Pois mal comecei a levar umas coisas ao apartamento onde iria me encovilar no segundo andar do prédio bem em frente a escadaria da Borges, quando, saindo do elevador, a voz feminina da dona Odete me chamou. A última vez que a velha botou o pé para fora de casa foi quando Corona era só uma cantora dos anos 90 e nada mais.

— É o vizinho novo?! — berrou do outro lado da porta.

— É o Diego, dona Odete! Tô de mudança pra cá! — esclareci.

— Guri! Tu toma cuidado que esse piano do teu avô tá assombrado, hein? Misericórdia, meu Deus!