D-Box77

3 Yellow


Notas iniciais
para uma maior imersão na história leia junto com a soundtrack.

soundtrack

O Complexo D-Box77 havia passado por muitas coisas nos últimos cento e setenta anos de sua criação, a primeira geração que viveu no complexo foi de longe a que mais sofreu, sofreram as mudanças bruscas na qualidade de vida e no conforto, e principalmente na maneira de pensar e viver. Chamar de lar um local no meio do nada só por ser seguro foi a maneira mais fácil de contornar a situação, e todos cresceram como uma grande família, os mil habitantes que deram inicio ao 77 hoje são mais de dez mil, no meio dos filhos, netos e bisnetos dos fundadores há também os refugiados que chegaram com o passar dos anos, e como qualquer outra comunidade o complexo 77 não está imune a desordem e bagunça de uma grande sociedade.

– Ei quem é o garoto? – perguntou o estranho homem ao abrir a porta do local.

– É um dos arruaceiros que estavam brigando no encontro dos militares – falou o cara gordo que estava trazendo o garoto. – Vou deixar ele esfriar a cabeça em um dos nossos "quartos" os dois homens soltavam profundas gargalhadas.

– Ei espera um pouco – disse o mais magro. – Quantos anos você tem jovem?

– Vinte – resmungou o garoto loiro.

Os dois caíram em gargalhadas novamente.

– Te dou 15 e olha lá moleque – disse o cara gordo enquanto colocava sua pistola sobre a mesa e sentava em uma das cadeiras. – Vamos tranque ele na cela Howard.

Aquela era a pequena policia que tomava conta da segurança dos moradores e mantinha a paz na parte interna do complexo, na maioria das vezes seus trabalhos não passavam de prender encrenqueiros e lembrar as pessoas que mesmo estando em um mundo "primitivo" como todos chamavam, apesar de não ser tão primitivo assim, ainda haviam regras a seguir.

– Vocês e os militarem, os únicos portando armas de fogo e mesmo assim não fazem nada para contornar a situação – reclamava o menino.

Os militares eram os homens e mulheres treinados para combate, os encarregados da proteção ao lado externo do muro, e também os principais membros dos grupos de reconhecimento e busca. Como armas de fogo eram raras, e munições usáveis escassas e um tanto ineficazes contra os deuses, elas eram mais usadas contra ataques de animais ou de grupos de fora do complexo, como acontecera alguns anos atrás.

– Contornar você diz? O que você acha que nós podemos fazer contra aquelas coisas? Ou melhor, o que você está fazendo para contornar a situação além de entrar em brigas por ai! – falou furioso quase saltando para cima do garoto.

– Melhor se acalmar chefe, ele é só uma criança – Howard o aconselhou.

Mas segundos após dizer aquilo o até então sereno garoto de cabelos e olhos amarelos partiu pra cima do comandante acertando-o com um soco em seu maxilar e outro no meio de sua barriga, o grande comandante cambaleou para trás e juntou forças para cair em cima do seu oponente com seus braços, mas a agilidade daquele vulto amarelo era impressionante, ele girou em um dos pés por volta do comandante e o empurrou para o outro homem que só agora resolveu tentar fazer algo mas acabou colidindo com o companheiro.

– Ele é rápido chefe – comentou.

Não tão rápido para impedir que o chefe do departamento de policia levantasse e sacasse sua arma contra ele, que sem outra escolha colocou os braços atrás da cabeça se rendendo.

– Se fizer alguma gracinha suas pernas nunca mais serão as mesmas – disse ao apontar a pistola para um de seus joelhos. – Vamos Howard, algeme ele.

Houve um grave barulho vindo da porta de entrada, os dois homens se entreolharam perguntando o que fora aquilo até que Howard terminou de algema-lo e seguiu para a outra sala descobrir o que ocorrera, quando outro barulho estranho e sutil veio de lá seguido de um som similar a um corpo caindo no chão.

– Merda! O que foi agora?! – indagou o comandante inutilmente ao ver dois homens passando pela porta e apontando para ele duas pistolas semi automáticas acopladas com silenciadores. Não houve tempo nem de erguer sua arma contra os homens que acabaram dando dois tiros contra ele, fazendo-o cair no chão quase instantaneamente. Eles agora se dirigiam ao garoto loiro algemado em um canto.

– Porque demoraram? – perguntou o garoto.

– Esperamos a rua ficar vazia sem nenhuma testemunha Sr. Yellow – disse um dos homens vestindo o que parecia ser um colete muito bem cuidado comparado com as outras roupas que era comum se ver por ali. – Minhas sinceras desculpas senhor.

– Tudo bem, confesso que acabei me divertindo um pouco – declarou enquanto o outro homem o libertava das algemas. – Limpem tudo isso e vamos embora daqui.

– Conseguiu as chaves? – questionou o homem.

– Sim, sabia que estava com esses bastardos esse tempo todo – falou Yellow dando um chute no corpo do comandante que agora parecia mais macio de que quando lhe socou a barriga. – E eu tenho sim vinte anos seu merda.