Círculo de Fogo
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Rukia
183
Eu não fazia ideia de quanto tempo eu estava dormindo. Só tinha a ideia que independente desse tempo, eu queria continuar dormindo. Não foi uma noite agradável, tive muitos pesadelos horrorosos, a única coisa boa, foi que no meio do pesadelo, o Ichigo apareceu e me salvou. Depois disso, eu sonhei que ele me abraçava com força e eu chorava. E essa parte foi muito estranha, porque até parece que eu choraria na frente dele! Já faz muito tempo que não sei o que é isso. Acho que já chorei tanto quando ainda era uma criança, que já não tenho mais lágrimas.
Só sei que a cama realmente estava muito boa para eu querer levantar. Mas meu instinto estava me dizendo para abrir os olhos que eu teria uma imensa surpresa. Não sei que tipo de surpresa, a única coisa que me surpreenderia, seria o xerife deitado na minha cama dormindo de conchinha comigo. Há. E isso é simplesmente impossível. Até ri internamente desse pensamento.
Tentei me mover na cama, mas algo estava me segurando pela cintura. Oh, o xerife me acorrentou na cama? Mas essas “correntes” estão macias demais... Opa.
— Rukia... — a voz rouca de certo alguém sussurrou meu nome.
Abri meus olhos por um instante.
Oh Meu Deus!
O sub-xerife Ichigo Kurosaki está abraçado comigo, dormindo de conchinha! Acho que agora sim estou tendo alucinações. Mas está parecendo bem real isso aqui. Isso quer dizer que não foi um sonho ele me abraçando e eu chorando. Que ótimo! Eu chorei na frente dele. E eu desculpei o xerife também. Sem querer. Que coisa linda.
Para falar a verdade, eu sou uma pessoa rancorosa que nunca esquece o que fazem para mim e que raramente perdôo alguém. Torci os lábios meio indignada com isso. Poderia até desculpá-lo, mas não com essa facilidade toda. Ele teria que se esforçar mais um pouco!
Não fazia a mínima ideia de que horas era, mas eu precisava levantar, e assim o fiz. Tirei o braço de Ichigo de cima da minha cintura com cuidado porque não queria acordá-lo e depois tirei o lençol de cima de mim finalmente reparando que o Ichigo estava só de calça. Não tem como negar que ele era um homem extremamente desejável e acabei por admirá-lo por alguns segundos e tive que conter o impulso de querer tocar o peitoral definido nu.
Sai do torpor em que me encontrava e levantei sem fazer barulho, indo na direção da porta. Abri-a com cuidado e me permiti dar uma última olhada para cama antes de deixar o recinto.
Ichigo
Havia sido uma noite de sono maravilhosa. Tão maravilhosa que eu realmente não desejava acordar. Já fazia alguns dias que eu realmente não conseguia dormir direito. Sempre acordava com o corpo meio dolorido e mais cansado do que estava antes de dormir. Mas essa noite... Eu nunca dormi tão bem na minha vida.
Eu demorei a conseguir assimilar o que tinha acontecido na noite anterior. Quando me lembrei de tudo, abri os olhos lentamente achando que ia encontrar o espaço ao lado preenchido, mas Rukia não estava do meu lado. Eu estava com um pressentimento ruim, mas não sabia exatamente sobre o que era.
Sentei na cama e esfreguei os olhos ainda sonolento. Passei a mão nos cabelos tentando arrumá-los e soltei um suspiro. Olhei pela janela e vi que o sol estava forte, então deveria ser quase meio-dia. Era hora de levantar.
Levantei e me espreguicei, logo fui na direção da porta e hesitei por alguns instantes. Será que ela estava na sala? O que eu deveria dizer? Não fazia a mínima ideia, mas saí do quarto com uma sensação esquisita. Ela não estava na sala e em nenhum lugar da casa, deveria estar no rio. Aproveitei para tomar um banho gelado, estava um calor infernal. Tomei meu banho calmamente e me vesti. Quando saí, ela estava ali, sentada no sofá de costas para mim.
Eu parei por um instante pensando no que eu deveria falar ou por onde eu deveria começar. Rukia não parecia ter me visto ainda e agradeci por isso.
— Eu sei que está ai xerife — falou de repente mirando-me com aqueles intensos olhos azuis — Já me acostumei com esses seus passos sorrateiros e eles já não me surpreendem mais — Os olhos dela e a expressão estavam indecifráveis. Abri minha boca para falar, mas ela me interrompeu. — Esqueça Ichigo.
Olhei-a confuso. Esquecer exatamente o quê? Ela pareceu entender minha confusão e disse.
— Esqueça tudo o que aconteceu ontem à noite — esclareceu. Ficamos nos encarando por alguns segundos — Porém, tem algo que não precisa esquecer — ela deu uma longa pausa.
— O que exatamente?
