Cúmplice

2 Luminescência Arcana


Notas iniciais
Yooooh! :3 Segundo cap ^.^ Resolvi postar logo porque já tenho uma boa parte escrita, então é melhor não acumular :B Espero que gostem! AYE!

– Ainda não me respondeu o que faz aqui fora, nessa chuva.

– Eu já disse que isso não te diz respeito. – Levanta-se, ficando frente a frente ao explorador. Era visivelmente mais baixa que ele, mas isso não parecia intimida-la. O pequeno cajado que ela segurava em mãos chamou a atenção de Ezreal, que ergue uma sobrancelha.

– Isso que está segurando... É sua varinha de feitiços da luz? – A garota arregala os olhos, intercalando o olhar entre os orbes turquesa do rapaz e a varinha que tinha em mãos. – Como está com ela aqui? Os invocadores proíbem armas e magias na área do instituto.

– E-Eu... – De principio, sua voz sai trêmula como a de uma garotinha indefesa, arrancando um sorriso de canto de Ezreal. Ela segura o cajado com mais força de supetão, olhando nos olhos do rapaz com determinação surpreendente. – Eu peguei da sala dos invocadores!

Ezreal arregala os olhos, ganhando um olhar sarcástico de Luxanna. O rapaz não esperava algo como isso de Lux, a garota que sempre fora relatada como certinha e perfeita, que nunca quebra as regras e sempre segue a fio as ordens dadas por seu irmão Garen e por toda a coroa de Demacia.

– Como e por que você fez isso? – Ousa perguntar. Ela brinca com a varinha, envolvendo-a em uma esfera de luz e fazendo-a girar na ponta do dedo indicador, surpreendendo Ez.

– Pelo mesmo motivo e do mesmo jeito que você escapou da sala de conferência. – Sua voz ganha mais seriedade e seu sorriso desaparece. – Você sabe que poderia ficar muito encrencado se os invocadores soubessem disso, não é?

Ele ri sarcasticamente.

– Acho que eles não ficariam felizes em saber que a pequena Luxanna entrou na sala deles durante a conferência e pôs as ‘inocentes mãozinhas delicadas’ dela na varinha mágica da luz, também.

Ela ri. Não sarcasticamente, mas por achar graça do modo como o loiro falava, olhando para o horizonte e tentando ser metido e arrogante. Ele apenas sorri de canto.

– Então nos tornamos cúmplices um do outro! Se você me dedurar, eu te deduro, e vice versa.

– Isso mesmo.

Os dois apenas se encararam por curtos segundos. O vermelho dos olhos da garota parecia sumir aos poucos, como se tivesse chorado recentemente, mas se recuperava lentamente. Seu olhar inocente se transforma em um sorriso desafiador e meio malicioso.

– Ezreal, explorador nativo de Piltover e renomado estudioso. – Começa sua frase, com um leve tom de ironia. Ela aponta a varinha para o pescoço do rapaz. Ele sente o frio ouro forjado que formava a extremidade do cajado da garota machucar seu pomo de adão, mas não exprime isso em olhar ou movimento. – O que acha de uma pequena luta? Sabe, para selar nosso pacto de mantermos-nos cúmplices silenciosos um do outro.

Ezreal ergue uma sobrancelha. Quem ela pensa que é para infringir na cara dura tantas leis do instituto de uma só vez? De fato, ele também não era nenhum anjinho, mas ele mantinha seus atos contra as leis dos invocadores escondidos e livre de evidencias. Entretanto, uma batalha em pleno instituto da guerra, durante uma reunião do conselho, é outro nível de descaramento. O aperto da varinha contra seu pescoço se tornava cada vez mais forte, de modo que se fez necessário que o jovem recuasse lentamente para trás.

– Vamos lá, vai ser divertido! – Ela tenta convencê-lo, aproximando-se dele gradativamente para manter a varinha prensada á sua garganta. Ezreal logo sente o frio da parede de mármore tocar suas costas e fazer-lhe arrepiar. Lux, no entanto, continua aproximando-se lentamente do explorador, exibindo um olhar desafiador e malvado. Eles já estavam bem próximos. Ezreal não podia negar, ele gostava disso. Por um momento até esqueceu-se do frio que cortava-lhe a pele. Logo a varinha começa a machucar-lhe de verdade o pescoço, e ele sente um pouco de seu liquido escarlate começar a escorrer e descer pela sua clavícula.

– Ok, ok! Você venceu, senhorita Luxanna! – Rende-se á menor, que sorri animadamente, retirando a varinha do pescoço do garoto.

– Aleluia! Finalmente uma boa batalha pra animar esse lugar! – A garota diz, quase gritando, indo saltitante até o campo aberto, sendo seguida por Ezreal e sua cara de poucos amigos, com exceção do pequeno sorriso de canto que seus lábios carregavam. Posicionaram-se em cantos opostos do campo, a garota empunhando sua varinha e o explorador mantendo os braços cruzados.

– Quais vão ser os critérios desta batalha, dama da luz? – O jovem de Piltover pergunta á garota, que já estava animada para iniciar a luta. Após exibir um sorriso sádico, a garota afirma com uma voz que, apesar de brincalhona, foi aterrorizante:

– Quem morrer primeiro, perde!

