Notas iniciais
Olá amados leitores! Realmente estou ficando contente com o resultado dessa fic. Está fazendo render a minha criatividade e fiquei muito feliz com todos os reviews que recebi. Então a frequência de posts, está totalmente ligada a todos vocês! Por isso, eu agradeço. Deixando de lero lero, espero que gostem desse capítulo, uma surpresinha para vocês. :D

Capítulo 03

“Com as luzes acessas é menos perigoso. Mesmo com um estranho nunca é doloroso. Não tenha medo.”

The fantasy — 30 seconds to mars

Ichigo

198

Já fazia alguns minutos que algo revirava em meu estômago bruscamente, poderia até mesmo jurar que estava ganhando vida própria. Podia sentir os olhos de Rukia em mim, mesmo sem olhá-la. E isso realmente estava me deixando enlouquecido de impaciência.

Descascava calmamente uma laranja e o olhar continuava em mim. Voltei meus olhos para ela, tentando mostrar desinteresse, para depois estender a laranja na sua direção.

— Você quer? — Ofereci. Talvez ela me olhasse tanto porque estava com fome.

— Não, obrigada.

Dei de ombros e continuei a descascar a laranja. Porém, se ela não queria a maldita da laranja, queria o quê? Sinceramente, nunca gostei que as pessoas ficassem me encarando, e com toda certeza, Rukia não era uma excessão.

Peguei-a olhando para mim fixamente e isso estava me irritando.

— Qual o seu problema? — perguntei sem delicadezas.

— Nenhum. — Se não tinha nenhum, porque me fitava enquanto sorria, sem dúvida alguma, maliciosamente?

— Então por que está me encarando? — Franzi o cenho de irritação e ela continuou a olhar-me com aqueles olhos azuis grandes e expressivos.

— Eu acho você gostoso.

Aquilo me pegou de surpresa e no mesmo instante, senti o sangue fervilhar e meus dedos amolecerem. Não sabia que expressão minha face reproduzira, mas com certeza não refletia o que sentia no momento. Acho que não tinha escutado direito.

— O que você disse? — Parecia bem idiota, mas me levantei e aproximei-me um pouco como se isso fosse me fazer escutar melhor.

Observei-a a levantar do sofá e se aproximar de mim de maneira lenta e preguiçosa. Estava próxima de mim o suficiente para que sentisse sua respiração. Rukia passou o dedo em meus lábios, desenhando-os e senti meu interior estremecer.

— Gostoso. — Meu ego se inflou de tal modo que não sabia nem explicar.

Senti algo extremamente poderoso tomar conta de mim. Algo como um instinto masculino e um sentimento machista de posse. Segurei sua mão e sorri.

Ela não devia ter dito aquelas palavras.

Nunca.

Uma dama nunca falaria algo assim, mas aí que estava, Rukia não era uma dama. Mas ela deveria saber que era perigoso falar algo assim para um homem, sem que fizesse-o se encher de prazer.

E era exatamente isso que estava ocorrendo comigo.

Não era mulherengo nem nada parecido. E tinha a vergonha de admitir que não sabia lidar com as mulheres além de...

O súbito desejo de tomá-la nos braços e beijá-la e de fezer amor até que nossas energias se esgotassem, desapareceu. E eu comecei a me perguntar: O que diabos eu estava fazendo?

Não podia envolver-me com ela de maneira alguma. Ela era uma criminosa, e além disso, iria morrer... Sim, daqui a cento e noventa e oito dias. Iria morrer. Fechei os olhos e respirei fundo, o pior erro que poderia ter cometido.

O cheiro dela invandiu minhas narinas com intensidade. Quando me dei conta, segurava os pulsos dela fortemente.

— Xerife? — murmurou lentamente e isso realmente não estava me ajudando. Os lábios dela chamaram minha atenção e por um momento fixei meus olhos neles. Por mais que eu negasse a admitir, eu me sentia deliciosamente atraído por ela, mesmo que ela fosse a pior criminosa dos EUA, não entrava na minha mente. Não entrava. — Me acha atraente?

— Sim, eu te acho atraente. — Minha voz saiu diferente. Arrastada. Rouca. E eu gostei disso.

Gostei muito.

— Isso é bom. — Libertou os pulsos do meu agarro e enlaçou meu pescoço com força, ao mesmo tempo em que fui ao encontro de seus lábios com uma selvageria que, sinceramente, eu não sabia ter, apertei-a fortemente contra meu corpo.

Meus lábios afundaram nos dela com fervor, assim que entreabriu-os, tive a pressa de explorará-los, eram atraentes... O que não era comum vindo de mim... Acredite. Um arrepio delicioso percorreu a minha espinha quando ela tomou a ousada iniciativa de aprofundar ainda mais o beijo, invadindo minha boca com a língua rápida e sedenta, além de experiente.

Com certeza não havia nada de tímido ou inocente nesse beijo, o sofá não estava tão longe... Meus pensamentos já estavam embaralhados e não conseguia me controlar. Era o mais puro instinto selvagem.