Estava ficando cansado dessa conversa.
— Bem... — pareceu hesitar — Sobre eu parecer te desculpar — disse. Prestei bem atenção no que ela falava. — Olhe, eu fico feliz que tenha percebido que eu também tenho sentimentos, apesar do que eu sou e do que as pessoas dizem. E também que tenha percebido que me julgou novamente sem saber praticamente nada sobre mim. Mas as coisas não são tão simples assim. Não é só você pedir desculpas que tudo ficará bem.
Então ela não tinha me perdoado, suspirei. Ninguém disse que seria fácil, afinal.
— Em contra partida, eu também errei e devo me desculpar por isso. Deveria apenas ter respeitado sua decisão de bom grado e por causa disso peço desculpas — abri minha boca para responder, mas novamente ela me interrompeu antes que eu falasse qualquer palavra. — Deixe-me terminar. Por isso, eu o desculparei por partes, porque será impossível para mim te desculpar totalmente, eu estaria sendo desonesta comigo. E como você queria antes, teremos uma boa relação entre prisioneira e xerife.
— Eu sabia que não seria fácil, mas desde que você me perdoe, estará tudo bem. E eu não cometerei mais o erro de te julgar da maneira que eu fiz você tem razão, não sei nada sobre você. E eu desculpo você pela reação que teve, todos errados, somos humanos, é natural — sorri levemente mais aliviado — A única coisa que não poderei esquecer é o que aconteceu ontem.
Rukia me olhou por um instante antes de voltar a falar:
— Faça como quiser apenas não me pergunte nada. E se perguntar, não responderei — desviou o olhar do meu e estalou a língua — Não vai me ver daquele jeito nunca mais — finalizou levantando do sofá e indo na direção da cozinha — Quer comer alguma coisa? — mudou de assunto de repente e fiquei em silêncio por um instante — Não se preocupe, não vou te envenenar — murmurou com sarcasmo.
— Okay — respondi normalmente ignorando o seu sarcasmo — Obrigado — sussurrei para o vento, porque Rukia, não estava mais lá.
E a vida continua... Fazer o quê?
Mesmo ela não me perdoando totalmente — por enquanto — me sentia extremamente feliz e simplesmente não sabia o motivo de tanta alegria. Mas eu tinha a impressão, que eu logo descobriria.
Kaien
Quando cheguei ao ponto de encontro do bando, já passava do meio-dia. Demorei mais que o habitual por ter parado em um bar no meio do caminho para encher a cara, afinal, ser rejeitado cinco vezes não é para qualquer um, ainda mais pela mesma mulher. Mas eu era forte e não desistiria tão fácil assim! Não importava que ela dissesse que era mais velha e o escambau, eu apenas a amava.
Só isso.
Desci do cavalo e o levei até o pequeno celeiro o deixando perto da baia e logo voltei para a entrada da casa. Respirei fundo e entrei sem delongas. Por um momento achei que tinha entrado no lugar errado, estava muito, muito calmo. Mas logo vi Renji do outro lado com o chapéu no rosto roncando baixinho.
Fechei a porta devagar para não acordá-lo, porque ninguém merece o Renji de mau humor por ter sido acordado, pior só o Grimmjow que — Graças a Deus— parecia não estar.
Onde estavam todos?
— Ah, você voltou — a voz de Nell soou de repente e eu levei um baita susto.
— Você não deveria aparecer assim do nada. É assustador! — avisei, virando para olhá-la e ela sorriu com satisfação. — Cadê os outros?
— Ulquiorra foi beber em algum canto, Grimmjow foi atirar e Yoruichi saiu com o Kisuke — respondeu. Pagando os juros, no mínimo. — E você, onde estava?
— Por aí — respondi, dando de ombros e virando de costas caminhando na direção do quarto.
Não podia falar que tinha ido atrás de Rukia, se qualquer um deles soubesse, iriam querer me matar. E não estava a fim de ouvir sermão de ninguém.
— Sei... — murmurou, parecendo desconfiada — Espero que não tenha aprontado nada — ameaçou com aquela voz gentil.
Entrei no quarto e suspirei cansado. Ainda não tinha pregado os olhos e estava morrendo de sono. Mas é claro que fui impedido!
Do nada, Nelliel abriu a porta com uma expressão assustadora e as mãos na cintura. Afastei alguns passos, vai lá saber o que ela poderia fazer comigo. Ela batia o pé no chão, o que a deixava bem mais assustadora. Olhei para a porta e ela foi fechada por Nell que sorriu maldosamente.
— É melhor começar a falar Kaien. Onde você estava? — perguntou autoritária com um olhar esquisito.
— Por que o interesse repentino nos lugares que eu vou? — desconversei com desdém olhando para qualquer lugar do quarto menos para ela.
