Céu de cristal

3 Que é que eu vou fazer pra te esquecer?


Notas iniciais
Hey! Eu quase que desisti da fic (sim, após dois caps)... Mas, recebi um comentário tão lindo, que me senti super incentivada. Não sei como está minha escrita, porque eu nunca consigo me fazer por satisfeita! MAAAAAAS... Enfim! HAHAHAH Tentarei postar o outro assim que possível. Gentem, as frases que eu coloco nos inicios de cada capitulo, em geral são músicas. Deixo essa do Caetano Veloso pra vocês ouvirem e se apaixonarem (oops) tanto quanto eu. Aproveitem. - A história pode ser interrompida caso não haja incentivo.

“Não vejo mais você faz tanto tempo, que vontade que eu sinto de olhar em seus olhos, ganhar seus abraços (...) Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer. E te querendo eu vou tentando me encontrar. (...) Buscando em outros braços seus abraços, perdido no vazio de outros passos.” (Caetano Veloso – Você não me ensinou a te esquecer.)

Dimitri levantou–se cambaleando da cama, tropeçando em algumas latas de Heineken dispersadas no chão. O vidro verde inerte no chão o fez entender o motivo da dor lancinante em sua cabeça, e as gargalhadas e conversas agitadas no andar de baixo o fizeram entender o motivo de ter acordado tão cedo durante o sábado.

E, por fim, decidira que desceria a fim de confrontar o que o atormentava há tanto tempo.



☼

— Vocês são tão lindas. – Uma mulher gorda guinchou assim que as moças desceram do carro, puxando Bianca para um abraço. A surpresa em seus olhos era tão explicita que um sinal de exclamação em cima de sua cabeça seria o mais apropriado naquele momento, como em quadrinhos da Turma da Mônica.

– Úrsula – repreendeu o mordomo, parado ao lado do carro. – As convidadas não são para você. A sua tarefa era simplesmente saudá–las. Não… esmagá–las – lançou um olhar repulsivo para o abraço das duas em sua frente.

A mulher cambaleou para trás, quase sem conseguir manter o próprio peso sobre suas pernas, com as bochechas tão rosas quanto a mala de Bianca.

– Não tem problema. – a garota comentou. – Eu gostei. – iluminando o rosto, recentemente envergonhado, de Úrsula com um sorriso.

– Vejam só quem chegou. – A voz vinha do outro lado do jardim, voltando a atenção de todos para a origem do som. Um homem alto, com os cabelos já grisalhos e marcas de expressões em todo o rosto, vinha caminhando de braços abertos.

A camiseta vermelha sob o macacão sujo de terra fazia com que quem visse, e não conhecesse, pensasse que era um jardineiro. Ao seu lado, a mulher de cabelos longos igualmente grisalhos caminhava lentamente, com um vestido florido tão sujo quanto a roupa do marido.

– Tio Cássio. – Radija sorriu, disse animadamente, abraçando o tio quando este aproximou-se.

– Cuidado para não se sujar. – ele riu. Cássio possuía uma risada contagiante, e era o exemplo de pessoa que todos gostariam de ser quando a velhice chegasse. Ou até mesmo antes. – O nascimento da filha do jardineiro é hoje. Eu e a Isabel aproveitamos para cuidar das orquídeas. – explicou, cutucando a mulher parada ao seu lado.

– É. Aproveitamos. – ela manifestou-se. Encarava seriamente as convidadas, analisando como vieram e se as vestimentas seriam apropriadas para o lugar onde viviam. Na cabeça dela, ela e o marido eram como o Rei e a Rainha da Inglaterra. E, talvez, realmente fossem em Céu de Cristal.

Após os cumprimentos, Úrsula acompanhou as temporárias inquilinas para dentro da casa.

Nádia, a criança, aparentou, por longos instantes, estar paralisada. Os olhos brilhavam a medida que encarava cada parte da casa, Bianca emitiu um murmúrio de surpresa e até mesmo Mabelly, que fizera uma visita razoavelmente recente, permitiu que a admiração passasse por seus olhos castanhos.

A enorme casa de madeira era tão parecida com as de filmes quanto se podia imaginar; possuía lareira, cortinas empoeiradas, sofás floridos e inúmeros retratos dos fundadores e suas respectivas esposas, com olhares misteriosos e sem qualquer resquício de felicidade em seus semblantes.

– Está é Morgana. – Úrsula disse, apontando para um dos retratos localizado no alto da parede. Os olhos azuis da mulher eram grandes destaques na pele retratada tão pálida. Os cabelos ruivos tão escuros contrastavam a clareza de suas bochechas rosadas. – Diziam que ela era linda. Sim, essa esposa de Constantino. Muito linda. Em outras palavras – apressou-se em explicar, visto que a olhar de confusão rondava nas expressões das garotas. – Mãe do tio Cássio de vocês. Alguns boatos afirmam que ela não era tão branca, mas poucas das pessoas que a conheceram pessoalmente afirmam que ela era tão bonita quantos nos quadros. Morreu cedo essa Morgana. Sim, sim. Muito cedo. – o tom de lamento em sua voz fazia com que parecesse que Morgana era de sua própria familia. – E aquele. – Apontou para um retrato de duas mulheres e um homem. – É Constantino, junto com Morgana e… Coralina Esmeralda. Morgana e Coralina eram tão parecidas, que havia quem dissesse que eram frutos do mesmo parto.

Nádia aproveitou o tempo de nostalgia para fazer diversas perguntas sobre a casa. “Como Constantino e Morgana terminaram?” “Ora, minha filha. Há quem afirmasse que Constantino e Coralina tiveram um caso. O relacionamento dos dois terminou com a morte de Morgana.” “Como ela morreu?” “Assassinato.” “Quem a matou?” “Não há um que não gostaria de saber” “E Constantino?” “Ainda vivo.” “Uau, isso é incrivel. Vamos conhecê-lo?” “Se assim for a vontade de Cássio.” “Por que ele é o herdeiro de Céu de Cristal?” “É o primogênito.” “Ele trabalha muito?” “Mais do que deveria.” “Coralina ainda está viva?” “Fugiu.” “Por quê?” “Fora uma viúva traiçoeira.” “O que é ‘vi..’”

As perguntas foram interrompidas com o baque dos pés colidindo com os degraus de madeira. Fez–se silêncio, onde todos esperavam uma das únicas pessoas que faltava. Edmundo estava indiferente, sentado no sofá e encarando as unhas. Lucca preferiu analisar os semblantes das primas. Nádia parecia assustada, como se esperasse que o fantasma de algum dos fundadores aparecesse e a atacasse. Bianca parecia interessada. Radija olhava em volta, desconfortável com o silêncio. E, tinha Mabelly… Ah, sim. Mabelly. Ela era a mais apreensiva. Talvez até mais que a pequena Nádia, que aguardava por seu fantasma. Mabelly sabia quem iria descer. E sabia que não poderia escapar.

Lucca deu um meio sorriso. Como se soubesse que a partir daquele momento, tudo iria recomeçar.

– Olá, primas queridas. – Dimitri apareceu, com seu robe de cetim vermelho tão comprido que arrastava-se pelo chão. Aquela imagem o fazia parecer mais do que nunca com o próximo herdeiro de Céu de Cristal. – Senti tantas saudades. – Dirigiu um olhar para uma Mabelly paralisada. – Principalmente de você, Belly.

Notas finais
Enfim! Foi isso! HAHAHA O que acharam? Aliás, sei que parece muita enrolação, mas é porque eu tenho que tomar todo o cuidado do mundo pra não escrever demais e ficar maçante. Logo menos começam os mistérios (espero!) You know you love me, xoxo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.