Luxanna levanta seu cajado, girando-o no ar, canalizando uma esfera de luz que pousa onde Ezreal estava em posição de batalha. Em reflexos impressionantes que caracterizavam o rapaz, ele usa sua translocação arcana para longe, desviando da explosão da esfera. Mas não foi antes de inferir o primeiro ataque que o explorador recordou-se que não se armava de sua manopla. O garoto pousa a mão direita no pulso esquerdo e arrasta a mesma até a altura do cotovelo, invocando o arco de luz e energia arcana, lançando a barragem incendiária.A mesma vai em direção á jovem em velocidade impressionante, abatendo-a consideravelmente. Ezreal apenas se dá conta da falta da camada de proteção de sua mão esquerda quando a magia flui sem nem ele mesmo sentir. Raios de energia fluíam dele, indo de encontro a todos os alvos possíveis em volta. Atingiram árvores, iniciando uma combustão no tronco das mesmas, que nem mesmo a chuva pôde controlar de imediato. Atingiram pedras, partindo-as ao meio como se fossem a mais tênue das penas. E atingiram Lux, que estava ajoelhada no chão, tentando recuperar parte das forças. Ezreal tentou ajuda-la, mas não conseguia controlar. Ele havia esquecido como é poderoso. Tão poderoso a ponto de ser uma arma destrutiva quando desprotegido pela sua fiel manopla.

– L-Lux... – Tenta chamar pelo nome da garota ferida, que estava apoiada no chão por seus cotovelos e joelhos, com a varinha caída á sua frente. Ela vira a face em direção ao garoto, um dos olhos cerrados, com um pouco de sangue escorrendo de sua cabeça. Ezreal queria ajuda-la. Afinal, a última coisa que ele desejava era abatê-la. O jovem segura o pulso esquerdo com a mão, pondo certa força. Cerrou o punho, na tentativa de fazer a energia parar de fluir. Mas nada adiantava.

Em um movimento súbito que surpreendeu o explorador, Lux levantou-se, mesmo ferida, com a varinha em mãos. Ela ergueu a varinha á sua frente, começando a canalizar luz. Ezreal sentiu toda a energia que fluía de seu corpo se normalizar, enquanto os feixes que relampejavam através de seu palmo enfraqueciam até desaparecer. Sentiu-se como se estivesse com sua manopla, possuindo controle por sua energia novamente. Quando ele ia perguntar á garota o que havia feito, a Demaciana libera um enorme feixe de luz reluzente em direção ao céu através de seu cajado, cegando Ez momentaneamente. Era a conhecida Centelha Final, o Ás na Manga da garota. O loiro cambaleia para trás, tropeçando em suas próprias pernas e caindo ao chão, ainda com uma das mãos frente ao rosto na tentativa de bloquear parte da luminosidade emitida pela centelha. A força da mesma parecia maior do que o normal, que ele havia visto em Summoner’s Rift. Ainda com a visão embaçada e escura, tudo que Ezreal pôde ver foi a silhueta da garota aproximar-se dele lentamente.

– Levante-se logo. – A garota estende a mão para ele, para que se levantasse do chão. Ele ergue o braço para frente e apalpa o ar, na tentativa falha de achar onde a loira se localizava. Ela ri, pegando seu braço segurando-o á altura do cotovelo, puxando-o e dando-o momentum para que se levantasse.

– Você está bem? – É tudo que o loiro consegue pensar em perguntar. Com sua visão retornando lentamente, consegue notar as marcas escuras de queimaduras de primeiro grau na face da garota, juntamente com um pouco de sangue escorrendo por seu rosto, tendo como fonte sua testa. Um sorriso se forma no rosto da Demaciana.

– Estaria melhor se você não tivesse perdido o controle e tivéssemos tido uma batalha de verdade! – Ela dá um soco no ombro do explorador, sem muita força. Ezreal se surpreende com a reação da garota com o ocorrido. Sempre a imaginara como frágil e indefesa, que se colocaria a chorar por qualquer machucado que tivesse em seu rostinho angelical. Mas, agora que ele juntou as peças, uma pessoa desse tipo não estaria na Liga, obviamente.

– O que você fez ali? Sabe... Para eu voltar ao normal?

– Minha centelha final absorve todo o tipo de luz que encontra ao seu redor para ganhar mais força. Imaginei que funcionaria com sua energia arcana.

Ez sorri de canto. De fato, fora um movimento de mestre por parte da garota. Por uma fração de segundos, ele até teve a ideia de elogia-la, mas pensou que isso não faria jus á imagem que tinha de si.

– Bem... – A garota começa, interrompendo o silêncio que havia se formado entre eles. – Acho que eu deveria voltar para Demacia agora. Garen já deve estar preocupado.

Ezreal assente com a cabeça, recebendo um sorriso da garota. Após uma breve despedida, vira-se de costas para o explorador e caminha em direção á floresta, debaixo do céu escuro da madrugada e da chuva gélida. Se fosse outra pessoa, Ez pensaria que era a forma mais pura de insanidade ir á floresta nestas condições, além das óbvias feridas que ela possuía. Mas nestes breves minutos o garoto desenvolveu confiança no potencial da loira. Também, se fosse outra pessoa, Ez provavelmente não se importaria com as condições dela.

– Ei. – Chama a atenção da garota, antes que pudesse se afastar muito. Ela vira o rosto e o observa por cima do ombro. – Vamos ter uma luta de verdade, algum dia...! Se o destino permitir.

A garota ri baixo, retomando seu caminho. Ezreal apenas a observa se distanciar, ainda estático no centro do campo.

Notas finais
Yaaay! :3 É isso por hoje ^.^ Espero que tenham gostado! Nos vemos no próximo cap! AYE!