— Você está muito esquisito — falou se aproximando de mim e começando a me rondar, em seguida, ela fungou. — Você está com cheiro de cigarro e você não fuma.
— Eu estava em um bar, é mais que o normal que eu esteja cheirando a cigarros ou bebidas — sibilei, esperando que ela acreditasse em mim, o que estava tornando-se uma tarefa difícil. — O que você quer de mim?
— A verdade — decretou, parando na minha frente e colocando o dedo no meu queixo — Sei que esteve em um bar, mas não esteve só lá. Sei que está me escondendo algo importante, mas não sei o que é! — ela ficou me encarando com aqueles enormes olhos verdes me intimidando. — Desembuche! Sabe que é melhor contar para mim do que para os outros.
Isso eu não poderia negar. Nelliel era bem mais maleável que os outros e me entendia bem mais que os outros, devia ser porque tinha quase — quase — a mesma idade que eu, tipo, vinte e cinco anos. Suspirei rendido.
— Tudo bem, você venceu sua chata — falei, revirando os olhos e um sorriso iluminou toda a sua face — Mas com uma condição! — levantei o dedo indicador e ela assentiu sem delongas. — Não conte para ninguém.
— Certo — concordou e começou a me balançar pelos ombros — Agora me fale, vai, vai! — os olhos dela pareciam brilhar de curiosidade.
— Eu fui atrás da Rukia! — confessei de uma vez só.
— O queeeeeeê? — praticamente berrou e tapei sua boca.
— Fale baixo, ninguém além de você pode saber disso! — agradeci mentalmente por apenas Renji e ela estarem na casa. Certamente daria uma baita confusão se tivesse mais alguém ali.
— Você voltou vivo! — sussurrou parecendo surpresa e tive que revirar os olhos para ela.
— Mas é cla...Ei! — exclamei quando ela começou a me apalpar — O que você está fazen... Ui, não pega aí! — falei segurando suas mãos e ela me ignorou completamente levando a mão ao queixo de forma suspeita.
— E sem nenhum arranhão! Nossa, que milagre! — ela ainda ficou “admirada” por alguns segundos antes de voltar a si. — Okay, okay. Como ela está?
— Ela tentou parecer que estava bem, mas dava para ver que não estava. Ela deve ter emagrecido uns cinco ou dez quilos e estava mais pálida que o normal. E parecia bem frágil — confidenciei. Nell escutava atentamente o que eu dizia e continuei: — Acho que ela está tendo aqueles pesadelos e escutando aquelas vozes novamente — incitei a possibilidade e ela me olhou aterrorizada.
— Oh não. Isso é péssimo. Logo agora que estamos tão longe dela! — murmurou e concordei com um leve aceno — Tomara que ela consiga se livrar disso sozinha, ela é orgulhosa demais para simplesmente desistir e ser acolhida por nós — dito isso, decidi omitir a parte em que tentei convencê-la a voltar — Ela ficará bem. Rukia é uma mulher forte — disse colocando a mão no meu ombro levemente.
— Não tenho dúvidas disso — sorri e ela retribuiu.
— Vai dormir, sua cara está horrível. Sairemos à noite para a vigia.
E saiu do quarto.
182
O dia tinha passado tranquilamente até aquele horário. Pelo sol, dava para ver que não passava de duas da tarde. Ichigo folheava um livro velho enquanto Rukia dormia esparramada no sofá da frente depois do almoço. O livro não era interessante, mas como não tinha nada para fazer, estava se ocupando com qualquer coisa.
De tempos em tempos, os olhos dele dançavam pela página amarelada e iam de encontro ao pequeno corpo de Rukia estendido no sofá de forma preguiçosa, durava exatamente dez segundos e voltava os olhos para o livro. Quando ela se remexia, seus olhos voltavam para ela novamente e logo desviavam quando viam que não tinha acordado.
Obviamente, a imagem da fragilidade da morena não saia de sua cabeça por nada! Por mais que tentasse esquecer aquilo, simplesmente não conseguia! E a curiosidade faltava corroer-lhe as veias, mas continha-se, sempre.
Ao longe, ouviu o trote das patas de dois cavalos. Perguntou quem poderia ser. Orihime tinha certeza que não era então quem seria? Levantou do sofá e acordou Rukia com uma leve sacudida.
— Acorde! Alguém está vindo.
— Mas que droga, quem é? — perguntou esfregando os olhos sonolenta.
— Ainda não sei.
O trote ficou mais forte e o sub-xerife aproximou-se da porta para ver quem era.
Quando parou na porta, surpreendeu-se.
— Aquele é...
— O governador Yamamoto — Rukia completou aparecendo na porta ao lado de Ichigo contendo-se para não rir. — E o xerife Kenpachi.
— O que eles estão fazendo aqui? — indagou para si mesmo.
— Sou uma criminosa famosa, oras — murmurou com um sorriso diabólico.
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