D-Box77
1 Red
Notas iniciais

A estranha criatura agora desferia pedaços de si mesma para cima do pequeno garoto ruivo que acabara de chegar ao local. Ele não conseguia acreditar que aquilo estava no estranho projetil que ele viu descer sob o céu agora a pouco. E mesmo tendo se aproximado a ponto de levar um golpe certeiro da criatura, que acabou jogando-o alguns metros longe, aquilo não foi tão forte para conseguir mata-lo, mas com certeza ele não sobreviveria a outro ataque daqueles. Apesar da criatura ser duas vezes o seu tamanho ela ainda era muito lenta, seu único problema é que agora ela está bloqueando sua passagem para a floresta e a unica coisa atrás dele é um imenso abismo. Sua unica opção foi correr por um dos lados tentando esquivar daquilo que ela jogava em sua direção.
– Apenas me deixe passar seja lá o que você for – gritou o garoto e então tentou entrar em uma das passagens no meio das arvores. Foi quando a criatura enganou seus olhos e apareceu bem na sua frente.
Aquela coisa não parecia ser tão rápida assim, como ela chegou aqui dessa maneira, ele pensou. Mas antes de tentar descobrir uma resposta um daqueles enormes braços da criatura cheios de pequenos pedaços de metal seguia em direção a sua cabeça quase sem permitir que ele se esquivasse.
– Eu não sou tão fraco pra você me acertar assim tão fácil – disse o garoto depois de se esquivar e agora começava a correr para o outro lado deixando a besta pra trás – Vem por aqui seu idiota, e deixa esse caminho livre para m...
Antes mesmo de terminar sua frase a criatura sumiu outra vez e se pôs em frente a ele novamente, e quase como se fosse uma explosão soltou mais pedaços de metais do seu corpo voando em todas as direções, acertando o garoto ruivo e jogando-o para longe.
Lutando com forças para se recuperar e com uma grande falta de equilíbrio ele se contorcia tentando reerguer-se enquanto notava todo o sangue espalhado pelo chão. Olhando em direção a fera e podendo agora observa-la atentamente pensou se aquilo era um dos grandes pecados da humanidade dos quais todos falavam, pecados esses que levaram a quase extinção dos antigos povos. Mas mesmo aquela coisa tendo metais semelhantes aos que ele vira nos livros, grande parte dela ainda era de carne e osso, diferente dos três deuses que ele conhecia através de imagens, os quais eram todos de metais. A criatura ainda continha certo extinto animal assemelhado a um daqueles ursos pardos que ele enfrentou na semana passada. E agora aquele imenso urso de metal estava vindo em sua direção para vingar seus parceiros, pensou consigo. Foi quando olhou para uma de suas mãos e percebeu que o estranho metal ficou grudado onde o acertou, e não era só em suas mãos, grande parte de seu ombro e suas pernas continham o pesado elemento que estava incapacitando-o de levantar.
– Engraçado, você quer me matar e ao mesmo tempo não desgruda de mim né – falou enxugando o sangue nas vestes depois de falhar ao tentar retirar os metais de sua mão, e por seu espanto foi respondido por um estranho barulho vindo do urso de metal. – Definitivamente você não é um urso.
A criatura vinha em sua direção e dessa vez não usava aquele deslocamento instantâneo, apenas caminhava em sua direção ficando cada vez mais próxima. Quando chegou a uma distancia consideravelmente pequena onde poderia executar outro golpe certeiro, a fera fez outro barulho estrondante e iniciou um ataque com seus dois braços.
Se aquela era sua ultima chance de lutar ele não precisaria se preocupar com dor alguma, apenas tentar desviar com as poucas forças que lhe restavam e em um ultimo movimento tentar acertar a fera com uma das peças de metais presas em seus punhos.
– Você não vai me matar sem ao menos saber o meu nome – e então naquele momento toda sua mente se esvaziou, seus pensamentos ficaram limpos e leves, e no ultimo segundo antes daqueles imensos braços acertarem seu peito ele rolou para um dos lados evitando o impacto e começou a juntar forças para levantar rapidamente antes da besta se recompor.
– Meu nome é o mesmo da cor do meu cabelo seu imbecil, é o mesmo da cor desse sangue todo no chão, será que é o mesmo da cor do seu sangue? – e dizendo isso pulou sobre as costas da criatura a qual começou a se debater para tentar tira-lo de lá, golpeou-a em seu pescoço, ou qualquer coisa que fosse aquele imenso amontoado de carne ligando o dorso da criatura a sua cabeça. Ela rugia cada vez que o pontiagudo metal presente nas mãos do garoto acertava sua carne. Foi quando ela caminhou em direção ao desfiladeiro apenas concentrada em retirar o garoto de suas costas. Ela não percebeu quando um dos seus passos não encontrou mais o chão e então criatura precisou interromper os incontáveis ataques para agarrar com seus braços o ultimo pedaço de rocha que encontrou.
– Meu nome é Red – falou ofegando. – E hoje nós vamos morrer juntos – Com todas as forças que lhe restaram e usando suas duas mãos golpeou-a uma ultima vez, dessa vez mirava em sua cabeça, mesmo sendo ela revestida com o estranho metal, a criatura enfim cedeu a toda dor causada pelo garoto e perdeu sua concentração para continuar agarrada na ponta do rocha, caindo assim junto a ele no imenso abismo.
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