Dúvida de Corações
1 Capítulo 1
Cá estou eu, no meu apartamento, sozinha. Eu moro sozinha e estou no segundo ano medicina veterinária. Finalmente estou de férias da universidade e do trabalho o que significa que eu tenho total liberdade de tirar um tempinho só para mim.
Na realidade, tudo o que eu mais desejaria agora era estar com a minha melhor amiga, mas a grande porcaria é que ela mora a cem quilômetros de distância. O nome dela é Camila e ela está no segundo ano de direito. O grande sonho dela é ser perita criminal.
Inesperadamente, ás exatas 11:57 da matina recebo uma ligação. Falando na princesa:
— Alô – eu digo com uma risada porque obviamente eu sabia quem era.
— E aí madame, tá de férias já? – diz ela.
— Estou sim.
— Então abre a porta donzela.
Com o telefone na mão e querendo pular de alegria lá estava ela, cheia de malas e papelada nas mãos. Ela me conta que pediu transferência da faculdade. Depois de uma longa conversa, sim, ela vai morar comigo e eu estou miseravelmente contente com isso.
Moro em Curitiba, minha terra natal. Conheço essa cidade, a qual parece um ovo já que todas as pessoas se conhecem, como se fosse a minha própria casa.
Ela começou a falar do cara que ela estava ficando/quase namorando. O nome dele é Arthur e, sinceramente, eu acho ele um tremendo idiota com ela, mas se ela está feliz quem sou eu para destruir isso não é?
— Então, depois de tantas idas e vindas o Arthur finalmente conheceu a minha família e eu conheci a dele no dia de sua formatura. A mãe dele me apresentou como sua namorada sendo que nem estávamos namorando, acredita? E agora ele está falando de aliança comigo e eu estou desacreditada, porém realizada.
O que falar sobre esse homem? O nome dele é Arthur Junior, ele formou-se em direito faz umas duas semanas. Bom, geralmente ele é bem legal e gentil assim como os outros amigos (bonitos) dele. Ele já magoou muito a Camila, há mais ou menos um mês atrás ele bebeu mais do que o fígado, blindado, dele aguentaria e ficou com uma menina muito, MUITO, muito feia. A Cami ficou chateada e ele quis colocar a culpa na bebida, ela o perdoou e eu não a culpo, porque eu, mais do que ninguém, sei como é gostar de alguém. Uma semana depois desse acontecimento terrível na relação dos dois ele deu em cima de uma amiga dela. E agora ela me conta que ele está querendo namorar sério. Espero do fundo do meu profundo e confuso coração que ele dê o devido valor a ela, porque por mim, ela merece toda a felicidade do mundo.
— E você Sofia, como anda tua vida amorosa? — pergunta ela como se fosse a coisa mais interessante da face da Terra.
— Tá um lixo, parece que não vejo ninguém interessante. – digo pensativa.
Depois de tantos desastres na minha vida amorosa cheguei a seguinte conclusão, prestem bem atenção: homem nenhum presta. Você acha que conheceu alguém legal, mas meu anjo, você com toda a certeza vai se decepcionar.
— AMIGA! O Arthur e uns amigos dele estão vindo aqui para Curitiba e estão afim de sair com a gente hoje a noite, e aí, o que você acha?
— Vamos! Não temos nenhum plano para hoje a noite mesmo.
Passamos a tarde toda assistindo Barbie. Eu sou totalmente apaixonada por esse universo rosa. Amo demais! Bom, os meninos vão passar aqui 20:30, então agora, que é 18:00, vamos começar a nos arrumar porque passar de dragão para princesa não é fácil. Eu e a Camila somos bem parecidas, na verdade. Temos cabelos castanhos escuros naturalmente lisos, olhos grandes e castanhos escuros, bocas arrebitadas, pele morena clara bronzeada. Estava frio aqui em Curitiba, afinal eram férias de inverno e bom, o clima da cidade não é muito agradável na minha humilde concepção, sou fã número um de praia e calor. Faziam cinco graus Celsius e a tendência era diminuir e as princesas aqui são bem friorentas. A Camila colocou seu suéter favorito e eu coloquei meu casaco verde militar que eu tanto adoro. Ambas colocamos nossas botas peludinhas e fofinhas no mesmo instante em que o interfone toca, atendo e digo que já estamos descendo.
A Camila estava ansiosa para ver seu amado e eu estava a acompanhando porque é isso que bons amigos fazem hoje em dia. Fomos até uma cafeteria que pode se dizer que é badalada a noite: Hard Rock Café. O Arthur trouxe os amigos bonitões dele, mas tem um que prende a minha atenção, uma pena que dispara balas para todos os lados, quanto desperdício. O nome dele é Carlos, ele é alto, seu cabelo é escuro, tem olhos verdes e a pele clara. Que homem. Ele faz direito também, é um ano mais velho que eu, ou seja, tem vinte anos. No geral é muito simpático e gentil, já conversamos algumas outras vezes, mas a verdade é que estou ficando com outra pessoa e existe aquele ditado, ao qual levo muito a sério: não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. O menino que eu fico se chama Luiz Felipe, mas ele prefere só o Felipe. Ele tem 1,85 de altura, loiro dos olhos azuis. Cursa design gráfico. Ele é um amor, me trata muito bem e eu sei que gosta muito de mim. Mas o difícil é que esse maldito Carlos me desperta um interesse imenso.
Ele senta do meu lado e enquanto os nossos amigos flertam a gente conversa sobre os mais aleatórios e variados assuntos. Desde a comida do Hard Rock até os lugares que desejaríamos conhecer.
— Gosto tanto de conversar contigo Sofi – diz ele sorrindo de canto.
— É recíproco Carlos – sorrio de volta.
Ele se aproxima de mim cada vez mais e eu não consigo evitar. Nossos lábios estão a um centímetro de distância e tudo o que eu consigo pensar é no Lipe. E agora Sofia?
Fale com o autor