Rukia empurrou-me na direção do sofá e cai trazendo-a junto comigo. Separamo-nos por apenas alguns segundos para respirar e logo voltamos a nos beijar com urgência, fazia tempo que não me sentia assim, quente a ponto de querer explodir.

Ouvi-a gemer e logo em seguida apenas percebi os botões da minha camisa serem arrancados sem nenhum pudor ou vergonha e no momento seguinte já estava sem ela. As unhas dela cravaram-se em meu tórax e fora minha vez de gemer.

Inverti nossas posições ficando por cima enquanto minhas mãos passeavam pelo corpo esbelto e sensual. Senti suas mãos em minhas costas puxando-me para mais perto ainda. Ela sorriu entre meus lábios e por um segundo, apenas um, a lucidez voltou a minha mente. E este segundo, fora o suficiente para que eu me desse conta do que eu estava fazendo.

Tinha perdido o controle e isso era imperdoável.

Reuni toda a minha força de vontade e com bastante esforço, sai de cima dela, ficando de pé.

— Mais que merda — praguejei, deixando a casa sem me importar com a maldita camisa e com o maldito canivete.

Que a maldita criminosa atraente e gostosa o pegasse e enfiasse em mim quando eu voltasse. Mas naquele momento nada disso realmente importava.

Não poderia ficar com ela no mesmo recinto, na mesma casa. Se eu voltasse iria fazer uma bela de uma loucura! Oh se ia! Que ela fugisse se quisesse, até isso eu não me importava naquele momento. Desde que ficasse longe.

E ainda era o terceiro dia. O que seria de mim?

I&R

Grimmjow

Maldita hora em que fui propor aquele desafio para Rukia. Depois que o efeito do álcool passou, fui pensar na merda que eu tinha feito. Aquela louca não recusava desafios, e é claro que dessa vez não havia sido diferente.

Observei Renji do outro lado naquela maldita cabana de merda, praticamente no meio do deserto e logo ele encontrou meu olhar.

— Pensando na Rukia de novo? — perguntou com um sorriso zombeteiro.

— Por que o faria? — devolvi.

Não queria dizer a verdade que no caso, era sim.

— Grimmjow, você é um merda. Estou vendo isso na sua cara.

Se fosse outro dia, teria levantado e metido um belo soco na cara daquele ruivo idiota. Mas estava com tanta preguiça, que até respirar havia se tornado um exercício difícil. Então, apenas o olhei com a pior carranca que consegui fazer.

— Não me olhe assim idiota. Sei que está sentindo falta, porque também estou.

Limitei-me a sorrir com sua pequena confissão.

— Dois idiotas. — Yoruichi apareceu de repente se intrometendo na conversa. Franzi o cenho de irritação. — Não me olhe assim Grimmjow.

— Por que as pessoas estão me dizendo tanto isso hoje? — sibilei desconfortável.

— Talvez, porque pareça que cada vez que olha para um de nós, vai arrancar um pedaço — Nelliel também se meteu na conversa e observei-a me repreender com aquela voz infantil, enquanto levava a mão à cintura. — Talvez seja SÓ por isso.

— Vão a merda e me deixem em paz — grunhi sem me levantar do chão.

— Não vou dizer que a culpa dela não estar aqui, não é sua. Porque é totalmente sua — Yoruichi voltou a dizer, encarando-me. — Onde estava com a cabeça quando a desafiou para algo assim?

Entre os seios dela.

— Você quer mesmo saber?

Inevitavelmente soltei um sorriso maldoso e ela apertou os olhos.

— Entendeu o que eu quis dizer, não foi literalmente, apesar de não ser difícil de saber, bem, onde sua cabeça estava — continuou a falar sem nenhuma vergonha. — Já que você e Rukia parecem dois coelhos, vivem trepando.

Renji riu alto e Nelliel revirou os olhos voltando a nos ignorar e não pude conter meu riso de satisfação.

— Sei lá. Eu estava bêbado mulher — falei com indiferença e voltei a olhá-la. — Ela também estava, nem me lembro o porquê de ter dito aquilo, mas não adiantou que eu retirasse na manhã seguinte, a maldita se lembrava — admiti com sinceridade.

— O que os idiotas estão fazendo?

Ah, por Deus! Por que eles aparecem do nada? Um minuto atrás, só estava Renji e do nada, lá estava Yoruichi e depois Nelliel, e agora Ulquiorra.

— Discutindo onde a cabeça de Grimmjow estava na noite em que desafiou Rukia a entregar-se ao estado.

Revirei os olhos para Nell que mordeu uma maçã com gosto.

— Que interessante — o branquelo murmurou com a voz repleta de irônia. — E descobriram? — perguntou fingindo interesse.

— Entre os peitos dela, provavelmente — respondeu dando de ombros e Ulquiorra sorriu.

— Vocês falando dessa maneira, parece que todos nós somos totalmente dependente de Rukia — observou e todos nós olhamos para ele ao mesmo tempo. — É, somos todos muito dependentes dela — admitiu depois de dar um suspiro. — Admito que também estou com saudades, parece que mesmo todos nós estando juntos — Olhou em volta —, quase todos juntos — Faltava o imbecil do Kaien que era jovem e imprudente e provavelmente estaria lerdando por aí — fica faltando algo.

