Céu e Lua
2 Beneath the full moon
“Beneath the full moon, even plants sleep through the hours past midnight.
In a human and youkai's trial of guts, what is there to fear?
Victim of the ultimate sin, where can you be found?”
Acordei. Os gritos da neet ecoavam pela casa. Vai gritar assim no inferno...
- Acordei, satisfeita? – Eu dizia tentando ajeitar o cabelo. Cabelo longo atrapalha as vezes.
- Moko-Tan, seu cabelo está tão longo... – Ela pegava alguns fios do meu cabelo. – Posso cortar um pouco?
- AHN!? – Eu me afastava. – Da última vez ele ficou tão curto que eu parecia um garoto! E você ainda queria deixar ele vermelho!!!
- Eu melhorei nesses últimos anos Moko-Tan! – Ela sorria, parecendo um pouco entediada. – Vamos lá! Vamos!
Eu hesitei um pouco, mas o que iria perder se fizesse isso? Deixei ela mexer um pouco no meu cabelo. Fomos para o quarto dela. Rosa demais, mas ignorei.
Sentia a tesoura cortando meu precioso cabelo, via os fios caindo no chão. Estava quase passando mal vendo aquilo.
Ela dizia animada “Está pronto!”. Hesitei em olhar o espelho, mas não resisti muito. A curiosidade estava sendo mais forte que meu medo. Devo admitir, havia ficado bom. Não estava curto, mas não estava tão comprido como antes. Estava batendo nas minhas costas, perfeito.
- Parabéns Neet! Ficou ótimo dessa vez! – Eu virava para agradece-la.
- Que bom que gostou Moko-Tan. – Ela olhava orgulhosa.
- Certo, vou fazer comprar agora. – Eu me levantava. – Afinal, tenho que cuidar de uma neet inútil como você. – Dava um peteleco na testa dela e saia andando, ouvindo ela me xingando do quarto e me segurando para não rir.
Colocava um macacão jeans, uma regata e um chinelo qualquer e fui embora.
A loja era bem perto da nossa casa. Apenas meia hora a pé, nada de mais.
O dia estava bem quente, mas nada muito mortal. Já havia sentido coisas piores que calor. Ri ao lembrar de certas coisas.
Depois de algum tempo, eu chegava no mercado. O passeio foi tão rápido. Suspirei entrando na loja, aliviada pelo fato de terem instalado ar condicionados naquele lugar.
Passava pelas prateleiras, ia escolhendo os produtos com certa desatenção.
- A Neet gosta de chocolate... – Pegava uma caixa de bombons.
Olhava para a caixa vendo os tipos de bombons que tinham ali até acabar esbarrando em algo.
- Me desculpe, você está bem? – Alguém me oferecia a mão.
Olhei meio atordoada para cima, dando de cara com um sorriso que eu conhecia.
Segurei firme a mão dela e me levantava. Ela se desculpava sem jeito, eu apenas sorri, dizendo que estava tudo bem. Não conseguia desviar meu olhar dela. Uma mulher desajeitada, se desculpando sem parar.
Cabelos longos e prateados, com algumas mechas azuis. Olhos azuis e de aparência bondosa. E para terminar, um sorriso sem jeito.
- Realmente me desculpe pelo inconveniente! – Ela continuava a rir.
- Ah, tudo bem.
- Pode...soltar a minha mão? – Ela desviava um pouco os olhos dos meus.
- Epa, me desculpe. – Eu corava um pouco.
- Tudo bem. – Ela começava a andar em direção do caixa.
- Espera! – Eu a segurava novamente. – Qual é o seu nome?
- O meu? Keine... – Me olhava um pouco assustada.
- Keine... – A soltei, tentando me lembrar de onde conhecia aquele nome.
- E o seu nome? – Sorria tentando ser simpatica.
- Mokou.
Ela apenas sorrio depois disso, e acenando pegava suas compras e ia embora. Paguei o que havia pegado e fui embora.
Voltava para casa, mas o tempo parecia andar mais lento dessa vez. Tentava me lembrar das coisas que aconteceram.
Algumas imagens apareciam na minha cabeça. A Neet, o elixir, mais borrões e alguém que havia me acolhido novamente. Minha cabeça começava a doer.
Chegava em casa, a Neet estava dormindo no sofá como sempre. Derrubei ela do sofá e joguei as sacolas em cima dela. Depois disso só ouvi ela gritando e fui pro meu quarto.
- Lembre-se, lembre-se...calma. – Massageava minha cabeça, como se isso funcionasse. – Droga!
Kaguya abria a porta agressivamente, jogando uma lata de bombons (vazia) em mim.
- MOKOU! Como se atreve a fazer isso.
Olhei para ela, começando a ficar nervosa. Conseguia sentir uma veia saltar. Até que...
- É MESMO! Neet! Venha aqui!
Ela olhava desconfiada para mim, sentando-se do meu lado, se afastando um pouco.
- Neet, você se lembra do que aconteceu depois que eu me tornei imortal?
- Hmmm, brigamos, brigamos, brigamos... – Dei um soco nela. – Tá, calma. Não sei direito o que você fez, quando te reencontrei você esta a junto daquela humana.
- Humana? – Mais borrões vinham a minha cabeça. Memória é uma coisa difícil de se lidar.
- É! Aquela professora lá, a Keine.
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