me cutucando provocativo.

– Eu não vou fazer isso de novo!

– Bem, então acho que temos um castigo a manter – disse Edward para Emmett.

– Você está certo, cara – ele concordou.

– Meu castigo acabou! – protestei, pronta para discutir novamente. – Eu te derrubei. Fiz a minha parte, agora faça a sua!

– Eu disse que você teria a sua chance, não que o castigo chegaria ao fim.

– Creio que isso se chama liberdade condicional – adicionou o agente Cullen, recebendo aprovação dele.

– Isso não é justo! – resmunguei, fechando minhas mãos em punho.

– O que você quer? – propôs Emmett.

– Quero minha liberdade de volta, e nenhum de vocês dois me impedindo de fazer nada que eu queira.

– Estes são os seus termos? – perguntou Edward.

– Sim, são eles – assenti, minha voz firme.

Em dois minutos atrás eu estava chorando pela morte de Emmett, agora discutia com dois agentes federais pela minha liberdade. Quanta mudança.

– Ótimo, então vamos fazer dois desafios – sugeriu Edward, me deixando surpresa e Emmett mais ainda. – Emmett e eu vamos desafiá-la e cada um de nós representa um de seus prêmios.

– Fechado – Emmett aceitou, feliz, estendendo a mão.

– Que desafios? – perguntei, desconfiada.

– Discutiremos isso depois. Mas os prêmios foram anunciados, agora cabe ao melhor vencer – anunciou ele, apertando a mão de Emmett.

Eles me olharam esperando e eu estreitei meus olhos.

– E se vocês ganharem?

– O seu prêmio se voltará contra você – anunciou Emmett, sorrindo torto.

Considerei aquilo por um momento. Aquilo realmente era tentador.

– Aceito, desde que seja limpo e estejamos todos em mesma condição de participar. Não pode haver desvantagem ou sabotagem – dei um passo a frente e coloquei minha mão sobre a deles.

Com um aperto de mão triplo bastante estranho, selamos o acordo.

– Agora, eu tenho que contar a novidade a vocês dois – anunciou Edward, quebrando o silêncio um momento depois.

– Novidade? – perguntamos Emmett e eu.

– Meus pais querem, ou melhor, exigem que eu passe o feriado com eles.

Os pais de Edward e Alice? Eles não falavam quase nada sobre eles.

– Isso parece legal – eu disse com sinceridade.

– Como Alice conseguiu enrolar minha mãe para não ir, ela praticamente me implorou que eu levasse Emmett para vê-la de novo.

– A Esme me adora, eu sabia disso – ele sorriu, presunçoso.

– Cala a boca, idiota – resmungou Edward, dando um tapa em sua cabeça. – Minha mãe também quer que você vá, Bella. Ela adoraria conhecê-la.

– A mim? – gaguejei, em pânico. – Mas como ela sabe sobre mim? Eu nem sou da família!

Eles reviraram os olhos ao mesmo tempo, parecendo irmãos gêmeos.

– Alice por acaso deixou escapar sobre você em uma das ligações com minha mãe – explicou Edward, parecendo momentaneamente sem jeito. – Como ela não deu detalhes, minha mãe me ligou na mesma hora. Contei a ela a versão oficial da história, que para todos os efeitos, você é a prima do Emmett que veio passar um tempo aqui.

– Esme vai adorar você, Bella – garantiu Emmett.

– Eu não sei se estou pronta para isso!

– Não há com o que se preocupar. Nós não ficaremos muito por lá, se você se sentir desconfortável. Posso arranjar uma desculpa para voltarmos – disse Edward.

– Tudo bem, eu vou – cedi, com um suspiro. – Quando iremos?

– Amanhã depois do café da manhã – ele respondeu.

– Certo, então tenho tempo.

Chamei Preciosa com os dedos e ela veio caminhando elegantemente até mim, linda como sempre. Aninhei-a em meus braços e me virei para ir.

– O que você está fazendo? – perguntaram os dois ao mesmo tempo.

– Na liberdade condicional, eu tenho toque de recolher? – virei quando estava na porta.

– Claro que tem – respondeu Emmett.

– Que seria?

– Onze horas – rebateu Edward. – O que você está pensando?

– Vou estreiar minha liberdade condicional, apenas – abri um sorriso inocente para eles. – Vou ligar para o Jake e ver o que ele acha sobre isso.

Os dois agentes entraram em combustão ao mesmo tempo.

– BELLA!

– Vejo vocês às onze horas, rapazes!

Rindo, saí correndo com Preciosa aninhada em meus braços enquanto pescava o celular do bolso do meu shorts e ligava para o homem que fazia o conceito de liberdade valer a pena. Isso deixaria os dois agentes super furiosos!

Namorar poderia ser mais divertido do que eu estava pensando.



Notas finais
Então.... O que acharam?
Hummm, e esses desafios hein? o que será? Um feriado todo com a família do Edward? Como o Jake vai reagir às novidades?!
Não sejam leitoras fantasmas, por favor! Sigam o exemplo da Carol - que veio para a luz e me fez mais feliz! Comentem bastaaaante ♥