Um silêncio se instalou e de repente Renji disse:

— Por que não vamos atrás dela? — sugeriu com uma expressão esquisita que todos nós já sabiamos o que era.

— Até que eu queria — Nelliel foi a primeira a se pronunciar. — Mas vocês se lembram bem do que houve quando Renji desafiou ela a pular no rio do penhasco e depois ele — Apontou o queixo para o cabeça de abacaxi — tentou impedí-la, porque algo no coração dele — continuou com irônia —, avisou que era algo bem perigoso.

— Sim, ela atirou em mim e me jogou do penhasco. — Todos nós rimos ao mesmo tempo, mas era algo que realmente nenhum de nós queria passar.

— É melhor não. Eu não quero que ela atire em mim ou me faça ser presa também — Yoruichi falou, sentando do lado oposto da parede com um olhar descontraído.

— É... — todos nós murmuramos ao mesmo tempo e suspiramos. — Que tal jogarmos poker? — sugeri com ar entediado.

— Feito. — Assentiram em uníssono.

— Espera... Onde está o Kaien? — Ulquiorra perguntou de repente.

— Sei lá. Ele saiu sem falar nada já faz um tempo — Renji respondeu sem nenhum interesse enquanto pegava o baralho.

— Só espero que aquele babaca não nos arranje uma baita de uma encrenca — Nelliel declarou, sentando ao meu lado e cerrando os punhos. — Se não irei acabar com aquele rostinho bonito. — Deu socos na própria mão.

— Sim — murmuramos novamente ao mesmo tempo, de novo.

I&R

Rukia

Já havia se passado um bom tempo desde que o xerife tinha saído. E céus, o que tinha sido aquilo? Eu realmente não esperava que ele reagisse daquela forma quando eu disse que ele era gostoso... Talvez tenha que dizer isso mais vezes...

Enfim.

Esperava que ele corasse e me ignorasse como costuma fazer, ou atirar a faca em mim, qualquer coisa! Menos me beijar. E tinha sido muito bom! Que homem! Assim como eu imaginava que seria, ele era bem definido, oh se era! E tinha um calor, um calor... Sensacional.

Sinceramente falando, eu queria transar com ele, transar muito! Respirei fundo tentando conter a sensação que corria pelo meu corpo cada vez que eu me lembrava daquilo...

Estava deitada em um dos sofás olhando para o teto, já havia escurecido e ele ainda não havia voltado. Percebi que estava descontrolado e não era muito difícil deduzir que provavelmente, arrependido também, mas eu não ligava.

Todavia, sabia que ele estava suficientemente alterado para me deixar ali sozinha, com um canivete e sair sem camisa. E isso era ótimo. Não iria fugir, óbvio, mas me senti tentada a fazer isso só para ver qual seria a reação dele.

Ouvi o barulho de passos se aproximando e esperei. Ainda não havia entrado na casa e continuei esperando. Subiu a escada e logo em seguida, já estava ali. Olhei na direção da porta e tive a divina visão do xerife suado sem camisa.

Estava ofegante e sério.

Sorri.

Respirou fundo e percebi que suas mãos tremiam.

— Não vai acontecer de novo — declarou com a voz um pouco ofegante e rígida. Continuei a olhá-lo sem dizer nada, até ele repetir: — O que aconteceu hoje, não vai acontecer novamente. Entendeu?

— Você que sabe — respondi ainda olhando para seu rosto. Não concordei, mas também não discordei. Ele ainda iria voltar atrás. — O que o faz pensar isso? — perguntei com uma pontada de divertimento.

— Preste bem atenção. Você é uma criminosa e eu sou um servidor da lei. É imperdoável que eu quebre meus princípios. E um deles, é ter que me deitar com uma pessoa que faça exatamente o contrário do que eu faço. — Arrumei-me no sofá, sentando e ficando de frente para ele.

— Não foi isso que eu perguntei. Quero saber o porquê de você achar que não vai acontecer de novo. Se acha que isso vai acontecer, está enganado xerife. Já percebeu a tensão sexual que queima entre nós, não é? — murmurei e ele virou o rosto para o lado. — Vou considerar isso como um sim. Conheço homens o suficiente para saber que não aguentará ficar longe de mim por muito tempo, ainda temos cento e noventa e oito dias. — Levantei do sofá e me dirigi ao “meu” quarto.

Quando fechei a porta ainda pude ouvi-lo:

— Oh, maldita mulher. Se acha que vai conseguir o que quer, está enganada! Não vou deixar você me seduzir pra depois fugir! Se pensa que isso vai acontecer, está enganada! Enganada! — gritou do outro lado da porta e não pude conter meu riso.

— Não vou precisar Kurosaki! — berrei de volta, enquanto continuava a rir. — Já disse que não vou fugir. Será muito mais gratificante ficar aqui e ver no que isso vai dar!

Notas finais
Gostaram? Como sempre, deixem os reviews para mim saber o que acharam. E logo voltarei com mais um capítulo! Beijos e até a próxima.